A primeira experiência dos pilotos da Fórmula 1 com o traçado de Madri não foi nada positiva, pelo contrário. Em um GP da Espanha decidido num safety-car virtual — que poderia ter sido evitado —, a principal reclamação foi quanto à inexistência de pontos de ultrapassagem no traçado urbano, transformando a corrida numa verdadeira procissão. Gabriel Bortoleto chegou a brincar sobre “quase dormir” durante a prova, enquanto Lando Norris detonou quem olhou e achou “perfeito”.

O fim de semana em Madri, na verdade, foi olhado com muita desconfiança depois das 19 bandeiras vermelhas causadas no teste feito pela F3 dias antes. A expectativa, portanto, passou a ser de um completo caos no domingo, mas o que se viu foi uma fila indiana típica de Mônaco.

A questão é que os pilotos entenderam nos treinos que, na prática, seria impossível ultrapassar sem correr o risco de acidentes, o que fez o GP da Espanha ser praticamente decidido na classificação. Nem mesmo o desgaste de pneus veio, tanto que praticamente todos fizeram apenas uma parada.

“Definitivamente, [a pista] não cria oportunidades de ultrapassagem e não te incentiva a tentar uma manobra, porque em 80% das vezes você pode acabar se tocando com outro carro”, disse o vencedor, Andrea Kimi Antonelli, durante a coletiva pós-corrida.

“Especialmente na segunda chicane, se tivesse feito a curva ali [na largada], eu e Lando [Norris] teríamos nos tocado e batido no muro, bloqueando a pista. Com certeza não teria sido nada bom. Então, acho que algumas curvas precisam ser alteradas para criar mais oportunidades de ultrapassagem, porque, no momento, é legal para uma volta rápida, mas, na corrida, você fica preso atrás de outro carro”, acrescentou.

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Lando Norris não economizou nas críticas ao traçado de Madri (Foto: McLaren)

Norris, que terminou a prova em terceiro, foi ainda mais duro: “Não sei como alguém olha para esse traçado e pensa: ‘Perfeito’. Deveriam acabar com as curvas 18 e 19. São inúteis. Bastava ter uma reta indo direto para um grampo.”

“Acho que há muito potencial. Como disse ontem [sábado], acho que podem transformá-lo em um circuito bom para corridas, e estarei animado para voltar aqui no ano que vem se fizerem essas mudanças, porque é uma pista muito divertida de pilotar e pode se tornar um ótimo circuito. Para mim, não é”, declarou.

“É ótimo para a classificação, mas uma reta da curva 17 direto para a 20, com uma entrada bem mais larga — como a curva 1 ou a curva 10 de Austin — e um grampo grande criaria oportunidades muito melhores para todo mundo e permitiria aproveitar a corrida. Então há algumas mudanças simples e talvez outras mais complexas, como nas curvas 5, 6 e 7. É difícil saber exatamente qual é a melhor solução. O fato de você ter de fazer curva e frear ao mesmo tempo basicamente anula o objetivo principal das corridas. Portanto, acho que eles podem fazer algumas mudanças simples — alterações fáceis — e talvez outras mais complicadas, mas espero que aconteçam, porque aí a pista pode ficar mais emocionante para todos”, completou o #1.

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Bortoleto disse que “quase dormiu” durante a prova (Foto: Audi)Agora, a Fórmula 1 faz uma pausa neste fim de semana e volta entre os dias 24 e 26 de setembro, com o GP do Azerbaijão, 15ª etapa da temporada.

Quem também detonou o traçado foi Oliver Bearman. Aos jornalistas, disse: “Basta olhar para o traçado; fica bem claro que seria uma pista ruim para corridas. Quer dizer, quando você chega e vê aquele traçado, pensa: ‘O que esperam que a gente faça?’. É uma pena”, lamentou.

“Não existem apenas muitas saídas de curva longas e combinadas, onde é muito difícil tracionar o carro, mas também há muitas entradas combinadas. É muito fácil pilotar de forma um tanto perigosa ao defender a posição e, consequentemente, muito difícil tentar uma ultrapassagem”, complementou Bearman.

Alexander Albon foi mais um a criticar o layout de Madri e revelou que o assunto foi levado à Federação Internacional de Automobilismo (FIA) ainda na sexta-feira, após os treinos livres.

“Dissemos isso à FIA na sexta-feira e precisamos encontrar uma maneira de tornar a pista um pouco mais interessante para nós. Pilotar nela é certamente interessante, mas, para a corrida, deixa muito a desejar. Espero que haja abertura para que sejam feitas alterações para o ano que vem. Quer dizer, se os carros da F3 não conseguem ultrapassar, então você sabe que não haverá ultrapassagens durante todo o fim de semana”, comparou.

Sobre as mudanças que podem ser feitas, Albon apontou para o trecho entre as curvas 3 e 5. “Toda essa área precisa ser refeita, precisam remover aquela chicane. É boa para o espetáculo, mas não é boa para a disputa de corrida. E acho que a inclinação da pista, por mais interessante que seja, não está funcionando muito bem na curva 13, que talvez precise ser mais lenta, com uma zona de frenagem maior”, apontou.

Bortoleto concordou com o tailandês ao dizer que ficou com dores por causa do forte solavanco que a passagem pela chicane causou.

“Só o solavanco na curva 5… fazer isso por 50 voltas causa bastante dor de cabeça no final da corrida. Não é algo muito confortável para o nosso corpo”, pontuou o brasileiro, que, ao ser informado que os jornalistas quase dormiram na sala de imprensa, não titubeou: “Eu também quase dormi!”

Agora, a Fórmula 1 faz uma pausa neste fim de semana e volta entre os dias 24 e 26 de setembro, com o GP do Azerbaijão, 15ª etapa da temporada.