Apesar de todo o medo desde que os novos carros foram vistos na pista pela primeira vez, ainda nos testes de pré-temporada, o GP da Itália deste domingo (6) rendeu uma das brigas pela vitória mais animadas dos últimos tempos. E foi entre os pilotos que largaram na pole e na 19ª posição. Andrea Kimi Antonelli se recuperou rapidamente e conseguiu se habilitar a duelar contra George Russell. E assim foi, até as voltas finais. Apenas na antepenúltima volta é que a história foi resolvida: vitória de Antonelli para fazer uma erupção eclodir no calor vulcânico de Monza.

ANTONELLI VENCE E DEIXA MONZA EM DELÍRIO: CLASSIFICAÇÃO GP ITÁLIA F1 2026 [narração + Briefing]

A celebração tem razão que vai muito além da vitória de um piloto da casa. Fazia 60 anos desde que um italiano vencera o GP da Itália. Com as bênçãos daquele dia em que Ludovico Scarfiotti recebeu a bandeirada para fazer o público delirar com sua Ferrari, Kimi repetiu a tão aguardada vitória. Itália, enfim, em festa.

Verdade seja dita: a Mercedes teve papel preponderante na virada de Kimi. Isso porque, após a bandeira vermelha causada pelo acidente violento de Charles Leclerc, ainda na terceira volta, George passou o resto da corrida inteiro com o mesmo jogo duro de pneus. Antonelli relargou de médios e voou. Quando houve uma chance real de parar, na bandeira amarela causada pelo problema hidráulico de Lance Stroll, a equipe parou Kimi para um novo jogo de médios e deixou George com seus pneus gastos. Estava claro ali, por volta da metade da corrida, o que aconteceria.

A Russell coube o segundo lugar, enquanto Max Verstappen fez uma bela corrida com o resultado que dava, o terceiro e o pódio. Enquanto foi possível, incomodou a dupla da Mercedes e foi capaz de se impor contra rivais da McLaren e da Ferrari.

Lando Norris, que viu Oscar Piastri e Lewis Hamilton trocando figurinhas pela quarta posição durante quase todo o tempo, bateu a carteira dos dois e ficou no quarto posto. Piastri veio em quinto, com Hamilton em sexto. Pierre Gasly, Arvid Lindblad, Franco Colapinto e Yuki Tsunoda completaram o top-10. Gabriel Bortoleto ficou na 11ª posição.

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A largada do GP da Itália de 2026 (Foto: F1)

A F1 retorna já no próximo fim de semana, entre os dias 11 e 13 de setembro, com o GP da Espanha na nova pista urbana de Madri. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades da 14ª etapa da temporada 2026, AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.

Confira como foi o GP da Itália da F1 2026

O dia da Fórmula 1 começou muito antes da largada. O desfile de Sebastian Vettel com a F2002, carro do pentacampeonato mundial de Michael Schumacher, emocionou o piloto e levou o público presente em Monza ao delírio. Depois, com o Relâmpago McQueen, carro adaptado como a máquina humanizada do desenho ‘Carros’, bom humor. Tudo isso para remediar um dia de sol a pino, sem nebulosidade e com asfalto em 56°C e alerta de calor extremo. Mas era hora de correr.

Pierre Gasly fora o grande vencedor do dia anterior. De maneira absolutamente surpreendente, superou os rivais das grandes equipes e colocou a Alpine na primeira pole desde que o time ainda era Renault duas saídas da F1 atrás, em 2009, com Fernando Alonso. Assim, Pierre se tornou o 109º piloto da história e conquistar uma pole, o 14º deste grid.

A escolha de pneus tinha uma divisão verdadeira de estratégias. Gasly e George Russell lideravam o grupo dos pneus médios, que ainda contava com Oscar Piastri, Franco Colapinto, Lando Norris, Arvid Lindblad, Liam Lawson e Alexander Albon. Charles Leclerc e Lewis Hamilton eram os primeiros de macios, com Max Verstappen, Oliver Bearman, Esteban Ocon, Gabriel Bortoleto, Carlos Sainz, Sergio Pérez, Alexander Albon, Valtteri Bottas e Lance Stroll na mesma tática. Andrea Kimi Antonelli, Yuki Tsunoda e Fernando Alonso iam de duros.

