{"id":137150,"date":"2019-05-01T14:10:00","date_gmt":"2019-05-01T17:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/noticias\/tricampeao-senna-conquistou-fas-com-habilidade-especial-e-postura-de-quem-era-determinado-a-ser-idolo\/"},"modified":"2020-05-20T22:20:14","modified_gmt":"2020-05-21T01:20:14","slug":"tricampeao-senna-conquistou-fas-com-habilidade-especial-e-postura-de-quem-era-determinado-a-ser-idolo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/f1\/25-anos-sem-senna\/tricampeao-senna-conquistou-fas-com-habilidade-especial-e-postura-de-quem-era-determinado-a-ser-idolo\/","title":{"rendered":"Tricampe\u00e3o, Senna conquistou f\u00e3s com habilidade especial e postura de quem era determinado a ser \u00eddolo"},"content":{"rendered":"\n<div style=\"float: left;margin-right: 15px;margin-bottom:15px\">\n\t<\/div>\n<p>Quem nasceu de 1990 para c&aacute; certamente n&atilde;o se lembra de <a href=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/busca?s=Ayrton%20Senna\">Ayrton Senna<\/a> nas pistas. A <a href=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/f1\">F&oacute;rmula 1<\/a> atual tem 11 pilotos que se enquadram neste perfil, sendo o caso do jovem russo <a href=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/busca?s=Daniil%20Kvyat\">Daniil Kvyat<\/a> o mais representativo: ele nasceu em 26 de abril de 1994, quatro dias antes do tricampe&atilde;o morrer tragicamente em um acidente no GP de San Marino. Isso significa que toda uma gera&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&oacute; de f&atilde;s, mas tamb&eacute;m de pilotos, cresceu sem v&ecirc;-lo ao vivo. Ainda assim, a idolatria que existe em torno da imagem do ex-piloto de Toleman, Lotus, McLaren e Williams, &eacute; not&oacute;ria. S&atilde;o incont&aacute;veis as vezes em que se escuta gente dizendo que tem saudades eternas ou que as manh&atilde;s de domingo nunca mais foram as mesmas. De fato, n&atilde;o foram. Nem para os fan&aacute;ticos, nem para a F1.<br \/>\n<br \/>\nSenna precisou de dez anos na F1 para se tornar o maior &iacute;dolo que a categoria j&aacute; produziu. Pode-se discutir se ele foi o melhor piloto da hist&oacute;ria, mas ningu&eacute;m &eacute; capaz de negar que piloto algum foi &ndash; e &eacute; &ndash; mais idolatrado do que Ayrton.<br \/>\n<br \/>\nTudo &eacute; resultado de uma carreira nem t&atilde;o longa, mas de extremo sucesso e, especialmente, uma preocupa&ccedil;&atilde;o fora da m&eacute;dia com o comportamento e a imagem. Senna tinha consci&ecirc;ncia do que representava para o Brasil no fim da d&eacute;cada de 1980 e in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1990, tempo em que o futebol n&atilde;o ganhava e a economia vivia uma profunda crise. Senna era o Brasil que dava certo.<br \/>\n<br \/>\nS&oacute; que sua postura n&atilde;o conquistou apenas os brasileiros. Seu estilo aguerrido de pilotar colecionou f&atilde;s ao redor do mundo. O ingl&ecirc;s Lewis Hamilton usa um capacete amarelo em homenagem ao &iacute;dolo de inf&acirc;ncia &ndash; e olha que ele nasceu num pa&iacute;s de pilotos excepcionais.<br \/>\n<br \/>\n65 poles e 41 vit&oacute;rias colocaram Senna no topo do mundo do automobilismo tr&ecirc;s vezes, e foi justamente no topo que ele se despediu.<\/p>\n<div class=\"mhv-imagem-full\">\n<div class=\"mhv-imagem\">\n\t\t<img decoding=\"async\" src=\"\/images\/20144101624785_temp_Senna_II.jpg\" title=\"Ayrton Senna (Foto: Rainer W. Schlegelmilch\/Getty Images))\" \/><\/div>\n<div class=\"mhv-credito\">\n\t\tAyrton Senna da Silva (Foto: Rainer W. Schlegelmilch\/Getty Images)<\/div>\n<\/div>\n<div style=\"float: left;margin-right: 15px;margin-bottom:15px\">\n<div id=\"banner-300x250-area\">\n<p>window.uolads.push({ id: &#8220;banner-300&#215;250-area&#8221; });<\/p><\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Mais um filho de Interlagos<\/strong><br \/>\n<br \/>\nHoje, o kart&oacute;dromo tem seu nome. &Agrave; &eacute;poca, era somente o Kart&oacute;dromo de Interlagos. Foi nele que Ayrton Senna deu os primeiros grandes passos da carreira no kartismo. Nascido em 21 de mar&ccedil;o de 1960, Senna foi criado na zona norte de S&atilde;o Paulo, mas atravessava a cidade com frequ&ecirc;ncia para treinar e competir. O primeiro kart lhe foi dado aos quatro anos, constru&iacute;do por seu pai, um grande empres&aacute;rio paulistano. Naquele momento, seu futuro estava definido.<br \/>\n<br \/>\nSenna n&atilde;o era apenas um garoto de muito talento. Ele era obcecado por treinar e melhorar. Jamais aceitou ser derrotado. Dias de chuva eram os seus favoritos. Bastava chover para que ele chamasse o motorista para lev&aacute;-lo ao kart&oacute;dromo. Os resultados dessa dedica&ccedil;&atilde;o foram notados diversas vezes anos mais tarde.