A sprint do GP dos Países Baixos foi chata? Demais. Mas pelo menos a classificação entregou um resultado interessante para a corrida deste domingo (23). Isso porque Lando Norris voltou a ser uma pedra no sapato das rivais e se colocou como favorito na briga pela vitória, atestando que a McLaren de fato evoluiu com as atualizações que começaram a ser introduzidas lá na Hungria.

Logo atrás do atual campeão mundial, George Russell e Andrea Kimi Antonelli vão brigar com unhas e dentes por cada centímetro de pista. Em um fim de semana em que o britânico finalmente voltou a apresentar um ritmo superior ao do companheiro de Mercedes, o jovem italiano tem feito um ótimo trabalho em minimizar os danos na briga pelo título.

E a Ferrari, claro, decepcionou, mas também ligou o alerta das rivais ao apresentar um ritmo de corrida interessante na prova curta. Enquanto isso, mais atrás, Gabriel Bortoleto foi o ‘melhor do resto’ novamente e agora tem tudo para deixar Zandvoort com mais alguns pontos na conta.

Diante disso, o GRANDE PRÊMIO lista cinco pontos de sábado da Fórmula 1 nos Países Baixos.

McLaren faz a pole, mas precisa ter cuidado…

Depois de perder a pole-position da sprint para George Russell por míseros 0s041, Lando Norris decidiu dar o troco e garantiu a posição de honra para a corrida principal dos Países Baixos. O atual campeão mundial, inclusive, foi certeiro ao impedir que o compatriota lhe roubasse o primeiro lugar na fila durante os instantes derradeiros do Q3, quando todos se apressavam para abrir as respectivas voltas enquanto o alerta de chuva disparava no pit-lane. A briga era pelo ar limpo, algo essencial.

Como tudo correu dentro dos conformes, o britânico do time papaia se colocou no posto de favorito. Isso porque desde 2021, quando Zandvoort retornou ao calendário da Fórmula 1 após um longo hiato de 36 anos, todos que largaram da pole venceram. Mas há um ponto de atenção importante aqui: ritmo de corrida. Na prova curta desta sábado, o MCL40 apresentou um desgaste de pneus mais acentuado em comparação ao dos rivais, o que significa que a performance foi se deteriorando mais rapidamente a cada volta. “Espero que as mudanças que fizemos ajudem”, declarou Andrea Stella.

Só para não deixar Oscar Piastri esquecido, vale destacar que o australiano vacilou na hora mais importante. Após liderar o Q1 e acompanhar Norris de perto no Q2, anotou só o quarto tempo, 0s142 mais lento que o companheiro de equipe. Pelo menos terminou em posição favorável para ajudar a McLaren a incomodar a Mercedes na estratégia, o que deixa a disputa interessante ali na frente.

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Lando Norris conquistou a pole-position do GP dos Países Baixos (Foto: McLaren)

Primeira fila amarga

Em condições normais, o segundo lugar de George Russell no grid de largada do GP dos Países Baixos seria um ótimo resultado. Bem, ainda é, só que o problema está em Andrea Kimi Antonelli, que garantiu a terceira posição e mantém marcação cerrada em cima do companheiro de Mercedes. Ou seja, se não arrumar uma forma de ultrapassar Lando Norris no apertado traçado de Zandvoort, o #63 corre o risco de descontar somente 3 pontos em relação ao italiano na tabela de classificação.

Nesse caso, considerando também os 3 tentos tirados após a sprint, deixaria a pista neerlandesa com 53 de desvantagem. Ou seja, mesmo em um fim de semana em que finalmente tem conseguido superar o colega em ritmo puro, algo raro na temporada, não vai se aproximar tanto quanto desejava. Mas faz parte do jogo, a péssima primeira metade de ano iria cobrar um preço alto uma hora ou outra. E méritos também para o jovem de Bolonha, claro, que vai fazendo o que um candidato ao título deve fazer quando os rivais são superiores: minimizar os danos.

Para a Mercedes, de maneira geral, o resultado foi positivo. O fato de ter perdido a pole-position pela segunda vez consecutiva incomoda, mas ainda assim colocou os dois pilotos nas primeiras filas, com chances reais de brigar pela vitória ou, pelo menos, um pódio duplo. No entanto, precisa ligar o alerta, porque a McLaren vai se tornando a principal pedra no sapato dos prateados.

