{"id":41900,"date":"2024-12-02T04:15:00","date_gmt":"2024-12-02T07:15:00","guid":{"rendered":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/noticias\/tiro-escuro-vida-apos-michael-schumacher-como-lewis-hamilton-mercedes-aliaram-formula-1\/"},"modified":"2024-12-02T07:24:17","modified_gmt":"2024-12-02T10:24:17","slug":"tiro-escuro-vida-apos-michael-schumacher-como-lewis-hamilton-mercedes-aliaram-formula-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/f1\/tiro-escuro-vida-apos-michael-schumacher-como-lewis-hamilton-mercedes-aliaram-formula-1\/","title":{"rendered":"Tiro no escuro e vida ap\u00f3s Schumacher: como Hamilton e Mercedes se aliaram na F1"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O segundo semestre da temporada 2012 cruzava o calend\u00e1rio da <strong><a href=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/f1\/\">F\u00f3rmula 1<\/a><\/strong> como um meteoro e obrigava equipes e pilotos a decis\u00f5es sobre o que seria do futuro. A <strong>Mercedes<\/strong> queria algu\u00e9m para suceder <strong>Michael Schumacher<\/strong>, sa\u00eddo da aposentadoria para as temporadas 2010, 11 e 12, mas aposentado novamente, e para colocar a equipe de volta no radar ap\u00f3s o retorno ao grid como time oficial na sequ\u00eancia de um hiato de 55 anos. <strong>Lewis Hamilton<\/strong> queria voltar a ter chances de ser campe\u00e3o e oxigenar o clima interno que j\u00e1 cheirava a enxofre pelos lados da <strong>McLaren<\/strong>. Antes que o encontro com o destino pudesse ser costurado, equipe, a dona do desejo, e piloto, o fruto do interesse, tinham de chegar a um denominador comum.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Por que eu deveria ir para a Mercedes? Voc\u00eas est\u00e3o em quinto lugar no Mundial de Construtores. A McLaren tem um carro muito melhor. Por que eu devo fazer isso?&#8221;, Hamilton questionou ap\u00f3s ouvir a proposta de <strong>Niki Lauda<\/strong>, ent\u00e3o presidente n\u00e3o-executivo da marca alem\u00e3, segundo o pr\u00f3prio Lauda recordou anos depois.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Fiquei em sil\u00eancio por 10 segundos, porque ele estava certo&#8221;, contou o tricampe\u00e3o mundial, morto em 2019. &#8220;Mas o que vai acontecer se voc\u00ea for o primeiro a conquistar um t\u00edtulo pela Mercedes?&#8221;, respondeu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Foi muito legal receber a liga\u00e7\u00e3o de uma lenda como Niki&#8221;, recordou Hamilton em 2020. Depois ele veio ao meu quarto no hotel em Singapura e tivemos uma boa conversa. Foi mais ou menos nessa \u00e9poca que Niki disse que eu era igual a ele em v\u00e1rios aspectos e que t\u00ednhamos mais em comum do que imagin\u00e1vamos&#8221;, disse.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/1-Lauda-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-448406\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Niki Lauda foi fundamental na ida de Lewis Hamilton para a Mercedes (Foto: AFP)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O resto, como dizem por a\u00ed, \u00e9 hist\u00f3ria. A verdade \u00e9 que Lewis e a Mercedes n\u00e3o eram necessariamente desconhecidos um do outro. Afinal, se a marca alem\u00e3 estava fora do grid da F1 como dona de uma equipe pr\u00f3pria desde 1955 quando retornou em 2010, fazia parte da brincadeira de outra forma desde 1995, quando voltou a fabricar motores para a categoria e fornec\u00ea-los para McLaren. Hamilton trabalhou ao lado da Mercedes desde jovem, quando assinou como piloto afiliado da McLaren. E foi com os motores da montadora de Stuttgart que fez a estreia na F1, em 2007, e conquistou o t\u00edtulo de 2008.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas tamb\u00e9m foi com os motores Mercedes que viu as chances de conquista rarearem. Primeiro pelo fen\u00f4meno <strong>Brawn GP<\/strong>, em 2009 &#8211; que no ano seguinte seria vendida justamente para virar a Mercedes &#8211; e depois pela for\u00e7a da <strong>Red Bull<\/strong>. O pior de tudo era que as rela\u00e7\u00f5es internas degringolaram e a McLaren e Lewis tinham virado \u00e1gua e \u00f3leo. Conforme 2012 se desenrolava, n\u00e3o havia d\u00favidas: era hora de separar os la\u00e7os e seguir em frente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os encantos de Lauda e de <strong>Ross Brawn<\/strong>, que ainda operava como chefe de equipe num mundo em que <strong>Toto Wolff<\/strong> n\u00e3o fazia parte do palco &#8211; algo que s\u00f3 aconteceria a partir de 2013 -, convenceram Hamilton. Mas sobretudo Lauda, com quem desenvolveu amizade forte e a quem via como uma esp\u00e9cie de mentor no campo minado da F\u00f3rmula 1.