{"id":120933,"date":"2021-05-23T12:36:58","date_gmt":"2021-05-23T15:36:58","guid":{"rendered":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/noticias\/o-dia-em-que-andre-ribeiro-conquistou-uma-das-maiores-vitorias-da-historia-do-brasil\/"},"modified":"2021-05-23T12:44:17","modified_gmt":"2021-05-23T15:44:17","slug":"o-dia-em-que-andre-ribeiro-conquistou-uma-das-maiores-vitorias-da-historia-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/indy\/o-dia-em-que-andre-ribeiro-conquistou-uma-das-maiores-vitorias-da-historia-do-brasil\/","title":{"rendered":"O dia em que Andr\u00e9 Ribeiro conquistou uma das maiores vit\u00f3rias da hist\u00f3ria do Brasil"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-video\"><video class=\"video-js vjs-big-play-centered\" data-gp-vjs=\"1\" controls src=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/alex-palou-quali-crash.mp4\"><\/video><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Andr\u00e9 <a href=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/indy\/noticias\/andre-ribeiro-1966-2021\/\">Ribeiro foi um dos maiores <\/a>nomes do automobilismo brasileiro nos anos 1990. Vice-campe\u00e3o da Indy Lights em 1994, o paulista fez quatro temporadas de CART, vencendo com a modesta Tasman a Rio 400, etapa do campeonato disputada no Rio de Janeiro. Mas aquela n\u00e3o foi qualquer vit\u00f3ria. Em um grid repleto de grandes nomes e uma pista trai\u00e7oeira com mescla de oval e circuito misto, Ribeiro se tornou, 25 anos atr\u00e1s, o primeiro piloto brasileiro a vencer uma grande corrida em casa desde a morte de Ayrton Senna, que havia triunfado no GP do Brasil de F1 de 1993. Uma catarse nacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Largando em terceiro, o paulista saltou para a lideran\u00e7a com o abandono de Greg Moore e precisou de muito sangue frio para lidar com uma relargada nas voltas derradeiras, tendo de segurar o lend\u00e1rio Al Unser Jr. No fim, Ribeiro venceu, para a festa do p\u00fablico brasileiro que voltava todas as aten\u00e7\u00f5es para a prova.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2016, em longa e exclusiva entrevista concedida ao <strong>GRANDE PR\u00caMIO<\/strong>, o ex-piloto contou todos os detalhes daquela prova, a imagem da traseira do Vectra que n\u00e3o fugia da mem\u00f3ria, a ansiedade que o seguiu durante toda a semana de corrida, a f\u00e9 que sempre o acompanhou e comentou que a ficha da vit\u00f3ria ainda seguia caindo. Na entrevista, Andr\u00e9 detalhou a transi\u00e7\u00e3o das pistas para os escrit\u00f3rios e deu seu ponto de vista sobre a Indy e o automobilismo brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes mesmo do in\u00edcio da conversa em seu escrit\u00f3rio, em S\u00e3o Paulo, Andr\u00e9 chegou com uma enorme pasta cheia de relatos de jornais sobre sua vit\u00f3ria no Rio. Capa, mat\u00e9ria principal, \u2018O Globo\u2019, \u2018Estado de S. Paulo\u2019, \u2018Folha de S.Paulo\u2019. Assim, surgia o gancho para a primeira pergunta de um longo papo. E o <strong>GP<\/strong>, em homenagem a Andr\u00e9 Ribeiro, recorda como foi a entrevista.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Andre-Ribeiro-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-456486\"\/><figcaption>Andr\u00e9 Ribeiro venceu a Rio 400 de 1996 (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>GRANDE PR\u00caMIO \u2014 Como foi a repercuss\u00e3o do evento e da sua vit\u00f3ria no Rio?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ANDR\u00c9 RIBEIRO<\/strong> \u2014 A import\u00e2ncia da Rio 400 foi crescendo por um somat\u00f3rio de coisas: a morte do Ayrton alguns anos antes, a F1 ter perdido um s\u00edmbolo daquele tamanho para o Brasil e n\u00e3o ter outro competindo no mesmo n\u00edvel, a Indy, que tinha um n\u00famero de brasileiros enorme e muitos com chances de vit\u00f3ria, a categoria que vinha ao Brasil em um oval. Aquilo tudo somado ao fato de um brasileiro ter vencido gerou algo que eu n\u00e3o me lembro de ter visto com qualquer outro esporte. Nunca tinha visto tamanha repercuss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>GP \u2014 Como foi a prepara\u00e7\u00e3o do carro? Como era a pista?