A Mercedes saiu do GP dos Países Baixos com Andrea Kimi Antonelli em segundo e George Russell em terceiro, resultado que Toto Wolff classificou como “limitação de danos”. Segundo o dirigente, o time alemão tinha ritmo para vencer em Zandvoort, porém perdeu desempenho de maneira inesperada durante a corrida e não conseguiu impedir a recuperação de Lando Norris, que ficou com o triunfo.
Antonelli assumiu a liderança na relargada após a bandeira vermelha provocada pelo acidente de Max Verstappen ainda na primeira volta e parecia ter condições de controlar a corrida. No entanto, o italiano sofreu especialmente com o desempenho dos pneus duros no stint final, enquanto Norris reduziu rapidamente a diferença e tomou a ponta após ultrapassar o #12 e Lewis Hamiton.
Wolff afirmou que a perda de rendimento afetou os dois carros da Mercedes, embora Antonelli tenha sido o mais prejudicado. Assim, viu uma possível vitória se transformar em uma disputa para preservar o segundo e terceiro lugares.
“Parecia que tínhamos ritmo para vencer a corrida, mas depois, por razões que não estão claras, perdemos muito desempenho nos dois carros, provavelmente ainda mais com Kimi, e não conseguimos manter a posição contra Norris”, declarou à emissora Sky Sports.
“Então, diria que terminar em segundo e terceiro foi uma limitação de danos. Tivemos uma parada livre com Kimi, e George foi incrível no fim, lutando e também segurando as Ferrari, que estavam com um carro muito mais rápido. Foi realmente excepcional”, elogiou.
A situação ganhou um novo capítulo nas voltas finais. Depois do safety-car virtual provocado pelo abandono de Esteban Ocon, Antonelli colocou pneus macios, enquanto Russell permaneceu na pista. Com Hamilton se aproximando, a Mercedes pediu que o britânico deixasse o companheiro passar para proteger as duas posições no pódio.

Para Wolff, a decisão não foi difícil de ser tomada. O dirigente revelou que a equipe já havia discutido antes da prova que os pilotos não deveriam perder tempo brigando entre si caso fossem pressionados por alguma rival.
“Isso parece difícil por fora, mas não por dentro. É uma situação que discutimos muitas vezes, inclusive hoje de manhã: ‘Não vamos perder tempo lutando um contra o outro com duas Ferrari em nossos pescoços’. Se fosse ao contrário, seria exatamente a mesma coisa. Não importa quem está à frente no campeonato ou não. Trata-se apenas de proteger as melhores posições possíveis”, explicou.
Após a troca, surgiu a possibilidade de Antonelli permanecer próximo de Russell para que o companheiro pudesse usar o Modo Ultrapassagem para se defender melhor de Hamilton. A Mercedes, porém, optou por não correr o risco e manteve a estratégia de garantir as posições.
“Não acho que Norris estivesse nem perto de ser alcançado, essa era simplesmente a maneira mais segura em termos de marcar pontos. Poderíamos ter tentado deixar George no Modo Ultrapassagem mas, novamente, estaríamos arriscando demais com duas Ferrari na cola”, justificou.
“Algumas decisões são difíceis, mas precisam ser tomadas quando você quer lutar pelos Mundiais de Construtores e Pilotos. É assim que operamos, os dois sabem disso. Evitamos situações como as de algumas outras equipes, em que isso não é discutido claramente. Há 2.500 pessoas trabalhando pelos títulos, não é jogo de um homem só. É assim que operamos nos últimos 15 anos”, encerrou.
A Fórmula 1 volta de 4 a 6 de setembro em Monza, palco do GP da Itália, 13ª etapa da temporada 2026.