{"id":137182,"date":"2019-05-01T05:00:00","date_gmt":"2019-05-01T08:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/noticias\/imola-1994\/"},"modified":"2020-05-12T20:04:01","modified_gmt":"2020-05-12T23:04:01","slug":"imola-1994","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/f1\/imola-1994\/","title":{"rendered":"\u00cdmola, 1994"},"content":{"rendered":"\n<div>\n\t<em>Eu era um dos jornalistas brasileiros que estavam em &Iacute;mola no dia 1&ordm; de maio de 1994. Foi a maior trag&eacute;dia do esporte nacional, maior at&eacute; do que a perda da Copa do Mundo de 1950 &ndash; ningu&eacute;m morreu no Maracan&atilde; por causa daquela derrota, que se saiba. A perda do &iacute;dolo &ndash; e do objeto da not&iacute;cia, falando friamente, embora tenha sido dif&iacute;cil ser frio naqueles dias &ndash; embaralhou cora&ccedil;&otilde;es e mentes. Aos 29 anos, eu era correspondente de F1 da &lsquo;Folha de S.Paulo&rsquo;, depois de ter sido editor de Esportes do jornal mui precocemente, aos 24. Aos 29 anos, a gente acha que sabe tudo. N&atilde;o sabe de nada.&nbsp;<\/em><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<em>Ningu&eacute;m estava preparado para aquela morte, do jeito que ela aconteceu. Antes mesmo de voltar ao Brasil, eu me demiti do jornal. A vida tomou outros rumos, embora quase sempre ligados ao automobilismo e &agrave; velocidade, e seguiu quase inc&oacute;lume. Fui rabiscar estas linhas a pedido de um estudante de jornalismo de uma faculdade de Santa Catarina. Foi a primeira &ndash; e &uacute;nica &ndash; vez que escrevi sobre a morte de Senna para contar o que vi e o que se passou naquele fim de semana frio e ensolarado no norte da It&aacute;lia. 25 anos depois, acho que n&atilde;o mudaria uma v&iacute;rgula. Deixaria inclusive os defeitos da juventude.&nbsp;<\/em><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<em>Que, afinal, n&atilde;o eram t&atilde;o grandes assim.<\/em><\/div>\n<div>\n<div class=\"imagem-noticia\">\n\t\t<img decoding=\"async\" src=\"\/images\/20144292047678_Senna_Barrichello_II.jpg\" title=\"Ayrton Senna conversa com Rubens Barrichello antes do GP de San Marino (Foto: Getty Images)\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda-imagem\">\n\t\t#iconeimagem Ayrton Senna conversa com Rubens Barrichello antes do GP de San Marino (Foto: Getty Images)<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div style=\"float: left;margin-right: 15px;margin-bottom:15px\">\n\t\t<\/div>\n<p>\tH&aacute; nove meses ensaio a abertura deste texto. Por uma s&eacute;rie de circunst&acirc;ncias eu, o enviado especial do maior jornal do pa&iacute;s que estava l&aacute;, em &Iacute;mola, naquele dia, nunca escrevi sobre a morte de Ayrton Senna. De certa forma, sou um privilegiado. N&atilde;o ca&iacute; na vala comum. N&atilde;o elaborei teorias. N&atilde;o filosofei em p&uacute;blico. Fui demitido antes. Estou isento. Ningu&eacute;m pode me acusar de omiss&atilde;o.&nbsp;<\/p><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t&ldquo;&Egrave; morto&rdquo;, assim imaginei a primeira frase. Abrir com aspas, desde que seja uma declara&ccedil;&atilde;o forte, importante, decisiva. &Eacute; o que ensinam alguns manuais de reda&ccedil;&atilde;o. &ldquo;&Egrave; morto.&rdquo; Est&aacute;vamos parados na fila do ped&aacute;gio, na entrada de Bolonha, no carro que eu aluguei. Um Fiat Punto vinho met&aacute;lico, sem r&aacute;dio. Eu dirigia. Ao meu lado, Mario Andrada e Silva, do Jornal do Brasil. Meu partner, o cara que come&ccedil;ou no jornalismo comigo, na Folha, em 88. Eu editor-assistente, ele um ex-economista que resolveu virar jornalista, o sujeito que mais conhece F&oacute;rmula 1 no Brasil. Foi meu rep&oacute;rter, eu editor, depois trocamos as fun&ccedil;&otilde;es, mais adiante viramos concorrentes.&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t&ldquo;&Egrave; morto.