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para a Mercedes era uma grande vit\u00f3ria. Substituiria o piloto mais vencedor de todos os tempos, Schumacher, que voltou para ajudar a marca que o lan\u00e7ou na carreira, com um campe\u00e3o mundial a quem se podia chamar de o mais talentoso do grid atual. Ao lado dele, <strong>Nico Rosberg<\/strong>, op\u00e7\u00e3o s\u00f3lida e que j\u00e1 bem conhecia o time, oferecia importante resposta sobre o carro e tamb\u00e9m era capaz de vencer corridas e conquistar p\u00f3dios. Uma dupla forte para virar a chave ap\u00f3s os anos em que se estabeleceu no grid. Agora era tempo de vencer.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/picture-3.jpg\" alt=\"MICHAEL SCHUMACHER; GP DA EUROPA; GP DA EUROPA 2012; VAL\u00caNCIA; MERCEDES;\" class=\"wp-image-528263\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Michael Schumacher era quem Lewis Hamilton tinha de substituir na Mercedes. S\u00f3 isso (Foto: Daimler)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hamilton teria de roer o osso. A pergunta que fizera a Lauda, na primeira conversa, afinal, era justa. Nos tr\u00eas anos anteriores, foram somente seis p\u00f3dios e uma vit\u00f3ria &#8211; Rosberg, no <strong>GP da China<\/strong> de 2012. Naquele campeonato de 2012, terminou mesmo em quinto no Mundial de Construtores, mas n\u00e3o s\u00f3 isso. A dist\u00e2ncia para as quatro primeiras colocadas era colossal: 142 pontos da Mercedes contra 303 da <strong>Lotus<\/strong>, quarta colocada; 378 da McLaren, a terceira; 400 da <strong>Ferrari<\/strong>, vice-campe\u00e3; e 460 da Red Bull. Havia uma estrada extensa a percorrer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Restava trabalhar em duas frentes. Uma delas era o pr\u00f3ximo conjunto de regras e a introdu\u00e7\u00e3o dos motores V6 turbo e a entrada na era h\u00edbrida a partir de 2014. Mas era evidente que Hamilton n\u00e3o havia chegado para servir de pato morto durante um ano inteiro, e, ent\u00e3o, era preciso trabalhar carro e disputa de 2013.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-a-temporada-2013-para-a-mercedes\">A temporada 2013 para a Mercedes<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O campeonato come\u00e7ou com ares de repeti\u00e7\u00e3o daquilo que havia acontecido em 2012: as vit\u00f3rias dilu\u00eddas grid afora. Lotus, Red Bull e Ferrari ganharam as primeiras tr\u00eas corridas, respectivamente com Kimi R\u00e4ikk\u00f6nen, Sebastian Vettel e Fernando Alonso. Mas Hamilton conseguia se entender com o carro e buscar dois p\u00f3dios na sequ\u00eancia inicial, ambos com terceiros lugares. Se a Mercedes estava longe de ser postulante ao t\u00edtulo, tamb\u00e9m n\u00e3o era patinho feio. Faltava pot\u00eancia, mas o carro estava arrumado.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/22_F1-2013-Hungria_AFP-1-1024x693.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-426433\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O primeiro triunfo com a Mercedes aconteceu na Hungria (Foto: AFP)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Come\u00e7ou a temporada com os melhores resultados na equipe, mas a situa\u00e7\u00e3o mudou no GP de M\u00f4naco. Rosberg foi pole e Lewis completava uma primeira fila toda da Mercedes. S\u00f3 que, na corrida, tudo mudou. Rosberg desfilou para ganhar a prova, enquanto Hamilton, na relargada p\u00f3s-interven\u00e7\u00e3o do safety-car por um acidente de Felipe Massa, deu passagem para os pilotos da Red Bull. Terminou em quarto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Duas corridas depois, na Inglaterra, o inverso: Hamilton fez a segunda pole pela nova casa \u2014 j\u00e1 havia sido assim na China \u2014 e Nico partiu no segundo lugar. Ap\u00f3s defender a primeira posi\u00e7\u00e3o na largada e pontear nas voltas iniciais, sofreu furo no pneu e precisou ir lentamente aos boxes. Rosberg caiu para terceiro, mas deu sorte: al\u00e9m do problema do companheiro de equipe, ainda viu o c\u00e2mbio da Red Bull trair Vettel. Venceu pela segunda vez. Hamilton fez impressionante corrida de recupera\u00e7\u00e3o e saiu de 22\u00ba para 4\u00ba no fim das