Não foi uma daquelas edições eletrizantes que o GP da Hungria vira e mexe oferece, mas a corrida do último domingo no Hungaroring ainda teve seus momentos. O toque entre Oscar Piastri e Carlos Sainz foi o ponto mais alto de uma comédia de erros envolvendo as sinalizações aos pilotos e reorganizando as coisas após as modificações da largada. Uma corrida sem muito brilho, mas na média da temporada.
Foi com um toque de surpresa que a McLaren mandou tão profundamente no fim de semana. Lando Norris levou a melhor na classificação, enquanto Piastri disparou na largada e parecia a caminho da vitória. Mas, aí, o toque de Sainz e o fato de que as coisas se alinharam para Lando voltar e vencer a primeira corrida como campeão mundial.
Andrea Kimi Antonelli, numa Mercedes que nem de perto dava a sensação do time dominante de boa parte do ano — lembrando as dificuldades que viva na Hungria no começo da era dos motores turbo, quando dominava completamente o campeonato —, ainda conseguiu escalar o suficiente para ir ao pódio e ampliar a liderança frente a um George Russell que despencou na largada.
Já Gabriel Bortoleto, após duas corridas nos pontos, bateu na trave e foi o 11º colocado, mas viu o companheiro de equipe Nico Hülkenberg finalmente terminar uma prova no top-10 pela primeira vez. Para a Audi, são três corridas consecutivas após três meses zerada. E, agora, férias.
A Fórmula 1 está de férias. A categoria retoma as atividades da temporada 2026 de 21 a 23 de agosto, com o GP dos Países Baixos, em Zandvoort. As notas do Ranking GP são distribuídas por Gabriel Carvalho, João Pedro Nascimento, Luana Marino e Pedro Henrique Marum.

1º) Lando Norris – 9.0 – Ótima classificação, largada ruim e ritmo constante ao longo da prova. O campeão mundial contou com ajuda de certa sorte para recuperar a ponta, mas precisou de ritmo estável para tanto e até comemorou o que chamou de “um dos melhores ritmos de corrida” que já teve. A McLaren com suas atualizações, enfim, chegou para a dança. Será?
2º) Max Verstappen – 8.5 – “Não esperava subir ao pódio”, afirmou. Nem ele, nem a gente. Com McLaren e Ferrari mais fortes visivelmente, era difícil imaginar que Verstappen furaria ambas e ainda a Mercedes, mas foi o que a corrida permitiu. A defesa contra Hamilton foi daquelas de um piloto que sabe dos atalhos.
3º) Andrea Kimi Antonelli – 7.0 – As dificuldades da Ferrari e o problema de Piastri fizeram um pódio cair no colo de Antonelli. A Mercedes simplesmente não andava na Hungria, bem como naqueles tempos de Hamilton x Rosberg de 2014 e 2015.
4º) Charles Leclerc – 6.0 – Quando o fim de semana começou, a sensação era de Leclerc grande candidato a vencer, mas o que se viu foi longe das boas corridas que fez em sequência recentemente. Sofreu com os pneus, nem cogitou aproveitar o casamento do desenho da pista com a aerodinâmica do carro, nada. Foi mal na prova e deu até sorte de ser o quarto colocado.

5º) Lewis Hamilton – 5.0 – O único motivo pelo qual Leclerc foi quarto colocado: Hamilton sofreu punição por excesso de velocidade no pit-lane. O heptacampeão também não conseguiu fazer valer o que o carro da Ferrari tinha de bom por ali.
6º) Isack Hadjar – 6.5 – Mais um que sofreu para se entender com os pneus. Enquanto Verstappen encontrou certa mágica para fazer, Hadjar se viu travado com os médios e ficou na rabeira de ritmo do pelotão da frente.
7º) George Russell – 5.5 – Uma largada desastrosa deu o tom da corrida. É verdade que Russell foi vítima do modo anti-stall, mas o que já era ruim com o sexto lugar virou 21º e a necessidade de recuperar na pista justamente onde a Mercedes mais sofreu até agora em 2026. O limite foi o sétimo posto.
8º) Liam Lawson – 7.5 – Melhor do resto uma vez mais. A Racing Bulls continua mandando no pelotão intermediário e pontuando em todas as corridas. Lawson se recuperou após rendimento pior na Bélgica e cravou o oitavo lugar. Com pontos em seis das últimas sete provas, superou Gasly na nona posição do Mundial.