<br \/>\n<br \/>\nUm ano mais velho, o brasiliense Roberto Pupo Moreno se lembra de uma passagem que evidencia essa caracter&iacute;stica de Senna. Certa vez em S&atilde;o Paulo, comprando pe&ccedil;as em uma loja que ficava diante do kart&oacute;dromo, notou que havia um garoto dando voltas e mais voltas pela pista. &ldquo;Sa&iacute;a do box na contram&atilde;o, come&ccedil;ava a acelerar at&eacute; metade da reta e voltava para abrir a volta. O motorista tirava o tempo, ele dava uma &uacute;nica volta e parava para trocar o carburador, sair e fazer a mesma coisa. Era o Ayrton Senna&rdquo;, contou em entrevista ao &#039;Allkart.net&#039;.<br \/>\n<br \/>\nOs advers&aacute;rios tamb&eacute;m admitiam que havia um talento incomum em Ayrton. Waltinho Travaglini foi professor e rival do tricampe&atilde;o. Ele recorda, tamb&eacute;m ao &#039;Allkart.net&#039;: &ldquo;Era um cara excepcional. Ele treinava na minha escola e dava para ver que ele tinha algo a mais.&rdquo;<\/p>\n<div class=\"mhv-imagem-full\">\n<div class=\"mhv-imagem\">\n\t\t<img decoding=\"async\" src=\"\/images\/2014511648372_cartsirasenna_II.jpg\" title=\"Carteira de kartista de Ayrton Senna da Silva (Foto: Arquivo pessoal))\" \/><\/div>\n<div class=\"mhv-credito\">\n\t\tCarteira de kartista de Ayrton Senna da Silva (Foto: Arquivo pessoal)<\/div>\n<\/div>\n<div style=\"float: left;margin-right: 15px;margin-bottom:15px\">\n<div id=\"banner-300x250-2-area\">\n<p>window.uolads.push({ id: &#8220;banner-300&#215;250-2-area&#8221; });<\/p><\/div>\n<\/div>\n<p>O sucesso no kart teve muito a ver com a &oacute;tima e duradoura parceria com o preparador de motores L&uacute;cio Pascual, o Tch&ecirc; &ndash; um dos melhores do Brasil. Foram tr&ecirc;s t&iacute;tulos paulistas, dois sul-americanos e dois brasileiros. Ainda assim, ele n&atilde;o estava satisfeito: queria ser o melhor do mundo. Essa foi a fa&ccedil;anha que ele nunca alcan&ccedil;ou: foi vice-campe&atilde;o duas vezes, em 1979 e 1980.<br \/>\n<br \/>\nEssa fase da carreira lhe rendeu o rival que, anos mais tarde, elegeu como seu preferido: Terry Fullerton. &ldquo;Ele era mais experiente e eu gostei demais de correr com ele porque era r&aacute;pido e consistente. Para mim, foi um piloto muito completo, e era uma disputa pura&rdquo;, disse certa vez.<br \/>\n<br \/>\nTamb&eacute;m foi nesse per&iacute;odo que nasceu o capacete que Senna carregou pelo resto da carreira. No Mundial de Kart, as delega&ccedil;&otilde;es ganhavam pontos por ter seus pilotos vestidos de forma &lsquo;padronizada&rsquo;, o que inclu&iacute;a os capacetes. Sid Mosca foi quem desenhou o casco do time brasileiro.<br \/>\n<br \/>\nEra a hora de come&ccedil;ar nos carros.<br \/>\n<br \/>\n<strong>Na estrada da F1<\/strong><br \/>\n<br \/>\nA carreira de Senna nos monopostos teve in&iacute;cio em 1981 na F-Ford 1600, no Reino Unido, com a Van Diemen. Ayrton foi introduzido ao time por Chico Serra, que defendera a esquadra anos antes. O desempenho foi mais do que satisfat&oacute;rio: 12 vit&oacute;rias em 20 corridas, quebrando o recorde do pr&oacute;prio Serra. Campe&atilde;o incontest&aacute;vel, Senna chocou mais ainda no p&oacute;dio da &uacute;ltima corrida, em Brands Hatch, quando revelou seus planos para a temporada seguinte: aposentar-se das pistas.<br \/>\n<br \/>\n&Agrave;quela altura, Senna j&aacute; era casado com L&iacute;lian Vasconcelos, que n&atilde;o estava se sentindo muito confort&aacute;vel na Inglaterra; tampouco ele, que quis voltar ao Brasil para fazer faculdade e trabalhar com seu pai.<br \/>\n<br \/>\nAlguns meses depois, Senna, divorciado, estava de volta ao Reino Unido e negociando para disputar a F-Ford 2000. Acertou com o time de Dennis Rushen e se saiu ainda melhor que na categoria anterior: 21 vit&oacute;rias em 27 provas. Ao estrear na F3 em 1983, j&aacute; era o novato mais promissor do automobilismo. S&oacute; precisava confirmar isso com um t&iacute;tulo na categoria.<br \/>\n<br \/>\nO grande rival no ano da F3 foi Martin Brundle. Ambos pilotavam modelos Ralt com motor Toyota: o do brasileiro era preparado pela West Surrey; o do brit&acirc;nico, por Eddie Jordan. Os triunfos nas nove primeiras etapas destru&iacute;ram Brundle. At&eacute; que Senna come&ccedil;ou a perder pontos aqui e ali e permitiu que o ingl&ecirc;s se recuperasse. Os dois protagonizaram dois acidentes ao longo do ano, inclusive. Incrivelmente, Brundle tinha a vantagem de um ponto antes da etapa decisiva, em Thruxton, mas Senna garantiu o t&iacute;tulo com um hat-trick.<br \/>\n<br \/>\nDe quebra, o ano quase perfeito de Ayrton na F3 teve como &aacute;pice a vit&oacute;ria no GP de Macau. Estava mais do que provado que ele estava pronto para a F1.<br \/>\n<br \/>\n<strong>Novato que falava como gente grande<\/strong><br \/>\n<br \/>\nSe Senna n&atilde;o se tornasse um dos maiores pilotos de todos os tempos, hoje diriam que ele tinha o ego mais inflado do mundo. &Eacute; verdade que ele seu hist&oacute;rico nas categorias de base era fora do comum, mas o caminho que deveria ser trilhado at&eacute; o t&iacute;tulo da F1 ainda era muito longo. Humildade n&atilde;o era bem o seu ponto forte.