contas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O <strong>GP da Inglaterra<\/strong> iniciou uma sequ\u00eancia de quatro poles para Hamilton. Semanas depois, na Alemanha, Vettel e <strong>Mark Webber<\/strong> tiraram o ingl\u00eas do caminho logo na largada. <strong><a href=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/lewis-hamilton\/noticias\/22-hamilton-fatura-primeira-vitoria-pela-mercedes-o-gp-da-hungria-de-2013\/\">A\u00ed, na Hungria, a hist\u00f3ria foi outra<\/a><\/strong>. Hamilton manteve a ponta na largada e parou nos antes de Vettel, que vinha em segundo, ainda na d\u00e9cima volta em Hungaroring. Voltou atr\u00e1s de <strong>Jenson Button<\/strong>, companheiro na McLaren at\u00e9 o ano anterior, e rapidamente ultrapassou. Foi o que garantiu o resultado, porque Vettel, quando finalmente parou, ficou preso atr\u00e1s de Button. Chegou at\u00e9 a danificar a asa durante tentativa de mergulho. Ap\u00f3s a estrat\u00e9gia de uma parada a menos de Webber dar errado, o dia sorriu para Lewis. Em 28 de julho de 2013, vencia pela primeira vez com o prateado da Mercedes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi a vit\u00f3ria 22 da carreira, a primeira das 84 que conquistaria com o time da f\u00e1brica alem\u00e3. E a \u00faltima daquela temporada. Na verdade, a \u00faltima de qualquer piloto diferente de Vettel naquele 2013. Hamilton ainda faria a pole na B\u00e9lgica, que tamb\u00e9m marcou a \u00faltima pole fora das m\u00e3os da Red Bull no campeonato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao todo, foram cinco p\u00f3dios, com uma vit\u00f3ria e quatro terceiros lugares nas 19 corridas daquela temporada. Al\u00e9m, claro, das cinco poles. O suficiente para anotar 189 pontos e o quarto lugar do Mundial de Pilotos. Rosberg foi sexto, com 132. Embora muito distante da campe\u00e3 Red Bull, a Mercedes finalizou o 2013 com o vice-campeonato de Construtores, superando a Ferrari por apenas seis tentos. A McLaren, que sobrou em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 parceira no ano anterior, foi somente quinta colocada e com pobres 122 pontos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/2013b-1024x808.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-428338\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A ficha da Mercedes 2013 (Arte: Rodrigo Berton\/Grande Pr\u00eamio)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um in\u00edcio satisfat\u00f3rio dentro da realidade em que a Red Bull dominava o cen\u00e1rio e Alonso era quem conseguia desafiar com a Ferrari &#8211; e terminou 2013 vice-campe\u00e3o. A rela\u00e7\u00e3o com Rosberg, que mais tarde ferveria, ainda era de felicidade, com empolga\u00e7\u00e3o geral pela hist\u00f3ria dos amigos de inf\u00e2ncia, companheiros de equipe no kart, reunidos lado a lado na F1.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas o primeiro sinal de fric\u00e7\u00e3o ali esteve, e logo no <strong>GP da Mal\u00e1sia<\/strong>, segunda corrida do ano. Na ocasi\u00e3o, a Mercedes se viu capaz do primeiro p\u00f3dio do ano quando tinha Hamilton em terceiro e Rosberg, em quarto. Para nada arriscar, deu a ordem que Nico apenas fizesse o comboio junto ao companheiro, coisa que o alem\u00e3o n\u00e3o gostou. Nada aconteceria naquele momento, mas a fagulha foi incendiada a partir do ano seguinte, quando a Mercedes passou a ter carro de primeira linha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O primeiro ano foi longe de um sonho ou de indicar os tempos de gl\u00f3rias que viriam a partir de 2014, mas mostrou que Hamilton tinha acertado alguma coisa. O caminho da Mercedes era para cima.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\u25b6\ufe0f&nbsp;Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PR\u00caMIO no YouTube:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UC9OlHEgxoaY6QY6nWPoiqQg?sub_confirmation=1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">GP<\/a>&nbsp;|&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UC9csiS6q_C3C0FYhyr1rnFA?sub_confirmation=1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">GP2<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A crise no relacionamento com a McLaren, j\u00e1 insustent\u00e1vel, fez Lewis Hamilton decidir sair. Mas ir para onde? Foi a Mercedes, ainda sem as gl\u00f3rias na F1 moderna, quem convenceu o ent\u00e3o uma vez campe\u00e3o a dar mergulho de f\u00e9. 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