A polêmica sobre a ‘Mercedes rosa’, o RP20 da Racing Point, não tem data para acabar. Depois que Renault, Ferrari, McLaren e Williams anunciaram publicamente a intenção de apelar da decisão tomada pela FIA (Federação Internacional de Automobilismo) e anunciada no último fim de semana, o novo capítulo da celeuma se deu nesta tarde de domingo (9). Pouco depois do desfecho do GP dos 70 Anos da F1, os comissários de prova chamaram a equipe de Silverstone para se explicar sobre os dutos de freios traseiros, a peça considerada irregular em razão do processo do seu projeto.
Segundo o delegado-técnico da FIA, Jo Bauer, “os dutos de freio dianteiros e traseiros usados nos carros 27 e 18 [de Nico Hülkenberg e Lance Stroll, respectivamente] durante a sessão de classificação e o GP dos 70 Anos aparenta ser o mesmo que os que foram usados durante os GPs da Estíria, Hungria e Inglaterra”.
Em documento emitido pela FIA às 16h10 locais (12h10 de Brasília), a Racing Point vai ter de se explicar sobre o uso das questionadas peças na corrida deste domingo.
Segundo a entidade, o uso dos dutos de freio traseiros do RP20, que têm a origem do seu projeto a Mercedes do ano passado, o W10, segue sendo uma infração, mas que não acarretaria em punição porque esta já foi imposta no GP da Estíria, enquanto para os GPs da Hungria e Inglaterra a sanção foi a aplicação de uma advertência. A mesma punição foi imposta depois do GP dos 70 Anos.

A tendência é que a Racing Point seja chamada a cada corrida para falar a respeito das peças, mas que as punições sigam o padrão das últimas provas: ou seja, somente uma advertência. A equipe teve Lance Stroll terminando na sexta colocação, enquanto Nico Hülkenberg foi o sétimo. Não se sabe se Sergio Pérez vai voltar ao posto de titular no próximo fim de semana, quando a Fórmula 1 vai realizar o GP da Espanha, em Barcelona.
Entenda o caso
Desta forma, a escuderia alvo dos protestos perdeu 15 pontos no Mundial de Construtores (sendo 7,5 para cada um dos carros a respeito do protesto no GP da Estíria) e ainda foi multada em € 400 mil (ou cerca de R$ 2,5 milhões), sendo € 200 mil (R$ 1,26 milhão) para cada um dos carros.
Segundo comunicado emitido pela FIA, o atual design do duto de freio dianteiro da Racing Point foi uma evolução do que a equipe usou do ano passado, mas entendeu que o conceito dos dutos dos freios traseiros do RP20 foi baseado no que a Mercedes produziu.
“Como os dutos de freio traseiros do RP20 não foram aplicados no RP19 em 2019, e os comissários acreditam que o esforço de projeto despendido pela Racing Point na adaptação dos dutos de freio traseiros projetados pela Mercedes para o W10 empalidece na comparação com o trabalho original da Mercedes, os comissários concluíram que o principal projetista dos dutos traseiros do RP20 foi a Mercedes, não a Racing Point”, salientou.
“A Racing Point teve a oportunidade tanto em 2019, quando foi comunicado às [equipes] participantes que os dutos de freio passariam a fazer parte das partes listadas [peças originais], como em 2020, durante a visita da FIA à sua fábrica, para esclarecer suas intenções a respeito dos dutos de freios, mas optaram por não fazê-lo”, explicou a FIA.
As punições dizem respeito a três finais de semana. A primeira vez que a Renault protestou contra a Racing Point foi pouco depois do GP da Estíria. As sanções aplicadas pela FIA à equipe de propriedade do consórcio liderada por Lawrence Stroll se referem à prova disputada no Red Bull Ring.
A Renault repetiu os protestos nos GPs da Hungria e da Inglaterra. Sobre tais etapas, a FIA acatou a manifestação da equipe de Enstone, mas decidiu impor somente reprimendas (advertências) à Racing Point.
“Como os detalhes da infração são os mesmos em cada caso, a razão por trás de cada decisão é a mesma. A respeito da punição, a visão dos comissários é de que a punição no GP da Estíria é proporcional à violação no processo de design do carro. Foi isso que levou à infração e uma reprimenda é suficiente para os GPs da Hungria e da Inglaterra”, informou a entidade que rege a Fórmula 1 no documento que torna público a sua decisão.
A Racing Point argumentou que o processo de design pode começar com informações externas. Mas os comissários da FIA responderam que as primeiras informações para desenvolver uma peça devem ser da equipe que vai continuar com o processo.
A FIA definiu que o que a Racing Point fez foi uma adaptação, mas não um projeto do zero, o que contraria o regulamento da Fórmula 1, entendendo que o esforço da equipe não foi o da Mercedes, de onde se origina o projeto dos dutos de freios. Assim, a entidade concluiu que a Racing Point obteve vantagem.
No entanto, a escuderia de Silverstone não vai precisar desenhar os dutos de freio porque a FIA entende que não faz sentido que a Racing Point “desaprenda” o que já se sabe, mas a organização julgou ser necessário punir de alguma forma para neutralizar a vantagem obtida.
No caso da punição com a perda de pontos, esta afeta somente a equipe no Mundial de Construtores e não influencia na tabela do Mundial de Pilotos.
Contudo, a decisão da FIA foi encarada com muita insatisfação no paddock, uma vez que Renault, Ferrari, McLaren e Williams a consideraram branda demais e, por isso, anunciaram a intenção de apelar junto à entidade que regula os rumos do automobilismo.