Vettel faz graça com a F2002 de Michael Schumacher em demonstração em Monza (Vídeo: F1)

Era hora de partir. Gasly saiu bem e manteve a dianteira no primeiro momento, mas a emoção estava mesmo na briga dos pilotos da Ferrari pelo terceiro lugar. Hamilton tentou mergulhar para cima de Leclerc logo nos primeiros metros, na chicane inicial. Mas a segunda curva era dividida, e Charles jogou duro e segurou a posição, mas tocou o companheiro de equipe e o empurrou para o gramado e perdendo três posições. Hamilton, de imediato, reclamou no rádio, mas a sensação era mesmo a de um risco grande assumido pelo heptacampeão. Houve investigação inicialmente, em seguida abandonada.

Verstappen, Piastri e Colapinto, veja você, foram os três que passaram Hamilton ainda fora da pista. A largada do argentino foi daquelas. Norris e Lindblad também deixaram Lewis pelo caminho mesmo após voltar para a pista.

Russell evitou grandes riscos na largada, talvez per ter a noção de que tinha muito mais carros. Logo na segunda volta, fez alguma força e ultrapassou Gasly. Leclerc veio a reboque e passou também, enquanto Colapinto deixava Piastri pelo caminho para assumir o quinto lugar.

Tudo isso, porém, importaria bem menos logo em seguida. Ainda na terceira volta, Leclerc tentava fazer valor o fato de estar com pneus macios para aproximar de Russell. Acelerou cedo demais na tomada da Parabolica, tocou a linha branca do limite da pista, onde o traçado estava sujo, e perdeu completamente o controle numa das curvas mais velozes da F1. De maneira quase idêntica a 2020, rodou em alta rotação e arrebentou o carro da Ferrari na barreira. Safety-car chamado que viraria bandeira vermelha instantes depois para que a barreira fosse reparada.

O acidente de Charles Leclerc (Video: Reprodução / F1TV)

Leclerc saiu do carro sozinho, mas visivelmente mexido pela pancada violentíssima. Sentou do lado de fora e foi amparado pelos fiscais até que o carro médico chegasse. Com a corrida parada, e seria uma longa parada porque a barreira ficou bastante danificada, todo mundo voltava aos boxes e saía dos carros. O regime de interrupção da corrida permitia que, por exemplo, as equipes trocassem pneus.

A relargada veio como uma nova largada parada, mas demorou mais de meia hora. Russell liderava, com Gasly, Verstappen, Colapinto, Piastri, Norris, Lindblad, Hamilton, Bearman e Ocon no top-10. Bortoleto era o 11º. Antonelli já aparecia em 12º. E, claro, todos tinham mudado de pneus. Pérez e Alonso usavam macios, enquanto Bortoleto, Bottas, Tsunoda, Antonelli, Hamilton e Verstappen iam de macios. Todos os outros usavam pneus duros.

A partida foi agressiva na frente. Gasly tentou ir para cima de Russell, que defendeu, mas Colapinto chegou a colocar o carro na frente de Verstappen. O tetracampeão segurou a onda, dividiu duas curvas e levou a melhor inicialmente. Franco continuou a pegada agressiva, mas foi longe demais, escapou de deu um longo passeio na brita. O que era uma corrida potencialmente marcante na carreira virou um 15º lugar.

Hamilton chegou a dar uma nova escapada, mas muito de leve e em meio ao movimento de ataque. Deu certo, porque passou Lindblad e Norris. Em seguida, tirou Piastri da frente também. Verstappen, com calma, deixou Gasly para trás. Uma volta depois, Hamilton também.

