SÃO PAULO(tá difícil…) – George Russell fez a pole-position para a Sprint do GP da Holanda hoje em Zandvoort. O inglês, que andava meio apagado no campeonato, conseguiu a posição de honra com apenas 0s041 de vantagem sobre Lando Norris, da McLaren. Charles Leclerc, da Ferrari, e Oscar Piastri, da McLaren, fecham as duas primeiras filas. A diferença de tempo de Russell, o pole, para Piastri, o quarto, foi de 0s099, menos de um décimo de segundo. O líder do Mundial, Kimi Antonelli, foi o quinto colocado. Gabriel Bortoleto, da Audi, larga em nono.
A sexta-feira foi nublada e fria em Zandvoort, com termômetros na casa dos 19°C. No treino livre único, tinha dado Antonelli: 1min12s949. A destacar, o bom papel da Audi – sétimo e nono com Nico Hülkenberg e Bortoleto –, as boas perspectivas do novo pacotão técnico da Aston Martin (Fernando Alonso ficou em 12º) e o equilíbrio no cronômetro entre Mercedes, Ferrari e McLaren.
Já na classificação para a Sprint, as esperanças dos aston-martinianos foram para o vinagre, com seus dois pilotos eliminados no SQ1. Ficaram pelo caminho, pela ordem: Oliver Bearman, Carlos Sainz, Lance Stroll, Valtteri Bottas, Sergio Pérez e Alonso. Leclerc, com 1min13s011, foi o mais rápido, seguido por Norris, Piastri, Lewis Hamilton e Russell nas cinco primeiras colocações. Antonelli teve problemas, perdeu a primeira volta rápida com um passeio na brita, mas acabou passando.
Os dois primeiros segmentos de classificação para as minicorridas são realizados com pneus médios para todos. No SQ2, Piastri, vencedor do GP da Holanda do ano passado, fez 1min12s026 e ficou em primeiro. Com ele avançaram Norris, Leclerc, Russell, Hamilton, Antonelli, Pierre Gasly, Max Verstappen, Arvid Lindblad e Bortoleto. O brasileiro fez jus ao bom desempenho da Audi e foi para a parte final entre os dez primeiros. Liam Lawson, Yuki Tsunoda, Franco Colapinto, Hülkenberg, Esteban Ocon e Alexander Albon foram os eliminados.
O grid da Sprint de amanhã, que terá 24 voltas
No SQ3, os carros só começaram a ir para a pista com quatro minutos para a bandeira quadriculada. Os pneus macios, obrigatórios, levariam os tempos bem para baixo. Norris puxou a fila. Seria uma volta rápida para cada. O atual campeão mundial virou 1min11s608 com o carro papaia. Antonelli não conseguiu batê-lo, mas Russell fez 1min11s567 e pulou para primeiro. E lá ficou. O inglês cravou a pole e é forte candidato à vitória na prova curta de amanhã, que começa às 7h e terá 24 voltas. Norris, Leclerc, Piastri, Antonelli, Verstappen, Hamilton, Gasly, Bortoleto e Lindblad fecharam o top-10.
E umas notinhas para fechar uma sexta-feira meio tumultuado pelas bandas de cá… Sorry pelo texto mais sem graça dos últimos tempos.
ATUALIZANDO 1 – Ontem, a Red Bull e Max Verstappen anunciaram que o piloto permanece na equipe até 2030. Fim de especulações. Seu contrato terminaria em 2028. A Mercedes desistiu porque já tem seu Verstappen, Antonelli. A McLaren nunca foi uma opção real. De mais importante, nas declarações pós-anúncio, foi a frase de Max: “Estive mais perto de me aposentar do que de mudar de equipe”. A permanência é um voto de confiança do holandês na categoria. Ele crê piamente que as regras de motor vão mudar. E logo.
ATUALIZANDO 2 – Isack Hadjar machucou o punho treinando box durante as férias e não corre na Holanda. Seu lugar na Red Bull será ocupado por Liam Lawson, que foi titular da equipe no ano passado por dois GPs, sendo depois rebaixado para a Cartão de Crédito Virtual. Para o lugar de Lawson na filial foi convocado Yuki Tsunoda, reserva do grupo de energéticos.
ATUALIZANDO 3 – A Williams, no começo da semana, renovou os contratos de Alexander Albon e Carlos Sainz, que continuam no time em 2027.
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.