Pouco se esperava do GP dos Países Baixos, mas bastou uma chuva antes da largada e uma bandeira vermelha ainda na volta 1 para dar alguma sacudida nas possibilidades. E a McLaren conseguiu bater a Mercedes pela segunda vez seguida com a vitória de Lando Norris, que aproveitou os pneus já em frangalhos de Andrea Kimi Antonelli para assumir a ponta antes perdida para o italiano na relargada. George Russell terminou em terceiro.

A chuva, na verdade, não foi forte o bastante para forçar o uso dos intermediários, mas ajudou a deixar alguns pontos úmidos, o suficiente para trazer a boa dose de caos. Quem acabou caindo na armadilha foi Max Verstappen, que perdeu o controle na última curva e bateu forte no muro.

No meio da confusão, quem também escapou por um triz de um acidente grave foi Gabriel Bortoleto. Depois de perder várias posições, perdeu o controle no mesmo ponto, rodou e quase foi acertado em T em cheio pelo colega de Audi, Nico Hülkenberg. Foi um susto e tanto, mas os dois seguiram na prova. Bortoleto terminou a corrida na 13ª posição, enquanto Nico pontuou em oitavo.

Na segunda relargada, Antonelli, que já havia deixado Russell para trás antes da bandeira vermelha, alinhou em segundo, ao lado de Norris, e fez a curva 1 na ponta. Dali em diante, era cuidar do carro para não comprometer a estratégia da Mercedes até a bandeirada, mas o último stint com os pneus duros foi um desastre. Para se ter uma ideia, Norris, que vinha atrás, precisou de duas voltas, apenas, para destruir uma vantagem de 5s. A ultrapassagem era questão de tempo.

O safety-car virtual causado por Esteban Ocon na parte final ainda abriu uma janela extra de paradas para as equipes tentarem uma última jogada. Serviu para Antonelli se livrar dos pneus duros, mas a corrida já estava decidida a favor de Norris.

Só que a Mercedes fez um movimento nos boxes que deixou claro quem tem a preferência. Com cerca de cinco voltas para o fim, Hamilton se aproximava perigosamente de Antonelli, e Russell abriu passagem para o líder do Mundial. A tática era clara: fazer de George escudeiro para impedir o pódio de Lewis, sacramentando os sonhos do #63 ainda brigar pelo título.

Menção honrosa para a Aston Martin, que no meio de tantas confusões e estratégias viu Fernando Alonso cruzar a linha de chegada em nono. O top-10, portanto, ficou assim: Norris, Antonelli, Russell, Hamilton, Charles Leclerc, Oscar Piastri, Liam Lawson, Hülkenberg, Alonso e Pierre Gasly.

A Fórmula 1 volta de 4 a 6 de setembro em Monza, palco do GP da Itália, 13ª etapa da temporada 2026.

Batida forte de Verstappen causou bandeira vermelha nos Países Baixos (Vídeo: Reprodução/F1 TV)

Confira como foi o GP dos Países Baixos:

Se havia algo capaz de trazer alguma expectativa para as longas 72 voltas da corrida em Zandvoort era a ameaça constante de chuva que rondou todo o final de semana, e ela deu o ar da graça com pouco mais de meia hora para a largada. A intensidade, porém, não foi grande o suficiente nem para forçar o uso dos pneus intermediários, apesar de alguns pontos úmidos, mas houve interessante alternância nas estratégias entre as equipes.

A Ferrari, por exemplo, calçou os dois pilotos com macios, assim como Red Bull, Audi e Racing Bulls. Mais atrás, Williams, Aston Martin e Oliver Bearman, da Haas, também escolheram o C4 da gama intermediária da Pirelli (C2, C3 e C4) para o primeiro stint; a Cadillac optou pelos duros, enquanto todos os demais foram de médios para a largada.

Com 17°C de temperatura ambiente, asfalto em 27°C e umidade relativa do ar em 71%, os pilotos partiram para a volta de apresentação assim que o relógio marcou 15h locais (10h em Brasília), puxados pelos carros de McLaren e Mercedes — a disputa que se desenhava para as 72 voltas.