&rdquo; Sem r&aacute;dio no carro, eu e o Mario viv&iacute;amos momentos de uma agonia indescrit&iacute;vel. Sa&iacute;mos de &Iacute;mola logo depois da corrida, direto para o Hospital Maggiore de Bolonha. No meio de um congestionamento monstruoso, a falta de not&iacute;cias dava nos nervos. Sab&iacute;amos que ele ia morrer, arrisc&aacute;vamos at&eacute; que j&aacute; estava morto quando entrou naquele helic&oacute;ptero. Mario dormiu no caminho. Era seu jeito de enfrentar a tens&atilde;o. Eu, agitado, procurava algum jeito de fugir daquele mar de carros. N&atilde;o dava. No ped&aacute;gio, pedi a ele que perguntasse ao carinha do carro ao lado se havia alguma not&iacute;cia sobre Senna. &ldquo;&Egrave; morto&rdquo;, respondeu o rapaz. Eram quase sete da noite. Comecei a tremer. Enquanto pegava as moedas no console, repetia &ldquo;puta que pariu, puta que pariu, puta que pariu&rdquo;.&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t&Eacute; horr&iacute;vel admitir que minha primeira rea&ccedil;&atilde;o tinha a ver com o que me esperava nas pr&oacute;ximas horas. De uma maneira rid&iacute;cula, esqueci qualquer tipo de sentimento para me envolver com a cobertura. N&atilde;o me venham com o papo furado de que fiz o que qualquer bom jornalista teria que fazer. &Eacute; balela. Preferia ter chorado. Puta que pariu, puta que pariu. A gente n&atilde;o sabia onde ficava o Maggiore. Seguimos as placas e achamos. Descemos do carro correndo, como se fosse poss&iacute;vel registrar os &uacute;ltimos suspiros do Ayrton, como se ele estivesse nos esperando para morrer.&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tN&atilde;o gosto de lembrar, e provavelmente vou rechear estas linhas de clich&ecirc;s, coisas como &ldquo;parece que foi ontem&rdquo;. Mas parece mesmo. &Eacute; indiscut&iacute;vel que essa foi a cobertura da minha vida, que jamais vou passar por coisa parecida. Por isso &eacute; natural lembrar de tantos detalhes com tamanha precis&atilde;o. Fiz quest&atilde;o de guard&aacute;-los. Senti que poderia ser a &uacute;ltima corrida da minha vida. Era preciso preserv&aacute;-la.<\/div>\n<div>\n<div class=\"imagem-noticia\">\n\t\t<img decoding=\"async\" src=\"\/images\/2014511540_picture%20(3)_II.jpg\" title=\"O austr\u00edaco Roland Ratzenberger perdeu a vida depois de um acidente no s\u00e1bado (Foto: Forix)\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda-imagem\">\n\t\t#iconeimagem O austr&iacute;aco Roland Ratzenberger perdeu a vida depois de um acidente no s&aacute;bado (Foto: Forix)<\/div>\n<\/div>\n<div>\n\t&Iacute;mola, s&aacute;bado &agrave; noite. Saio do aut&oacute;dromo com uma sensa&ccedil;&atilde;o esquisita. Nunca tinha visto ningu&eacute;m morrer ao vivo, perto de mim. Dou carona a uma jornalista alem&atilde;, Karen, que estava hospedada num hotel ao lado do nosso, em Riolo Terme &ndash; uma cidadezinha a 15 quil&ocirc;metros do circuito. Ela chorava feito doida. Ratzenberger era seu amigo. Karen se envolvia demais com os pilotos. No caminho, exercitando um desconhecido ingl&ecirc;s sentimental, tentava estancar aquela choradeira com as bobagens de sempre: acontece, esse neg&oacute;cio &eacute; perigoso, a F1 precisa rever seus conceitos, calma, a gente t&aacute; vivo ainda, porra.&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tN&atilde;o sa&iacute;mos para jantar. Est&aacute;vamos no quarto eu, Mario e o Marcelo D&rsquo;Angelo, da R&aacute;dio Eldorado. No mesmo andar, Lemyr Martins e Alex Ruffo, da &lsquo;Quatro Rodas&rsquo;. Cansados, fomos direto para a cama. O fim de semana vinha sendo desgastante. Na sexta, o acidente de Rubinho. Para piorar, um furg&atilde;o da Williams atropelou a mala onde eu levava meu computador, na sa&iacute;da do aut&oacute;dromo. Foi uma aventura faz&ecirc;-lo funcionar &agrave; noite. No s&aacute;bado, morre um cara. Chega. Acaba logo antes que piore.