SÃO PAULO (calma que já pega no tranco) – Três breves notícias deste comecinho de ano — a propósito, um ótimo 2026 a todos. A primeira, Max Verstappen teve de devolver o número 1 que usou de 2022 a 2025 na condição de campeão vigente. Lando Norris terá o direito de usá-lo em 2026 e […]
Publicado em 06/01/2026 às 16:06
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Max #3, Hass-Toyota, Zhou na Cadillac
SÃO PAULO (calma que já pega no tranco) – Três breves notícias deste comecinho de ano — a propósito, um ótimo 2026 a todos.
A primeira, Max Verstappen teve de devolver o número 1 que usou de 2022 a 2025 na condição de campeão vigente. Lando Norris terá o direito de usá-lo em 2026 e já avisou que o fará. Todo campeão tem o direito de usar o #1 na temporada seguinte, mas não é obrigado a. Lewis Hamilton, por exemplo, ficou com seu #44 o tempo todo desde que foi introduzido o sistema de numeração fixa na F-1, em 2014. Em 2009, no entanto, ele correu com o #1 por ter sido campeão em 2008.
Max vai usar o número 3 neste ano. Este número era de Daniel Ricciardo, mas quando o piloto deixa a categoria por qualquer razão, ele pode ser usado por outro depois de dois anos. Ricciardo se despediu no GP de Singapura de 2024 e já anunciou a aposentadoria das pistas. O #3 era a preferência de Verstappen desde sempre. Mas quando chegou à F-1 em 2015, moleque ainda, menor de idade, o australiano era titular da Red Bull com esse número. Ele, então, escolheu o #33 para correr. Estão disponíveis para aquisição os números entre 2 e 99. Não há mercado negro evolvendo o produto, que se saiba.
(Pergunta do blogueirinho: e você, se fosse piloto de F-1, qual número escolheria? Coloque aí nos comentários, quero saber sua opinião! Mentira, claro, não quero saber nada, mas se quiserem colocar seu número de preferência, à vontade. Eu corro ou de #96, como atualmente, ou de #69.)
A segunda notícia é a nova nomenclatura que será usada pela Haas, que já tem dois anos opera numa parceria técnica com a Toyota. O nome oficial do time, agora, será TGR Haas F1 Team. TGR é a sigla para Toyota Gazoo Racing, a divisão de competição da montadora japonesa. Há muita curiosidade sobre o nome Gazoo, e aqui tem uma boa explicação sobre a origem do termo. Se estiverem com preguiça de ler inglês, resumo. Nos anos 90, os engenheiros da Toyota tinham um site interno em que compartilhavam fotos de carros de corrida e superesportivos. A palavra “gazo” em japonês quer dizer “foto” ou “imagem”. Por causa da paixão dos engenheiros por performance e velocidade, o termo “gazo”, internamente, ficou associado ao mundo das corridas. E rapidamente evoluiu para “gazoo”, uma pronúncia meio inglesa da palavra original: lê-se “gazú”. E foi como Gazoo que uma equipe extra-oficial da Toyota correu as 24 Horas de Nürburgring em 2007, comandada pelo bisneto do “seu” Toyoda, fundador da marca. Ele pilotava, também. Em 2015 a Toyota incorporou o Gazoo de vez para nomear seu departamento de competições.
A Toyota teve equipe própria na F-1 entre 2002 e 2009. Gastou muito — na época falava-se de um orçamento anual na casa dos US$ 450 milhões — e conseguiu pouco, embora nunca tenha sido um time risível. Foram 139 GPs com 13 pódios e três poles, mas nenhuma vitória. No fim de 2009, os japoneses tiraram o time de campo sem ter como justificar a gastança e num cenário de crise econômica mundial. Aos poucos, parece, está colocando seus pezinhos de novo na categoria. Não se espantem se em pouco tempo a Haas vender a operação toda para a montadora.
E a terceira, finalmente, diz respeito a Guanyu Zhou, que no ano passado virou piloto reserva da Ferrari, ganhou uniforme, boné e crachá, mas pouco trabalhou. Acaba de ser contratado como terceiro da Cadillac, e tem a ver com a Ferrari, também, já que motor e câmbio do carro do time estreante serão feitos em Maranello.
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.