- O Madring será um território praticamente desconhecido para as equipes da Fórmula 1, com apenas dados de simulador e uma experiência de dia de filmagens da Ferrari
- O novo asfalto, com pouca aderência inicial, pode mudar completamente a ordem de forças vista nas últimas corridas
- Antes da classificação, a F1 precisa descobrir se Mercedes, McLaren ou Ferrari terá a melhor combinação entre ritmo de classificação e ritmo de corrida
A Fórmula 1 vai entrar em território desconhecido na sexta-feira. O primeiro GP da Espanha disputado em Madri terá no Madring, o primeiro circuito realmente novo do calendário desde Las Vegas, em 2023, e nenhuma equipe chega ao fim de semana com dados de uma corrida anterior para usar como referência. E isso faz com que os dois treinos livres de sexta-feira tenham um peso incomum.
Não será apenas uma questão de descobrir quem é mais rápido. Antes de a classificação acontecer no sábado, Mercedes, Ferrari, McLaren e Red Bull precisarão responder uma série de perguntas sobre um circuito de 22 curvas e 5,416 km, cujo asfalto novo tem aderência relativamente baixa. A programação do GP da Espanha concentra na sexta-feira as primeiras respostas para boa parte dessas dúvidas.
E há uma pergunta maior por trás de todas elas: o que a F1 aprendeu no primeiro contato com o Madring?
1. Quem realmente será rápido em Madri?
A primeira resposta será também a mais importante.
A Mercedes chega ao fim de semana como líder absoluta do campeonato de construtores e depois de uma dobradinha em Monza. Kimi Antonelli, por sua vez, venceu o GP da Itália largando da 19ª posição e abriu 66 pontos de vantagem sobre George Russell.
Mas Monza não é uma boa referência para Madri.
O Madring tem um primeiro setor rápido, uma parte intermediária recheada de curvas de média e baixa velocidade e um último setor com várias curvas de 90 graus. A combinação é muito diferente do circuito italiano.
Por isso, a primeira grande resposta de sexta-feira será saber se a Mercedes continua sendo a equipe a ser batida ou se McLaren e Ferrari vão conseguir aproximar a diferença.
2. O novo asfalto vai mudar tudo?
Provavelmente, esta será a variável mais difícil de interpretar.
O asfalto recém-colocado do Madring é liso e apresenta nível de aderência relativamente baixo. Antes da estreia, o circuito ainda passou por tratamento para retirar poeira e resíduos da superfície.
Isso significa que a pista pode mudar rapidamente durante os treinos.
À medida que os carros passarem pelo traçado, a superfície tende a ganhar borracha e aderência. Portanto, um tempo registrado no começo do TL1 não necessariamente terá o mesmo significado de um tempo obtido no fim do TL2.
A equipe que entender mais rapidamente essa evolução terá uma vantagem enorme.
E isso também significa que a tabela de tempos de sexta-feira precisa ser lida com cautela.

3. Quem vai fazer os pneus funcionarem?
Essa talvez seja a pergunta que mais diretamente pode definir a classificação.
Os carros podem ser rápidos em uma volta e, ainda assim, não conseguir colocar os pneus na janela ideal de funcionamento. Em uma pista nova, a dificuldade aumenta porque não existe histórico de degradação ou comportamento térmico para comparar.
A McLaren já alertou justamente para a importância de entender a aderência e o comportamento dos pneus no novo asfalto. O diretor-técnico Mark Temple classificou a estreia como uma oportunidade, mas também como um risco para as equipes.
A resposta do TL2 será particularmente importante.
É quando as equipes poderão começar a comparar os tempos com diferentes níveis de combustível e diferentes compostos, tentando separar o que é desempenho real do carro do que é simplesmente uma volta mais bem executada.
4. La Monumental será uma vantagem ou uma armadilha?
A curva 12 é o elemento mais diferente do Madring.
La Monumental é uma curva de cerca de 550 metros, com até 24% de inclinação. O trecho tem aproximadamente 270 graus e ainda possui uma saída em que o piloto perde momentaneamente a visão do ponto de referência por causa do topo da curva.
Isso cria uma dúvida técnica interessante. Quanto tempo será possível ganhar ali sem comprometer os pneus e o restante da volta?
Um piloto pode ser extremamente agressivo na entrada, mas vai pagar o preço nas curvas seguintes. Outro pode adotar uma abordagem mais conservadora e perder alguns décimos no trecho, mas preservar melhor os pneus.
Até a classificação, as equipes precisam descobrir qual dessas abordagens funciona.
5. A experiência da Ferrari vai valer alguma coisa?
Aqui existe uma pequena vantagem — pelo menos no papel.
Ferrari foi a única equipe que teve uma experiência real no traçado durante um dia de filmagens em julho, quando Charles Leclerc e Lewis Hamilton deram algumas voltas no circuito. Mas a própria equipe minimizou o quanto essa experiência pode ajudar diante do que será encontrado durante um fim de semana completo de corrida.
Isso não significa que Ferrari começará do zero.
Leclerc e Hamilton já conhecem curvas, referências de frenagem e algumas características do traçado. O restante do grid terá de fazer esse processo pela primeira vez na sexta-feira.
A questão é quanto essa pequena vantagem vai representar em tempo de volta.
Se a Ferrari aparecer na frente desde o TL1, a experiência ganha peso. Se Mercedes ou McLaren assumirem o controle rapidamente, a vantagem teórica pode se tornar irrelevante.