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AR <\/strong>\u2014 Era uma pista em que a gente nunca havia andado, era muito ondulada \u2013 especialmente na reta oposta \u2013 e tinha uma caracter\u00edstica \u00fanica: tinha duas retas longas e duas curvas, para oval, muito fechadas. Ent\u00e3o, era um acerto totalmente diferente para o carro, uma mistura de oval e circuito misto, algo que n\u00e3o existia na Indy. Foi muito dif\u00edcil chegar l\u00e1 e praticamente aprender tudo, j\u00e1 que a simula\u00e7\u00e3o na \u00e9poca n\u00e3o era nem de perto o que \u00e9 hoje.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>GP \u2014 Voc\u00ea saiu satisfeito do treino classificat\u00f3rio?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AR <\/strong>\u2014 Apesar da dificuldade com o acerto, nosso carro andou bem na classifica\u00e7\u00e3o, fiz o terceiro tempo. Ali deu para ver que t\u00ednhamos uma boa performance, al\u00e9m de um bom chassi, o motor Honda estava funcionando muito bem, est\u00e1vamos logo atr\u00e1s das Ganassi.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>GP \u2014 Imaginava que pudesse vencer? Era essa a meta?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AR <\/strong>\u2014 Obviamente que a gente gostaria de vencer, mas o evento era t\u00e3o especial que confesso que n\u00e3o me recordo se a gente tinha a pretens\u00e3o de ganhar logo de cara. Vencer no seu pr\u00f3prio pa\u00eds, na primeira corrida, \u00e9 algo que s\u00f3 depois voc\u00ea pode mensurar. At\u00e9 ent\u00e3o era uma coisa inalcan\u00e7\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>GP \u2014 Como voc\u00ea acordou no dia da corrida?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AR <\/strong>\u2014 A ansiedade para a corrida no Brasil era absurda. Era totalmente diferente de tudo, mesmo das 500 Milhas de Indian\u00e1polis, com toda prepara\u00e7\u00e3o e atividades que existem l\u00e1. Aqui voc\u00ea fica rodeado por pessoas que geralmente n\u00e3o est\u00e3o com voc\u00ea: minha fam\u00edlia, meus amigos, meus patrocinadores, a m\u00eddia toda, os f\u00e3s, estavam todos na corrida. O grau de ansiedade s\u00f3 aumentava conforme aconteciam as atividades promocionais da semana, eu nunca tive isso em nenhum lugar. Ent\u00e3o, eu cheguei no dia da corrida muito tenso, muito ansioso.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Andre-Ribeiro-3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-456487\"\/><figcaption>Andr\u00e9 Ribeiro vibra com o triunfo em Jacarepagu\u00e1 em 1996 (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>GP \u2014 O que mais te marcou naquela vit\u00f3ria?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AR <\/strong>\u2014 Sentir a energia da torcida, disparado foi o que mais me marcou. Eu j\u00e1 tinha corrido em pistas extremamente cheias como Indian\u00e1polis, Michigan e Long Beach, mas a energia que existe no Brasil \u00e9 algo que eu nunca vi em lugar algum. Lembro que quando o Michael Andretti venceu uma corrida em Nazareth, cidade dele, o pessoal aplaudiu, valeu, mas todo mundo foi para casa e acabou. Aqui, estava todo mundo extasiado, a arquibancada, a \u00e1rea vip, a minha equipe, os meus amigos, meus pais. Ter visto aquele grau de emo\u00e7\u00e3o em todo mundo foi totalmente inesquec\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>GP \u2014 Teve algum momento em que voc\u00ea errou e pensou que tivesse perdido a corrida?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AR <\/strong>\u2014 V\u00e1rios. A pista, como eu comentei, era cheia de ondula\u00e7\u00f5es, especialmente na freada da \u00faltima curva. Ent\u00e3o, se voc\u00ea freasse um pouco antes ou depois, a curva era toda comprometida, especialmente a sa\u00edda dela. Lembro que duas vezes eu escapei, raspei o muro e, na hora, minha ansiedade cresceu muito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>GP \u2014 O que passou pela sua cabe\u00e7a quando o Greg Moore abandonou e a lideran\u00e7a foi para voc\u00ea?