Quem é vivo sempre aparece. E no caso deste domingo (5) em Silverstone foi com Charles Leclerc. O monegasco da Ferrari emplacou uma grande largada, controlou o ritmo e contou com os problemas de Andrea Kimi Antonelli e uma confusão da FIA com o safety-car nas voltas finais para voltar a vencer na Fórmula 1 após quase dois anos.
Mesmo sem uma performance brilhante, George Russell subiu ao pódio e reduziu a distância de Antonelli na liderança. Lewis Hamilton fechou o top-3 em Silverstone, sendo a 15ª vez que conquistou isso frente ao público local, que por sinal bateu recorde histórico de presença na história da Fórmula 1.
Gabriel Bortoleto finalmente voltou a pontuar, enquanto Max Verstappen viu um pódio se esfarelar em suas mãos ao sofrer um acidente nas voltas finais da prova. O GRANDE PRÊMIO traz os principais aprendizados.
Bem-vindo de volta, Charles Leclerc
Após comer o pão que o diabo amassou nas últimas corridas, Charles Leclerc finalmente brilhou. Fez uma largada sensacional e manteve um ótimo ritmo de cara para o vento, o que serviu para quebrar um jejum de quase dois anos sem vitória. Seria mais difícil com Andrea Kimi Antonelli bem nas voltas finais? Seria. Ele mesmo reconheceu isso. Porém, isso não é problema de Charles.
E mesmo que Lewis Hamilton seja o piloto da Ferrari que vai brigar pelo título em 2026, ter Leclerc em ótima fase é crucial para a Scuderia. É o cara com mais tempo de casa, que teve dificuldades, mas que em uma pista onde o gerenciamento de energia lembrou as primeiras corridas do ano, aproveitou para voltar a vencer. Leclerc em alta é capaz de tirar pontos da Mercedes, e isso é crucial.
Verstappen sofre, mas mostra que ainda tem o que tirar da Red Bull
A prova de Max Verstappen terminou na caixa de brita. O mesmo problema em relação a asa traseira que causou dor de cabeça durante o fim de semana da Áustria voltou a surgir e matou um pódio que seria certeiro do neerlandês da Red Bull.
Apesar de melancolia, é justo dizer que Max aprende muito bem ao longo do fim de semana e consegue colocar este carro em um patamar diferente do que merece. A Red Bull tem o dever de dar algo melhor para o neerlandês, que mesmo sem as condições de vencer, segue provando que é um piloto de elite apesar dos problemas sofridos.
Confiabilidade é a maior vilã da temporada de Antonelli

Andrea Kimi Antonelli venceu a corrida sprint, fez a pole-position, e mesmo com a largada ruim, tinha totais condições de vencer o GP da Inglaterra. Aí, veio a grande vilã da temporada do italiano até aqui: a confiabilidade. Um problema que até agora ninguém entendeu exatamente. Se, nos piores cenários ele seria segundo, com 18 pontos, deixa Silverstone zerado.
A vantagem, que já foi de 60 pontos para George Russell, agora é de 25. Tudo bem que o britânico não brilha, apesar do pódio conquistado neste domingo, mas a situação de desconforto começa a apitar para o lado do italiano, que ainda é o grande piloto da temporada, mas que tem um carro que, ora é o mais dominante do grid, ora tem comportamentos semelhantes ao da Audi.
Bortoleto finalmente agarra chance e volta aos pontos
Gabriel Bortoleto não pontuava desde o GP da Austrália. Após uma performance boa, mas que rendeu nada na Áustria, o brasileiro reclamou que pouco aconteceu para o beneficiar na corrida. Hoje, foi o contrário, e ele se aproveitou muito bem.
A fórmula para Gabriel certamente era largar bem para evitar corridas de recuperação. Ele fez isso e teve uma prova recheada de coisas que caíram em seu colo, como os danos para Oscar Piastri, os problemas de Andrea Kimi Antonelli e o acidente de Max Verstappen. A Audi falhou com Nico Hülkenberg, mas garantir o oitavo lugar de Bortoleto foi um bom passo.
Pavão volta a aparecer, e FIA intervém de maneira péssima no fim da corrida
Admito que fui um dos que achou Max Verstappen um tremendo chato ao criticar a ideia de substituir o tradicional desfile de pilotos por uma corrida de karts montados com LEGO. Não sei se o neerlandês sabia de algo, mas assim que vimos Stefano Domenicali e Mohammed Ben Sulayem participando, deu para notar que o tetracampeão tinha, sim, um pouco de razão.
Além de uma aparição completamente desnecessária em um momento que é exclusivamente dos pilotos, Sulayem ainda acompanhou a FIA promover um final patético de corrida. O abandono do próprio Verstappen não era suficiente para encerrar a prova com safety-car. Equipes se prepararam, a Ferrari até perdeu o segundo lugar de Hamilton, e nada disso serviu porque encerraram a prova com carro de segurança na pista.
Uma tremenda falha de comunicação que rendeu um final completamente anticlimático. Leclerc não tem culpa alguma disso, mas a FIA tem.
A Fórmula 1 volta de 17 a 19 de julho no GP da Bélgica, em Spa-Francorchamps, décimo da temporada 2026.
▶️F1: confira o calendário completo de 2026
▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GPTV