&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tComo sempre, eu, Mario e Marcelo acordamos tarde no domingo. Um cappuccino urgente e pista. Duas horas antes da largada, cada um em seu posto. Os dois na cabine da Eldorado. Eu, na da Jovem Pan, onde era comentarista. Em &Iacute;mola, as cabines de r&aacute;dio ficam em containers sobre o terra&ccedil;o do edif&iacute;cio dos boxes. No andar logo abaixo fica a sala de imprensa. &Eacute; muito ruim para transmitir. Locutores e comentaristas s&oacute; t&ecirc;m &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o dois monitores: um com as imagens da TV e outro com os tempos. O ar-condicionado n&atilde;o funciona direito e n&atilde;o h&aacute; janelas.&nbsp;<\/div>\n<div>\n<div class=\"imagem-noticia\">\n\t\t<img decoding=\"async\" src=\"\/images\/20145115423_picture_II.jpg\" title=\"O GP de San Marino come\u00e7ou com um forte acidente logo na largada (Foto: Forix)\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda-imagem\">\n\t\t#iconeimagem O GP de San Marino come&ccedil;ou com um forte acidente logo na largada (Foto: Forix)<\/div>\n<\/div>\n<div>\n\tLogo na largada, uma batida feia de Pedro Lamy em J.J. Lehto. Um sinal, talvez. Quando Ayrton bateu, berrei &lsquo;&rdquo;Senna!&rdquo; no microfone. Apesar dos precedentes, n&atilde;o era para morrer. Caramba, o cara mexeu a cabe&ccedil;a! N&atilde;o, n&atilde;o ia morrer. Mas percebi que havia algo de errado quando os comiss&aacute;rios de pista chegaram ao carro e se mantiveram a dist&acirc;ncia. A partir daquele momento, a correria atr&aacute;s de informa&ccedil;&otilde;es era fren&eacute;tica. Eram 9h13 quando Senna bateu na Tamburello. Subi e desci as escadas atr&aacute;s de not&iacute;cias uma dezena de vezes. Na segunda, terceira, sei l&aacute;, passei pela cabine da Globo. Galv&atilde;o Bueno me perguntou se eu sabia de alguma coisa. Idiota, respondi que a corrida iria recome&ccedil;ar, como se aquela fosse a informa&ccedil;&atilde;o mais importante do momento. &ldquo;Eu quero saber se ele est&aacute; vivo, porra!&rdquo;, me disse o Galv&atilde;o. Foi at&eacute; gentil demais.&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tSoube que Ayrton estava morto &ndash; ou que, se n&atilde;o estava, n&atilde;o tinha mais volta e morreria a qualquer momento &ndash; ainda no aut&oacute;dromo, pelas informa&ccedil;&otilde;es que chegavam de Bolonha por telefone, transmitidas por rep&oacute;rteres italianos que haviam corrido para o hospital. Tivera paradas respirat&oacute;rias e morte cerebral. Mas eram informa&ccedil;&otilde;es desencontradas e n&atilde;o-oficiais. A corrida n&atilde;o tinha terminado, e relutei em matar Senna antes da hora, no ar. No corre-corre, entre a cabine e a sala de imprensa, liguei para a reda&ccedil;&atilde;o do jornal. N&atilde;o havia ningu&eacute;m. S&oacute; consegui falar com meu editor por volta das 11h, hor&aacute;rio de Bras&iacute;lia, no final do GP. &ldquo;Pode se preparar para o pior&rdquo;, disse. &ldquo;O cara morreu.&rdquo; Ouvi, do outro lado da linha, que ir&iacute;amos fazer um caderno de oito p&aacute;ginas. Ok, ok, estou indo para o hospital.<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t&ldquo;&Egrave; morto.&rdquo; Quando entrei no sagu&atilde;o do Maggiore, a primeira pessoa que vi foi o Lu&iacute;s Roberto, da R&aacute;dio Globo\/CBN, de S&atilde;o Paulo. Com um celular, me colocou no ar, ao vivo. N&atilde;o sabia direito o que dizer. Fazia meia hora que Senna tinha morrido e eu ainda n&atilde;o tinha me dado conta do tamanho da not&iacute;cia. Procurei ser sensato. Disse que estava chocado e que o Brasil perdera um grande esportista. Muito original. A cabe&ccedil;a estava em outra. Quem ouviu a Adriane? E a fam&iacute;lia? E a Xuxa? E o presidente? Pela primeira vez, em oito anos de Folha, sentia que a edi&ccedil;&atilde;o fugia do meu controle. Maldito