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Opinião GP: Norris enfim aciona nova versão, mas McLaren ainda flerta com perigo
F1

Opinião GP: Norris enfim aciona nova versão, mas McLaren ainda flerta com perigo

Ainda que tenha tido seus pecados, Lando Norris mostrou maturidade e soube manter tudo sob controle em um GP da Austrália que o testou do começo ao fim. O inglês foi capaz de vencer em um cenário que poderia se voltar para o rival Max Verstappen e cumpriu o que prometeu. Ou seja, partiu para uma vitória importante, em um primeiro passo no objetivo de brigar pelo título mundial. Mas há uma ressalva: a McLaren ainda teima em administrar seus pilotos. Ao hesitar, flertou com um problema que pode se tornar maior do que o neerlandês da Red Bull

Evelyn Guimarães

Publicado em

AO CRUZAR A LINHA DE CHEGADA do GP da Austrália na frente, Lando Norris talvez tenha exorcizado um sentimento que parece que o persegue desde o ano passado. Quer dizer, a incerteza sobre se é ou não capaz de conduzir uma disputa mais dura na Fórmula 1. E a resposta veio através de uma demonstração de força neste domingo no Albert Park. Porque a verdade é que a corrida australiana o testou do começo ao fim, e ele foi capaz de lidar com todas as adversidades de uma maneira bem mais consciente do que em experiências recentes. É claro que o dominante carro da McLaren permitiu abordagens mais arriscadas, mas o fato é: Lando parece ter enfim entendido o que é preciso fazer. A única ressalva diz respeito mesmo à chefia do time do papaia, que ainda parece brincar com o perigo.

Mas é necessário, antes de tudo, falar sobre a performance de Norris. A pole conquistada no sábado foi um sinal importante, mas o comportamento ao longo das 57 voltas no traçado do parque foi mais decisivo. Ainda que não tenha tido uma largada espetacular, o piloto #4 foi capaz de se defender de Max Verstappen na primeira curva e não deixou espaço. Depois, passou a controlar o ritmo, tentando também dosar o bom carro que tinha nas mãos. O caos que se instaurou na sequência, após o acidente de Fernando Alonso, também serviu para avaliar a capacidade de tomar decisões. Afinal, a pista suja e escorregadia era um convite ao erro — ele mesmo quase caiu nessa armadilha e, mesmo depois de escapar do asfalto e danificar o assoalho, manteve-se firme na ponta.

Lando e o pit-wall trabalharam bem na comunicação, alinharam a estratégia e as paradas foram certeiras. O líder ainda soube gerir bem as relargadas, controlando um Verstappen que tentava tirar proveito do acaso, uma vez que a Red Bull não entregou a ele um carro mais combativo.

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“É tão fácil cometer um erro, tão fácil arruinar tudo. A velocidade em que tudo pode dar errado… A qualquer momento, você pode travar os pneus, tocar na linha branca. Às vezes é muito, muito difícil não entrar na brita ou barreira de pneu em algum lugar. É um desafio grande o suficiente, mas quando o clima e as condições da pista mudam, saber quando tomar a decisão correta de trocar para um pneu slick ou mudar para os intermediários, e ainda mais quando tendo Max e Oscar atrás de mim, é estressante”, admitiu o vencedor do GP da Austrália.

“Mas é isso que torna tudo gratificante”, completou. “Trabalhamos muito durante a pré-temporada para nos preparar para uma corrida como essa, porque foi onde desperdiçamos muitas oportunidades na temporada passada — Canadá, Silverstone, onde não fomos os melhores e não sabíamos o quão decisivos tínhamos de ser. Hoje fomos muito, muito decisivos, especialmente nas chamadas de pit. Foi a decisão certa no final, e isso nos fez ganhar a corrida.”

A descrição de Norris é um retrato fiel do que foi a corrida e de como a McLaren parece ter realmente entendido as lições de 2024. Até por isso é preciso deixar claro que o grupo papaia parece em uma liga própria neste instante. A equipe inglesa levou o fim de semana em Melbourne com uma mentalidade vencedora, ratificada pelo excelente MCL39. A primeira fila do grid foi importante porque também confirmou que há uma performance intensa em volta única e que será difícil o trabalho da concorrência a partir de agora. Mas foi a corrida, como bem colocou Lando, que jogou as cartas na mesa. O time chefiado por Andrea Stella construiu um modelo equilibrado e que tem como grande ponto forte o fato de tratar melhor dos pneus.

E nesta primeira etapa, em que foi possível andar com compostos macios, médios e intermediários, o carro laranja da McLaren não mostrou falhas. Não houve um desgaste excessivo e nem uma acentuada preocupação com as temperaturas, e isso coloca a equipe em uma posição única — ao menos neste início.

Norris e Piastri saíram da pista na volta da chuva (Vídeo: Reprodução/F1TV)

Isso foi nítido na primeira parte da prova. Verstappen até tentou acompanhar o ritmo de Norris, mas logo ficou clara a batalha do neerlandês contra a degradação dos pneus. Foi tão severo que ele chegou a errar e sair da pista. Neste momento, o então segundo colocado Oscar Piastri passou e aí começou o passeio papaia. Rapidamente, os dois ponteiros abriram uma distância que chegou a 19s para o tetracampeão. É nessa fase da prova também que os holofotes se voltaram para a dupla. E aqui é que reside um fator que tem potencial para mexer com as estruturas da garagem comandada por Stella: o temor disfarçado de uma rivalidade interna.

Após se livrar de Verstappen, Oscar passou a exibir um desempenho melhor e se aproximou do colega de McLaren. Ali, pareceu que ambos travariam uma batalha mais intensa. Seria o fim das famosas regras papaias? Zak Brown, falando na transmissão da Sky Sports, garantiu que ambos estavam livres para disputar a ponta. Na pista, no entanto, o recado do pit-wall foi diferente: “Vamos manter as posições”.

O cenário mudou algumas voltas depois, quando o rádio liberou o ataque de Piastri, logo depois de um erro do australiano, que fez a diferença subir para 2s7. Não dá para dizer o que aconteceria nas voltas finais se Oscar não tivesse escapado da pista no momento em que a chuva voltou. Mas, certamente, a briga teria sido forte e, de novo, cobraria um ação da McLaren. Só que, ao hesitar em um momento menos dramático da prova, a esquadra britânica flerta com um problema que não precisa e que tem potencial para se tornar mais fatal do que a própria disputa com Verstappen, eventualmente.

Portanto, a gestão dos pilotos também precisa de atenção, qualquer que seja a posição da McLaren. Porque uma coisa é certa: o time laranja vai ditar o ritmo na Fórmula 1 2025.

Fórmula 1 retorna já no próximo fim de semana, entre os dias 21 e 23 de março, direto de Xangai, com o GP da China.

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