<\/p>\n<div class=\"mhv-imagem-full\">\n<div class=\"mhv-imagem\">\n\t\t<img decoding=\"async\" src=\"\/images\/20135202132881_1983williams06_II.jpg\" title=\"Menino, Ayrton Senna testou um carro da Williams em 1983  (Foto: LAT Photographic))\" \/><\/div>\n<div class=\"mhv-credito\">\n\t\tMenino, Ayrton Senna testou um carro da Williams em 1983 (Foto: LAT Photographic)<\/div>\n<\/div>\n<div style=\"float: left;margin-right: 15px;margin-bottom:15px\">\n<div style=\"float: left;margin-right: 15px;margin-bottom:15px\">\n<div id=\"banner-300x250-3-area\">\n<p>window.uolads.push({ id: &#8220;banner-300&#215;250-3-area&#8221; });<\/p><\/div><\/p><\/div>\n<p>\tEm 1983, a Williams permitiu que ele testasse um carro da categoria m&aacute;xima do automobilismo pela primeira vez. Foi em Donington Park, na Inglaterra, em 19 de julho &ndash; uma nublada ter&ccedil;a-feira. Frank Williams conversou com o <strong>GRANDE PR&Ecirc;MIO<\/strong> sobre a ocasi&atilde;o em julho de 2013. Claro que o brit&acirc;nico viu o enorme talento de Senna, mas destacou como ele j&aacute; era bastante duro nas negocia&ccedil;&otilde;es. Queria ser tratado como o campe&atilde;o que ainda n&atilde;o era.<\/div>\n<p>\n&ldquo;Era decidido, persuasivo, duro, um homem que pensava de maneira muito l&oacute;gica. Quando ele veio at&eacute; mim, tinha atitude e um senso do valor dele no mercado. Esse era o pre&ccedil;o dele. Eu tentei explicar que ele era novo e ainda tinha muito para provar, pilotos novos costumam bater carros, a velha hist&oacute;ria, e acho que chegamos muito perto de um acordo&rdquo;, relembra. Mas Senna, que tamb&eacute;m testou com McLaren e Brabham, quis ir para a mediana Toleman. Par&ecirc;ntese: o fot&oacute;grafo Keith Sutton, que chegou &agrave; F1 junto com Senna, contou em entrevista para o livro &lsquo;Senna versus Prost&rsquo;, de Malcolm Folley, que o brasileiro recusou uma proposta da McLaren para bancar sua temporada 1983 na F3 porque o time queria prend&ecirc;-lo a um contrato longo.<br \/>\n<br \/>\nCom a Toleman, Senna precisou de quatro corridas para impressionar o mundo. Ap&oacute;s pontuar na &Aacute;frica do Sul e na B&eacute;lgica, brilhou nas ruas de Monte Carlo debaixo de um aguaceiro. 13&ordm; no grid, foi superando os advers&aacute;rios com enorme facilidade. Com ultrapassagens e abandonos de advers&aacute;rios, era terceiro j&aacute; na volta 16. Passou por Niki Lauda no 19&ordm; giro e come&ccedil;ou a tirar a diferen&ccedil;a para Alain Prost. A dire&ccedil;&atilde;o de prova n&atilde;o permitiu que ele alcan&ccedil;asse a lideran&ccedil;a ao interromper a corrida na 31&ordf; das 77 voltas. At&eacute; hoje, h&aacute; quem diga que o protecionismo ao franc&ecirc;s no Principado de M&ocirc;naco tirou de Senna a primeira vit&oacute;ria, mas n&atilde;o se sabe se ele seria capaz de completar a prova. E, se foi mesmo protecionismo, Prost pagou caro: o triunfo valeu metade dos pontos e custou o campeonato, perdido por 0,5 tento para Lauda.<br \/>\n<br \/>\nNaquele ano, Senna foi ao p&oacute;dio tr&ecirc;s vezes: segundo em M&ocirc;naco e terceiro na Inglaterra e em Portugal. E ficou de fora de duas corridas: n&atilde;o conseguiu se classificar para o GP de San Marino e foi tirado do GP da It&aacute;lia pela pr&oacute;pria Toleman &ndash; uma retalia&ccedil;&atilde;o de Alex Hawkridge, o comandante do time. Hawkridge n&atilde;o sabia da negocia&ccedil;&atilde;o de Senna com a Lotus at&eacute; receber um press-release no GP da Holanda anunciando o acordo. Furioso &ndash; afinal, usava o nome do brasileiro para buscar patrocinadores e fazer sua equipe crescer &ndash;, deu o carro 19 ao sueco Stefan Johansson, que terminou em quarto lugar.<br \/>\n<br \/>\nA Lotus serviu como uma transi&ccedil;&atilde;o para Senna &ndash; embora ele quisesse que a escuderia o levasse ao t&iacute;tulo. O carro era r&aacute;pido e permitiu-lhe anotar sete poles em 16 corridas em 1985. A confiabilidade e o elevado consumo de combust&iacute;vel do turbo da Renault &eacute; que o deixavam a p&eacute; muitas vezes. Mas a chuva ca&iacute;a de vez em quando para mudar seu destino. Foi com pista molhada que ele conquistou as duas primeiras vit&oacute;rias da carreira na F1, em Portugal e na B&eacute;lgica.<br \/>\n<br \/>\nNa segunda corrida de 1985, Senna largou na pole no encharcado circuito de Estoril. As condi&ccedil;&otilde;es eram mais do que prec&aacute;rias &ndash; possivelmente piores do que as do GP de M&ocirc;naco do ano anterior. N&atilde;o para Senna. Enquanto gente como Nigel Mansell e Alain Prost se complicava, o carro preto e dourado surgia no meio do spray, resistindo a cada curva do tra&ccedil;ado lusitano. Foram duas horas de luta contra S&atilde;o Pedro, recompensadas. &ldquo;Perdi a conta das vezes em que estive a ponto de bater em outro carro. As condi&ccedil;&otilde;es da pista eram t&atilde;o perigosas que cheguei a pedir suspens&atilde;o&rdquo;, disse ap&oacute;s o GP. No mesmo dia 21 de abril, o Brasil chorava a morte do presidente eleito Tancredo Neves. Em Spa-Francorchamps, em setembro, Senna n&atilde;o largou na pole, que era de Alain Prost. Mas tratou de assumir a ponta j&aacute; na primeira volta e seguir nela at&eacute; o final. Em seu segundo ano na F1, foi quarto no Mundial.