{"id":36116,"date":"2025-01-12T13:00:00","date_gmt":"2025-01-12T16:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/noticias\/na-garagem-copersucar-estreia-formula-1-gp-da-argentina-mclaren-emerson-fittipaldi-vence\/"},"modified":"2025-01-12T17:06:48","modified_gmt":"2025-01-12T20:06:48","slug":"na-garagem-copersucar-estreia-formula-1-gp-da-argentina-mclaren-emerson-fittipaldi-vence","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/f1\/na-garagem-copersucar-estreia-formula-1-gp-da-argentina-mclaren-emerson-fittipaldi-vence\/","title":{"rendered":"Na Garagem: Copersucar estreia na F1 em GP da Argentina. De McLaren, Fittipaldi vence"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das p\u00e1ginas mais importantes do <strong>Brasil<\/strong> na <strong>F\u00f3rmula 1<\/strong> completa meio s\u00e9culo. Foi num 12 de janeiro como hoje, mas em 1975, que a <strong>Copersucar-Fittipaldi<\/strong> se tornou a primeira &#8211; e at\u00e9 hoje, \u00fanica &#8211; equipe brasileira no grid da categoria. Aquele <strong>GP da Argentina<\/strong>, em <strong>Buenos Aires<\/strong>, foi a realiza\u00e7\u00e3o de um sonho encabe\u00e7ado por <strong>Wilsinho Fittipaldi<\/strong> e <strong>Ricardo Divila<\/strong>. Hoje, completa exatos 50 anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u25b6\ufe0f&nbsp;<strong>Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PR\u00caMIO no YouTube:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UC9OlHEgxoaY6QY6nWPoiqQg?sub_confirmation=1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">GP<\/a>&nbsp;|&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UC9csiS6q_C3C0FYhyr1rnFA?sub_confirmation=1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">GP2<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aquela prova na Argentina era a abertura do novo campeonato e come\u00e7o de uma p\u00e1gina em branco, como s\u00e3o todas as temporadas, na F1. Para a Copersucar, contudo, era um ponto e v\u00edrgula, uma vez que o ano de 1974 fora passado inteiro no planejamento, concep\u00e7\u00e3o e montagem. O sonho fora sonhado muito antes, desde os tempos de F\u00f3rmula V\u00ea do Brasil, ainda nos anos 1960, em que Wilsinho apostou na veia de construtor, junto de Emerson. Mas a ideia da F1 passou a ser posta em pr\u00e1tica mesmo em 1974.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Wilsinho, que esteve no grid pela <strong>Brabham<\/strong> em 1972 e 1973, como piloto pagante, resolveu que usaria o dinheiro de outra maneira. Para come\u00e7o de conversa, trouxe a bordo do projeto o engenheiro Ricardo Divila, que j\u00e1 fazia carreira no automobilismo europeu, e juntos ambos come\u00e7aram a estrutura\u00e7\u00e3o. Em breve, trariam Jo Ram\u00edrez, mexicano que posteriormente marcaria o nome na McLaren nos tempos de Ayrton Senna, para ser chefe de equipe; Yoshiatsu Itoh, que trabalhara com Emerson Fittipaldi na Lotus, foi o escolhido para ser mec\u00e2nico-chefe. O primeiro funcion\u00e1rio da equipe era um velho amigo e homem de confian\u00e7a dos Fittipaldi: Darci de Medeiros, mec\u00e2nico que trabalhava junto a Wilsinho e Emerson h\u00e1 uma d\u00e9cada.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/COP2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-918127\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O projeto da Copersucar (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Pinterest)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Divila, que assumia o posto de projetista na acep\u00e7\u00e3o da palavra, partia usando como refer\u00eancia o Tyrrell 006, carro com que Jackie Stewart fora campe\u00e3o em 1973 e desenvolveu o FD001, com conceitos diferentes e que seriam adotados na F1 mais tarde, como a asa dianteira bem distante do resto do carro e elevada, assim como o posicionamento das sa\u00eddas de escapamento e a\u00e7\u00e3o aerodin\u00e2mica da tampa do motor, que tamb\u00e9m acabava por posicionar o piloto mais abaixo que o comum.