A estreia impressionante de George Russell pela Mercedes no GP de Sakhir de 2020 deixou marcas não apenas na memória do piloto, como também físicas. Tudo porque teve de se adaptar ao cockpit do carro de Lewis Hamilton sendo 11 centímetros mais alto, o que o deixou com cicatrizes na região do quadril.

A revelação foi feita durante participação no podcast SAP Significant Figures. Russell, então piloto da Williams na época, foi convocado pela Mercedes para substituir Hamilton, diagnosticado com covid-19, na etapa de Sakhir, no Bahrein.

Não houve, contudo, tempo para moldar o assento, e George, que tem 1,85 metro de altura, teve de se espremer para caber no espaço projetado para um piloto de 1,74 metro. “Recebi a ligação na terça-feira. Entrei no carro na quarta-feira para ver se cabia, e não cabia“, contou Russell.

“Lewis e Valtteri Bottas eram os dois pilotos na época. Eles são bem mais baixos do que eu. Meus pés também são enormes, parecem nadadeiras, o que fica bem apertado em um carro de Fórmula 1. Eu ficava todo encolhido, curvado; meus sapatos não cabiam. Calço 45 (tamanho europeu), algo como 11,5 ou 11 (no padrão americano). E tive de usar sapatos tamanho 43 para caber”, admitiu.

Mesmo sentindo-se muito desconfortável, Russell contou que não deixou transparecer em nenhum instante. “Eles perguntavam: ‘Está tudo bem?’, e eu respondia: ‘Sim, tudo certo. Sem problemas, sem problemas. Vou pilotar, não importa o que aconteça; vou pilotar neste fim de semana’.”

Na classificação, Russell perdeu a pole por 0s026 para Bottas, mas largou melhor e logo assumiu a ponta, liderando a corrida por 59 das 87 voltas. Só que um furo de pneu na 78 o tirou da briga pela vitória. Ele ainda conseguiu se recuperar e cruzou a linha de chegada em nono.

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George Russell passou sufoco em 2020 com a Mercedes (Foto: Mercedes)

Ainda tenho as cicatrizes nos quadris”, revelou. “Aquela foi a minha primeira chance. Quer dizer, eu nem sequer havia pontuado até aquele momento em toda a minha carreira porque a Williams era muito lenta”, acrescentou.

“Estava a caminho de vencer a corrida e, de repente, tudo se foi. Foi muito difícil, mas também sabia que o que havia mostrado ali era o suficiente para, provavelmente, garantir meu futuro com eles. Sabia que minha hora chegaria. Estou aqui agora, seis anos depois, e se tivesse vencido aquela corrida ou se ela tivesse se desenrolado da maneira como aconteceu, não teria mudado minha vida”, seguiu.

“Talvez se minha carreira tivesse acabado no ano seguinte por causa de uma lesão ou algo assim, e eu nunca tivesse vencido uma corrida de Fórmula 1, realmente teria me afetado pelo resto da vida”, encerrou Russell, que ainda disputou mais uma temporada com a Williams antes de ser promovido à Mercedes em 2022.

A Fórmula 1 volta neste final de semana, de 21 a 23 de agosto, no GP dos Países Baixos, 12º da temporada 2026. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades em Zandvoort AO VIVO E EM TEMPO REALalém de classificações e corridas em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV. Além da cobertura completa, o GRANDE PRÊMIO estará in loco com o repórter Leonid Kliuev.

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