<\/p>\n<div class=\"mhv-imagem-full\">\n<div class=\"mhv-imagem\">\n\t\t<img decoding=\"async\" src=\"\/images\/20135202058450_4onwall_II.jpg\" title=\"Foto hist\u00f3rica nos tempos em que a Williams tinha a melhor dupla do grid: 1986, Portugal (Foto: LAT Photographic))\" \/><\/div>\n<div class=\"mhv-credito\">\n\t\tA cl&aacute;ssica foto destes quatro grandes foi tirada em 1986 (Foto: LAT Photographic)<\/div>\n<\/div>\n<p>1986 teria de ser um ano melhor, mas n&atilde;o foi muito. Novamente, terminou em quarto na tabela de pontua&ccedil;&atilde;o, atr&aacute;s de Prost e da dupla da Williams, Nelson Piquet e Nigel Mansell. De novo, venceu duas vezes, mas agora com pista seca, contornando os cr&ocirc;nicos problemas de confiabilidade e consumo do motor. Ambas as vit&oacute;rias s&atilde;o bastante lembradas at&eacute; hoje. No GP da Espanha, em Jerez, deu uma aula de pilotagem defensiva para segurar Mansell, que cruzou a linha de chegada emparelhado; no dos EUA, nas ruas de Detroit, Senna foi patriota ao empunhar a bandeira brasileira que um fiscal lhe entregou um dia ap&oacute;s a do&iacute;da derrota para a Fran&ccedil;a nas quartas de final da Copa do Mundo. Os franceses Jacques Laffite e Alain Prost completaram o p&oacute;dio.<br \/>\n<br \/>\nTamb&eacute;m foi em 1986 que eclodiu a guerra com Piquet. Nos bastidores, eles j&aacute; n&atilde;o se bicavam, mas as desaven&ccedil;as ainda n&atilde;o eram p&uacute;blicas. Em 1983, a Brabham queria Senna, mas a Parmalat vetou a dupla brasileira. Ayrton tinha certeza que o veto viera do ent&atilde;o bicampe&atilde;o. No come&ccedil;o da carreira do mais jovem na F1, eles conversavam, mas nada que os tornasse melhores amigos. Pouco a pouco, a rela&ccedil;&atilde;o foi se deteriorando e as trocas de farpas se tornaram p&uacute;blicas. At&eacute; a sexualidade de Senna foi questionada pelo rival.<br \/>\n<br \/>\nE a batalha transcendeu as pistas, indo parar nas arquibancadas. Resqu&iacute;cios disso s&atilde;o notados at&eacute; os dias de hoje: surgiram os &lsquo;sennistas&rsquo; e os &lsquo;piquetistas&rsquo;. O fanatismo &eacute; compar&aacute;vel ao das torcidas de futebol. Ao longo dos anos, houve quem tentou conciliar a dupla, mas jamais houve muita vontade &ndash; de ambas as partes. H&aacute; quem diga que Senna nunca se sentaria em uma mesa para jantar com Piquet.<br \/>\n<br \/>\nPara 1987, Senna ganhou da Lotus um carro amarelo com motor Honda, mas n&atilde;o teve como ca&ccedil;ar a Williams. Venceu pela segunda vez em Detroit e pela primeira vez em M&ocirc;naco, mas, no meio do ano, a cabe&ccedil;a j&aacute; estava em outro lugar: a McLaren.<br \/>\nGl&oacute;rias e guerra na McLaren<br \/>\n<br \/>\nProst era quase que o dono da McLaren &ndash; literalmente. Depois de faturar dois campeonatos pelo time de Woking, o franc&ecirc;s conversava com Ron Dennis e Mansur Ojjeh sobre a possibilidade de se tornar acionista da equipe. Nenhum piloto que ali chegasse teria vida f&aacute;cil contra ele.<br \/>\n<br \/>\nEm 1987, seu companheiro foi Johansson, cujo desempenho era mais que mediano. A procura por um nome mais forte come&ccedil;ou com Piquet em pauta, mas pulou para o outro brasileiro, como o tetracampe&atilde;o contou &agrave; Sky Sports da Inglaterra em outubro de 2013. &ldquo;Se voc&ecirc;s querem uma equipe forte, peguem o melhor e mais jovem para o futuro: peguem Ayrton&rdquo;, afirmou.<br \/>\n<br \/>\nJ&aacute; se sabia que os motores TAG-Porsche estavam chegando ao final de sua vida &uacute;til e, com a op&ccedil;&atilde;o por Senna feita, tiveram in&iacute;cio as tratativas com a Honda. Dennis, Prost e o brasileiro se reuniram diversas vezes com executivos e engenheiros da montadora nip&ocirc;nica preparando o campeonato de 1988. A dedica&ccedil;&atilde;o ao projeto culminou no desenvolvimento de um carro quase infal&iacute;vel. A temporada&nbsp;seguinte seria da McLaren.<\/p>\n<div class=\"mhv-imagem-full\">\n<div class=\"mhv-imagem\">\n\t\t<img decoding=\"async\" src=\"\/images\/201310301012784_1917468_II.jpg\" title=\"A McLaren se mostrou imbat\u00edvel em 1988 na F1 (Foto: Getty Images))\" \/><\/div>\n<div class=\"mhv-credito\">\n\t\tA McLaren se mostrou imbat&iacute;vel em 1988 na F1 (Foto: Getty Images)<\/div>\n<\/div>\n<p>Senna e Prost viveram em relativa paz at&eacute; o GP de Portugal. O franc&ecirc;s venceu no Brasil para abrir a temporada, com o piloto da casa desclassificado por trocar de carro ap&oacute;s a luz verde. O troco foi dado em San Marino. Em M&ocirc;naco, o desempenho de Senna era acachapante, mas ele se desconcentrou ap&oacute;s ouvir Ron Dennis dizer para que ele relaxasse e jogou no lixo uma vantagem de mais de um minuto. Um erro t&atilde;o tosco que mudaria seu comportamento nas pistas &ndash; embora ele ainda fosse cometer algumas barbeiragens na carreira. Prost herdou aquele trof&eacute;u e disparou na ponta ao ganhar tamb&eacute;m no M&eacute;xico.