Resumo
• Antonelli soma 340 pontos, contra 238 de Russell, após 17 etapas da F1 2026.
• Os 102 pontos são a terceira maior diferença da Mercedes nesse recorte, considerando 2014–2021 e 2026.
• Em termos proporcionais, Antonelli tem 58,82% dos pontos da dupla e aparece em quarto.
A diferença entre Kimi Antonelli e George Russell na Mercedes chegou a 102 pontos depois do GP de Singapura de Fórmula 1 de 2026. O italiano soma 340 pontos, contra 238 do britânico. A margem é expressiva, mas não representa um recorde absoluto quando comparada às temporadas em que a equipe alemã conquistou o Mundial de Construtores entre 2014 e 2021.
Um levantamento que compara as classificações imediatamente após a 17ª corrida de cada ano coloca Antonelli na terceira posição. Lewis Hamilton abriu 124 pontos sobre Valtteri Bottas tanto em 2018 quanto em 2020. São as duas únicas campanhas do recorte com diferenças superiores à registrada pela atual dupla da Mercedes.
Comparação dos números até o 17º GP
| Ano | 17º GP | À frente | Pts | Companheiro | Pts | Dif. | % líder |
| 2014 | Estados Unidos | Hamilton | 316 | Rosberg | 292 | 24 | 51,97% |
| 2015 | México | Hamilton | 345 | Rosberg | 272 | 73 | 55,92% |
| 2016 | Japão | Rosberg | 313 | Hamilton | 280 | 33 | 52,78% |
| 2017 | Estados Unidos | Hamilton | 331 | Bottas | 244 | 87 | 57,57% |
| 2018 | Japão | Hamilton | 331 | Bottas | 207 | 124 | 61,52% |
| 2019 | Japão | Hamilton | 338 | Bottas | 274 | 64 | 55,23% |
| 2020 | Abu Dhabi | Hamilton | 347 | Bottas | 223 | 124 | 60,88% |
| 2021 | Estados Unidos | Hamilton | 275,5 | Bottas | 185 | 90,5 | 59,83% |
| 2026* | Singapura | Antonelli | 340 | Russell | 238 | 102 | 58,82% |
*2026: Mercedes líder de construtores após Singapura, mas o campeonato ainda não acabou. Percentual = pontos do piloto à frente ÷ soma dos dois pilotos × 100.
Antonelli supera diferenças da era Hamilton–Rosberg
A comparação com os anos de Lewis Hamilton e Nico Rosberg ajuda a dimensionar a campanha. Entre 2014 e 2016, a maior diferença depois de 17 GPs foi de 73 pontos, a favor de Hamilton em 2015. Em 2014, a distância era de 24 pontos; em 2016, Rosberg tinha 33 de vantagem sobre Hamilton.
Já na era Hamilton–Bottas, as distâncias foram mais amplas. Além dos 124 pontos de 2018 e 2020, Hamilton liderava o companheiro por 90,5 pontos em 2021 e 87 em 2017. A vantagem de Antonelli, portanto, supera cinco das oito temporadas campeãs de construtores da Mercedes no recorte analisado.
Diferença proporcional muda o ranking
A pontuação absoluta, porém, não conta toda a história. Quando o cálculo considera a participação do piloto nos pontos somados pela dupla, Antonelli responde por 58,82% da pontuação da Mercedes em 2026. Hamilton atingiu percentuais maiores em 2018 (61,52%), 2020 (60,88%) e 2021 (59,83%).
A distinção é importante porque os calendários, as regras de pontuação e a presença das corridas sprint variaram entre as temporadas. O percentual não elimina todas essas diferenças, mas ajuda a contextualizar a distribuição dos pontos dentro da equipe.

O que a vantagem revela sobre a Mercedes de 2026?
Os números demonstram que Antonelli construiu uma liderança interna maior do que as observadas no auge da rivalidade entre Hamilton e Rosberg, quando os dois disputavam diretamente vitórias e títulos. Não permitem, isoladamente, concluir que Russell teve desempenho inferior em ritmo de corrida: falhas, punições e resultados individuais precisam ser considerados.
Líder do campeonato desde a terceira etapa de 2026, Antonelli empilhou vitórias na metade inicial do campeonato. Foram cinco vitórias em sequência nas primeiras seis corridas que abriram a temporada, entre China e Mônaco. O italiano ainda venceu na Bélgica antes da pausa das férias. Mas também enfrentou problemas de confiabilidade do carro da Mercedes, como na Catalunha e na Inglaterra. Já após a pausa do verão europeu, Kimi conquistou mais dois triunfos importantes, na Itália, quando saiu do fundo grid para o lugar mais alto do pódio, e na Espanha, na estreia da pista de Madri. Depois, teve uma atuação discreta no Azerbaijão, mas figurou no top-3 na Malásia e em Singapura. A performance, naturalmente, fundamenta tamanha diferença para o companheiro de equipe.
Russell, por sua vez, enfrentou uma temporada mais problemática e marcada por abandonos. Foram apenas três vitórias em 17 etapas. O inglês levou a corrida na Austrália, na abertura da temporada, mas só voltou a vencer na Áustria, três meses depois. Neste intervalo, George foi segundo na China, quarto no Japão e em Miami e foi forçado a deixar a corrida no Canadá, por conta de uma quebra. De volta à Europa, foi apenas 12º em Mônaco, onde sofreu com um punições. Aí veio o pódio em Barcelona e o triunfo no Red Bull Ring. Já em Silverstone foi segundo e sofreu novo revés na Bélgica, onde abandonou ainda no início da corrida. Fechando a primeira parte, Russell saiu de Budapeste com um discreto sétimo lugar. Neste ponto, a diferença entre os dois era de 59 pontos, mas o dono do carro #63 era terceiro colocado no Mundial de Pilotos.
Nesta segunda parte de temporada, o britânico seguiu oscilando. Foi terceiro nos Países Baixos e segundo em Monza, depois de ser superado por Antonelli. Aí obteve um quinto na Espanha. Duas semanas depois, voltou a vencer, impondo um grande domínio em Baku. Logo em seguida, a sorte faltou novamente, com um novo abandono na Malásia. Em Singapura, foi apenas nono, devido à troca de motor na Mercedes.
Com a temporada de 2026 ainda em andamento, a diferença de 102 pontos é um retrato após 17 GPs, não uma comparação com totais finais, uma vez que a Mercedes ainda não confirmou matematicamente o título de construtores. Mas traduz também em números a campanha bem-sucedida de Antonelli.
A Fórmula 1 tira uma folga neste fim de semana e retorna entre os dias 23 e 25 de outubro, para a disputa do GP dos Estados Unidos. A etapa de Austin será a 18ª da temporada 2026.