A Fórmula 1 entra em um novo capítulo neste fim de semana. Entre os dias 6 e 8 de março, o Circuito de Albert Park, em Melbourne, recebe o GP da Austrália — a primeira das 24 etapas do campeonato mundial de 2026 e, mais do que isso, o ponto de partida de uma transformação que mexe com tudo: carros, motores, regras, equipes e até a forma de assistir às corridas no Brasil.
São carros menores e mais leves, motor híbrido redesenhado do zero, aerodinâmica ativa no lugar do tradicional DRS, grid expandido para 11 equipes e a volta de um brasileiro ao grid como titular. Se existe uma temporada capaz de reorganizar completamente a hierarquia da F1, é esta.
O que muda nos carros: menor, mais leve, mais elétrico
A revolução de 2026 começa pelo que está debaixo da carroceria. A unidade de potência foi completamente reformulada: o MGU-H — componente térmico do sistema híbrido que existia desde 2014 — foi eliminado, enquanto o MGU-K (parte cinética) ganhou potência significativamente maior. Na prática, isso significa que a energia elétrica terá um papel muito mais relevante no desempenho dos carros, aproximando a F1 da realidade dos veículos de rua e servindo como vitrine tecnológica para as montadoras.
Os carros em si ficaram menores e mais leves em comparação com a geração anterior, o que promete maior agilidade em curvas e disputas mais acirradas em pistas como Melbourne, que combina retas rápidas com trechos sinuosos ao redor do lago Albert Park.
A mudança mais visível para quem assiste, porém, é a substituição do DRS pela aerodinâmica ativa. Em vez de uma aba traseira que se abre em zonas específicas, os carros de 2026 contam com elementos aerodinâmicos que se ajustam automaticamente entre configuração de alta velocidade (menos arrasto) e configuração de curva (mais downforce). O chamado “Modo de Ultrapassagem” permite que um piloto que esteja a menos de um segundo do carro à frente ative mais potência elétrica em zonas designadas — uma evolução conceitual do DRS que, em tese, mantém a possibilidade de ultrapassagens sem depender de uma aba mecânica.
11 equipes no grid: Cadillac e Audi entram na briga
O grid da Fórmula 1 cresce pela primeira vez em uma década. A Cadillac se torna a 11ª equipe do campeonato — a primeira marca americana a estrear na categoria desde a Haas, em 2016, e a primeira nova operação construída do zero em anos. O projeto, liderado pelo grupo TWG (que absorveu a tentativa anterior da Andretti), conta com motores Ferrari e uma dupla de pilotos experiente: Valtteri Bottas e Sergio Pérez, que somam mais de 500 largadas em GPs e 16 vitórias entre eles. O piloto reserva é Colton Herta, vindo da IndyCar. O carro inaugural da equipe foi batizado de MAC-26, em homenagem a Mario Andretti, campeão mundial de 1978 e embaixador do projeto.
A expectativa em torno da Cadillac não é de resultados imediatos, mas de construção a longo prazo. A equipe planeja desenvolver seu próprio motor a partir de 2029, quando deixará de ser cliente da Ferrari. Nos testes de pré-temporada, completou 586 voltas no total — número acima de Aston Martin, mas atrás das demais equipes — e Bottas e Pérez classificaram-se respectivamente como 19º e 20º nos tempos gerais.
Já a Audi entra na F1 a partir da compra da Sauber, trazendo seu próprio motor e uma reestruturação profunda da equipe. Sob comando de Mattia Binotto (ex-Ferrari) e Jonathan Wheatley (ex-Red Bull), o projeto alemão tem Nico Hülkenberg e o brasileiro Gabriel Bortoleto como titulares. A pré-temporada foi sólida: 711 voltas completadas e performance no meio do pelotão, com Bortoleto registrando o 10º melhor tempo absoluto nos testes do Bahrein.
Bortoleto: o Brasil de volta ao grid titular
Gabriel Bortoleto é a grande história brasileira da temporada. Após um ano de aprendizado difícil na Sauber em 2025 — quando a equipe era a lanterna do grid — o paulistano de 22 anos assume agora um papel central no ambicioso projeto da Audi. A expectativa é que Bortoleto contribua não apenas em pista, mas no desenvolvimento do carro ao longo das cinco temporadas em que o regulamento estará em vigor.
Nos testes, Bortoleto mostrou evolução consistente. A Audi terminou a pré-temporada à frente de Alpine, Red Bull, Cadillac e Aston Martin em quilometragem total, e o brasileiro demonstrou bom feedback técnico segundo os engenheiros da equipe. O desafio é claro: provar que pode liderar a engrenagem de um projeto de fábrica, e não apenas sobreviver na parte de trás do grid.
Para os fãs brasileiros, ter um piloto titular na F1 pela segunda temporada consecutiva reacende uma conexão que ficou adormecida por anos. E com a Audi mirando o topo do campeonato em cinco anos, a jornada de Bortoleto pode ser tão longa quanto promissora.
O que os testes de pré-temporada revelaram
Os nove dias de atividades em pista — entre Barcelona e Bahrein — deram pistas importantes sobre a nova hierarquia da F1. Tempos absolutos de testes devem ser analisados com cautela, já que cargas de combustível, modos de motor e programas de corrida variam enormemente entre as equipes. Ainda assim, tendências claras apareceram.