<br \/>\n<br \/>\nA virada de Senna veio com seis vit&oacute;rias nas sete corridas seguintes. No Canad&aacute;, brigou frente a frente com o franc&ecirc;s pela primeira vez no ano. Depois de perder a ponta na largada, aguardou pacientemente at&eacute; mergulhar no hairpin do circuito Gilles Villeneuve na 19&ordf; volta e foi para a frente. Outro duelo direto aconteceu em Paul Ricard, dessa vez com vit&oacute;ria do dono da casa. Em Silverstone, show de Senna na chuva. Pela primeira vez no ano, a McLaren n&atilde;o largava na pole, que era de Gerhard Berger. O austr&iacute;aco resistiu na dianteira at&eacute; chegar para dar uma volta no hidrof&oacute;bico Prost, errar uma marcha e ser ultrapassado.<br \/>\n<br \/>\nOs GPs da Hungria e da B&eacute;lgica tiveram um efeito arrasador sobre Prost. Em Budapeste, um memor&aacute;vel xis do brasileiro na curva 1 deixou claro que ele teria de dar 110% de si para ser campe&atilde;o. Em Spa, na quarta vit&oacute;ria seguida, ele sentenciou: &ldquo;Acho que acabou&rdquo;.<br \/>\n<br \/>\nO confronto se intensificou com o abandono duplo da McLaren no GP da It&aacute;lia &ndash; Prost quebrou e Senna barbeirou &ndash; e as fracas apresenta&ccedil;&otilde;es do ent&atilde;o aspirante a campe&atilde;o em Portugal e Jerez. Mas o regulamento ainda lhe dava a vantagem por permitir cinco descartes. Uma vit&oacute;ria em Suzuka j&aacute; selaria o campeonato. A hist&oacute;ria, todos conhecem.<br \/>\n<br \/>\nNo GP do Jap&atilde;o de 1988, Senna fez a melhor apresenta&ccedil;&atilde;o de sua carreira. Pole-position, alinhou na linha de dentro, mas atrapalhou-se com a embreagem no fim da volta de apresenta&ccedil;&atilde;o. Por sorte a McLaren n&atilde;o morreu, mas quando ele conseguiu embalar, j&aacute; estava em 16&ordm;. Terminou a volta 1 em oitavo. Sem tomar conhecimento de nenhum advers&aacute;rio, alcan&ccedil;ou Prost em pouco mais de 20 voltas. Na 28&ordf;, executou a ultrapassagem mais especial de sua vida &ndash; embora n&atilde;o a mais dif&iacute;cil ou a mais ousada. Pegou o v&aacute;cuo, colocou de lado e foi embora. Uma fina garoa ainda caiu sobre Suzuka, facilitando ainda mais sua vida.<br \/>\n<br \/>\nEle era campe&atilde;o do mundo. E estava mais do que determinado a superar Prost novamente em 1989.<br \/>\n<br \/>\nO campeonato seguinte foi disputado em clima de guerra. Os desentendimentos entre ambos tiveram in&iacute;cio em Estoril-1988, quando Senna defendeu agressivamente a lideran&ccedil;a da prova, jogando o franc&ecirc;s contra o guard-rail &ndash; ele conseguiu ultrapassar mesmo assim.<br \/>\n<br \/>\nA guerra eclodiu em San Marino. A dupla fez um acordo para que nenhum dos dois atacasse nas primeiras curvas e s&oacute; depois brigassem pela vit&oacute;ria. Ambos concordaram e o fizeram. Mas o grave acidente de Berger na Tamburello interrompeu a corrida na volta 4. Na nova largada, Prost largou bem melhor e passou Senna, que deu o troco na primeira freada do circuito de &Iacute;mola. O franc&ecirc;s ficou furioso e nem compareceu &agrave; entrevista coletiva, sendo multado por isso.<br \/>\n<br \/>\nNo intervalo entre o GP de San Marino e o GP de M&ocirc;naco, Ron Dennis reuniu seus pilotos na pequena pista de testes de Pembrey e deixou claro que n&atilde;o toleraria um confronto aberto como aquele. E o conte&uacute;do daquela conversa n&atilde;o deveria sair dali.<br \/>\nS&oacute; que Prost deixou escapar uma bomba. Ele contou a um jornalista do &lsquo;L&rsquo;Equipe&rsquo; &ndash; em off, garante &ndash; que Senna chorou na reuni&atilde;o. Na chegada a Monte Carlo, o jornal noticiava o choro. A casa desmoronou. Na metade do ano, Prost, notando a prefer&ecirc;ncia da McLaren pelo outro lado da garagem, decidiu que iria para a Ferrari em 1990.<\/p>\n<div class=\"mhv-imagem-full\">\n<div class=\"mhv-imagem\">\n\t\t<img decoding=\"async\" src=\"\/images\/20134301949621_98110129_10_II.jpg\" title=\"A dividida de curva com Alain Prost em Suzuka, 1989 (Foto: Getty Images))\" \/><\/div>\n<div class=\"mhv-credito\">\n\t\tA dividida de curva com Alain Prost em Suzuka, 1989 (Foto: Getty Images)<\/div>\n<\/div>\n<p>Na pista, Senna come&ccedil;ou melhor, mas teve quatro abandonos seguidos e permitiu a recupera&ccedil;&atilde;o de Prost. O gaul&ecirc;s esteve sempre um p&eacute; &agrave; frente na segunda metade do campeonato e garantiu pontos cruciais quando o brasileiro n&atilde;o teve paci&ecirc;ncia com um desclassificado Mansell e, ao tentar ultrapass&aacute;-lo, bateu e n&atilde;o terminou. Tr&ecirc;s vit&oacute;rias nas tr&ecirc;s &uacute;ltimas provas seriam necess&aacute;rias para que Senna fosse campe&atilde;o &ndash; e a primeira delas foi conquistada em Jerez.<br \/>\n<br \/>\nNo Jap&atilde;o, a F1 assistiu ao mais tenso duelo j&aacute; visto. Prost largou melhor e foi para a lideran&ccedil;a, sendo perseguido por Senna por 46 voltas. Foi quando o dono do carro #1 tentou o bote na famosa chicane de Suzuka. O franc&ecirc;s jogou seu carro contra o do brasileiro e fez ambos passarem reto. Conformado, abandonou e voltava tranquilamente para os boxes ao ver que, com a ajuda dos fiscais, seu rival n&atilde;o desistira. Saiu correndo para a sala dos comiss&aacute;rios. Senna trocou o bico, passou Alessandro Nannini na volta final e venceu, mas ap&oacute;s um longo debate na torre de controle, foi desclassificado por cortar a chicane. Prost era tri.