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George Russell apresentou um bom desempenho até aqui em Zandvoort (Foto: Mercedes)

Que decepção, Ferrari (de novo)

A Ferrari tinha totais condições de chegar ao domingo como a grande favorita na briga pela vitória no GP dos Países Baixos, mas a falta de desempenho em classificação jogou tudo por água abaixo. E nem era preciso conquistar a pole-position, bastava apenas não colocar os dois carros na terceira fila do grid, atrás das McLaren e das Mercedes. Isso porque o ritmo de corrida apresentado por Charles Leclerc ao longo dos 24 giros da sprint mostrou que os italiano possuem um potencial interessante.

Mesmo em uma pista que demanda muito dos pneus, o monegasco foi capaz de manter os macios funcionando até o fim, diferentemente do que muitos imaginavam, visto que os rivais optaram pelos médios. O #16 concluiu a prova curta com uma média de 1min15s961 em tempo de volta, melhor até mesmo do que George Russell, que registrou 1min16s028 competindo com ar limpo, sem tráfego ou qualquer turbulência. Outro indicativo de que era possível extrair mais da SF-26.

Enfim, com Lewis Hamilton em quinto e Leclerc, sexto, agora realmente complicou. Não basta ter um ótimo ritmo de corrida se o traçado apertado de Zandvoort dificulta as ultrapassagens. Por isso era importante começar mais à frente, pressionando desde o início. O que resta agora é tentar driblar os rivais com a estratégia ou rezar pela chuva, que não parece muito afim de aparecer amanhã.

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Ritmo de corrida da Ferrari é promissor nos Países Baixos (Foto: Ferrari)

Bortoleto com grandes chances de pontuar

Como Allan McNish, diretor de corridas da Audi, bem avaliou, Gabriel Bortoleto foi o “melhor do resto” neste sábado. Após uma sprint consistente, o brasileiro manteve o ótimo ritmo para avançar até a fase derradeira da classificação pela segunda vez no fim de semana — novamente na nona posição. Tudo agora depende da largada, um dos pontos de atenção da equipe nesta temporada, mas que não foi problema na prova curta. Se não despencar no grid, tem tudo para pontuar.

Até porque os principais rivais nessa disputa pelas duas últimas vagas no top-10 são mesmo Arvid Lindblad e Pierre Gasly, da Racing Bulls e Alpine, respectivamente. Os três pilotos apresentaram performances semelhantes na sprint, o que dificulta demais a vida de qualquer um deles na tentativa de ultrapassar o outro na travada pista de Zandvoort. Agora resta torcer.

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A briga de Gabriel Bortoleto no pelotão intermediário está interessante (Foto: Audi)

Só ter sprint não basta

A Fórmula 1 tem razão em querer ter mais sprints nas próximas temporadas, visto que traz mais ação para o fim de semana, aumenta o apelo do público, atrai mais patrocinadores e outras vantagens. No entanto, a prova curta em Zandvoort deixou uma mensagem clara: é preciso escolher muito bem onde adotar o formato. Até porque, as 24 voltas deste sábado foram terríveis, monótonas ao extremo, com a ultrapassagem de Charles Leclerc sobre Lando Norris sendo o único momento de alguma emoção — se realmente for possível usar esse termo.

E não dá nem para dizer que foi surpresa. Desde que a categoria anunciou que os Países Baixos receberiam uma sprint — pela primeira e última vez, pois estão dando adeus ao calendário — todos já sabiam o que esperar. Há algumas pistas em que isso simplesmente não faz nenhum sentido. A mesma coisa vai acontecer em Singapura, um circuito de rua travado, estreito e com poucas oportunidades naturais de ultrapassagem, mas que mesmo assim acabou escolhido para sediar a prova curta final de 2026, em outubro. Qual a razão? Difícil de entender.

Mesmo que houvesse expectativas de que os carros atuais, com aerodinâmica ativa, menor efeito do ar sujo e mais dependentes da gestão de energia, ajudassem nesse aspecto, nada justifica. Enfim, sejam seis, dez ou 12 sprints em 2027, a escolha dos locais precisa melhorar.

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Sprint dos Países Baixos foi bem monótona neste sábado (Foto: Ferrari)

GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do GP dos Países Baixos, 12ª etapa da temporada 2026, AO VIVO E EM TEMPO REALalém de classificações e corridas em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV. Além da cobertura completa, o GRANDE PRÊMIO está in loco com o repórter Leonid Kliuev.

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