Norris tomou o colchete de honra, com Russell ao lado, enquanto Antonelli alinhou em terceiro, dividindo a segunda fila com Piastri. Hamilton e Leclerc, por sua vez, formaram a terceira fila vermelha. Quando as luzes se apagaram, Norris pareceu dar uma leve patinada, mas Russell partiu ainda pior, perdendo posição para Antonelli na curva 1. Leclerc também foi esperto e deixou Hamilton e Piastri para trás, subindo para quarto.

A rodada de Gabriel Bortoleto ao final da volta 1 (Vídeo: Reprodução/F1 TV)

Já Bortoleto perdia muitas posições, caindo de nono para 13º, só que a imagem aberta dos carros rasgando a reta principal para abrirem a segunda volta mostrou ao fundo pedaços de carro voando. E, para a tristeza da torcida local, o acidente envolveu Verstappen, que perdeu a traseira na última curva e bateu forte no muro.

O acidente causou bandeira vermelha. Bortoleto também escapou por pouco de bater no mesmo ponto ao perder a traseira da Audi e rodar, mas conseguiu segurar o carro. Para piorar, Hülkenberg vinha imediatamente atrás, viu a batida e ficou completamente vendido no meio da fumaça levantada pelos freios de Gabriel. A imagem impressionante da onboard mostrou que foi por um triz que Nico não colidiu em T com o colega.

No momento da bandeira vermelha, as posições de grid eram as seguintes: Norris, Antonelli, Russell, Leclerc, Piastri, Hamilton, Lawson, Lindblad, Gasly, Colapinto, Tsunoda, Hülkenberg, Ocon, Albon, Alonso, Bearman, Stroll, Bortoleto, Sainz, Pérez e Bottas. A direção de prova, então, estabeleceu o procedimento de largada parada para começar às 15h33 locais (10h33 de Brasília).

Hülkenberg escapa de acidente com Bortoleto no GP dos Países Baixos (Vídeo: Reprodução/F1TV)

Claro que a bandeira vermelha abriu janela para mudanças de estratégia, com a McLaren calçando Piastri com pneus duros, enquanto Norris retornou de macios — o que já eliminava a obrigatoriedade do pit-stop durante a prova. A Mercedes, por sua vez, manteve Russell e Antonelli com os médios, assim como a Ferrari, que deixou Leclerc e Hamilton de macios.

Só que todo mundo teve de dar mais uma volta de apresentação por causa da quebra de motor de Bearman pelo meio do caminho. A demora foi tanta que o sol já brilhava. E quando finalmente a direção de prova autorizou o início, foi a vez de Antonelli dar o bote e assumir a liderança na curva 1.

Russell, que já se via atrás de Kimi na relargada, ainda perdeu posição para Piastri, caindo para quarto. E dessa vez, Bortoleto ganhou posições ao fechar o giro 6 em 15º, mas foi de Hülkenberg o melhor reinício ao subir quatro posições e entrar na zona de pontos, em nono.

Enfim sem incidentes, o GP dos Países Baixos seguiu na volta 7 com Antonelli 0s9 à frente de Norris, que já abria 3s7 para Piastri, segurando o pelotão com os pneus duros, porém em estratégia aparentemente para tentar levar o carro até o fim. Só que Russell também não se aproximava tanto assim e sofria muito mais com as Ferrari na cola, de macios.

Charles Leclerc e Lewis Hamilton pressionaram George Russell (Foto: Ferrari)

Enquanto Lindblad e Colapinto tomavam um drive-through por ultrapassarem na bandeira amarela inicialmente acionada no acidente de Verstappen, Antonelli conseguia abrir 1s1, ao passo que Leclerc tinha Russell à frente apenas 0s3, mas sem achar espaços para tentar a ultrapassagem. Quem aproveitava a briga era Piastri, que abria margem em terceiro.

Na volta 12, Bortoleto foi aos boxes para colocar um jogo de médios e ir até o fim. Ele retornou em último, 7s3 atrás de Colapinto, mas também ficou na mira da direção de prova, assim como Bearman, por supostamente ter deixado os boxes com a saída do pit-lane ainda fechada. Mas o veredito só seria dado após a corrida.

