Começando mal, com uma escolha quase aleatória da “imagem da corrida”, acima. Claro que não foi essa. A melhor foto era do Verstappen babando na gravata atrás de Hamilton nas últimas voltas, mas usei ontem. Então, porque estou com pressa, peguei qualquer uma. Começando mal, a nova temporada de “Sobre ontem…”. E apanhando das formatações […]
Publicado em 29/03/2021 às 14:17
Atualizado em
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Começando mal, com uma escolha quase aleatória da “imagem da corrida”, acima. Claro que não foi essa. A melhor foto era do Verstappen babando na gravata atrás de Hamilton nas últimas voltas, mas usei ontem. Então, porque estou com pressa, peguei qualquer uma.
Começando mal, a nova temporada de “Sobre ontem…”. E apanhando das formatações deste novo visual do blog. Então, se sair tudo meio estranho aí embaixo, não estranhem. O problema sou eu.
O NÚMERO DO BAHREIN
5.226
…voltas na liderança completou Hamilton ontem desde sua estreia na F-1, em 2007. É um novo recorde. Na parte final da prova ele superou as 5.111 lideradas por Michael Schumacher.
Lewis tem sido um demolidor de recordes, especialmente nos últimos dois anos, quando começou a alcançar Schumacher sem planos para parar. Sua vitória de ontem no Bahrein foi a 75ª pela Mercedes. E a quinta no circuito do deserto.
Como sempre, faltou dizer uma coisinha ou outra da prova. Vamos a elas, sem enrolar muito:
Alonso: sanduíche atrapalhou
Fernando Alonso (acima) abandonou a corrida com um problema nos freios. Depois de verificar o que tinha acontecido, a Alpine encontrou uma embalagem de sanduíche bloqueando um duto de freio traseiro. Jogar papel no chão é um horror. Lembrou uma corrida no Rio, não lembro qual, em que o povo emporcalhou a grande reta e teve piloto abandonando, também, com superaquecimento. Mas dos motores, porque as entradas dos radiadores ficaram cheias de saquinhos de cachorro-quente Geneal.
Um dos problemas da Red Bull ontem foi de falta de pneus duros. A equipe gastou quase tudo nos treinos, e ficou com apenas um jogo novo para Verstappen (abaixo) na corrida. Por isso ele teve de usar médios depois do primeiro pit stop. Pode ter sido fatal. O segundo stint do holandês foi prejudicado pelo desgaste precoce da borracha. Hamilton usou macios-duros-duros.
Verstappen: faltou pneu
Alonso e Mazepin, no visual, foram os únicos que abandonaram a corrida. Mas nas voltas finais outros dois carros foram retirados da corrida: Latifi, com problema no turbo, e Gasly, com o câmbio em pane. Mas como o pau estava comendo lá na frente, ninguém nem percebeu.
A determinação da torre de controle para que Verstappen devolvesse a posição a Hamilton causou muita polêmica depois da corrida. Por que vários pilotos passaram por fora dos limites da pista na curva 4 durante a prova e não aconteceu nada?
O diretor de prova, Michael Masi, explicou que todos estavam sabendo que não podiam passar por ali para ganhar “vantagem duradoura”. Durante os treinos, os tempos obtidos quando eles extrapolaram os limites da pista foram cancelados. Para a corrida, ficou combinado que se acontecesse de vez em quando, tudo bem. Desde que ninguém usasse o artifício para ganhar alguma vantagem. Fazendo uma ultrapassagem, por exemplo.
OK, foi exatamente o que aconteceu com Max. Mas à essa recomendação cabem interpretações. Se o cara passa todas as voltas por fora da zebra e ganha tempo em cada uma delas, também desfruta de uma “vantagem duradoura”. Ou não?
Por isso até mesmo Toto Wolff, chefe da Mercedes, beneficiária da decisão, reclamou. “As regras precisam ser claras, sagradas, e não escritas como uma novela de Shakespeare, que permitem muitas interpretações.
Concordo plenamente. Podia ser a frase da corrida. Mas escolhi outra:
A FRASE DE SAKHIR
“Acho que perdi alguns anos de vida nessa corrida. Foi uma das vitórias mais difíceis da minha carreira.“
LEWIS HAMILTON
A declaração foi dada pelo vencedor da prova a Mariana Becker, repórter da Band, no cercadinho da imprensa em entrevista exclusiva. E CONSEGUI COLOCAR UMA FOTO!
O “Gostamos & Não gostamos”, agora, neste novo formato bloguístico, vai com essa caixinha de cor para ganhar algum destaque. Espero que atenda às necessidades estéticas do rescaldão.
GOSTAMOS – De Sergio Pérez, claro, que saiu de último para quinto e fez as melhores ultrapassagens da corrida. Vai dar muitas alegrias à Red Bull. E, talvez, alguma dor de cabeça a Verstappen.
NÃO GOSTAMOS – Da Aston Martin, particularmente de Sebastian Vettel. O carro não andou (e esperava-se muito, depois do que fez no ano passado) e o piloto cansou de cometer erros. Estreia desastrosa. O pontinho de Stroll não salvou o fim de semana. Muito pouco, pela expectativa criada.
Agora, legal mesmo foi essa montagem que acabei de receber. A vida imitando a arte…
BAHREIN BY MASILI
E, para terminar, atualizando o post com a genial leitura do fim de semana feita por nosso amigo e cartunista oficial Marcelo Masili. Pensei em publicar em post separado, mas a tradição desta seção requer que fique por aqui, mesmo. Claro que o tema escolhido por ele foi a maratona televisiva promovida pela Bandeirantes na sua volta às transmissões da F-1. Genial, como sempre:
Flavio Gomes
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.