<br \/>\n<br \/>\nSenna deu resposta semelhante, mas mais perigosa, 12 meses depois. Reclamando por n&atilde;o poder largar do lado limpo da pista, viu Prost tracionar melhor mais uma vez. Com tanque cheio e na frente do pelot&atilde;o, n&atilde;o hesitou ao tentar ganhar na marra a primeira curva. N&atilde;o deu, os dois sa&iacute;ram rodando pela &aacute;rea de escape at&eacute; acertar a barreira de pneus. Era o bi de Senna, que estava vingado.<br \/>\n<br \/>\nEntre 1989 e 1990, Senna passou meses brigando com os dirigentes pelo o que considerava ser uma injusti&ccedil;a. Acusou Jean-Marie Balestre, ent&atilde;o presidente da FISA, de privilegiar seu compatriota. E correu determinado a reafirmar que era o melhor piloto do mundo, n&atilde;o importava a que custo.<br \/>\n<br \/>\n&ldquo;Ele ficou profundamente afetado pela injusti&ccedil;a que ocorreu depois daquela corrida. E posso dizer que foi muito dif&iacute;cil de convenc&ecirc;-lo a voltar e a continuar competindo. Esse era o tipo de pessoa que ele era&rdquo;, diz Ron Dennis &agrave; <strong>RWUp<\/strong>. &ldquo;Se ele se encontrasse em uma situa&ccedil;&atilde;o que se sentisse injusti&ccedil;ado, ou que uma a&ccedil;&atilde;o dele pudesse prejudicar outra pessoa ou mesmo o esporte a motor como um todo, ou outros pilotos, ele ficaria bastante interessado em ajudar e colocar o seu ponto de vista de maneira construtiva.&rdquo;<br \/>\n<br \/>\nBerger foi quem chegou &agrave; McLaren para substituir Prost, tornando-se um grande amigo do brasileiro com o passar dos anos. Na pista, ele n&atilde;o era p&aacute;reo para a capacidade de Ayrton, mas dava o troco com galhofas nem sempre amistosas fora do cockpit. Ali&aacute;s, a quest&atilde;o do senso de humor de Senna tamb&eacute;m &eacute; mencionada por seu ex-chefe de equipe.<br \/><\/p>\n<div class=\"embed-responsive embed-responsive-16by9\">\n\t<\/div>\n<p>\n&ldquo;Quando ele se juntou &agrave; equipe, n&atilde;o tinha muito senso de humor. Isso pode n&atilde;o parecer muito real porque muitos imaginam que na equipe somos mais sisudos e menos apaixonados, mas posso dizer que n&atilde;o &eacute; assim &ndash; dentro da equipe, o ambiente &eacute; bem diferente. Mas eu dizia&#8230; Ele n&atilde;o tinha senso de humor quando chegou aqui, por isso eu iniciei um processo de mostrar a ele a import&acirc;ncia do riso, e foi uma &oacute;tima maneira de quebrar essa tens&atilde;o. E claro que essa situa&ccedil;&atilde;o se tornou ainda melhor quando Gerhard Berger e eu n&atilde;o par&aacute;vamos com as piadas. E elas eram extremas. At&eacute; que ele viu que havia tamb&eacute;m um elemento de competitividade nisso, ou seja, de quem poderia fazer as arma&ccedil;&otilde;es mais ultrajantes para o outro, e a&iacute; ele entrou finalmente no esp&iacute;rito&rdquo;, relata.<br \/>\n<br \/>\nSenna venceu seis corridas em 1990, uma a mais que Prost, faturando sete pontos a mais na classifica&ccedil;&atilde;o final.<br \/>\n<br \/>\nEm 1991, p&ocirc;de, enfim, consagrar-se. A McLaren esteve arrasadora nas primeiras corridas. As quatro primeiras foram vencidas por Senna, inclusive o GP do Brasil &ndash; finalmente. Foram oito tentativas de subir ao alto do p&oacute;dio em casa. Em Jacarepagu&aacute;, n&atilde;o foi poss&iacute;vel. No retorno da F1 a Interlagos, jogou fora a vit&oacute;ria no lixo ao se enroscar com Satoru Nakajima. Em 1991, tinha de ser dele &ndash; e de maneira heroica. Ao longo da prova, problemas no c&acirc;mbio foram impedindo que as marchas engatassem. Sobrou s&oacute; a sexta &ndash; e d&aacute; para ver, pela c&acirc;mera on-board do carro, que ele n&atilde;o tira as m&atilde;os do volante para mexer na alavanca de c&acirc;mbio. Interlagos foi abaixo. Senna tamb&eacute;m. Exausto, quase desmaiou no final da prova e quase derrubou o enorme trof&eacute;u que recebeu no p&oacute;dio. Mas estava realizado.<br \/>\n<br \/>\nO jogo em 1991 foi virar no Canad&aacute;, quando as Williams cresceram demais. N&atilde;o era Prost, mas Mansell seu grande advers&aacute;rio. Com cinco vit&oacute;rias, ele chegou bem perto na pontua&ccedil;&atilde;o, e novamente tudo seria decidido em Suzuka. Antes da largada, o Le&atilde;o mandou o recado: n&atilde;o deixaria Senna fazer com ele o mesmo que fizera com Prost. N&atilde;o foi preciso. Na d&eacute;cima volta, perdeu o controle da Williams sozinho na curva 1 e ficou preso na caixa de brita. Campe&atilde;o, Senna at&eacute; atendeu &ndash; relutando &ndash; ao pedido da McLaren: d&ecirc; a vit&oacute;ria a Berger. Antes da corrida, a estrat&eacute;gia previa que Senna deixasse Berger passar para disparar na lideran&ccedil;a. Assim, se Mansell deixasse Senna para tr&aacute;s, teria de ralar para alcan&ccedil;ar o austr&iacute;aco. Com o ingl&ecirc;s fora da prova, o tricampe&atilde;o buscou o companheiro de equipe para tentar comemorar o t&iacute;tulo no alto do p&oacute;dio. No final, foi gentil com o amigo.