SÃO PAULO (falta um) – Por enquanto, o cara dos testes no Bahrein, para mim, vem sendo Antonio Giovinazzi. Sexto ontem, quinto hoje, o italiano da Alfa Romeo está exultante. “Não queria sair do carro!”, vibrou ao final do dia, depois de 125 voltas completadas. Não vai dar em nada, mas não custa alimentar as […]
Publicado em 13/03/2021 às 16:25
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Giovinazzi: Alfa Romeo andando bem
SÃO PAULO(falta um) – Por enquanto, o cara dos testes no Bahrein, para mim, vem sendo Antonio Giovinazzi. Sexto ontem, quinto hoje, o italiano da Alfa Romeo está exultante. “Não queria sair do carro!”, vibrou ao final do dia, depois de 125 voltas completadas.
Não vai dar em nada, mas não custa alimentar as esperanças, né?
Hamilton na brita: começo estranho da Mercedes
OK, a Mercedes fechou o segundo dia da pré-temporada na frente, mas as coisas não andam assim uma maravilha para a equipe heptacampeã do mundo. Bottas foi o responsável pela P1 hoje, com 1min30s289 no final do treino, depois de completar 58 voltas. Ontem, mal andou, com problemas no câmbio.
Mas quem demonstrou alguma preocupação foi Lewis Hamilton, que rodou pela manhã e atolou na brita. “Teremos trabalho”, vaticinou depois de fazer apenas o 15º tempo entre os 16 que treinaram.
No fim, ganham o campeonato do mesmo jeito.
Vettel: problemas no câmbio e poucas voltas
Falemos de Vettel, agora. O alemão ficou com o último lugar na tabela de tempos, mas a exemplo de Bottas ontem ninguém deve achar que ele acabou para a vida. Seu Aston Martin teve problemas de câmbio e ele deu apenas dez voltas.
Stroll, por sua vez, ficou em terceiro. Com ele o carro andou direitinho e essa posição, claro, mostra potencial. Assim como o quarto lugar de Norris, com a McLaren. Curioso que nem ele nem Ricciardo falaram, nos comunicados oficiais, sobre os novos motores Mercedes. Nem bem nem mal. É como se eles não existissem.
Assoalho da Mercedes: lasanha?
Falando nela, a Mercedes, estão zoando o assoalho do novo carro, todo enrugado como se fosse de papel crepom. A própria equipe disse que estão chamando o fundo W12 de “lasanha”.
Quem estreou hoje foi Alonso, 128 voltas com a Alpine gorducha e décimo tempo. Assim como Pérez, fazendo o primeiro dia de testes com a Red Bull, o espanhol se preocupou foi em andar bastante. O mexicano também: 117 voltas, oitavo tempo e a constatação de que o carro “tem um grande potencial”.
Pérez: gostou do carro e andou muito
No andar de baixo, nenhum grande problema para Mick Schumacher, da Haas, nem para Nicholas Latifi, da Williams. Ambos completaram muitas voltas e não quebraram nada. O canadense fez o sétimo tempo e reforçou minha impressão de que a Williams não vai fazer um papel tão feio neste ano. Foram 132 voltas para ele. Bastante coisa. Mazepin também andou com a Haas, uma das equipes que dividiu o dia para seus dois pilotos. Posições da Haas: Mick em 12º, Nikita em 14º.
O destaque das pequenas, mesmo, acabou sendo Gasly em segundo. Foram 87 voltas completadas e um tempo apenas 0s124 pior que o de Bottas.
Mick Schumacher: 88 voltas com a Haas
E a Ferrari? Leclerc foi o sexto e Sainz, o 13º. Charlinho, que faz dupla com Carlinhos, deu uma longa entrevista e tratou de mandar a real para os torcedores do time de Maranello. “Não tem milagre na F-1. Vamos ficar no bloco intermediário neste ano, que é um ano de transição. Em 2022 teremos uma revolução no regulamento e aí vamos ver como serão as coisas”, disse.
Hoje às 19h estarei ao vivo no meu canal youtúbico para uma “live” sobre o segundo dia da pré-temporada. Basta entrar na página que na hora marcada eu apareço e saio falando. É a segunda edição do “Fórmula Gomes”, programa que inventei ontem e não sei se vai dar certo.
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.