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Verstappen atinge patamar próximo à perfeição e faz bi dominante parecer fácil
F1

Verstappen atinge patamar próximo à perfeição e faz bi dominante parecer fácil

Max Verstappen fechou a conta de um bicampeonato absolutamente dominante na F1 2022. Em um ano em que a Red Bull não teve o melhor carro disparado em boa parte da temporada, o neerlandês atingiu um nível de excelência que lembrou os grandes da história da categoria

Gabriel Curty

Publicado em
F1 2022 AO VIVO: VERSTAPPEN CAMPEÃO NO CAOS DO GP DO JAPÃO | Briefing

Max Verstappen conquistou um dos títulos mais fáceis de todos os tempos na Fórmula 1. Neste domingo (9), o neerlandês fechou a conta com quatro corridas de antecedência, em uma temporada que lembrou os melhores momentos de Michael Schumacher na Ferrari, Lewis Hamilton na Mercedes e Sebastian Vettel na Red Bull. Só que com um grande porém: em 2022, Max não teve um carro exatamente dominante.

Dizer que a Red Bull teve o melhor carro do ano é discutível e aceitável, mas daí a apontar que o RB18 foi dominante é, com raríssimas exceções, simplesmente uma mentira. Em diversos momentos da temporada, inclusive, os austríacos estiveram abaixo em termos de performance do que a Ferrari produzia. É aí que Verstappen fez tanta diferença. Bem como a quantidade absurda de bobeadas dos italianos.

Mas falar que a Ferrari errou muito, desde problemas de confiabilidade até falhas clamorosas de estratégia e operação é chover no molhado e, de certa forma, se repetir. Isso fica para outro dia. Por agora, é tempo de exaltar a performance de Verstappen e da Red Bull, de um casamento que tem tudo para entrar — ainda mais — para a história da F1.

No caso do ainda jovem piloto neerlandês, a sequência absurda de atuações vem desde, pelo menos, 2020. Max deixou para trás aquela pecha de rápido, agressivo, mas inconsequente e inconsistente. Foi naquele ano, ainda amplamente dominado pela Mercedes, que Verstappen começou a pavimentar fortemente o caminho para interromper a dinastia de Hamilton.

Enquanto seus rivais patinavam entre si, Max Verstappen seguiu incólume rumo ao bicampeonato (Foto: Red Bull Content Pool)

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Veio 2021 e, no último ano do antigo regulamento, uma das brigas mais ferozes que a categoria já viu. Max e Lewis chegaram à final empatados e o campeonato foi decidido na última volta. Impossível algo mais emocionante. Também impossível algo mais controverso, já que o diretor de provas Michael Masi roubou os holofotes da batalha com uma série de decisões polêmicas, inclusive na relargada que decidiu o GP de Abu Dhabi, última corrida do ano. Verstappen era campeão com todos os méritos, mas o final foi agridoce e até hoje dá o que falar.

O bicampeonato foi totalmente o oposto. Para começo de conversa, a Mercedes errou rude na mão do carro estreante do novo regulamento e tirou Hamilton da briga. Assim, Verstappen teve de encarar a dupla da Ferrari e, em determinado momento, um Sergio Pérez que tentou enganar, mas que não durou muito.

Na realidade, nem a Ferrari durou muito e o campeonato já estava completamente decidido antes mesmo das férias. Um começo mais lento de Carlos Sainz, uma fase ruim de Charles Leclerc, a Ferrari trapalhona, tudo isso interferiu, é verdade, mas do outro lado estava alguém sólido como uma rocha. Uma fortaleza.

Quantos erros Verstappen cometeu em 2022 inteiro? Um? Dois? Pois é. Com um carro que desde a terceira corrida do ano parou de quebrar e que foi evoluindo ao passar do tempo até se tornar, de fato, o melhor do grid na Bélgica, Max encontrou uma receita para ser imbatível.

Max Verstappen e Red Bull: até onde esse casamento pode ir? (Foto: Red Bull Content Pool)

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O primeiro golpe veio já na Arábia Saudita, quando driblou Leclerc para vencer. Depois, aquela sequência absurda com cinco vitórias em seis corridas entre a Emília-Romanha e o Canadá. Depois de Montreal, não era mais que Max tinha virado o jogo em cima da Ferrari, ele já era virtual bicampeão.

Nem mesmo o sétimo lugar em um GP da Inglaterra caótico, quando correu com metade de uma AlphaTauri pendurada em seu assoalho, nem a Áustria, quando a Ferrari botou na pista um carro dominante, nada disso abalou. Pelo contrário: da França para frente, Verstappen só não venceu uma, em Singapura.

E foi justamente essa sequência que deu o tom de um campeonato tão controlado. Venceu largando em décimo na apertada Hungria, quando teve problemas na classificação; triunfou saindo de 14º na Bélgica, quando foi punido por trocar motor; e venceu de sétimo na Itália, novamente sancionado. Talvez vencesse até saindo com uma volta atrás do resto do pelotão, tamanha superioridade apresentada.

A F1 já mostrou em outras oportunidades que pode mudar radicalmente sua ordem de forças em um curto espaço de tempo, é verdade, mas Verstappen e a Red Bull dão todos os motivos para que se imagine que estamos vendo um dos casamentos mais poderosos da história da categoria. A ver até onde isso pode chegar, mas os sinais são assustadores para os adversários.