Desde as primeiras roletas na Europa até os megacomplexos de Las Vegas e Macau, o universo dos cassinos só cresceu. Porém, tudo isso é resultado de séculos de jogos de azar que, aos poucos, foram sendo formalizados em espaços reconhecidos pelo poder público, inicialmente como forma de controle social e fiscal, depois como motor de turismo e entretenimento.
Os primeiros estabelecimentos formais de jogo são marcados por raízes bem antigas e ligadas à tradição. O marco inicial é o Casino di Venezia, inaugurado em 1638.
Assim, a história dos cassinos se entrelaça com a própria evolução do entretenimento global, e o fascínio por esses estabelecimentos permanece forte até hoje, inclusive quando falamos dos melhores cassinos do Brasil, que ganham cada vez mais destaque entre os apostadores online. Jogue com responsabilidade.
Primeiros modelos: Europa, Américas e espaços de sociabilidade
Situado no Palazzo Dandolo, nas imediações da Igreja de San Moisè, o Casino di Venezia recebeu autorização das autoridades venezianas para operar durante o Carnaval, criando um espaço supervisionado para apostas em jogos como biribi e bassetta.
A proposta era conter e organizar hábitos que já faziam parte do cotidiano de nobres e visitantes, resultando no que é considerado o primeiro cassino oficialmente regulado do mundo, a referência que consolidaria, mais adiante, a noção de “casa de jogo legal”.
Esse modelo gerou uma lógica que se repetiria pelo continente:
- Jogo como prática social (salões, cafés, clubes);
- Concentração em casas autorizadas para reduzir fraude e desordem;
- Tributação como justificativa estatal.
Nos séculos XVIII e XIX, outros polos refinam a mistura de luxo, espetáculo e finanças públicas. Monte Carlo, inaugurado em 1863 sob concessão do príncipe Charles III e operado pela Société des Bains de Mer, é o exemplo máximo desse modelo.
Lá, o cassino nasceu como estratégia econômica para salvar o principado, casando jogo com hotelaria elegante, arquitetura monumental e turismo aristocrático.
Las Vegas: o papel dos pioneiros na “capital do jogo”
Las Vegas é sinônimo de jogos, o sonho de muitos apostadores. Ela se tornou cidade-cassino quando Nevada legalizou o jogo em 1931 e a economia local busca uma nova vocação.
O que antes era um ponto ferroviário no deserto transformou-se em um laboratório de cassino-hotel, um destino turístico completo. Um símbolo dessa virada é o Golden Gate Hotel & Casino, considerado o cassino mais antigo ainda em operação na cidade.
Inaugurado em 1906 como Hotel Nevada, na Fremont Street, atravessou todas as fases da história local — da hospitalidade simples de fronteira ao jogo legal e, depois, ao modelo integrado de hospedagem e apostas.
O empreendimento consolidou três ideias que Las Vegas exportaria para o mundo:
- Jogo + hotel no mesmo ativo;
- Fluxo contínuo de entretenimento (bares, shows, eventos);
- Escala urbana do cassino, não um clube fechado, mas um polo que reorganiza a cidade ao redor do turista.
Dessa forma, os grandes pioneiros da Strip (El Rancho Vegas, Flamingo, Sands, etc.) ampliariam o conceito, e o cassino deixou de ser somente um lugar de aposta e virou uma máquina de turismo, onde o jogo é âncora econômica.
Megacasinos globais: escala, hotéis, entretenimento e MICE
No fim do século XX, os cassinos entraram em uma nova fase: a era dos megaresorts. Eles se distinguem por quatro características: Escala física gigantesca; Hotelaria massiva e de alto padrão; Entretenimento 360; e o MICE (Meetings, Incentives, Conferences, Exhibitions), que são os centros de convenções que garantem receita fora do jogo.
O resultado foi um reposicionamento, onde o jogo passou a ser só uma das linhas de receita, muitas vezes menos da metade do faturamento total. O resto vem de hospedagem, shows, varejo e convenções.
Resorts integrados: turismo, arrecadação e ventura
O resort integrado é promovido como política de turismo e desenvolvimento, mas precisa ser sustentado por uma arquitetura regulatória rígida, capaz de reduzir danos sociais.
É essa negociação entre “ventura” econômica e salvaguardas que conecta a história toda desde Il Ridotto, criando um espaço controlado para evitar caos nas ruas, até os megacasinos de hoje que só existem porque o Estado decidiu regular, tributar e condicionar a atividade.
Inclusive, o Projeto de Lei aprovado no Brasil, que aguarda votação do Senado, é nessa linha. Se liberado, todos os estados do país contarão com no mínimo um cassino integrado em resorts, mas em algumas regiões podem chegar até três, de acordo com o tamanho populacional.
Apesar de ainda não haver data definida, a expectativa é que a pauta seja votada nos próximos meses e, em breve, o Brasil conte com a legalização dos cassinos físicos — não apenas das plataformas online.