A relargada e escapada de Colapinto (Video: Reprodução / DAZN)

No meio de tudo isso, Antonelli já apareceu em sexto uma volta depois da relargada. Como se não fosse nada, continuou limpando caminho. Norris e Gasly ficaram pelo caminho. Antes que chegasse na frente, porém, viu o adversário mudar. Hamilton perdeu ritmo e tomou uma nova passada de Piastri. Reclamou, então, do desgaste de pneus e acabou atrás de Kimi também.

Parece frenético? Pois é, estava mesmo. Monza como ela é. Verstappen se manteve colado atrás de Russell e, com as idas e vidas do uso de energia, ganhou a chance de atacar e passou para assumir a liderança. Mas Russell se manteve grudadinho e era evidente que atacaria de volta em algum momento. Duas voltas depois, tentou no fim da reta dos boxes e nada feito. Uma vez mais tarde, de novo. Na 15, porém, foi para cima da Curva Grande e efetuou a retomada de posição.

À essa altura, Antonelli já havia passado Piastri e era o terceiro colocado e estava a 0s5 de Verstappen. É verdade que o líder do campeonato tinha pneus médios contra duros dos rivais e, em teoria, teria perda de rendimento antes, mas era uma performance nada menos que fantástica com 15 das 53 voltas. Logo na 17ª volta, ultrapassou Max e assumiu o segundo lugar.

Bortoleto voltou a perder posições na relargada, um problema recorrente, e caiu atrás do companheiro Hülkenberg. Algumas voltas depois, porém, já tinha passado, tanto ele quanto Ocon, e estava novamente na 11ª colocação. Havia ainda uma investigação entre Hülkenberg e Lawson, algo que não fora mostrado na transmissão da F1, mas que forçou o piloto da Red Bull a voltar as boxes.

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Max Verstappen fez uma corrida possível na Itália (Foto: Red Bull Content Pool)

Hamilton e Piastri continuavam a luta pela quarta colocação. Lewis tomou de volta, mas não conseguia abrir e via Oscar atacar novamente e recuperar a posição metros depois. Na frente, era Antonelli contra o mundo. Bem mais rápido por volta, atacou e tomou a dianteira na 18ª volta. Os três primeiros colocados estavam juntos e abriram a 19 praticamente ocupando o mesmo espaço na pista. Sem mudança de colocações, contudo.

Russell ensaiou na abertura da 21, chegou a passar na chicane, mas Kimi retomou na Curva Grande. Em seguida, passou de vez. Por alguns metros. Aí, com uma manobra por fora e maravilhosa, Antonelli tomou de volta a liderança. De novo, por pouco tempo. Na abertura da volta seguinte, deu George uma vez mais. Tudo isso num espaço de dois giros.

A Mercedes, então, acabou com o ioiô. Pediu para os dois pilotos se concentrarem em abrir vantagem para Verstappen, que continuava no mesmo segundo. Inicialmente, Kimi não gostou. “Querem que eu fique atrás, é?”, questionou. O aviso para tranquilizar foi que Russell tinha a ordem de abrir para Max e caso não conseguisse, a equipe inverteria as posições. Os dois rapidamente deixaram Verstappen para trás e começaram a neutralizar a ameaça.

O ioiô entre Hamilton e Piastri também era ativo e não parecia parar em momento algum, mas lá atrás Bortoleto passava Bearman para entrar na zona de pontos. E Lawson, no fim da fila, recebia bandeira branca e preta de advertência por padrões de pilotagem.

Lance Stroll abandonou com problemas hidráulicos (Foto: Aston Martin)

Stroll apareceu na 28ª volta. Um dia após se tornar o primeiro piloto a ser eliminado 100 vezes no Q1 da classificação da F1, tinha problemas hidráulicos e parava na pista, causando bandeira amarela. Alonso tinha sido parado pouco antes por danos no carro, então o adeus de Lance encerrava a corrida da Aston Martin.