6. Mercedes, McLaren ou Ferrari: quem terá o melhor ritmo de classificação?
O primeiro GP de Madri pode produzir uma situação em que a ordem do TL2 não seja necessariamente a mesma da classificação. As equipes devem trabalhar com programas diferentes, cargas de combustível e pneus distintos. Por isso, os tempos absolutos podem enganar.
O que será necessário observar é a consistência. Quem consegue fazer várias voltas rápidas consecutivas? Quem perde desempenho depois de duas ou três voltas? Quem é capaz de melhorar mais quando coloca o composto macio?
E, principalmente, quem consegue extrair desempenho sem comprometer o equilíbrio do carro?
Essas respostas serão muito mais importantes do que simplesmente olhar para o topo da tabela.
7. Verstappen ainda pode colocar a Red Bull na briga?
A Red Bull chega a Madri sem saber exatamente onde está na hierarquia.
Max Verstappen admitiu que o circuito é desafiador e que os treinos serão importantes para avaliar o nível de aderência e construir o acerto do carro.
Isso é particularmente relevante porque o Madring pode exigir características diferentes das que favoreceram a Red Bull em outros momentos do campeonato.
Se Verstappen aparecer próximo de Mercedes, Ferrari e McLaren já na sexta-feira, a disputa pela pole pode ficar muito mais aberta. Se a Red Bull sofrer para colocar os pneus na janela ou encontrar estabilidade nas frenagens, a equipe pode entrar no sábado apenas tentando limitar os danos.
8. E Gabriel Bortoleto: onde a Audi vai aparecer?
Gabriel Bortoleto chega a Madri depois de um GP da Itália em que terminou em 11º e perdeu a chance de pontuar. O brasileiro, porém, terá uma oportunidade importante em uma pista na qual praticamente todos começam do mesmo ponto.
A Audi já mostrou evolução ao longo da temporada, mas ainda precisa transformar desempenho pontual em presença constante na zona de pontuação. Por isso, o primeiro indicador não será necessariamente o tempo de volta absoluto. Será observar a distância para os adversários diretos.
Se Bortoleto conseguir colocar a Audi próxima de equipes como Racing Bulls, Alpine e Haas, o fim de semana pode começar a ganhar uma perspectiva bastante diferente.

O que os treinos precisam entregar antes da classificação?
Quando o TL2 terminar, a F1 deveria ter respostas para cinco questões fundamentais:
1. Quem tem o carro mais rápido em uma volta?
2. Quem consegue fazer os pneus funcionarem melhor?
3. Quanto a pista evoluiu entre o TL1 e o TL2?
4. Quem tem ritmo de corrida suficiente para sustentar uma estratégia competitiva?
5. A ordem Mercedes-McLaren-Ferrari continua de pé ou o Madring mudou o jogo?
Essas respostas serão mais importantes do que a posição de qualquer piloto na tabela de tempos de sexta-feira.
A sexta-feira deve ser mais importante que o normal
A primeira visita da Fórmula 1 a Madri não permitirá que as equipes se escondam atrás de dados históricos. Em um circuito conhecido, um time pode chegar com informações de anos anteriores sobre pneus, acerto e estratégia. No Madring, quase tudo terá de ser descoberto novamente.
É por isso que a sexta-feira pode determinar boa parte do sábado. Quem interpretar primeiro o asfalto, entender os pneus e encontrar um acerto que funcione nas 22 curvas sairá na frente.
E quem errar a leitura pode passar o restante do fim de semana tentando recuperar terreno.
A classificação de sábado dirá quem foi mais rápido.
Mas os treinos de sexta-feira dirão quem realmente entendeu Madri.
Perguntas frequentes
O que esperar dos primeiros treinos da F1 em Madri?
Os treinos livres serão usados principalmente para entender o novo asfalto, a aderência, o comportamento dos pneus e o equilíbrio dos carros em um circuito sem histórico de corrida.
Qual é a maior dificuldade do novo circuito de Madri?
A combinação de asfalto novo e baixa aderência com um traçado que mistura curvas rápidas, trechos técnicos e curvas de baixa velocidade deve tornar o acerto especialmente difícil.
Quem é favorito à pole no GP da Espanha?
A Mercedes chega como uma das principais favoritas após vencer nove das primeiras 13 corridas e liderar os dois campeonatos, mas McLaren e Ferrari podem reduzir a vantagem em um circuito muito diferente de Monza.
A F1 retorna neste fim de semana, entre os dias 11 e 13 de setembro, com o GP da Espanha na nova pista urbana de Madri. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades da 14ª etapa da temporada 2026, AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.
GP da Espanha de F1: veja os horários no Brasil, Portugal, Angola, Cabo Verde e Moçambique
Horários no Brasil*
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Horários em Cabo Verde
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- Treino livre 3: 09:30
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- Corrida: 12:00
Horários em Moçambique
- Treino livre 1: 13:30
- Treino livre 2: 17:00
- Treino livre 3: 12:30
- Classificação: 16:00
- Corrida: 15:00
*Horários de Brasília.