<\/p>\n<div class=\"mhv-imagem-full\">\n<div class=\"mhv-imagem\">\n\t\t<img decoding=\"async\" src=\"\/images\/20134301943369_1228099_10_II.jpg\" title=\"A primeira vit\u00f3ria no Brasil, 1991 (Foto: Getty Images))\" \/><\/div>\n<div class=\"mhv-credito\">\n\t\tA primeira vit&oacute;ria no Brasil, 1991 (Foto: Getty Images)<\/div>\n<\/div>\n<p>O reinado terminou com a ascens&atilde;o de Adrian Newey na Williams. O projetista desenhou um sensacional carro para dar a Mansell o t&atilde;o aguardado t&iacute;tulo do brit&acirc;nico em 1992. A suspens&atilde;o ativa era a receita do sucesso. A diferen&ccedil;a era t&atilde;o absurda que Senna s&oacute; largou na pole uma vez naquela temporada. Ganhou tr&ecirc;s vezes: em M&ocirc;naco, na Hungria e na It&aacute;lia.<br \/>\n<br \/>\nAquilo deixava Senna bastante desconfort&aacute;vel. Ele estava na F1 para vencer e n&atilde;o seria capaz de faz&ecirc;-lo naquelas condi&ccedil;&otilde;es. Na verdade, a McLaren n&atilde;o era mais a mesma. O motor Honda j&aacute; n&atilde;o rendia tanto. No &uacute;ltimo ano da parceria com os japoneses, ele ficou em quarto lugar, atr&aacute;s de Riccardo Patrese e do jovem Michael Schumacher.<br \/>\n<br \/>\nNada mudaria em 1993. A McLaren contava com um propulsor Ford V8, mas Senna estava bravo porque as unidades que eram entregues &agrave; Benetton, por for&ccedil;a de contrato, eram melhores. E a Williams, com a Renault, nadava de bra&ccedil;ada &ndash; agora com Prost. Senna esteve bem perto de fechar com o time, mas foi vetado pelo franc&ecirc;s, que por sua vez foi colocado no carro pela montadora compatriota.<br \/>\n<br \/>\nA inquietude era tamanha que ele se recusou a assinar um contrato para toda a temporada. Negociava com a McLaren corrida ap&oacute;s corrida. O sal&aacute;rio: US$ 1 milh&atilde;o por GP. E ele s&oacute; saia do Brasil quando o dinheiro tivesse sido depositado. Por isso, quase perdeu um dia de treinos para o GP de San Marino. S&oacute; na Alemanha que Ayrton garantiu a perman&ecirc;ncia no time at&eacute; o fim do ano.<br \/>\n<br \/>\nApesar de tudo isso, Senna deu seus &uacute;ltimos shows. No Brasil, debaixo de chuva, driblou Damon Hill no Laranjinha para ir para a ponta e disparar rumo &agrave; segunda vit&oacute;ria em Interlagos. Dessa vez, aguentou fazer a festa com a torcida. O motor apagou na Reta Oposta, e o piloto se viu cercado por uma multid&atilde;o que invadiu a pista. Foi para os bra&ccedil;os do povo.<br \/>\n<br \/>\nEm Donington, deu aquela que &eacute; chamada de &ldquo;melhor primeira volta de todos os tempos&rdquo;. Largando em quarto, perdeu uma posi&ccedil;&atilde;o na largada e caiu para quinto. No restante do giro inicial, jantou seus advers&aacute;rios com calma no piso molhado. Passou por Karl Wendlinger, por Michael Schumacher, por Damon Hill e por Alain Prost. Um de cada vez. E disparou para ganhar o GP da Europa. Ali, assumiu a lideran&ccedil;a do campeonato. Ainda venceu pela sexta vez em M&ocirc;naco, quebrando o recorde de Graham Hill. Depois disso, ficou seis corridas sem subir ao p&oacute;dio at&eacute; vencer as duas &uacute;ltimas provas da vida: no Jap&atilde;o e na Austr&aacute;lia.<\/p>\n<div class=\"mhv-imagem-full\">\n<div class=\"mhv-imagem\">\n\t\t<img decoding=\"async\" src=\"\/images\/20131029125524_1994williams02_II.jpg\" title=\"Williams foi a \u00faltima equipe de Ayrton Senna (Foto: LAT Photographic\/Williams F1))\" \/><\/div>\n<div class=\"mhv-credito\">\n\t\tWilliams foi a &uacute;ltima equipe de Ayrton Senna (Foto: LAT Photographic\/Williams F1)<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>A &uacute;ltima curva<\/strong><br \/>\n<br \/>\nA ordem natural das coisas diz que a &uacute;ltima curva da carreira de um piloto deve ser a &uacute;ltima, a que leva para a bandeirada quadriculada. Quis o destino que a de Senna fosse a primeira de um circuito, com ele ocupando a dianteira.<br \/>\n<br \/>\nProst anunciou que se aposentaria da F1 ap&oacute;s o tetra, em Estoril. T&atilde;o logo o fez, Senna revelou ao mundo o que j&aacute; estava certo h&aacute; algumas semanas: deixaria a McLaren ap&oacute;s o GP da Austr&aacute;lia para defender a Williams no ano seguinte. Dez anos depois, finalmente pilotaria o carro do homem que lhe deu a primeira oportunidade em um carro da categoria.<br \/>\n<br \/>\nSenna estava t&atilde;o desesperado que topou qualquer neg&oacute;cio para fechar com o time. &ldquo;Ele precisava estar em um carro competitivo. O pre&ccedil;o que ele estava disposto a pagar, ao menos para a primeira parte do contrato, era aceitar o que estava na mesa. Quando a primeira parte expirasse, ele certamente me pegaria pelo pesco&ccedil;o. Mas nunca chegamos l&aacute;&rdquo;,&nbsp;conta Frank Williams &agrave; RWUp, demonstrando tristeza na fala.