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar da ideia da equipe ser o mais brasileira poss\u00edvel, nem tudo podia ser feito aqui, o que obrigava importa\u00e7\u00f5es e aumentava custos. Mesmo com a ajuda estrat\u00e9gica da Embraer no projeto, falta uma grande patrocinador, que se tornou a <strong>Cooperativa dos Produtores de Cana de A\u00e7\u00facar do Estado de S\u00e3o Paulo<\/strong>, ou s\u00f3 Copersucar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tudo isso permitiu que o carro, constru\u00eddo em oficina na frente do aut\u00f3dromo de Interlagos, chegasse \u00e0 F1 em 1975.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-gp-da-argentina-de-1975-estreia-da-copersucar\">GP da Argentina de 1975, estreia da Copersucar<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/COP3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-918125\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Publicidade da Copersucar em jornal da \u00e9poca (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com Wilsinho no volante do carro #30, o \u00fanico da equipe, a classifica\u00e7\u00e3o mostrou a realidade dura de uma nova equipe. Foi o \u00faltimo dos 23 pilotos, bem distante do pen\u00faltimo. Jean-Pierre Jarier, ent\u00e3o pela Shadow, fora o pole com direito a recorde do circuito, seguido pelo brasileiro Jos\u00e9 Carlos Pace e o piloto da casa, Carlos Reutemann, ambos da Brabham, e Niki Lauda , da Ferrari. J\u00e1 <strong>Emerson Fittipaldi<\/strong>, bicampe\u00e3o mundial e campe\u00e3o vigente, ainda defendia a McLaren e era o quinto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pesado top-10 do grid era completado com James Hunt (Hesketh), Clay Regazzoni (Ferrari), Patrick Depailler (Tyrrell), Jody Sheckter (Tyrrell) e Mario Andretti (Parnelli).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A largada at\u00e9 mostrou a possibilidade de alguma fuma\u00e7a por parte da Copersucar. Wilsinho, o &#8216;Tigr\u00e3o&#8217;, chegou at\u00e9 a ganhar posi\u00e7\u00e3o. Durou pouco, por\u00e9m. Durante a 13\u00aa volta, a quebra de uma manga de eixo fez o carro se descontrolar na reta oposta e rodar at\u00e9 acertar a barreira, o que iniciou um inc\u00eandio no carro e causou correria para a chegada dos extintores. Nada mais grave com Wilsinho, mas o carro sofreu bastante. O objetivo era reconstruir para o GP do Brasil, que seria realizado duas semanas depois.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sem a Copersucar, a corrida continuou. Jarier, apesar da pole, teve problemas ainda na volta de apresenta\u00e7\u00e3o e nem largou. As duas Brabham tomaram o controla da situa\u00e7\u00e3o, com Reutemann partindo melhor que Pace e tomando a frente, enquanto Hunt fez valer o novo carro da Hesketh e largou bem para passar Emerson e come\u00e7ar uma briga com Lauda que durou algumas voltas. O ingl\u00eas terminou por levar a melhor e assumir o terceiro posto, ainda com apar\u00eancia de tinha for\u00e7a para alcan\u00e7ar os dois primeiros.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/FIT2-1200x797.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-918126\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Emerson Fittipaldi durante a corrida na Argentina, ainda pela McLaren (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/McLaren)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8216;Moco&#8217; conseguiu retomar a lideran\u00e7a do companheiro ainda na pista, mas logo em seguida rodou e perdeu espa\u00e7o. Detalhe \u00e9 que Pace rodou justamente no mesmo ponto que Wilsinho, provavelmente ao escorregar no l\u00edquido usado para apagar o inc\u00eandio. Mais tarde, teve de abandonar por problemas no motor. Reutemann liderou por mais algum tempo at\u00e9 que Hunt chegou, valendo-se do fato de que o argentino tinha dificuldades para controlar a dianteira do carro. James passou ainda antes da marca de metade da corrida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quem cresceu na prova posteriormente foi Fittipaldi, que foi se aproximando mais e mais da briga at\u00e9 encostar de vez em Hunt. Antes, o campe\u00e3o fazia corrida discreta. Chegara a ser pressionado por Ronnie Peterson, Regazzoni e Depailler, mas