A Mercedes emergiu como favorita no consenso do paddock. Apesar de não ter feito o tempo mais rápido, a equipe de Brackley completou a maior quilometragem total entre todas as equipes (432 voltas só na segunda semana do Bahrein) e impressionou nos ritmos de corrida simulados. George Russell e Kimi Antonelli — o jovem italiano que substitui Lewis Hamilton — alternaram-se no topo ao longo dos testes.
A Ferrari chamou atenção com a volta mais rápida da pré-temporada inteira: Charles Leclerc cravou 1:31.992 no último dia em Sakhir, oito décimos à frente de Antonelli. Além do pace puro, a Scuderia inovou tecnicamente com uma asa traseira que literalmente inverte seu elemento superior em linha reta — gerando sustentação em vez de downforce, uma abordagem radical à aerodinâmica ativa. Um winglet instalado atrás do difusor, que converte gases de escapamento em força aerodinâmica, também gerou discussão no paddock.
A McLaren, atual campeã mundial com Lando Norris, foi a única equipe a ultrapassar 800 voltas no Bahrein e mostrou consistência, mas tanto Norris quanto Oscar Piastri reconheceram que há trabalho a fazer no gerenciamento de energia elétrica. A equipe se posiciona ligeiramente atrás de Mercedes e Ferrari, mas empatada com a Red Bull.
A Red Bull, por sua vez, estreia com motor próprio (RBPT) após anos usando Honda. A confiabilidade foi notável para um primeiro projeto de power unit, e Max Verstappen — que busca recuperar o título perdido em 2025 — mostrou ritmo competitivo. O chefe Laurent Mekies reconheceu que a equipe está “logo atrás do grupo da frente”.
No pelotão intermediário, Alpine, Haas e Audi disputam posições com Racing Bulls e Williams. Já a Aston Martin vive uma situação delicada: completou apenas 334 voltas na pré-temporada (menos da metade da Mercedes) e Fernando Alonso admitiu uma defasagem de mais de quatro segundos — número preocupante para uma equipe que investiu pesado na contratação de Adrian Newey.
Mudanças nas regras esportivas
Além da revolução técnica, a FIA implementou ajustes no regulamento esportivo para 2026. A classificação ganhou uma novidade: o Q3 agora tem 13 minutos (um a mais que antes), compensado pela redução do intervalo entre Q2 e Q3 para sete minutos. O tempo total da sessão permanece em uma hora.
O formato sprint foi reformulado. Em 2026, seis GPs terão corridas curtas: China, Miami, Canadá, Grã-Bretanha, Holanda e Singapura. Pela primeira vez desde a implementação do formato, Interlagos não terá sprint — uma mudança relevante para o público brasileiro que se acostumou a ter sábados movimentados no GP de São Paulo.
O GP de Holanda, aliás, terá sprint pela primeira vez justamente em sua temporada de despedida: os organizadores confirmaram que 2026 será a última edição do GP em Zandvoort. Outra novidade no calendário é a chegada de Madri como sede do GP da Espanha, com um circuito de rua construído em torno do complexo IFEMA, enquanto Montmeló recebe o rebatizado GP de Barcelona-Catalunha. Ímola saiu do calendário após o fim de seu contrato.
F1 de volta à Globo: como assistir no Brasil
Para o público brasileiro, 2026 traz uma mudança significativa fora das pistas. Após cinco anos de transmissão pela Band, a Fórmula 1 volta à TV Globo. Das 24 corridas do calendário, 15 serão exibidas em TV aberta, com cobertura simultânea no SporTV. As nove etapas restantes — incluindo China, Bahrein, Arábia Saudita, Miami e Canadá — serão exclusivas do SporTV e do Globoplay, com compactos exibidos em horários alternativos na Globo.
A equipe de transmissão conta com narração de Everaldo Marques e Bruno Fonseca, comentários de Luciano Burti, Rafael Lopes, Felipe Giaffone e Christian Fittipaldi, e reportagens de Mariana Becker nos autódromos. Para quem prefere assistir por streaming, a F1TV permanece como alternativa oficial.
O GP da Austrália, abertura da temporada, será transmitido pela Globo em TV aberta. Os horários em Brasília são: treinos livres na quinta e sexta-feira (de madrugada, dado o fuso com Melbourne), classificação no sábado e corrida no domingo de manhã.
O que está em jogo na temporada 2026
A Fórmula 1 entra em 2026 com mais perguntas do que respostas — e é exatamente isso que torna esta temporada tão fascinante. A Mercedes é mesmo favorita ou a Ferrari tem uma carta na manga? A McLaren consegue defender o título de construtores? Verstappen volta ao topo com a Red Bull e seu motor próprio? A Audi surpreende no meio do pelotão? A Cadillac consegue se estabelecer como equipe viável? E Bortoleto — consegue provar que pertence ao grid?
Cada uma dessas perguntas começa a ser respondida neste fim de semana em Melbourne. Para quem acompanha cada volta com atenção e gosta de fazer suas apostas Fórmula 1 baseadas em dados, estratégia e leitura de pista, a temporada 2026 oferece um cenário raro: todos os referenciais do passado foram zerados. A nova era começa para todos ao mesmo tempo.
Albert Park liga os motores na sexta-feira. E a Fórmula 1 nunca esteve tão aberta.
A nova temporada da F1 chegou. Acompanhe cada GP e faça suas apostas esportivas na BetMGM — de Melbourne a Abu Dhabi, cada largada é uma oportunidade.