v&iacute;cio, esse de rep&oacute;rter que j&aacute; foi editor querer editar tudo &agrave; dist&acirc;ncia. &Agrave; minha esquerda, N&iacute;lson C&eacute;sar, o locutor da Pan, me chama para uma entrada ao vivo tamb&eacute;m pelo telefone. No aparelho ao lado, C&acirc;ndido Garcia, da Bandeirantes, faz o mesmo. Amea&ccedil;o chorar quando ele se refere ao Mario, &ldquo;seu grande amigo&rdquo;, que disse n&atilde;o sei o qu&ecirc;. Naquele momento, naquele exato momento, ca&iacute; na real. Percebi que uma fase da minha vida, das nossas vidas, tinha chegado ao fim. &ldquo;Meu grande amigo&rdquo; Mario. Ser&aacute; que voltar&iacute;amos a nos ver uma vez a cada 15 dias, cada vez num pa&iacute;s diferente, eu filando seu Marlboro Menthol Lights, ele usando meu shampoo?&nbsp;<\/div>\n<div>\n<div class=\"imagem-noticia\">\n\t\t<img decoding=\"async\" src=\"\/images\/20144292058855_1230446_II.jpg\" title=\"Um grupo de m\u00e9dicos e fiscais tenta salvar a vida de Senna (Foto: Getty Images) \" \/><\/div>\n<div class=\"legenda-imagem\">\n\t\t#iconeimagem Um grupo de m&eacute;dicos e fiscais tenta salvar a vida de Senna (Foto: Getty Images)<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div style=\"float: left;margin-right: 15px;margin-bottom:15px\">\n\t\t<\/div>\n<p>\t&Eacute; gozado esse ego&iacute;smo que tomou conta de mim. Pensava na minha vida, na minha carreira, na fam&iacute;lia que a gente formava e que nunca mais seria a mesma. Fim, fim. N&atilde;o chorei e fiz um discurso indignado, algo do tipo &ldquo;meu jornal me manda aqui para cobrir um evento esportivo e eu sou obrigado a relatar uma carnificina&rdquo;. Cara, quanta bobagem.<\/p><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tFicamos no hospital at&eacute; as 21h30, quando, no 12&ordm; andar, vi uma maca passar &agrave; minha frente, com um corpo coberto por um len&ccedil;ol. Subi num banco para poder enxergar melhor. Abracei o Galv&atilde;o. Abracei a Betise, assessora de imprensa do Senna. N&atilde;o derramei uma l&aacute;grima. Precisava falar com o jornal, urgente.&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tN&atilde;o havia mais nada a fazer no Maggiore. Tinha a hora da morte, 18h42, o comunicado da m&eacute;dica-chefe do Centro de Reanima&ccedil;&atilde;o do hospital, vi as pessoas chorando no sagu&atilde;o, sabia o que tinha acontecido com Senna. Voltamos para o aut&oacute;dromo. Era hora de escrever. Jamais havia imaginado que um dia escreveria sobre a morte daquele sujeito. Antes, liguei para o jornal. &ldquo;Temos isso, temos aquilo, temos fulano?&rdquo;, falava, sem parar. Meu editor tentou me tranquilizar. &ldquo;Se precisar, a gente faz tudo daqui.&rdquo; E reiterou: &ldquo;Nada de emo&ccedil;&atilde;o nos textos&rdquo;.&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tFiquei puto. Como, a gente faz tudo daqui? Claro que vou escrever sem emo&ccedil;&atilde;o! Mas quero um espa&ccedil;o para um texto em primeira pessoa. Vamos ver, vamos ver. Quando cheguei de volta a &Iacute;mola, me informaram que n&atilde;o precisava de texto na primeira pessoa.&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tHavia poucas pessoas na sala de imprensa. Eu, Mario, Celso Itiber&ecirc;, de &lsquo;O Globo&rsquo;, a Karen desesperada, alguns ingleses e japoneses. Poucos italianos, j&aacute; que era 1&ordm; de maio e a maioria dos jornais n&atilde;o circulou no dia seguinte. Liguei meu velho Toshiba T1000 e o lead, surpreendentemente, saiu f&aacute;cil. Tinha usado o ideal no dia anterior: &ldquo;A F&oacute;rmula 1 matou ontem o austr&iacute;aco Roland Ratzenberger&hellip;&rdquo; Era bom.