A Mercedes aproveitou a amarela e chamou Antonelli, deixando Russell por lá. Verstappen também entrou. Kimi, que voava de médios, colocou outro jogo igual. Verstappen optou pelos duros. Russell seguia na frente, mas relatando desgaste ao menos utilizando certo modo do motor.

Antonelli voltou em quinto, mas de imediato passou Gasly. Verstappen vinha em sétimo e fez o mesmo logo depois. Kimi, logo na sequência, limpou Norris do caminho. Max, claro, fez o mesmo pouco depois. Uma distância de 4s até a dupla Hamilton e Piastri e mais 7s para George. Mas a verdade é que a decisão de parar Kimi colocou o líder do campeonato numa situação muito benéfica para a vitória.

Duas situações foram notadas: a ultrapassagem de Colapinto para cima de Bortoleto, feita bem no limite do fim da bandeira amarela, e uma possível infração de bandeira amarela de Russell — não diminuir a velocidade imediatamente. No caso de George, virou investigação. Para Franco, não.

Com 20 voltas pela frente, a Mercedes avisou ao primeiro colocado da prova que Kimi estava 25s atrás — e, além disso, ainda dois carros entre eles. A resposta foi para deixar guiar sozinho e o mais rápido possível. Antonelli ainda ganhou um presente: Hamilton errou a freada, saiu da pista e abriu caminho para o substituto na Mercedes tomar o terceiro lugar.

Antonelli não demorou muito para passar Piastri e ficar cerca de 8s atrás do companheiro de equipe. “A estimativa é que Kimi vai chegar perto do fim da corrida”, avisou no rádio de Russell o engenheiro Marcus Dudley. Verstappen embarcou e tomou o terceiro lugar também. Tudo restabelecido. Meio que… Oscar se manteve junto e atacou de volta para entrar de novo em posição de pódio. Na abertura seguinte, Max atacou, mas freou tarde demais e passou da pista. Nada feito! Foi somente na 44ª volta é que efetuou a ultrapassagem com sucesso.

E a investigação contra Russell? Tiro n’água, não deu em nada. Seria a pista mesmo que resolveria o GP da Itália.

A quatro voltas do fim, Kimi chegara o bastante para atacar e parecia inapelável. Russell atrasou a freada, passou aberto demais, mas Antonelli também errou a tracionada e passou fora. George segurou. Por quanto tempo seria? Somente por uma volta. Quando o jovem voltou, não havia nada que Russell pudesse fazer, com seus pneus duros de 50 voltas. O jovem ídolo da casa passou e partiu para a vitória.

Ainda havia tempo para Norris passar o companheiro de equipe e tomar o quarto posto. A vitória, porém, era de Antoneli, para delírio do público, e Russell e Verstappen no pódio.

F1 2026: resultado do GP da Itália em Monza

1A K ANTONELLIMercedes53 voltas
2G RUSSELLMercedes+3.857
3M VERSTAPPENRed Bull RBPT Ford+14.718
4L NORRISMcLaren Mercedes+19.056
5O PIASTRIMcLaren Mercedes+19.253
6L HAMILTONFerrari+24.655
7P GASLYAlpine Mercedes+27.351
8A LINDBLADRacing Bulls RBPT Ford+45.136
9F COLAPINTOAlpine Mercedes+47.353
10Y TSUNODARed Bull RBPT Ford+58.187
11G BORTOLETOAudi+1:05.187
12N HÜLKENBERGAudi+1:06.187
13C SAINZWilliams Mercedes+1:14.117
14L LAWSONRacing Bulls RBPT Ford+1:15.609
15O BEARMANHaas Ferrari+1:18.958
16E OCONHaas Ferrari+1 volta
17A ALBONWilliams Mercedes+1 volta
18S PÉREZCadillac Ferrari+1 volta
19V BOTTASCadillac Ferrari+2 voltas
L STROLLAston Martin HondaNC
F ALONSOAston Martin HondaNC
C LECLERCFerrariNC