A vitória no GP de Singapura deste domingo (11) não coloca apenas ponto final em um jejum incômodo de Max Verstappen na Fórmula 1, mas também prova que a Red Bull está preparada para encarar as rivais em qualquer tipo de pista a partir de agora em 2026. Claro que é muito tarde para falar sobre chances de título e tudo mais, porém, pensando na próxima temporada, as notícias são positivas para os taurinos.
Quem deve ficar bastante preocupada com esse avanço da esquadra de Milton Keynes é a Mercedes, que pelo menos parece ter começado a entender as atualizações introduzidas na Malásia. Os prateados vão tirar bom proveito da semana de folga antes de embarcarem para os Estados Unidos, onde Andrea Kimi Antonelli pode garantir o título — ainda que seja improvável.
E a Ferrari, que tinha tudo para terminar com os dois pilotos no pódio, confiou demais na estratégia escolhida por Lewis Hamilton e viu só Charles Leclerc terminar lá na frente. Enquanto isso, a McLaren precisa correr atrás de melhorias o quanto antes se quiser voltar a incomodar as adversárias.
Diante disso, o GRANDE PRÊMIO lista cinco pontos do GP de Singapura da Fórmula 1 2026.
Fim de jejum marca início de nova era?
Se a largada era o ponto de interrogação que pairava sobre as chances de vitória de Max Verstappen neste domingo, o tetracampeão mundial fez o dever de casa, diferentemente do que aconteceu na sprint. Não foi fácil, é verdade. Isso porque Charles Leclerc tracionou muito bem e chegou a colocar de lado na aproximação da curva 1, quase roubando a liderança, o que sem dúvidas levaria a corrida por um caminho completamente diferente. Mas ambos se respeitaram a todo instante, evitaram qualquer tipo de toque e, no fim, o #3 finalmente quebrou a maldição de nunca ter vencido em Singapura — agora de maneira oficial, já que o triunfo na prova curta não é contabilizado.
Obviamente que é muito tarde para se falar da briga por um título que já pertence a Andrea Kimi Antonelli há bastante tempo, porém o salto de desempenho da Red Bull liga o sinal de alerta na rivais para a temporada 2027. Está nítido que as atualizações introduzidas no GP do Azerbaijão surtiram o efeito esperado, com Verstappen alcançando um segundo lugar e duas vitórias desde então. E há uma questão relevante a respeito das ótimas performances do novo RB22: aconteceram em pistas com características distintas, o que evidencia que os taurinos serão, sim, competitivos em qualquer circuito a partir de agora. Isso foi dito pelo próprio Laurent Mekies, chefe da equipe.
Até mesmo George Russell ligou o alerta na Mercedes. Se as Flechas de Prata demoraram para se entender com as atualizações que teoricamente vão ser a base do próximo carro, a Red Bull possui uma fundação muito mais sólida nesse sentido e, por isso, sai na frente. Se o time de Milton Keynes não se perder ao longo do caminho, o tetracampeão tem tudo para entrar na próxima temporada como um candidato ao título. Mas ainda há muita coisa para acontecer até lá, então vamos com calma.
A F1 terá uma semana de folga pela frente, diferentemente de Verstappen. O neerlandês aproveitou o espaço no calendário para competir na etapa de Portimão do GTWC Europa, que terá transmissão AO VIVO e COM IMAGENS do GRANDE PRÊMIO. Não perca!

Cada vez mais próximo do sonho
Há pouco mais de dez meses, quando todos discutiam a respeito dos desafios que Andrea Kimi Antonelli enfrentaria em 2026 e o quão difícil seria para ele competir ao lado de George Russell, ninguém imaginava que o italiano iria para o GP dos Estados Unidos com chances de se tornar campeão mundial de maneira antecipada. Certamente tudo tem dado muito certo para ele ao longo da temporada, assim como foi mais uma vez no GP de Singapura. Além de ver o companheiro de equipe bater na sprint e ter de pagar uma punição severa em uma pista de difícil ultrapassagem, ainda contou com Lando Norris e Lewis Hamilton se atrapalhando para garantir um pódio inesperado com a Mercedes neste domingo.
Nada disso, obviamente, tira o mérito do italiano, que embora esteja atravessando um momento de baixa, é verdade, sempre foi muito competente para maximizar os resultados em qualquer situação. Em Marina Bay, por exemplo, sofreu nos primeiros dias enquanto as Flechas de Prata ainda buscavam o melhor ajuste com as atualizações introduzidas lá na Malásia e em nenhum momento se colocou como candidato às poles ou às vitórias. Mesmo assim, manteve-se longe de problemas e foi paciente para aguardar o desenrolar da disputa entre os rivais para dar o bote e garantir o terceiro lugar.
Só há um problema que Kimi precisa resolver com urgência: limites de pista. O #12 chegou muito perto de ser punido em Singapura, já que recebeu três advertências e, mais uma, receberia 5s no tempo final da prova. Neste momento, com o campeonato praticamente decidido, algo assim não faz tanta diferença, porém ele precisa aproveitar esse período de bonança para se preparar para 2027. Não pela primeira vez, Toto Wolff chamou atenção sobre isso após a corrida em Marina Bay e até brincou, dizendo que a Mercedes vai providenciar uma almofada para deixá-lo mais alto no banco.
Sobre a equipe, de maneira geral, a corrida foi positiva. Os engenheiros parecem ter extraído o melhor das atualizações, só que fica difícil de mostrar todo o potencial em uma pista tão travada. De qualquer maneira, boa notícia para todos, até mesmo para Russell, que avançou muito bem pelo pelotão e só não terminou mais à frente devido ao timing do safety-car virtual. Para esse aí, nada realmente dá certo.