&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tMas decidi escrever o texto mais gelado e despido de emo&ccedil;&otilde;es da minha vida. Nem precisava. H&aacute; certos fatos que falam por si s&oacute;. Dane-se o que o jornalista pensa. Resolvi usar uma constru&ccedil;&atilde;o in&eacute;dita do meu repert&oacute;rio: &ldquo;O brasileiro Ayrton Senna da Silva&rdquo;. O brasileiro. Nunca tinha chamado Senna de &ldquo;o brasileiro&rdquo;. &ldquo;O brasileiro Ayrton Senna da Silva, piloto profissional de F&oacute;rmula 1, morreu ontem&hellip;&rdquo; Ficou legal.&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tEscrevi r&aacute;pido. Cinco ou seis mat&eacute;rias. A Williams, a suspens&atilde;o, o hospital, a pista, essas coisas. Quando terminei de transmitir tudo, me veio uma sensa&ccedil;&atilde;o horr&iacute;vel de trabalho malfeito. Aquela coisa de n&atilde;o interferir na edi&ccedil;&atilde;o. Cheguei a escrever um recado emocionado aos colegas da reda&ccedil;&atilde;o que ajudaram naquele dia, que tiveram suas folgas cassadas, que colaboraram na elabora&ccedil;&atilde;o de um produto bom num epis&oacute;dio t&atilde;o tr&aacute;gico. Meu drama interior era um s&oacute;: n&atilde;o fiz nada que os outros n&atilde;o tenham feito. E o resultado da edi&ccedil;&atilde;o do dia seguinte dependia muito mais de quem estava em S&atilde;o Paulo do que de mim. Ningu&eacute;m nunca leu esse recado, que est&aacute; guardado num disquete em casa ao lado da caneta que eu usei para minhas anota&ccedil;&otilde;es naquele domingo. Uma caneta que eu achei na sala de imprensa de Aida, com a ponta mordida. Ningu&eacute;m leu porque o texto n&atilde;o chegou a ser transmitido. A linha caiu, deu ocupado, sei l&aacute;. Desisti.&nbsp;<\/div>\n<div>\n<div class=\"imagem-noticia\">\n\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/20194301935182_Print_Jornal_II-1.jpg\" title=\"A p\u00e1gina sobre a morte de Ayrton Senna (Foto: Arquivo Folha)\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda-imagem\">\n\t\t#iconeimagem A p&aacute;gina sobre a morte de Ayrton Senna (Foto: Arquivo Folha)<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div style=\"float: left;margin-right: 15px;margin-bottom:15px\">\n\t\t<\/div>\n<p>\tOs dias seguintes foram piores que o domingo. Na segunda-feira, fomos cedo para o Instituto M&eacute;dico Legal de Bolonha, sempre eu, Mario e Marcelo. Tinha gente para todos os lados e nenhuma not&iacute;cia. &Agrave;s 8hs de Bras&iacute;lia, 13h na It&aacute;lia, falei com meu pauteiro de um telefone p&uacute;blico num bar. N&atilde;o tinha muito a dizer, daria retorno mais tarde, e ele me avisou que algu&eacute;m na reda&ccedil;&atilde;o queria falar comigo antes de eu desligar. Era uma mo&ccedil;a, Cleusa Turra, secret&aacute;ria-assistente de reda&ccedil;&atilde;o. Pensei o pior. V&atilde;o querer que eu entreviste o caix&atilde;o, o muro, essas coisas da &lsquo;Folha&rsquo;. Ca&iacute; do cavalo. Cleusa queria saber apenas se eu estava legal. Me emocionei pela segunda vez. N&atilde;o esperava nada muito humano do jornal. Estou legal, respondi.<\/p><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tFoi um dia fraco de not&iacute;cias, cheio de desencontros e alarmes falsos. A &lsquo;Folha&rsquo; enviara um fot&oacute;grafo para Bolonha, o Pisco Del Gaiso, hoje na &lsquo;Placar&rsquo;. S&oacute; o vi no IML. Perdemos o contato depois. No fim da tarde, nos transferimos de mala e cuia para o Novotel de Bolonha, onde estava instalado o QG da diplomacia brasileira que iria cuidar da transfer&ecirc;ncia do corpo no dia seguinte. Alguns colegas voltaram ao Brasil na segunda &agrave; noite, no mesmo v&ocirc;o que levou o irm&atilde;o de Senna, Leonardo. Os que ficaram viraram atra&ccedil;&atilde;o; s&oacute; eu fui entrevistado por uma r&aacute;dio italiana e uma TV alem&atilde;. &Agrave; noite, liguei para o jornal. &ldquo;Chegou tudo?&rdquo;, perguntei. Sim, chegou. Eram 22h aqui, 3h de ter&ccedil;a-feira l&aacute;.