Publicado em 24/10/2026 às 20:38
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Antonelli comemora: sétima pole na temporada
SÃO PAULO(vai dar) – Kimi Antonelli larga na pole para o GP dos EUA. O italiano não saía da primeira posição do grid desde a Bélgica, um breve jejum de sete corridas. É a sétima pole de sua carreira. Terá a seu lado na primeira fila Max Verstappen, da Red Bull. É um primeiro passo para, quem sabe, fechar a conta do Mundial na corrida de amanhã. Para ser campeão, Antonelli precisa vencer em Austin e torcer para que Lewis Hamilton chegue no máximo em quinto e George Russell, em nono.
Não é muito fácil. Kimi ganhar a prova americana não seria surpresa nenhuma, é verdade. Mas seus dois perseguidores precisariam ter um domingo infeliz, os dois ao mesmo tempo, para que o jovem piloto da Mercedes comemorasse o título em caso de vitória. Nas 17 etapas disputadas até agora, Russell só terminou duas vezes em posições abaixo do oitavo lugar nas corridas em que viu a bandeira quadriculada: foi 12º em Mônaco e nono em Singapura. Hamilton, por sua vez, chegou sete vezes abaixo do quarto lugar.
Seja como for, a conquista é uma questão de tempo. Se não for amanhã, será no México ou no Brasil. A vantagem de Antonelli na classificação é gigantesca. Ele tem 340 pontos, contra 238 de Russell e 229 de Hamilton. Nenhum dos dois vai conseguir tirar essa diferença.
O sábado foi ensolarado e quente em Austin, com temperaturas na casa dos 29°C. O Q1 foi a formalidade de sempre, com as eliminações previsíveis de Esteban Ocon, Lance Stroll, Carlos Sainz, Alexander Albon, Sergio Pérez e Valtteri Bottas. O mais rápido foi Lando Norris, da McLaren, com 1min35s029.
Leclerc: rápido nos treinos livres, decepção na classificação
No Q2, Verstappen mostrou suas garras na primeira volta rápida, com 1min34s471. Era a melhor do fim de semana. Mas no final do segmento Charles Leclerc, Antonelli e Russell superaram o holandês. O monegasco acabou em primeiro com 1min34s198. Foram eliminados Pierre Gasly, Nico Hülkenberg, Oliver Bearman, Gabriel Bortoleto, Franco Colapinto e Fernando Alonso. O brasileiro larga na última posição por ter trocado de motor. Colapinto, igualmente punido, será seu companheiro na última fila. Avançaram ao Q3 as duplas das quatro grandes e a da simpática Racing Bulls.
Antonelli abriu a fase final da classificação com uma volta excelente em 1min34s035. Verstappen foi quem chegou mais perto dele, a 0s179. A primeira bateria de voltas rápidas da Ferrari, que dominara os treinos livres, foi decepcionante: Leclerc em quarto, Hamilton em sexto. Russell, em quinto, também não causou suspiros de emoção em ninguém.
E a segunda leva de voltas voadoras foi um fiasco. Rajadas de vento atrapalharam e quase todo mundo errou. Só Hamilton melhorou um pouco, subindo para quinto. Antonelli fechou o Q3 com o tempo que tinha da primeira volta. Max também. Isack Hadjar, Leclerc, Hamilton, Russell, Oscar Piastri, Norris, Arvid Lindblad e Liam Lawson completaram o grupo dos dez primeiros. Lindblad, também punido, perde cinco posições e vai largar em 14º. O grid já com as punições está aí embaixo.
O grid do GP dos EUA: Bortoleto em último por troca de motor
Vencedor das últimas duas corridas, na Malásia e em Singapura, Verstappen será o desafiante de Antonelli nas 56 voltas da prova de amanhã. Mesmo largando em segundo, divide o favoritismo com o líder do campeonato. Não tem rigorosamente nada a perder e tentará um ataque logo nas primeiras voltas para fazer o que faz melhor: determinar o ritmo da corrida. É nesses dois que as atenções estarão concentradas no circuito texano. Russell já jogou a toalha. Hamilton, então, quer mais é que a temporada acabe logo – depois da vitória em Barcelona, em junho, só conseguiu mais dois pódios e a Ferrari empacou.
O fato é que a reta final deste campeonato está bem chatinha. Não há disputa nenhuma. O único que poderia incomodar Antonelli, Russell, vive um inferno astral que parece interminável. E Verstappen começou a vencer tarde, quando a vantagem do italiano na classificação já se tornara intransponível.
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.