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AR <\/strong>\u2014 \u00c9 engra\u00e7ado, existem corridas em que tudo acontece contra voc\u00ea, quantas vezes eu j\u00e1 n\u00e3o tive um carro fabuloso e quebrava alguma coisa? Aquele era o meu dia. N\u00e3o s\u00f3 o Greg Moore, mas tamb\u00e9m o Gil de Ferran teve problema de combust\u00edvel, os pilotos que vinham com performance semelhante ou melhor iam todos ficando pelo caminho. \u00c9 aquilo: quando tem de ser a sua vez, ser\u00e1 a sua vez.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>GP \u2014 E como voc\u00ea ficou com a amarela causada pelo Robby Gordon j\u00e1 nas voltas finais?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AR <\/strong>\u2014 Eu achei que j\u00e1 tinha uma lideran\u00e7a folgada para o Al Unser e ent\u00e3o veio a batida. Depois, surgiu a d\u00favida se a corrida acabaria em amarela, mas limparam a pista correndo para voltarem com a bandeira verde no final. Aquilo me causou uma ansiedade absurda. Eu guardo at\u00e9 hoje na minha mem\u00f3ria a imagem do Vectra na minha frente. O Pace Car era um Vectra naquela corrida e ele estava absurdamente devagar, j\u00e1 que queriam limpar logo a pista e deixar mais voltas em bandeira verde para o fim. Atr\u00e1s de mim estava o Al Unser Jr, um supercampe\u00e3o que queria me pressionar, colocou o carro do meu lado v\u00e1rias vezes, ent\u00e3o meu nervosismo ia crescendo, sabia que qualquer mole que eu desse ele iria me passar. Foi o momento mais tenso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>GP \u2014 Quando caiu a ficha de que havia vencido uma corrida em casa?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AR <\/strong>\u2014 Eu acho que a ficha nunca cai. Consegui coisas muito importantes: a primeira vit\u00f3ria da Honda na Indy, a primeira vit\u00f3ria da Firestone, a primeira vit\u00f3ria da minha equipe, minha primeira vit\u00f3ria, foi algo totalmente in\u00e9dito. Eu tamb\u00e9m venci as 500 Milhas de Michigan, mas nada que possa ser comparado com vencer em casa. Pude comemorar com meus pais, meus amigos, com meus patrocinadores, com todos que naquela noite resolveram ir ao Porc\u00e3o (churrascaria tradicional do Rio de Janeiro). \u00c9 muito dif\u00edcil dessa ficha cair. Cada vez que eu relembro aquilo, esse nosso papo, tudo isso me traz mem\u00f3rias e lembran\u00e7as, eu sinto como se a ficha continuasse caindo aos poucos. Espero que continue caindo para sempre.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>GP \u2014 Foi o principal momento da sua carreira?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AR <\/strong>\u2014 Disparado. Eu lembro que tr\u00eas dias depois da corrida eu seguia sem dormir. Fui ao Programa do J\u00f4, em v\u00e1rios outros programas da \u00e9poca e a excita\u00e7\u00e3o era t\u00e3o grande que eu s\u00f3 consegui voltar a dormir quando fui para os Estados Unidos. A comemora\u00e7\u00e3o de todos, a repercuss\u00e3o que deu, eu imagino que nem com um americano vencendo as 500 Milhas de Indian\u00e1polis aconte\u00e7a algo parecido com aquilo da Rio 400.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Andre-Ribeiro-1024x705.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-456489\"\/><figcaption>Andr\u00e9 Ribeiro foi o primeiro brasileiro a vencer em casa ap\u00f3s a morte de Ayrton Senna (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>GP \u2014 Como foi trabalhar com a Penske? Mant\u00e9m contato?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AR <\/strong>\u2014 Mantenho muito. Ali\u00e1s, estive l\u00e1 um m\u00eas atr\u00e1s na comemora\u00e7\u00e3o dos 50 anos da equipe. Foi muito emocionante, muito bacana, um privil\u00e9gio estar l\u00e1. A verdade \u00e9 que o Roger Penske foi uma grande refer\u00eancia para mim, n\u00e3o apenas por eu ter corrido l\u00e1, mas porque ele me deu a oportunidade e investiu financeiramente no in\u00edcio da minha outra carreira, no mundo das concession\u00e1rias de autom\u00f3veis. A Penske para mim foi mais do que um time ic\u00f4nico em que eu pude guiar, mas um divisor de \u00e1guas, quando eu pude interagir com uma pessoa maravilhosa que me ajudou na passagem de uma carreira para a outra. Guardo um carinho e um respeito absurdo por ele.