&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tFulana quer falar com voc&ecirc;. Era a secret&aacute;ria de reda&ccedil;&atilde;o do jornal, uma figura que raramente me cumprimentava na reda&ccedil;&atilde;o. Vinha bomba, com certeza. Resumo da nossa conversa, um tanto quanto &aacute;spera: nossa avalia&ccedil;&atilde;o (deles) &eacute; de que &lsquo;O Globo&rsquo; saiu melhor, bl&aacute;-bl&aacute;-bl&aacute;. E achamos que voc&ecirc; deveria ter ido para o hospital na hora do acidente. Por que n&atilde;o foi? Porque achei que n&atilde;o deveria ficar uma hora no escuro, sem informa&ccedil;&otilde;es, sabendo que ele poderia morrer a qualquer momento. N&atilde;o foi por causa da r&aacute;dio?, insinuou a secret&aacute;ria. Ali percebi que meus dias na &lsquo;Folha&rsquo; estavam contados. Inventaram uma desculpa para me implodir.&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tNa ter&ccedil;a-feira, irritado com a insinua&ccedil;&atilde;o da v&eacute;spera, alguns quilos mais magro (n&atilde;o dava tempo de comer direito e faltava apetite, essa &eacute; a verdade), vivi novos momentos de emo&ccedil;&atilde;o. O corpo embarcou no fim da tarde num avi&atilde;o da For&ccedil;a A&eacute;rea Italiana, em Bolonha. N&atilde;o vi a decolagem. Estava falando com o jornal. Na mesma hora, a maioria dos jornalistas brasileiros embarcou para Paris, de onde voltariam a S&atilde;o Paulo no mesmo v&ocirc;o do caix&atilde;o. Me senti s&oacute;. Ficamos eu e o Mario em Bolonha. O resto foi embora. Foi nessa ter&ccedil;a-feira que consegui minha melhor mat&eacute;ria. Uma ex-namorada, de 13 anos antes, quando eu ainda morava no interior, era legista no IML de Bolonha. Consegui encontr&aacute;-la. Brigou comigo, depois de tantos anos, porque eu n&atilde;o a procurei antes. &ldquo;Eu te mostrava o corpo!&rdquo;, me disse, num portugu&ecirc;s bastante razo&aacute;vel. Foi at&eacute; meu hotel e me deu uma longa entrevista. Descreveu a cabe&ccedil;a de Senna, contou que colocou uma rosa na sua m&atilde;o antes de fecharem o caix&atilde;o, falou sobre os legistas, seus professores. E me revelou que o laudo iria concluir que ele morreu na pista. Foi uma grande mat&eacute;ria. Minha &uacute;ltima na &lsquo;Folha&rsquo;, manchete do jornal no dia seguinte, 4 de maio.&nbsp;<\/div>\n<div>\n<div class=\"imagem-noticia\">\n<div class=\"imagem-noticia\">\n\t\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/20194291722100_Ayrton-Senna_II.jpg\" title=\"Ayrton Senna (Foto: Rainer Nyberg)\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda-imagem\">\n\t\t\t#iconeimagem Ayrton Senna (Foto: Rainer Nyberg)<\/div><\/p><\/div>\n<\/div>\n<div>\n\tNaquela noite, no mesmo hor&aacute;rio, tr&ecirc;s da manh&atilde;, liguei para a reda&ccedil;&atilde;o para avisar que estaria voltando no dia seguinte. A secret&aacute;ria de reda&ccedil;&atilde;o queria falar comigo de novo. Dois assuntos: 1) voc&ecirc; n&atilde;o pode mais colaborar com a r&aacute;dio; 2) decidimos que voc&ecirc; vai ficar na It&aacute;lia acompanhando o inqu&eacute;rito. Como acompanhar o inqu&eacute;rito? Isso vai levar meses! Pela primeira vez na minha vida, gritei com algu&eacute;m no telefone. Queria voltar. Tinha motivos de sobra para isso. Primeiro, os jornal&iacute;sticos: havia o vel&oacute;rio, o enterro, todos os pilotos estariam no Brasil, eu precisava cobrir essa merda! Al&eacute;m do mais, um inqu&eacute;rito policial &eacute; um neg&oacute;cio que demora muito tempo. N&atilde;o vou descobrir um assassino para o Senna, argumentei. Todo mundo j&aacute; foi embora. &ldquo;A &lsquo;Folha&rsquo; n&atilde;o &eacute; todo mundo&rdquo;, ouvi. Seguiu-se um bate-boca. Chegamos a um impasse. Apelei para o pessoal. Queria voltar, estava estressado, emagreci cinco quilos, precisava ver gente viva. &ldquo;N&oacute;s decidimos. Voc&ecirc; vai ficar e pronto&rdquo;, me disse a secret&aacute;ria. Eram tr&ecirc;s da manh&atilde; e eu n&atilde;o queria esticar aquele papo. Fui bem claro: &ldquo;Quem decide o que eu fa&ccedil;o sou