Volta 14, Leclerc ainda perseguia Russell e via Hamilton crescer no retrovisor. “Considerem o plano A original”, pediu George, indicando a parada única, com um stint final possivelmente de duros, seguindo a tática convencional da Pirelli.

Com Verstappen fora, Lawson colocava a Red Bull em sétimo, mas completamente isolado em pista ao ter Hamilton 5s à frente e Gasly 7s atrás. Paralelo a isso, a McLaren perguntava a Norris sobre a condição dos pneus. “Ritmo zero, nada”, respondeu um tanto desanimado. Já Piastri dizia que os pneus duros não eram tão melhores que os médios, mas estavam “ok”.

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A relargada do GP dos Países Baixos (Foto: Reprodução/F1)

Volta 18, a Mercedes parou Russell e colocou o jogo de duros programado para ir até o fim. Ele voltou em nono, entre Hülkenberg e Tsunoda, mas George rapidamente superou o #27 da Audi.

Veio, então, Piastri para nova troca na volta 19, e o curioso foi ter colocado mais um jogo de duros. Só que o pit-stop lento em 5s o fez perder posição para Russell, em tática um tanto inexplicável da McLaren.

Volta 22, Mercedes e McLaren pararam Antonelli e Norris, respectivamente, e apesar da troca muito ruim, Kimi ainda voltou à frente. A Ferrari chamou Leclerc na mesma volta, mas o trabalho foi tão ruim quanto: uma troca em mais de 4s que devolveu o monegasco atrás de Piastri.

A única diferença era que a Ferrari optou por colocar um jogo de médios no carro de Charles, enquanto McLaren e Mercedes já usavam os compostos duros. Com as paradas, Hamilton foi para a liderança virtual da corrida neerlandesa.

“Precisamos de atualizações sobre os pneus”, pediu a Ferrari a Lewis, que disse que estavam bons. Mas os tempos de volta consideravelmente piores forçaram a parada do #44, que ao contrário de Leclerc, foi de pneus duros para o segundo stint.

A transmissão, então, resolveu mostrar o bom pega que se desenhava entre Hülkenberg, Gasly e Lindblad. Primeiro, o piloto da Audi tentou surpreender o representante da Alpine, que conseguiu se defender. No giro seguinte, foi a vez de Pierre ameaçar uma manobra para cima do novato da Racing Bulls e chegou a colocar lado a lado na chicane, mas não apenas ficou atrás de Lindblad como tomou a ultrapassagem de Hülkenberg. Na saída da curva 1, Nico foi por fora e ganhou o décimo lugar de Arvid, entrando na zona de pontos.

Kimi Antonelli sofreu com os pneus duros (Foto: Mercedes)

Gasly recomeçou o ataque para cima de Lindblad, e a defesa do garoto da Racing Bulls deixou Gasly novamente vendido. Melhor para Tsunoda, que aproveitou a chance aberta para subir para a 12ª colocação. Quem assistia a tudo de camarote era Bortoleto, que aproveitou a disputa para colar na traseira do carro da Alpine.

Na volta 34, Leclerc deu um passão em Piastri por fora na curva mais inclinada do traçado, assumindo o quarto posto. Logo em seguida foi a vez de Hamilton também superar o #81 da McLaren, não sem antes reclamar do movimento de defesa de Piastri.

Volta 41, e os líderes voltaram a parar. A Mercedes chamou Antonelli, fez o trabalho em 2s8 e devolveu-o à pista na frente de Piastri, em quarto, e com pista livre para acelerar, uma vez que Hamilton era o terceiro, 7s à frente. Russell foi chamado no mesmo giro e voltou em sexto.

Norris, então, assumiu a liderança, com Leclerc em segundo e Hamilton bem perto, já mandando a letra para a Ferrari promover a inversão de posições. “Meus pneus estão melhores, estou mais rápido que Charles”, disse Lewis.