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>GP \u2014 Ainda acompanha automobilismo? Gosta?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AR <\/strong>\u2014 Depois que parei de guiar, tive duas experi\u00eancias muito boas que, para mim, completaram meu ciclo no automobilismo. A primeira delas foi com Pedro Paulo Diniz, em que nos juntamos para organizar o Renault Speed Show, com F-Renault, Copa Clio e Superclio. Durante cinco anos a gente cuidou disso e, na minha opini\u00e3o, n\u00e3o havia categoria de base mais organizada na \u00e9poca. Paralelamente a isso eu tive a chance de assessorar a Bia Figueiredo, na \u00e9poca ainda correndo de kart. Eu e o Augusto Ces\u00e1rio a levamos para Indy, foi bem especial. Ent\u00e3o, estando de tr\u00eas formas diferentes envolvido no automobilismo, sinto que completei meu ciclo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>GP \u2014 O que mais mudou na Indy em rela\u00e7\u00e3o aos seus tempos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AR <\/strong>\u2014 Mudou muita coisa. Na minha \u00e9poca, a Indy era multimarcas: quatro ou cinco chassis diferentes, quatro ou cinco motores diferentes, dois fabricantes de pneus, um volume de patroc\u00ednios muito grande, esse conjunto de empresas envolvidas trazia uma competitividade imensa. Hoje, a Indy \u00e9 praticamente monomarca: um pneu, um chassi, dois motores. N\u00e3o digo que ficou pior ou melhor, mas claramente a\u00ed est\u00e1 uma diferen\u00e7a, sinto um pouco de falta de grandes fabricantes competindo entre si.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>GP \u2014 Qual sua an\u00e1lise do atual momento do automobilismo brasileiro?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AR <\/strong>\u2014 Eu nem sei o que dizer. Para mim, o automobilismo nacional est\u00e1 restrito \u00e0 Stock Car. Talvez a F-Truck, que tem um hist\u00f3rico bacana. Mas as categorias de base passam por muitas dificuldades, sei disso por tudo que me conta o Ces\u00e1rio. Quando corri de F-Ford, quatro sa\u00edram daquela gera\u00e7\u00e3o para F1 ou Indy. Hoje, se algu\u00e9m consegue ir, por exemplo, da F3 Brasil para a Europa, j\u00e1 \u00e9 um feito. Vejo o automobilismo nacional refletindo um pouco do momento do Brasil, as coisas n\u00e3o v\u00e3o muito para frente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>GP \u2014 E os brasileiros na Indy? H\u00e1 pouco tempo o grid estava cheio de brasileiros, hoje est\u00e3o os dois \u2018de sempre\u2019, Tony e Helio, que j\u00e1 se estabeleceram. Por que t\u00e3o pouca renova\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AR <\/strong>\u2014 Provavelmente pelo motivo que acabei de citar: o automobilismo de base acabou. O Helio e o Tony s\u00e3o da \u00e9poca de F-Ford e de kart fortes. A \u00e9poca deles era praticamente a mesma que a minha, eram outros tempos, em que voc\u00ea tinha alta competitividade no kart e perspectiva de progredir e pouco depois estar na Europa. Lembro que uma m\u00e9dia de cinco a dez pilotos iam para a Europa todo ano. Alguns ficam pelo caminho, mas chegar a uma categoria de ponta era muito mais poss\u00edvel. Hoje os custos s\u00e3o absurdos para entrar no kart e mais ainda para progredir em outras categorias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>GP \u2014 O que a Indy teria de fazer para ter a popularidade que teve na sua \u00e9poca no Brasil?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AR <\/strong>\u2014 Primeiro a Indy precisa voltar a ser popular nos Estados Unidos. A separa\u00e7\u00e3o de 1996 causou uma confus\u00e3o imensa na cabe\u00e7a das pessoas. \u00c9 impressionante como at\u00e9 em retrospectivas dessa \u00e9poca fica esquisito ver as duas categorias. Ent\u00e3o, a Indy precisa resgatar seus valores para ter um campeonato todo forte com os americanos, n\u00e3o apenas a Indy 500 que segue um sucesso total.