eu. Pe&ccedil;o demiss&atilde;o e estou voltando amanh&atilde;&rdquo;. Do outro lado da linha, ela tentou contemporizar. &ldquo;N&atilde;o &eacute; bem assim, vou falar com fulano e te ligo depois&rdquo;, disse. Eu encerrei de vez: &ldquo;N&atilde;o, ningu&eacute;m me liga mais hoje. S&atilde;o tr&ecirc;s da manh&atilde; e eu tenho um avi&atilde;o amanh&atilde; cedo. Tchau&rdquo;. Desliguei e pedi &agrave; recep&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o passasse mais nenhuma liga&ccedil;&atilde;o para meu quarto. &ldquo;Eles v&atilde;o dar para tr&aacute;s&rdquo;, resmungou o Mario, que j&aacute; dormia. Ligaram, eu soube depois. Mas eu j&aacute; estava dormindo. Pela primeira vez, desde a morte de Senna.&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"float: left;margin-right: 15px;margin-bottom:15px\">\n\t<\/div>\n<div>\n\tNa quarta-feira, sa&iacute;mos os dois do hotel. Mario para Pisa, onde pegaria um avi&atilde;o para Londres. Eu para Mil&atilde;o, de onde voaria para Madri. Ambos, como sempre, atrasados. Mas, tamb&eacute;m como sempre, chegamos a tempo. No aeroporto de Linate, devolvi o Punto vinho e s&oacute; embarquei porque era brasileiro. Ficaram com pena de mim. Cheguei a Madri, fui para o bom e velho Trip Hotel, liguei para meu editor, comuniquei-lhe que estava demission&aacute;rio e fui ao cinema assistir &lsquo;Proposta Indecente&rsquo;. No fim da noite, emocionei-me pela quarta vez: na TV, mostraram as imagens do Morumbi lotado gritando o nome de Senna antes do cl&aacute;ssico S&atilde;o Paulo &times; Palmeiras. No gramado, um jogador, ajoelhado, rezava. Era Gilmar, zagueiro s&atilde;o-paulino, hoje na Portuguesa.&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tTentei esquecer Senna, a F1 e a &lsquo;Folha&rsquo;. Na manh&atilde; seguinte, embarquei em Barajas levando um monte de acess&oacute;rios que comprei numa concession&aacute;ria Renault para meu carro novo, que eu ainda n&atilde;o tinha nem visto. Cheguei a S&atilde;o Paulo na quinta &agrave; noite, logo depois do enterro. Minha mulher me esperava. Nos abra&ccedil;amos em sil&ecirc;ncio. Tentei manter a pose. Na Avenida Tiradentes, vi bandeiras negras, faixas, &ocirc;nibus com a inscri&ccedil;&atilde;o &ldquo;Valeu Senna&rdquo;. Na sexta, fui ao jornal para oficializar minha sa&iacute;da. N&atilde;o fui recebido pela dire&ccedil;&atilde;o de reda&ccedil;&atilde;o. O pessoal da editoria n&atilde;o sabia que eu estava fora. Minha coluna, &lsquo;Warm Up&rsquo;, estava diagramada para ser publicada no dia seguinte. Ela nunca foi escrita. Fui demitido na segunda-feira, por insubordina&ccedil;&atilde;o.<\/div>\n<hr \/>\n<em>Este texto foi originalmente publicado em outubro de 1994&nbsp;e modificado em alguns trechos por quest&otilde;es temporais<\/em>.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<p><title><\/title><\/p>\n<p>#minhaDiv {<br \/>\n            background: -webkit-gradient(linear, left top, left bottom, from(#ffdb09), to(#008001));<br \/>\n            background: -moz-linear-gradient(top, #ffdb09, #008001);<br \/>\n            filter:progid:DXImageTransform.Microsoft.Gradient(GradientType=0, StartColorStr=&#8217;#ffdb09&#8242;, EndColorStr=&#8217;#008001&#8242;);           <br \/>\n        }<\/p>\n<div id=\"minhaDiv\" style=\"width:100%\">\n\t<span style=\"font-size:20px\"><strong>SENNA, 25 #Senna25noGP<\/strong><\/span><br \/>\n\t<br \/>\n\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/20194291524896_image_O-4.png\" style=\"height: 24px;width: 24px;float: left\" title=\"\u00cdCONE SENNA\" \/>&nbsp;<a href=\"https:\/\/grandepremium.grandepremio.com\/br\/stop-and-go\/materias\/o-outro-brasileiro-de-imola\/94\"><span style=\"color:#ffffff\">O outro brasileiro: Christian Fittipaldi achava que Senna havia quebrado pernas<\/span><\/a><br \/>\n\t<br \/>\n\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/20194291524896_image_O-4.png\" style=\"height: 