A Audi já informou à Federação Internacional de Automobilismo (FIA) que vai entrar com um protesto contra a decisão dos comissários de não punirem Yuki Tsunoda no GP da Itália deste domingo (6). Caso o japonês tivesse recebido alguma sanção, Gabriel Bortoleto, que terminou na 11ª posição, teria condições de terminar dentro da zona de pontos mais uma vez na temporada 2026 da Fórmula 1.
Após a bandeira vermelha causada pela forte batida de Charles Leclerc, os pilotos tiveram de se encaminhar para uma nova largada parada. O piloto da Racing Bulls, convocado devido à ausência de Isack Hadjar em Monza, confundiu-se na hora de estacionar a VCARB 03 #22 no colchete e, de última hora, jogou o carro para a fila correta, o que, obviamente, resultou em um mau posicionamento.
A direção chegou a anunciar, ainda durante o andamento da corrida, que o incidente envolvendo Tsunoda seria investigado após o fim da etapa. E assim aconteceu. No entanto, enquanto muitos aguardavam uma punição para o piloto, os comissários acabaram o isentando de qualquer culpa pela volta extra de formação de grid que teve de ser cumprida, o que o manteve na décima posição do GP da Itália.
“O carro 22 inicialmente se aproximou do grid dirigindo-se para o lado esquerdo do grid. Ao perceber que estava indo para a posição errada, o piloto mudou de direção e posicionou o carro na área correta do grid e na posição correta dentro dela. Isso foi verificado pelos comissários por meio de vídeos de vários ângulos de câmera”, começou o documento da FIA.
“O diretor de prova, em seu depoimento, afirmou que foi sua decisão, com base no comportamento do carro durante a aproximação à área do grid, determinar uma volta de formação adicional. Ele afirmou que não se sentia confortável em iniciar a corrida com o carro naquela posição”, seguiu.
“O representante da equipe declarou que: (i) O carro não estava em uma posição de “falsa largada” — em referência ao Artigo B5.1.1c do regulamento da F1 — porque nenhum ponto de contato dos pneus dianteiros estava fora das linhas da área do grid (frontal e lateral); (ii) Na reunião com os pilotos, o diretor de prova informou que, para a largada, os limites da pista seriam os muros do pit-lane e que, neste caso, embora o carro estivesse apontado para a direita, havia pelo menos quatro metros de espaço para sair da posição de largada”, explicou.

“(iii) Nenhum outro piloto foi afetado pela posição do carro 22; (iv) O piloto do carro 22 não foi a “causa” da volta de formação adicional; (v) Em nenhum momento a equipe foi informada de que o controle de corrida considerava o carro 22 como a causa da volta de formação adicional”, completou.
Caso Tsunoda tivesse sido considerado o responsável pela volta extra de formação de grid, teria de largar do pit-lane. E isso de acordo com o regulamento da própria FIA, que, no entanto, não avisou a Racing Bulls da obrigação de fazer isso, uma vez que inocentou o piloto.
“O Artigo B5.9.4 especifica que, se um piloto que causar a volta de formação adicional conseguir iniciar essa volta, ele deverá entrar no pit-lane ao final dela e largar a partir do pit-lane. Somente nesse caso, se o piloto não fizer isso, será aplicada a punição obrigatória de Stop-and-Go. Em outras palavras, a punição é aplicada por não entrar no pit-lane e largar a partir dele. A punição não é aplicada por causar a volta de formação adicional, caso, de fato, ele tenha sido o responsável por provocá-la”, pontuou o documento.
“Surge aqui uma questão fundamental: para cumprir a exigência de entrar e largar do pit-lane, o piloto precisaria saber que foi ele quem causou a volta de formação adicional. O representante da equipe citou situações em que voltas de formação adicionais foram iniciadas devido a circunstâncias externas, como a posição de um fotógrafo, por exemplo. Neste caso, nenhuma mensagem foi enviada à equipe ou ao piloto informando que eles haviam sido a causa da volta de formação adicional.”

“A equipe, com base no fato de que o carro estava posicionado dentro de sua área de largada em conformidade com o regulamento, não tinha, em nossa avaliação, motivo para instruir o piloto a entrar e largar do pit-lane. Dessa forma, independentemente de o piloto ter causado diretamente ou não a volta de formação adicional, a equipe e o piloto não sabiam que estavam sendo considerados responsáveis por ela. Portanto, determinamos que não podemos aplicar uma punição de Stop-and-Go neste caso e decidimos não tomar nenhuma medida adicional. Observamos que o diretor de prova agiu de boa-fé e por excesso de cautela ao determinar uma volta de formação adicional”, concluiu.
Insatisfeita com a decisão da direção de prova, a Audi emitiu um breve comunicado destacando a decisão de apelar contra a falta de punição ao rival da Racing Bulls. Até porque Bortoleto terminou em 11º, exatamente 7s atrás de Tsunoda, e perdeu a oportunidade de pontuar.
“Após o GP da Itália, manifestamos uma preocupação em relação à aplicação do Artigo B5.9.4, que estabelece que um piloto que provoque uma volta de formação adicional deve entrar no pit-lane e retomar a corrida a partir dali. Os comissários emitiram uma decisão de ‘nenhuma ação adicional’, e notificamos nossa intenção de apelar. Como o caso agora está sujeito ao processo de apelação da FIA, não faremos mais comentários nesta fase”, declarou.
A F1 retorna já no próximo fim de semana, entre os dias 11 e 13 de setembro, com o GP da Espanha na nova pista urbana de Madri. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades da 14ª etapa da temporada 2026, AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.