Mania de sempre complicar o que é simples
Todo mundo, sem exceção, criticou a Ferrari duramente ao longo das 62 voltas do GP de Singapura por causa da estratégia miserável que tirou Lewis Hamilton até mesmo do pódio. Só que o heptacampeão assumiu a responsabilidade pelas decisões tomadas e chegou a pedir desculpas ao time de Maranello pelo sexto lugar alcançado em Marinay Bay. Ou seja, está na hora de todos formarem uma fila em frente à garagem da escuderia italiana e pedir perdão aos estrategistas que desta vez — somente desta vez, bom deixar claro — não carregam o peso de terem jogado um resultado promissor no lixo.
Diferentemente do que o britânico pontuou, começar com os pneus médios nem foi um problema. Com Max Verstappen e Charles Leclerc de pneus macios na primeira fila, seria a chance de tentar alguma coisa diferente para driblar os dois com a estratégia e sair com a vitória no travado circuito. Tudo bem que os compostos faixa amarela nitidamente sofreram mais do que os macios, o que fez o #44 perder contato com os ponteiros e passar a ser pressionado por Andrea Kimi Antonelli, Lando Norris e Oscar Piastri. Desta forma, parou nos boxes antes de todos e calçou os macios. O grande erro mesmo foi não ter retornado na hora do safety-car virtual de Lance Stroll, o que garantiria o top-3, apesar de tudo.
A verdade é que a Ferrari deixou escapar, no mínimo, um pódio duplo que era muito fácil. Se qualquer um dos pilotos assumisse a liderança logo na largada, o que Leclerc quase conseguiu, a vitória ficaria muito próxima. Como não foi esse o caso, bastava apenas fazer o básico. E foi exatamente isso que o monegasco fez, ao contrário de Hamilton.
“Dessa vez era bastante claro para mim, mas também preciso respeitar o sentimento quando estão no carro”, disse Frédéric Vasseur, fugindo da responsabilidade pela estretégia. Bem, de qualquer maneira, em um traçado com curvas de baixa e média velocidade e onde os setores de reta são curtos, do jeito que a SF-26 gosta, a escuderia saiu mais como derrotada do que vencedora.
Norris tem razão: a McLaren é a 4ª força
Engraçado como a F1 é repleta de incertezas. No início da temporada, parecia que a Ferrari precisava de apenas alguns ajustes para se perpetuar como principal adversária da Mercedes. Agora, no entanto, a Red Bull acertou em cheio com as atualizações e dá indícios de que finalmente chegou com tudo nessa nova era da categoria. Só que entre esses dois momentos, ali por volta do GP da Hungria até a Espanha, foi a McLaren que parecia ter recuperado a boa forma de 2024 e 2025 para assombrar de vez as rivais, com direito a duas vitórias de Lando Norris. O que foi que aconteceu?
E nem se trata de pontos no Mundial de Construtores, visto que os papaias de fato somaram muito menos do que Red Bull, Mercedes e Ferrari nessa rodada tripla Azerbaijão-Malásia-Singapura, mas, sim, de desempenho. Em uma pista que deveria se encaixar bem ao MCL40, os pilotos foram lentos demais nos setores de reta e nas curvas de baixa velocidade, sendo ligeiramente mais rápidos apenas nas poucas curvas de alta. Ou seja, pistas sinuosas, que normalmente os colocavam como referência até pouco tempo atrás, deixaram de ser um diferencial nessa briga do top-4.
A impressão é a de que as atualizações introduzidas no Azerbaijão ainda não foram bem compreendidas. A esperança está em novas melhorias que, de acordo com Andrea Stella, vão chegar no GP dos Estados Unidos, a próxima etapa. Com a escuderia já focada no carro de 2027 há algum tempo, é preciso encontrar uma base sólida para não começar a temporada que vem em ampla desvantagem em comparação com os outros times. Tem tempo para isso, assim como capacidade.
O fato de ter sido a única a terminar com os dois pilotos no top-5 de Singapura foi circunstancial. Isso dificilmente aconteceria se George Russell não tivesse de largar do fundo do grid e Lewis Hamilton/Ferrari não tivessem errado a estratégia. Hoje, como Norris mesmo destacou, a McLaren é a quarta força da F1.

O que houve com Bortoleto?
Obviamente que o abandono por problema no câmbio não entra na conta de Gabriel Bortoleto, mas é importante falar sobre o que aconteceu antes disso. Ao longo de todo o fim de semana em Singapura, o brasileiro foi consideravelmente mais lento do que Nico Hülkenberg. O que deixa claro que, embora ainda existam dúvidas acerca das atualizações introduzidas pela Audi no Azerbaijão, o carro estava bom o suficiente para brigar por pontos em Marina Bay, o que o alemão conseguiu fazer tanto na sprint quanto na corrida principal.
E aqui não se trata de jogar Gabriel aos leões ou nada do tipo, muito longe disso. Todos os pilotos encaram altos e baixos ao longo de uma temporada que é muito longa, mas a questão que o paulista tem deixado escapar oportunidades importantes. Além do mais, já está bastante claro que a perda de posições nas largadas não se trata exclusivamente de um problema com o turbocompressor maior do carro ou qualquer coisa do tipo — Hülkenberg tem conseguido avançar nas últimas etapas.
Enfim, fica a torcida para que Bortoleto consiga recuperar as boas performances ainda em 2026. A última vez em que pontuou foi no GP da Bélgica, no fim de julho, enquanto o companheiro de equipe somou 13 tentos só nas últimas sete etapas.

Com as atividades do GP de Singapura concluídas, a Fórmula 1 tira uma folga no próximo fim de semana e retorna entre os dias 23 e 25 de outubro, para a disputa do GP dos Estados Unidos. A etapa de Austin será a 18ª da temporada 2026.