24px;width: 24px;float: left\" title=\"\u00cdCONE SENNA\" \/>&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/f1\/noticias\/como-marca-ayrton-senna-movimenta-r-1-bilhao-e-quais-os-desafios-para-mante-la-relevante-na-era-digital\"><span style=\"color:#ffffff\">Como marca movimenta R$ 1 bilh&atilde;o e quais os desafios para mant&ecirc;-la relevante<\/span><\/a><br \/>\n\t<br \/>\n\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/20194291524896_image_O-4.png\" style=\"height: 24px;width: 24px;float: left\" title=\"\u00cdCONE SENNA\" \/>&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/f1\/noticias\/morte-de-ratzenberger-no-gp-de-san-marino-completa-25-anos-e-pai-o-ve-como-o-gemeo-desigual-de-senna\"><span style=\"color:#ffffff\">O g&ecirc;meo desigual de Senna: morte de Roland Ratzenberger completa 25 anos<\/span><\/a><br \/>\n\t<br \/>\n\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/20194291524896_image_O-4.png\" style=\"height: 24px;width: 24px;float: left\" title=\"\u00cdCONE SENNA\" \/>&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/f1\/noticias\/imola\/94-o-mais-tragico-dos-fins-de-semana-as-mortes-de-senna-e-ratzenberger-e-a-historia-que-mudou-a-f1\"><span style=\"color:#ffffff\">&Iacute;mola\/94: o mais tr&aacute;gico dos fins de semana, as mortes e a hist&oacute;ria que mudou a F1<\/span><\/a><br \/>\n\t<br \/>\n\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/20194291524896_image_O-4.png\" style=\"height: 24px;width: 24px;float: left\" title=\"\u00cdCONE SENNA\" \/>&nbsp;<a href=\"http:\/\/grandepremium.grandepremio.com\/br\/10\/materias\/polemicas-que-marcaram-carreira-de-senna-na-f1\"><span style=\"color:#ffffff\">10+: As pol&ecirc;micas que marcaram a carreira de Senna na F&oacute;rmula 1<\/span><br \/>\n\t<br \/>\n\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/20194291524896_image_O-4.png\" style=\"height: 24px;width: 24px;float: left\" title=\"\u00cdCONE SENNA\" \/><\/a><span style=\"color:#ffffff\">&nbsp;<\/span><a href=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/f1\/noticias\/memorias-de-uns-dias-de-maio-por-flavio-gomes\"><span style=\"color:#ffffff\">Mem&oacute;rias de uns dias de maio, por Flavio Gomes<\/span><\/a><br \/>\n\t<br \/>\n\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/20194291524896_image_O-4.png\" style=\"height: 24px;width: 24px;float: left\" title=\"\u00cdCONE SENNA\" \/>&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/25-anos-sem-senna\/ultimas-noticias\"><span style=\"color:#ffffff\">25 anos sem Senna<\/span><\/a><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O texto abaixo carrega todos os defeitos da juventude. Escrevi h&aacute; quase 25 anos, meses depois da morte de Ayrton Senna<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"42wp_featured_image_caption":"","42wp_featured_image_credits":"","42wp_featured_video":"","42wp_featured_image_hidden":false,"42wp_authors_list":[],"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[487,699,147,2411,84,122,219,105,4028],"42wp_author":[47111],"class_list":["post-137182","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-f1","tag-acidente","tag-ayrton-senna","tag-f1","tag-f1-1994","tag-f1-2019","tag-flavio-gomes","tag-grande-prmio","tag-morte","tag-roland-ratzenberger","42wp_author-flavio-gomes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/137182","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=137182"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/137182\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=137182"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=137182"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=137182"},{"taxonomy":"42wp_author","embeddable":true,"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/42wp_author?post=137182"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}