SÃO PAULO (25,5°C, 51,9°C na pista) – O último treino livre para o GP de São Paulo terminou há pouco sem permitir grandes conclusões sobre qualquer coisa, porque aconteceu com sol, relativo calor (para quem é da cearense Santa Quitéria, por exemplo, “fresquinho”; para islandeses de Reykjavik, “insuportável”) e asfalto escaldante, condição climático-geológica que nunca […]
Publicado em 12/11/2022 às 14:13
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Ocon: primeiro no último treino livre
SÃO PAULO (25,5°C, 51,9°C na pista) – O último treino livre para o GP de São Paulo terminou há pouco sem permitir grandes conclusões sobre qualquer coisa, porque aconteceu com sol, relativo calor (para quem é da cearense Santa Quitéria, por exemplo, “fresquinho”; para islandeses de Reykjavik, “insuportável”) e asfalto escaldante, condição climático-geológica que nunca mais será vivida neste fim de semana com carros na pista. A Sprint começa às 16h30 e deve chover — se não chover, estará bem mais frio. Amanhã, a largada é às 15h e também há previsão de chuva.
Seja como for, os pilotos aproveitaram o tempinho agradável para andar bastante e matar a saudade de um piso seco e aderente, e foram voltas e mais voltas, um total de 677 completadas pelos 20 pilotos escalados para a lida, entre eles o novato Logan Sargeant. O americano treinou pela Williams no lugar de Alexander Albon, para somar mais quilometragem e ganhar mais um pontinho que lhe garanta a superlicença para 2024 — ele já foi confirmado como titular, mas precisa formalizar a vaga, ainda; em Abu Dhabi, no encerramento da F-2, deverá conseguir sem muita dificuldade.
Para se ter uma ideia de como estava gostoso percorrer os 4.309 m de Interlagos debaixo de sol e sem ter de acender o farol e passar flanela na viseira embaçada, três pilotos completaram mais de 40 voltas na preparação para a Sprint e para a corrida de amanhã. Foram eles Vettel (44), Stroll (43) e Schumacher (40). Quem andou menos foi Lando Norris, 25 voltas.
Schumacher, 40 voltas: Haas vive seu dia de Cinderela
O alemão da Haas conseguiu um bom oitavo lugar na sessão, que foi liderada pelo francês Esteban Ocon, da Alpine. Seu tempo, 1min14s604, ficou bem distante da melhor marca de ontem, na casa de 1min10s enquanto a pista estava seca. A enorme diferença se explica pelo peso dos carros. Todo mundo andou com bastante gasolina no tanque, porque é assim que se larga para uma corrida, seja ela de 24 voltas, como a Sprint, ou de 71, como o GP de verdade.
Sergio Pérez foi o segundo, seguido por Russell, Alonso, Verstappen, Hamilton e Gasly nas sete primeiras posições. Por que sete? Porque já falei de Schumacher, em oitavo. Não iria repetir. Na estrutura do texto, ficaria ruim falar a mesma coisa em dois parágrafos seguidos.
Magnussen, que larga na pole às 16h30 para a prova curta de meia hora, ficou em nono. O piloto dinamarquês pretende aproveitar seus 15 minutos de fama até o fim, já que na hora do vamos ver ninguém acredita que será capaz de sustentar uma liderança na Sprint por mais de duas ou três voltas. As apostas mais frequentes, inclusive, são de que Verstappen conseguirá ultrapassá-lo ao final da primeira volta, na freada para o S do Senna.
Sargeant na Williams……o favorito Verstappen……torcida da Mercedes……e Ocon feliz com a Alpine
Max é muito favorito às duas vitórias em Interlagos, hoje e amanhã, por motivos óbvios. Dificilmente encontrará resistência das equipes que mais se aproximam da Red Bull, Ferrari e Mercedes, porque uma, a italiana, parece já estar de férias, e outra, a alemã, ainda bate cabeça com um carro complicado. O resto não conta muito.
A Alpine, dirá alguém, tem dado alguma pinta de que pode se apresentar com dignidade, mas nada que remotamente preocupe os rubro-taurinos. Em condições normais, serão dois passeios do holandês. Mas como em Interlagos as condições nunca são normais, é melhor esperar e torcer para que tudo seja divino e maravilhoso.
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.