sustentou sem grandes problemas. Um lance espec\u00edfico mudou a corrida para ele: os mec\u00e2nicos da McLaren levantaram uma placa no pit-wall que dizia apenas &#8216;Fitti OK&#8217;. Foi o fim da preocupa\u00e7\u00e3o de Emerson com a situa\u00e7\u00e3o do irm\u00e3o Wilsinho ap\u00f3s o inc\u00eandio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fittipaldi aumentou o ritmo, passou Reutemman pouco depois de Hunt e passou a ca\u00e7ar o ingl\u00eas. Quando chegaram ao retardat\u00e1rio e companheiro de Emerson na McLaren, Jochen Mass, Hunt evitou as dificuldades \u00f3bvias que o alem\u00e3o apresentava ao tentar auxiliar o parceiro. Na volta 34 das 53, tanto Hunt quanto Fittipaldi cravaram a melhor volta da corrida. A briga pela lideran\u00e7a era eletrizante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas logo na volta 35, Hunt rodou no contorno da chicana e, ainda que tenha se recuperado rapidamente, deu passagem para Emerson e n\u00e3o teve como retomar. Fittipaldi venceu e Hunt ficou somente 6s atr\u00e1s. Reutemman completou o p\u00f3dio, ao passo que Regazzoni, Depailler e Lauda pontuaram.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/FIT1-1200x780.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-918124\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O p\u00f3dio do GP da Argentina de 1975 liderado por Emerson Fittipaldi e com James Hunt e Carlos Reutemann (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/McLaren)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Copersucar, assim como outras sete equipes, n\u00e3o marcaria pontos naquela temporada, algo reservado apenas aos seis primeiros colocados. Conseguiu um top-10 na \u00faltima corrida do ano, com o d\u00e9cimo lugar no GP dos Estados Unidos, em Watkins Glen. Na pontua\u00e7\u00e3o atual, valeria um tento. Enquanto isso, Niki Lauda conquistou o primeiro de seus tr\u00eas t\u00edtulos, enquanto a Ferrari ficou com o t\u00edtulo Mundial de Construtores. Emerson terminou vice-campe\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A grande surpresa que abalou o mundo da F1 veio ap\u00f3s o fim do campeonato, quando Emerson, aos 29 anos de idade e um dos pilotos mais fortes do grid, pegou a McLaren no contrap\u00e9 e decidiu sair para ir rumo ao time brasileiro, que idealizou com o irm\u00e3o por tanto tempo. E deu lugar justamente a Hunt, rival daquele dia na Argentina, que seria campe\u00e3o logo na primeira chance. Em 1976, a Copersucar teve Emerson e um segundo carro durante parte da temporada, guiado pelo jovem Ingo Hoffmann. Wilsinho passou a se concentrar no comando e administra\u00e7\u00e3o da equipe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Presen\u00e7a no grid at\u00e9 o fim da temporada 1982, a Copersucar foi parte importante da F1 nos anos 1970 e 1980 e teve grandes momentos competitivos, como, por exemplo, o p\u00f3dio de Emerson no GP do Brasil de 1978, quando terminou no segundo lugar &#8211; a equipe terminaria o ano no s\u00e9timo lugar do Mundial de Construtores. Foram mais dois p\u00f3dios em 1980, um com Emerson e outro com o jovem Keke Rosberg, que de l\u00e1 sairia para ser campe\u00e3o pela Williams em 1982. Naquele ano, 1980, a equipe brasileira terminou o Mundial de Construtores na frente inclusive de Ferrari e McLaren.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A rica hist\u00f3ria da Copersucar-Fittipaldi iniciou num domingo como esse, em Buenos Aires, mas em 1975.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"F\u00d3RMULA E 2024\/2025 COM IMAGENS | eP DA CIDADE DO M\u00c9XICO | 2\u00aa etapa | Corrida\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-b7210kMiuI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><figcaption class=\"wp-element-caption\">F\u00d3RMULA E 2024\/2025 COM IMAGENS | eP DA CIDADE DO M\u00c9XICO | 2\u00aa etapa | Corrida<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 exatos 50 anos, em 12 de janeiro de 1975, Copersucar fez a estreia como primeira equipe brasileira e sul-americana da F\u00f3rmula 1. 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