SÃO PAULO (estudem!) – Não me canso de dizer que essa pintura da Audi é a mais bonita da temporada, antes mesmo de ver como virão Cadillac, Aston Martin, McLaren e Williams, que apresentam seus carros na semana que vem. Isso dito, hoje foi o melhor dia da equipe alemã na semana que abriu a […]
SÃO PAULO (estudem!) – Não me canso de dizer que essa pintura da Audi é a mais bonita da temporada, antes mesmo de ver como virão Cadillac, Aston Martin, McLaren e Williams, que apresentam seus carros na semana que vem.
Isso dito, hoje foi o melhor dia da equipe alemã na semana que abriu a temporada 2026 da F-1 em Barcelona. Gabriel Bortoleto e seu companheiro Nico Hülkenberg completaram 140 voltas sem grandes problemas técnicos, que é a prioridade de todo mundo neste momento: não quebrar.
Os tempos de volta — as folhas de cronometragem começaram a vazar por todos os lados; as equipes queriam que estes testes fossem fechados, mas é óbvio que quem andou bem fez questão de contar as novidades ao distinto público — não foram grande coisa, três a quatro segundos por volta piores que os carros mais rápidos. Tudo bem, porém. Três times em particular vão sofrer neste começo de ano mais que os outros. A Audi é um deles, por fazer um motor próprio e um chassi idem, ainda que tenha usado, no último ano, mão de obra qualificada da Sauber. Mesmo assim, apesar do reforço dos ex-sauberianos, está cheio de gente nova na equipe. Uma galera para quem F-1, até outro dia, nada mais era que a junção de uma letra com um número.
As outras duas que vão penar são Cadillac e Aston Martin. A primeira é nova de tudo, estreante pura. Embora use motor e câmbio fornecido pela Ferrari, o carro é o primeiro feito pela turma que Michael Andretti foi contratando nos últimos anos, até ver recusado seu pedido de ingressar na categoria — e ter de vender a operação toda para fundos de investimento e para a GM. É uma equipe que nasceu do zero absoluto. A segunda é a Aston Martin, que trocou os motores Mercedes pelas unidades de potência da Honda, e essa integração chassi-motor é das coisas mais complicadas da F-1.
Os testes terminaram hoje com 12 pilotos na pista e oito equipes trabalhando: Ferrari, McLaren, Red Bull, Aston Martin, Haas, Audi, Alpine e Cadillac. Mercedes e Parcela no Crédito já tinham andado três dias, o máximo permitido nesta semana. A Williams só vai para a pista no Bahrein, na primeira sessão oficial de pré-temporada, de 11 a 13 de fevereiro. Depois tem outra, de 18 a 20, e aí só em Melbourne, para a largada do campeonato no dia 8 de março.
Na folha de tempos de hoje, a Ferrari apareceu em primeiro com Lewis Hamilton: 1min16s348. Lando Norris foi o segundo com 1min16s594 e Charles Leclerc, o terceiro com 1min16s653. Os tempos todos estão aqui.
Até agora, o que se sabe sobre esses novos carros é que são muito rápidos de reta — mais estreitos e leves, podendo abrir as asas dianteira e traseira, seria natural ganhar velocidade nas retas — e mais complicados nas curvas, por conta de uma menor pressão aerodinâmica. E, também, que são muito diferentes que os anteriores na pilotagem e na gestão de energia. No fim todo mundo acaba se acostumando. Mas alguns vão se acostumar mais que os outros. Aí veremos quem vai ser dar bem.
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.