<br \/>\n<br \/>\nPara encerrar o dom&iacute;nio absoluto da Williams, a FIA proibiu os aux&iacute;lios eletr&ocirc;nicos como a suspens&atilde;o ativa e o controle de tra&ccedil;&atilde;o. O resultado foi que o FW16 n&atilde;o nasceu t&atilde;o bom quanto seus antecessores &ndash; mas n&atilde;o que fosse um carro ruim. Era inst&aacute;vel, e Senna vinha encontrando dificuldades para acert&aacute;-lo desde a pr&eacute;-temporada. O desfecho dos dois primeiros GPs tamb&eacute;m n&atilde;o serviu para tranquilizar a situa&ccedil;&atilde;o: ele rodou e abandonou em Interlagos quando estava em segundo e se envolveu em um acidente na largada do GP do Pac&iacute;fico, em Aida, no Jap&atilde;o. &Iacute;mola, onde Ayrton vencera tr&ecirc;s vezes, deveria ser o <em>turning point<\/em>.<br \/>\n<br \/>\nE ele fez a pole, a 65&ordf; da carreira. Mas as aten&ccedil;&otilde;es n&atilde;o estavam mais voltadas para o que acontecia na pista.<br \/>\n<br \/>\nNa sexta-feira, Rubens Barrichello bateu com viol&ecirc;ncia no primeiro treino livre. N&atilde;o sofreu les&otilde;es mais graves, mas ficou fora da corrida. No s&aacute;bado, a F1 viu uma morte na pista pela primeira vez em 12 anos. Roland Ratzenberger perdeu o controle da Simtek depois que o aerof&oacute;lio se desprendeu. O carro do austr&iacute;aco ficou totalmente destru&iacute;do, mas o que realmente chocou foi a imagem de sua cabe&ccedil;a ca&iacute;da no cockpit na curva Gilles Villeneuve. Ele foi transportado de helic&oacute;ptero para o hospital Maggiore, mas morreu oito minutos depois de chegar l&aacute;.<br \/>\n<br \/>\nAquilo abalou Senna. Para alguns jornalistas, ele chegou a dizer que n&atilde;o correria, e at&eacute; Frank Williams ficou preocupado. Mas o piloto acabou entrando no carro no dia 1&ordm; de maio de 1994.<br \/>\n<br \/>\n20 anos depois, por mais extensas que tenham sido as investiga&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o foi apontada uma causa para a batida. A tese mais aceita &eacute; que a barra de dire&ccedil;&atilde;o quebrou e fez com que o carro fosse reto na Tamburello. Outra hip&oacute;tese &eacute; que as voltas atr&aacute;s do safety-car &ndash; acionado ap&oacute;s o acidente de Pedro Lamy e JJ Lehto &ndash; fizeram com que a press&atilde;o dos pneus diminu&iacute;sse e o assoalho tocasse o ch&atilde;o. Michael Schumacher inclusive disse que viu o b&oacute;lido do brasileiro batendo no solo nas duas voltas em bandeira verde e balan&ccedil;ando bastante.<br \/>\n<br \/>\nDe helic&oacute;ptero, Senna foi levado ao hospital Maggiore. L&aacute;, os m&eacute;dicos perceberam que o estado era grav&iacute;ssimo. A morte cerebral foi constatada e, no fim da tarde, o cora&ccedil;&atilde;o parou de bater.<br \/>\n<br \/>\n<strong>O legado<\/strong><br \/>\n<br \/>\nNunca antes um campe&atilde;o mundial morrera em uma corrida. Senna perdeu a vida justo no momento em que as transmiss&otilde;es de TV ficavam cada vez mais populares ao redor do mundo e j&aacute; atingiam milh&otilde;es de telespectadores. E era o maior &iacute;dolo j&aacute; produzido.<br \/>\nSenna, ali&aacute;s, parecia se preocupar em ser um &iacute;dolo com gestos como carregar a bandeira ap&oacute;s as vit&oacute;rias, ou por suas declara&ccedil;&otilde;es. Ele pensava cuidadosamente em cada palavra que dizia.<br \/>\n<br \/>\nFora da pista, o grande legado que Senna deixou foi a cria&ccedil;&atilde;o do Instituto Ayrton Senna, ainda em vida, com o intuito de ajudar crian&ccedil;as carentes a terem acesso a boa educa&ccedil;&atilde;o e encontrarem um rumo da vida.<br \/>\n<br \/>\nNa F1, as reclama&ccedil;&otilde;es que ele vinha fazendo foram ouvidas e passou-se a preocupar muito mais com a seguran&ccedil;a. Aux&iacute;lios eletr&ocirc;nicos foram, aos poucos, voltando, e houve tamb&eacute;m uma preocupa&ccedil;&atilde;o em reduzir a velocidade dos carros e melhorar as condi&ccedil;&otilde;es dos circuitos. &Iacute;mola, por exemplo, ganhou chicanes antes das curvas Tamburello e Villeneuve, onde morreram Senna e Ratzenberger. A FIA, com o passar do tempo, foi impondo limites cada vez mais rigorosos para os circuitos em que a categoria se apresenta.<br \/>\n<br \/>\nE criou-se o mito. Senna morreu no auge. Certamente conquistaria v&aacute;rias outras vit&oacute;rias na F1. &Eacute; o que ficou na cabe&ccedil;a dos f&atilde;s, que continuaram contando as hist&oacute;rias para a gera&ccedil;&atilde;o que veio depois da morte do tricampe&atilde;o.<\/p>\n<div class=\"mhv-imagem-full\">\n<div class=\"mhv-imagem\">\n\t\t<img decoding=\"async\" src=\"\/images\/2014418052650_temp_Senna2_O.png\" title=\"Ayrton Senna)\" \/><\/div>\n<div class=\"mhv-credito\">\n\t\tAyrton Senna&nbsp;(Foto: Rainer W. Schlegelmilch\/Getty Images)<\/div>\n<\/div>\n<p>O&nbsp;<strong>GRANDE PR&Ecirc;MIO<\/strong>&nbsp;acompanha o GP de San Marino, terceira etapa da temporada 1994 da F1,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/25-anos-sem-senna\/ultimas-noticias\">revivendo o notici&aacute;rio daquela data<\/a>.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ayrton Senna da Silva morreu aos 34 anos depois de sofrer um s&eacute;rio acidente na curva Tamburello durante a s&eacute;tima volta do GP de San Marino de 1994. 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