A situação das últimas etapas da temporada 2026, os GPs do Catar e de Abu Dhabi, continua incerta. A pouco mais de dois meses da data marcada, FIA (Federação Internacional de Automobilismo) e Fórmula 1 ainda não abordaram em definitivo o que vão fazer. O cancelamento parece provável, mas por que é então que não foi decidido ainda? A questão é sobretudo financeira.
A informação foi divulgada pelo jornal inglês Times com base num documento da própria FOM (Formula One Management LTDA., companhia proprietária da F1) e ao qual o GRANDE PRÊMIO também leu. O impasse de momento gira em torno duma questão prática prevista em contrato. Caso a F1 decida unilateralmente cancelar qualquer evento não recebe nada da praça em questão a não ser que comprove que fatores previsto em contrato impediram a realização do evento. Neste cenário, pode buscar indenização ou o pagamento integral da taxa de anfitriã junto aos promotores. A questão é que os critérios para que isso aconteça não são padronizados e estão velados em contratos específicos com cada um dos promotores. O mesmo vale caso alguma praça não possa honrar com o compromisso e parta dela o cancelamento: a expectativa é de que tenha de pagar o valor cheio da taxa de anfitriã, mas os promotores em questão podem estar protegidos segundo o contrato.
O documento em questão é o demonstrativo financeiro submetido pela FOM à Companies House — órgão público do Reino Unido equivalente à Junta Comercial —, na última segunda-feira. Neste documento, caracterizou cancelamento de corridas como o maior risco de incertezas.
“As políticas de seguro do Grupo não cobrem cancelamentos de eventos. A necessidade legal do promotor precisar pagar ao Grupo a taxa acordada em caso de um cancelamento por motivo fora do controle do Grupo depende dos termos e provisões do acordo em específico. Se um evento for cancelado pelo promotor fracassar em cumprir suas obrigações sob o contrato de promoção do evento, o Grupo pode ter direito a indenização paga pelo promotor por conta da perda de receita de mídia”, diz o documento.
“Entre os maiores riscos ao Grupo estão circunstâncias que atrapalhem, forcem adiamento ou cancelamento de um evento ou impeçam que haja transmissão internacional para a TV por conta de fatores fora do controle do Grupo”, continuou.

“São poucos os exemplos históricos de corridas sendo canceladas. O GP da Rússia de 2022 foi cancelado como consequência de conflitos regionais e houve o anúncio, em março de 2026, de que os GPs de Bahrein e Arábia Saudita não seriam realizados na data original de abril pelo mesmo motivo”, apontou.
As corridas marcadas para o Oriente Médio são a maior interrogação da F1 neste 2026 por conta do conflito originalmente entre Estados Unidos, Israel e Irã, mas que acabou atravessando diversos países da região. As provas marcadas para o início do campeonato tiveram de ser adiadas. No caso do GP do Bahrein, houve a remarcação para a Malásia, mantendo o nome original, com o governo barenita pagando parte dos custos. O GP da Arábia Saudita segue suspenso, mas o entendimento geral é que não será reposto, bem como o Catar, caso o cancelamento seja confirmado.
A prova de Lusail está marcada para 27 a 29 de novembro, uma semana antes da decisão do campeonato, em Abu Dhabi, de 4 a 6 de dezembro. Como se tratam das corridas decisivas do campeonato, também levando em conta as F2, um possível cancelamento implica numa série de outras decisões. Inclusive, Ímola já se prepara para ser substituta de Abu Dhabi e receber a final.
As informações publicadas pela FOM indicam que há uma queda de braços silenciosa no momento para que receba algum tipo de indenização sem que precise cancelar contratos. E que a F1 saia ganhando tanto com a conclusão do calendário quanto com o valor original, ou ao menos parcial, das praças originais.
Mas não é apenas a F1 que pensa na disputa financeira. Ainda em maio, a Arábia Saudita garantiu que era segura e estava preparada para receber a corrida, descartando a ideia de que partiria dela o cancelamento. O Catar seguiu a mesma linha no fim do mês passado e garantiu que tudo segue normal no país. Os dois países, porém, bem como Bahrein e Emirados Árabes, contam com bases militares dos Estados Unidos de onde partiram ataques ao Irã e, por isso, receberam e ainda recebem retaliações.
A F1 volta à ação neste fim de semana, de 24 a 26 de setembro, com o GP do Azerbaijão. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades da corrida em Baku AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV. Além da cobertura completa, o GRANDE PRÊMIO está in loco com o repórter Leonid Kliuev.
GP do Azerbaijão de F1: veja os horários no Brasil, Cabo Verde, Portugal, Angola e Moçambique:
Horários no Brasil*
Quinta-feira (24)
- Treino livre 1: 05:30
- Treino livre 2: 09:00
Sexta-feira (25)
- Treino livre 3: 05:30
- Classificação: 09:00
Sábado (26)
- Corrida: 08:00
Horários em Cabo Verde
Quinta-feira (24)
- Treino livre 1: 07:30
- Treino livre 2: 11:00
Sexta-feira (25)
- Treino livre 3: 07:30
- Classificação: 11:00
Sábado (26)
- Corrida: 10:00
Horários em Portugal e Angola
Quinta-feira (24)
- Treino livre 1: 09:30
- Treino livre 2: 13:00
Sexta-feira (25)
- Treino livre 3: 09:30
- Classificação: 13:00
Sábado (26)
- Corrida: 12:00
Horários em Moçambique
Quinta-feira (24)
- Treino livre 1: 10:30
- Treino livre 2: 14:00
Sexta-feira (25)
- Treino livre 3: 10:30
- Classificação: 14:00
Sábado (26)
- Corrida: 13:00
*Horários de Brasília