A Ferrari, contudo, tentou fazer uma troca não tão descarada, só que Leclerc se recusou a entrar nos boxes. “Meus pneus estão bons!”, bradou. Hamilton, claro, ficou irritado e disse que os dois estavam “perdendo tempo”. A Ferrari fez nova chamada, e, dessa vez, na volta 44, Charles acatou a decisão. “Bela maneira de perder tempo, pessoal”, ironizou Lewis.

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Oscar Piastri foi de novo ofuscado por Norris (Foto: McLaren)

Volta 45, foi a vez de Piastri parar de novo, agora para calçar um jogo de macios. Na pista, Antonelli dizia ao engenheiro Peter Bonnington que estava sem aderência, mas a distância para Lewis diminuía a cada giro.

Volta 47, a McLaren chamou Norris para fazer a parada final. A troca foi mais lenta que a de Kimi, tanto que o #12 retornou à frente com 5s de vantagem. Só que era Hamilton o líder, mas com um jogo de pneus de 22 voltas e com teoricamente mais uma parada a ser feita.

Enquanto Hamilton discutia com Carlo Santi qual pneu usaria para o stint final, Norris destruía a vantagem de Antonelli. A volta 50 chegou a ser 1s5 mais rápida. “Não tenho pneus traseiros”, choramingava Kimi no instante em que Norris já crescia no retrovisor, somente 0s4 atrás.

Era questão de tempo até acontecer a ultrapassagem, mas Antonelli tentava adiar o momento o máximo possível. A sorte era que Hamilton também se arrastava, com 19 voltas restantes, tanto que os três já apareciam na mesma imagem.

Mas a ultrapassagem veio na volta 54, em bela manobra por fora na curva 1. Antonelli nada pôde fazer com os pneus traseiros em frangalhos. Norris também não tomou conhecimento de Hamilton e assumiu a ponta em sequência, na curva 12.

Volta 56, e o carro de Ocon parou na pista, causando o acionamento do safety-car virtual. Foi mais uma janela de paradas aproveitada por Ferrari, que chamou não apenas Hamilton, quanto Leclerc para colocar pneus macios; McLaren, que também colocou o mesmo composto em Piastri; e Mercedes, que fez Antonelli se livrar dos pneus duros, retornando em terceiro com macios.

Norris ficou na pista, assim como Russell. De um lado, o #1 questionava a McLaren, uma vez que os rivais diretos resolveram parar. Já George demonstrava certo temor com a possibilidade de ter de deixar Antonelli passar pela diferença de borracha. “Vamos pensar como equipe”, suplicou.

Só que a ameaça era Lewis, aproximando-se perigosamente de Antonelli, e a Mercedes tomou a decisão que deixou claro quem é o primeiro piloto: Russell abriu passagem para Kimi e passou a segurar Lewis até a bandeirada.

F1 2026: resultado do GP dos Países Baixos em Zandvoort

1L NORRISMcLaren Mercedes 72 voltas 
2A K ANTONELLIMercedes +11.536 
3G RUSSELLMercedes +15.906 
4L HAMILTONFerrari +16.755 
5C LECLERCFerrari +17.258 
6O PIASTRIMcLaren Mercedes +32.332 
7L LAWSONRed Bull RBPT Ford +1:19.915+10s
8N HÜLKENBERGAudi +1 volta 
9F ALONSOAston Martin Honda +1 volta 
10P GASLYAlpine Mercedes +1 volta 
11Y TSUNODARacing Bulls RBPT Ford +1 volta 
12A LINDBLADRacing Bulls RBPT Ford +1 volta 
13G BORTOLETOAudi +1 volta 
14F COLAPINTOAlpine Mercedes +2 voltas+10s
15S PÉREZCadillac Ferrari +2 voltas 
16C SAINZWilliams Mercedes +2 voltas+10s
17A ALBONWilliams MercedesNC 
18V BOTTASCadillac FerrariNC 
19E OCONHaas FerrariNC 
20L STROLLAston Martin HondaNC 
21O BEARMANHaas FerrariNC 
22M VERSTAPPENRed Bull RBPT FordNC