A Fórmula 1 tocou de verdade o asfalto da tão comentada pista de Madri pela primeira vez nesta sexta-feira (11), no TL1 do GP da Espanha, e deixou as primeiras impressões sobre o traçado. Com setores diferentes entre si e características que lembram diversos outros circuitos do calendário, o layout produziu uma primeira atividade sem incidentes ou paralisações.

Assim, a equipe do GRANDE PRÊMIO deixa abaixo algumas lições iniciais após a primeira sessão da história de Madring.

Bernardo Castro, Editor de F2

“O traçado remete a características de diversos outros circuitos já conhecidos. As curvas cegas e de alta velocidade lembram Jedá, enquanto a La Monumental se assemelha às inclinações de Zandvoort. Indo um pouco além, os poucos pontos de ultrapassagem e a falta de agulhas para a retirada dos carros também me fizeram pensar no circuito de rua da Stock Car em Belo Horizonte. É legal ter uma pista com elementos tão variados, mas a dificuldade no resgate dos carros parece ser um problema que preocupa a fluidez das sessões.”

Fabrício Carvalho, Redator

“A pista de Madri tem potencial para ser uma das melhores corridas da F1 na temporada, principalmente pelo aspecto novidade. Com pilotos sem grandes referências e um traçado desafiador, a prova pode ser marcada por incidentes e promete testar a capacidade de ultrapassagem dos competidores em altas velocidades.

As primeiras impressões foram positivas, principalmente por um TL1 sem acidentes. Por outro lado, pistas desafiadoras podem render corridas chatas e muito conservadoras, como podemos observar anualmente em Mônaco. Por isso, as expectativas com Madring seguem equilibradas.”

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Madri combina três setores diferentes e uma configuração bem particular (Foto: Red Bull Content Pool)

JP Nascimento, Coordenador de Conteúdo

“A pista parece querer misturar de tudo um pouco, resultando em um quebra-cabeça de outros traçados e pouca identidade. Os acidentes parecem ser um problema maior nas categorias de base, mas a perspectiva de ultrapassagens é preocupante neste momento: com poucas zonas de frenagem intensa e muitas de aceleração, a troca de posições não aparenta ser simples.

E ainda há uma questão sobre as zonas de escape e pontos de retirada dos carros; em diversos trechos, batidas dificilmente serão resolvidas sem uma bandeira vermelha. Pelo lado positivo, a classificação promete entretenimento, justamente pelo desafio de ir ao limite em um traçado traiçoeiro e a importância de largar na frente.”

Luana Marino, Editora-chefe

“Um setor 3 com carinha de Mônaco, mas o layout, no todo, traz de tudo um pouco que é visto no calendário. E a curva La Monumental parece ser muito mais interessante que a curva inclinada de Zandvoort, ainda que perigosa, como deu para ver em algumas onboards no TL1 por ter ponto cego na saída.”

Pedro Henrique Marum, Editor-chefe

“O traçado urbano de Madri, tão esperado após semanas de projeções virtuais de que se tratava de um octógono da velocidade, é na verdade, uma Guernica em forma de percurso. Pintada pelo cubismo cinzento do asfalto, a pista parece saída dos sonhos mais molhados de Picasso ou um dos tantos grandes nomes do surrealismo espanhol. É uma mistura intrigante de estilos de pista, de formatos de curva e maneiras de forçar buscas audaciosas de ângulos de curva. Talvez a curiosidade sustente a paciência e transforme o esquisito, em, de novo, intrigante. Quem sabe se daqui a um ano será apenas esquisita ou revolucionária.

Por ora, a sensação é a dum grande caleidoscópio desenhado com a intenção de ser ousada e certo medo de ficar esquecida no meio do calendário. Mas é prudente? Picasso caracterizava Guernica como uma declaração de guerra à guerra, e é possível que Madri tenha oferecido à F1, F2 e F3 uma declaração de guerra à paz. O inegável é que é interessante.”

A primeira atividade do fim de semana teve George Russell na ponta (Foto: AFP)

Vicente Soella, Editor de F1

“A pista é uma mistura de algumas outras que existem no calendário da F1, como Jedá e Baku, por exemplo, mas em um nível maior de periculosidade. Já ficou claro, apenas com a sexta-feira, que foi um erro colocar a F2 e a F3 para competir no Madring, ao mesmo tempo em que os pilotos da categoria principal conseguiram ficar livres de problemas (por enquanto).

Do ponto de vista competitivo, a classificação será determinante, assim como acontece no GP de Mônaco, visto que não existem pontos de ultrapassagem. Mesmo no lugar mais óbvio, entre as curvas 3 e 5, o ataque deve acontecer antes do ponto de frenagem, que leva a uma chicane das mais traiçoeiras.

Se há algo positivo é a parte da engenharia. Como a pista possui setores de alta, média e baixa velocidade, encontrar o melhor compromisso no acerto será tarefa árdua, mas interessante para quem gosta de analisar esse lado da disputa. Fora isso, nada que tenha chamado muito a atenção até aqui.”

Victor Martins, Diretor-Executivo

“A pista lembra de leve Valência, um tanto de Jedá e muito de Markham, que brotou do nada no calendário da Indy neste ano para substituir Toronto e causou caos por conta de uma curva em formato de grampo e muros para todo lado. Madring tem a tal Monumental para provocar os problemas em treinos e na classificação e o resto da pista para que alguém se espatife no muro.

É uma pista que mostra a essência da F1 atual, buscando um mix de autódromo com circuito de rua, e que remete a Érick Jacquin: sem tempero. Já me irritei.”

GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do GP da Espanha, 14ª etapa da temporada 2026, AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar o que aconteceu após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV. Além disso, o GP está in loco em Madri com o repórter Leonid Kliuev.

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