Foi em uma manhã de 27 de agosto, em 2006, que Felipe Massa deu o primeiro passo na construção do próprio legado na Ferrari depois de significativa passagem de outro brasileiro, Rubens Barrichello, por lá. Partindo da pole-position e com uma pilotagem segura ao longo de 58 voltas no Istanbul Park, venceu o GP da Turquia, o 14º daquela temporada.
2006 foi um ano marcante na história da Fórmula 1. Responsável por quebrar a sequência de cinco títulos de Michael Schumacher na temporada anterior, Fernando Alonso chegava à Turquia na liderança da competição, com 10 pontos de frente para o alemão da Ferrari em uma época em que apenas os oito primeiros pontuavam e o máximo que o vencedor da corrida recebia era 10 tentos.
Massa era o terceiro, distante da briga, com 52, mas já acumulava quatro pódios em 2006 e surgia como fator importante na luta de Schumacher pelo oitavo título Mundial. E foi nesse contexto que conseguiu um tempo de volta 0s3 mais rápido que o de Michael na classificação de sábado ao virar 1min26s907.
Alonso teve de se contentar com a terceira posição, tendo ao lado o companheiro de Renault, Giancarlo Fisichella, na segunda fila, porém o italiano saiu da disputa pelo pódio já na primeira curva da corrida, após a largada, ao ser tocado por Alonso e rodar.
A manobra aconteceu porque Schumacher fechou a porta para cima do espanhol, enquanto Massa partiu firme e segurou a liderança. O enrosco na largada acabou forçando Fisichella a ir para os boxes fazer reparos na frente do carro e ainda provocou uma reação em cadeia que envolveu outros pilotos. No meio da confusão, Scott Speed tocou em Kimi Räikkönen, causando um furo no pneu traseiro direito do carro da McLaren, e Nick Heidfeld também teve de ir aos boxes para trocar o bico do carro avariado.
Räikkönen, aliás, perdeu muito tempo na parada, pois os mecânicos não conseguiam tirar do lugar o resto da borracha. Mas não adiantou muita coisa: quando enfim retornou, perdeu o controle na saída da curva 4 e bateu na barreira de proteção.

O acidente de Kimi, porém, não causou a intervenção do carro de segurança porque foi mais afastado do traçado, num período em que alguns protocolos atuais de segurança ainda não valiam. Na 13ª volta, entretanto, o safety-car entrou em ação após Vitantonio Liuzzi, que havia feito ótima largada e vinha em sétimo, rodar e ficar com o carro atravessado na saída da curva 1.
Os ponteiros, então, aproveitaram a janela para realizar a primeira parada, mas a chamada dupla da Ferrari atrapalhou Schumacher, que viu Alonso assumir a segunda posição dentro do pit-lane quando ainda aguardava a vez atrás de Massa. Vale lembrar também que o reabastecimento ainda existia naquele ano, portanto o tempo de parada variava ainda mais de carro para carro.
Massa manteve a ponta, porém passou a ter Alonso como principal ameaça, enquanto Schumacher tentava recuperar na pista a posição perdida nos boxes. Só que o brasileiro imprimiu ritmo de voltas consistente o bastante para abrir mais de 5s de vantagem perto da metade da prova, anulando o piloto da Renault.
A segunda janela de paradas veio a 20 voltas do fim, e Ferrari e Renault fizeram o que era preciso para devolverem Massa e Alonso em primeiro e segundo, respectivamente. Schumacher, então, assumiu a liderança e permaneceu por mais cinco giros na pista até fazer a segunda troca e voltar bem perto de Alonso.

Nas 15 voltas finais, a disputa entre Alonso e Schumacher pelo segundo lugar ganhou o protagonismo da transmissão. A distância entre os dois chegou a ficar menor que 0s5 em vários momentos, mas o alemão teve de aceitar o terceiro e último degrau do pódio.
Era dia, na verdade, de Massa ter os seus minutos de fama depois de estabelecer uma vantagem confortável na liderança. Minutos estes que depois se transformaram em muitos momentos marcantes ao longo da sólida e vitoriosa carreira que construiu na principal categoria do automobilismo mundial.
A Fórmula 1 volta de 4 a 6 de setembro em Monza, palco do GP da Itália, 13ª etapa da temporada 2026.