9º) Nico Hülkenberg – 8.0 – Finalmente! Demorou 11 corridas, mas Hülkenberg marcou os primeiros pontos na temporada. Mesmo entre dificuldades, a sensação é que a Audi aos poucos encontra o caminho e continua estável.
10º) Arvid Lindblad – 7.0 – São seis corridas consecutivas nos pontos para o novato da Racing Bulls. Apesar da largada não ter sido lá grandes coisas, Lindblad fez o suficiente para segurar Bortoleto e as Alpine.
11º) Gabriel Bortoleto – 6.0 – Na trave novamente. Nas quatro últimas corridas em que não pontuou, terminou na 11ª colocação, fora do limite de pontos por tão pouco. Agora, viu o companheiro de equipe terminar na frente, mas o mais importante no momento é que a Audi se recupera no campeonato e faz contas para alcançar a Haas.
12º) Pierre Gasly – 6.0 – Após uma sequência ótima de rendimento e resultados, a Alpine tem caído bastante conforme as rivais apresentam atualizações. A declaração de que não consegue pilotar como gostaria no momento é um pedido de socorro.

13º) Lance Stroll – 6.5 – E não é que a Aston Martin voltou ao pelotão? O rendimento dos pilotos foi razoável, mas essa notícia é menor do que o fato de que os carros verdes lá estavam, na briga com outras equipes e terminando na frente. Já não era sem tempo.
14º) Fernando Alonso – 6.0 – “Boa base para trabalhar”, assim declarou após a corrida. A Aston Martin chegou para a F1 2026 e agora espera a atualização do motor Honda.
15º) Franco Colapinto – 5.0 – Até havia pontuado nas últimas duas corridas, mas sempre manteve os pés no chão e pediu certa urgência na melhora da Alpine. É absolutamente necessário.
16º) Esteban Ocon – 4.5 – A Haas, enquanto isso, sangra e vê até mesmo a Aston Martin passar de passagem. O carro é ao mesmo tempo lento e gastador de pneus.

17º) Alexander Albon – 4.5 – Assim como a Haas, a Williams viu tudo acontecer longe dela. Albon especialmente, que tem enormes dificuldades de competir.
18º) Carlos Sainz – 2.5 – Protagonizou o grande lance do dia. Como retardatário, tocou o líder da corrida, Piastri, e o fez perder tempo crucial. O sistema de sinalização deu problema e, sim, Oscar devia zelar mais pela segurança dele próprio em casos assim, mas Carlos mergulhou bruscamente demais quando entrou na frente do oponente.
19º) Oliver Bearman – 3.0 – Fora dos pontos desde o Canadá, não entendeu nada sobre o motivo do carro ter piorado tanto entre a corrida da última semana e a dessa. A Haas terá um longo recesso.
20º) Oscar Piastri – 7.5 – Do céu ao inferno rapidamente, assim foi a prova do australiano. A largada magistral que o colocou na dianteira foi meteórica e a corrida estava mais ou menos controlado até o enrosco com Sainz. Depois, perdeu mais quando a McLaren largou mão da estratégia de paradas — que fazia absoluto sentido no momento. Para piorar, abandonou com problemas de câmbio.

21º) Sergio Pérez – 3.0 – A melhora da Aston Martin voltou a isolar a Cadillac, ao menos momentaneamente, na última posição da ordem de forças. Algo natural para uma equipe estreante, sim, mas que precisa evoluir imediatamente na confiabilidade. Pérez abandonou com problemas na suspensão.
22º) Valtteri Bottas – 4.0 – Já Bottas foi feito vítima por um superaquecimento de freios e também parou.
GP da Hungria – 5.0 – Mesmo sem ter sido grande corrida, o GP da Hungria teve lá seus bons momentos. Sainz x Piastri, a surpresa da largada, a recuperação de Russell, Verstappen segurando Hamilton e os primeiros pontos de Hülkenberg. Enfim, não é uma corrida memorável, mas teve vantagens.
Melhor GP – GP do Canadá – 8.5
Pior GP – GP de Mônaco – 3.0
Média: 6.3
MÉDIA DA TEMPORADA:
1º) Andrea Kimi Antonelli – 8.2
2º) Max Verstappen – 7.4
3º) Lewis Hamilton – 7.3
4º) Lando Norris – 7.1
5º) Pierre Gasly – 7.0
5º) Liam Lawson – 7.0
7º) Arvid Lindblad – 6.8
8º) Isack Hadjar – 6.5
9º) George Russell – 6.4
9º) Charles Leclerc – 6.4
11º) Gabriel Bortoleto – 6.3
12º) Franco Colapinto – 6.2
13º) Oliver Bearman – 5.8
13º) Nico Hülkenberg – 5.8
15º) Oscar Piastri – 5.7
16º) Carlos Sainz – 5.6
16º) Fernando Alonso – 5.6
18º) Esteban Ocon – 5.2
19º) Alexander Albon – 5.0
20º) Sergio Pérez – 4.7
21º) Lance Stroll – 4.3
22º) Valtteri Bottas – 4.2
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