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>GP \u2014 A propor\u00e7\u00e3o de ovais, circuitos mistos e de rua te agrada?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AR <\/strong>\u2014 Na minha \u00e9poca tinha na mesma propor\u00e7\u00e3o ovais longos, ovais curtos, circuitos mistos e de rua, o que eu achava espetacular. Essa mistura gera uma variedade de resultados que me agrada bastante e tamb\u00e9m consegue dar ao p\u00fablico corridas diferentes. O problema da Indy, para mim, est\u00e1 bem mais na quest\u00e3o de ter perdido o aspecto multimarcas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/A.-Ribeiro-1024x813.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-408833\"\/><figcaption>Andr\u00e9 Ribeiro competiu tamb\u00e9m nas 500 Milhas de Indian\u00e1polis em 1995 (Foto: Indycar)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>GP \u2014 Bras\u00edlia cancelou a corrida \u00e0s v\u00e9speras do campeonato de 2015. Qual a chance de ter uma corrida no Brasil novamente?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AR <\/strong>\u2014 Eu acho que nenhuma. Primeiro porque o que aconteceu em Bras\u00edlia, independentemente das raz\u00f5es e causas, \u00e9 visto por quem investe na categoria como falta de seriedade. Segundo porque o Brasil passa por um momento pol\u00edtico, econ\u00f4mico e social em que n\u00e3o cabe uma corrida desse tamanho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>GP \u2014 20 anos depois, qual \u00e9 a sua liga\u00e7\u00e3o com o automobilismo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AR <\/strong>\u2014 Minha liga\u00e7\u00e3o \u00e9 grande porque minha vida gira em torno de autom\u00f3vel. Tive a chance de correr, de organizar campeonatos, de gerenciar uma pilota e, nos \u00faltimos 15 anos, venho trabalhando com as concession\u00e1rias, o que se tornou minha principal ocupa\u00e7\u00e3o. Tudo que ganhei no automobilismo de recursos financeiros e relacionamentos eu trouxe para o Brasil e investi no que fa\u00e7o hoje. Foi a partir do automobilismo que constru\u00ed tudo que fa\u00e7o hoje. Amigos, parceiros, muitas pessoas que eu admiro, a minha mulher. Conheci todos eles no automobilismo, ent\u00e3o tenho uma liga\u00e7\u00e3o bem grande com o automobilismo na minha vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>GP \u2014 E 20 anos depois, o que voc\u00ea mudou?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AR <\/strong>\u2014 Mudei muito, gra\u00e7as a Deus, n\u00e9? Acho fundamental ter mudan\u00e7as e evolu\u00e7\u00f5es na vida. Naquela \u00e9poca eu era um piloto de corrida e ponto. Hoje eu sou um ex-piloto, tenho as responsabilidades de empres\u00e1rio em um momento conturbado de Brasil, tenho responsabilidades sobre muitos funcion\u00e1rios e tantas fam\u00edlias, sou casado, tenho filhas. A mudan\u00e7a \u00e9 imensa. Mas uma coisa n\u00e3o mudou: a paix\u00e3o por fazer tudo bem feito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>GP \u2014 Alguma curiosidade ou segredo da \u00e9poca de piloto?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AR <\/strong>\u2014 Segredo, n\u00e3o, mas revivi algo bem bacana na semana passada. Sempre tive uma f\u00e9 muito grande e a canalizei na imagem de Nossa Senhora. Em 1996, minha m\u00e3e pediu para que eu carregasse a imagem de Nossa Senhora comigo e a corrida no Rio foi a segunda de um ano cheio de coisas muito especiais para mim. Nas 500 Milhas de Michigan, durante uma das bandeiras amarelas, prometi que, se ningu\u00e9m se machucasse naquela corrida cheia de acidentes fortes, encheria meu capacete de imagens da Nossa Senhora. E assim foi. Depois, levei esse capacete l\u00e1 para Aparecida e essa energia de v\u00ea-lo l\u00e1 \u00e9 sempre muito boa para mim, isso \u00e9 uma das coisas que eu guardo com muito carinho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conhe\u00e7a o canal do Grande Pr\u00eamio no YouTube! 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