44 HAMILTON Lewis (gbr), Scuderia Ferrari SF-26, action during the Formula 1 Heineken Chinese Grand Prix 2026, 2nd round of the 2026 Formula One World Championship from March 13 to 15, 2026 on the Shanghai International Circuit, in Shanghai, China - Photo Alberto Vimercati / DPPI
44 HAMILTON Lewis (gbr), Scuderia Ferrari SF-26, action during the Formula 1 Heineken Chinese Grand Prix 2026, 2nd round of the 2026 Formula One World Championship from March 13 to 15, 2026 on the Shanghai International Circuit, in Shanghai, China - Photo Alberto Vimercati / DPPI
A IMAGEM DA CORRIDA SÃO PAULO (outrista) – Daqui a alguns anos, Kimi Antonelli vai encontrar este texto e, com razão, ficará muito bravo. Pô, ganhei minha primeira corrida e o cara diz que a imagem do fim de semana é o fiasco da McLaren? Scusa, Kimi. Mas você há de entender. Naqueles tempos, 2026, […]
Piastri voltando para os boxes, Norris inconformado: não é normal
SÃO PAULO (outrista) – Daqui a alguns anos, Kimi Antonelli vai encontrar este texto e, com razão, ficará muito bravo. Pô, ganhei minha primeira corrida e o cara diz que a imagem do fim de semana é o fiasco da McLaren?
Scusa, Kimi. Mas você há de entender. Naqueles tempos, 2026, muito se discutia sobre o novo regulamento da F-1. Esse no qual você surfou por anos, conquistando vários títulos. É que não fazia nenhum sentido um conjunto de normas técnicas tão problemáticas. A ponto de deixar nos boxes os dois carros da equipe bicampeã mundial de construtores e campeã mundial de pilotos.
Além de Oscar Piastri, retirado do grid, e Lando Norris, cujo carro não pôde ser ligado, mais dois desistiram do GP da China antes da largada: Gabriel Bortoleto, da Audi, e Alexander Albon, da Williams. E outros três ficaram pelo meio do caminho por genéricos “problemas técnicos” — ou desistência pura e simples. Max Verstappen, da Red Bull, parou com superaquecimento em componentes elétricos. Lance Stroll, da Aston Martin, estancou do nada quando seu motor apagou. E Fernando Alonso, seu companheiro, abandonou porque o motor Honda vibrava tanto que ele não conseguia segurar o volante. Deixou a prova, como disse, sem sentir as mãos.
Não, Kimi, não fazia nenhum sentido. Não era normal. De qualquer forma, parabéns pela vitória.
Alonso, Verstappen e Stroll: tudo muito errado
A FRASE DE XANGAI
“Alguns dirão que é ótimo, porque estão ganhando. E é justo. Se você tem uma vantagem, por que vai abrir mão dela? Nunca se sabe quando vai ter um carro bom de novo. Não sou burro, entendo. Mas se conversar com os pilotos, vão perceber que a maioria não está gostando. Talvez alguns fãs gostem. Mas esses não entendem nada de automobilismo.”
Max Verstappen
O que disse o holandês resume bem a situação deste início de temporada. “Essas novas regras vão acabar se voltando contra a F-1”, previu o tetracampeão mundial.
Entre os que estão gostando, óbvio, incluem-se as duplas da Mercedes e Lewis Hamilton, da Ferrari. Seu companheiro Charles Leclerc não parece ser um grande entusiasta. “Os carros são divertidos”, limita-se a dizer o monegasco, sem se aprofundar muito no tema.
Hamilton (à frente) está curtindo; Leclerc acha “divertido”
Hamilton conseguiu, finalmente, seu primeiro pódio pela Ferrari. Elogia tudo porque, para ele, qualquer coisa seria melhor que a última geração de carros da F-1, com a qual nunca se entendeu. Ainda acha, porém, que sua equipe está muito longe da Mercedes. De fato. O inglês chegou 25s atrás de Antonelli, o vencedor. Leclerc, depois de algumas voltas batendo roda com o companheiro, disse ter ficado feliz com o pódio do #44. “Ele mereceu”, falou.
Agora vamos ao menino-prodígio.
Piloto do dia, 116º vencedor da F-1, abraço de Lewis, festa e lágrimas
Antonelli é muito bom. Se a Mercedes engatar alguns anos de domínio, tende a ser campeão em pouco tempo. Não nesta temporada, porém. George Russell é tão bom quanto, experiente, inteligente, um piloto preparado para conquistar um título quando a oportunidade se lhe oferecer.
É o caso de 2026. Até as outras equipes alcançarem a Mercedes, vai demorar. Isso se alcançarem. Lembremo-nos que quando começou a era híbrida, em 2014, a situação era parecida e só foram conseguir derrotar os prateados em 2021 — com Verstappen, e daquele jeito; entre as equipes, foram oito taças seguidas.
Kimi tornou-se o primeiro piloto italiano a vencer um GP desde Giancarlo Fisichella na Malásia/2006, de Renault. Fisico também tinha sido o último pole italiano, no GP da Bélgica de 2009 com a Force India. Com 19 anos e uns quebrados, Antonelli é o segundo mais jovem vencedor da história — Verstappen ganhou na Espanha em 2016 aos 18 anos. A lista de vencedores de GPs da F-1 agora tem 116 nomes. E foi com “hat trick”: pole, vitória e melhor volta.
A nota cômica foi ele ter sido chamado de “Kimi Raikkonen” pelo cara que anuncia os pilotos no pódio. Antonelli fez a única coisa que poderia fazer naquela situação: deu risada.
Classificações depois de duas etapas: Mercedes disparando
Como foi uma corrida com muitos abandonos, e três deles de pilotos que normalmente chegariam nos pontos, quem pôde aproveitou. Foram os casos de Oliver Bearman, Pierre Gasly, Liam Lawson, Carlos Sainz e Franco Colapinto. Não se sabe quando alguns deles terão essa chance de novo — mormente Sainz e Colapinto. O espanhol operou um pequeno milagre, já que a Williams tem um início de temporada deprimente. O argentino fez sua melhor corrida na F-1. Chegou a andar em segundo. Foi tocado por Esteban Ocon, rodou, voltou e pontuou.
Ocon pediu desculpas, que foram aceitas. Mas os selvagens das redes sociais na Argentina partiram para o massacre virtual sobre o francês, sua família e sua equipe. Uns idiotas. Franco teve de pedir para pararem.
Sainz, Ocon e Colapinto: milagre e ataques digitais
O NÚMERO DA CHINA
12
…pontos tem a Red Bull em duas corridas, seu pior início de temporada desde 2015 — quando tinha 11 pontos depois das duas primeiras etapas do Mundial. A equipe está em quinto no campeonato. Atrás da Haas.
GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS
GOSTAMOS… do quinto lugar de Bearman, o “melhor dos outros”. Logo no começo quase bateu em Isack Hadjar, que rodou à sua frente, mostrando um reflexo formidável. Já tinha terminado a Sprint na zona dos pontos, em oitavo. É um nome que a Ferrari, que o formou, olha com enorme atenção para o futuro.
Ollie: ótimo fim de semanaAudi: de novo com um carro só
NÃO GOSTAMOS… da Audi, que pela segunda corrida seguida tem apenas um carro na pista. Na Austrália, foi Nico Hülkenberg que não conseguiu largar. Na China, a vítima foi Gabriel Bortoleto. O time foi muito elogiado pela confiabilidade de seu equipamento na pré-temporada. Mas, na hora H, está falhando. E era corrida para pontuar. Até a Williams conseguiu.
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.