SÃO PAULO (dia de Ferrari) – Uma escolha inexplicável de pneus tirou de Max Verstappen o que poderia ser uma vitória fácil da Red Bull na Sprint de Interlagos neste sábado. O holandês largou com compostos médios, contra macios de quase todos os demais no grid – Latifi foi o outro que não usou os […]
Publicado em 12/11/2022 às 17:22
Atualizado em
6 min de leitura
Compartilhar
Russell, vencedor da Sprint: erro da Red Bull deu uma mão
SÃO PAULO(dia de Ferrari) – Uma escolha inexplicável de pneus tirou de Max Verstappen o que poderia ser uma vitória fácil da Red Bull na Sprint de Interlagos neste sábado. O holandês largou com compostos médios, contra macios de quase todos os demais no grid – Latifi foi o outro que não usou os macios. A vitória acabou ficando com George Russell, da Mercedes. Carlos Sainz foi o segundo e Lewis Hamilton, o terceiro. Max terminou apenas em quarto. Magnussen, o pole, ficou em oitavo.
A provinha começou com céu azul, sol e algumas nuvens camaradas sobre Interlagos, 22°C, temperatura agradável para a prática do esporte automobilístico. Nas arquibancadas, muita gente. O GP de São Paulo, nunca é demais lembrar, pretende chegar a um público total de 230 mil pessoas nos três dias do evento.
A opção de Verstappen e Latifi pelos pneus médios para a corrida de 24 voltas foi uma surpresa, ao menos no caso do holandês; o canadense poderia largar de radiais 145/70/13 que não faria muita diferença. “Se perde, é uma besta. Se ganha, é bestial”, decretaria Otto Glória (Google, crianças) se chamado fosse a analisar brevemente a competição.
Largada boa de K-Mag……que manteve a ponta……liderou duas voltas……e terminou em oitavo
Magnussen largou lindamente, e seus pneus macios permitiram que abrisse um pouco de Verstappen na primeira volta, pelo menos. A torcida, acreditem, gritava: “É! Ma-guinússen!”. Max sofreu por alguns metros para se defender de Russell no início, mas na terceira volta fez a ultrapassagem sobre o dinamarquês no S do Senna e conseguiu respirar um pouco. Depois vieram Russell e Sainz para acabar com a alegria do piloto da Haas.
O primeiro esfrega-esfrega da corrida aconteceu na primeira volta entre Alonso e Ocon no Lago. Logo depois, o espanhol tocou no carro de seu companheiro de equipe. “Perdi a asa dianteira graças ao nosso amigo”, falou, pelo rádio. Na sequência, narrou o lance: “Ele me prensou e jogou no muro, belo trabalho”. Estava puto dentro do macacão. Foi para os boxes e voltou à corrida. Terminou em 15º. O carro de Ocon pegou fogo no Parque Fechado. No próximo post, um resumo da treta, já que os dois foram chamados à torre de controle.
La no fundo, o carro de Ocon pegando fogo: treta na Alpine
Na sexta volta, Magnussen já havia sido ultrapassado por Hamilton, também, e ocupava a quinta colocação. Verstappen seguia na liderança, perseguido de perto por Russell. Só na nona volta o bicampeão conseguiu abrir mais de 1s sobre o britânico da Mercedes, se livrando da ação da asa móvel do adversário. Mas foi por pouco tempo. Jorginho foi à luta e não desistiu. Na 12ª volta, atacou na Reta Oposta, mas Max se defendeu com absoluta precisão, por dentro.
Na 13ª, Russell tentou a mesma manobra, mas Verstappen, espertíssimo, como se tivesse nascido em Interlagos, fazia um traçado de defesa de almanaque. A disputa era belíssima. Na 15ª volta, finalmente, o Mercedão #63 foi para cima e antes da freada do Lago conseguiu a ultrapassagem.
Briga de Max e George……durou três voltas……e acabou com o inglês……superando o bicampeão para vencer a Sprint
Não deu para entender, mesmo, a escolha dos pneus médios por Verstappen. A equipe até tentou explicar. A ideia era guardar dois jogos de macios para a corrida de amanhã. OK. Mas o piloto foi mais sincero e direto: “Com qualquer pneu hoje não tínhamos ritmo. Amanhã não vai dar para ser pior que isso, não. Precisamos saber o que aconteceu, simplesmente estávamos lentos”.
Seu ritmo era, de fato, visivelmente pior que o de todo mundo – menos Latifi, claro. Russell começou a abrir na liderança e a briga seguinte se deslocou para logo atrás deles, entre Sainz, o terceiro, e Hamilton, o quarto. Com ambos se aproximando do #1 perigosamente.
E não teve jeito. Na volta 19, Sainz mergulhou por dentro no S do Senna e passou Verstappen. Eles se tocaram. Uma aleta da asa dianteira da Red Bull voou pelos ares. Na volta seguinte, Hamilton fez a mesma coisa e também deixou Max para trás. Favoritaço à vitória, o bicampeão caiu para quarto de forma inapelável. E lá ficou.
O resultado da prova curta: grid de amanhã é esse aí
Daí em diante, as coisas se acomodaram. Como diriam os locutores de rádio no apito final de um clássico no Pacaembu, não havia tempo para mais nada. Russell ganhou com 3s9 de vantagem sobre Sainz, o segundo, e Hamilton fechou o pódio que não há – nas Sprints só são entregues umas medalhinhas fajutas para os três primeiros. Verstappen, Pérez, Leclerc, Norris e Magnussen completaram a lista dos oito que pontuam em provas curtas. K-Mag, o pole, pelo menos salvou um pontinho.
O resultado da corrida forma o grid do GP, amanhã. Assim, Russell larga na pole efetivamente, com Hamilton ao seu lado na primeira fila, porque Sainz trocou o motor e perderá cinco posições – parte em sétimo. Verstappen e Pérez estarão na segunda fila. A corrida começa às 15h e terá 71 voltas.
Hamilton ainda pode perder a posição. Ele, Zhou e Ricciardo estão sendo investigados por por alguma irregularidade no procedimento de largada. Portanto, este texto pode ter de ser atualizado daqui a pouco.
Hamilton abraça Russell: Mercedes com boas chances amanhã
Com dois carros na primeira fila, a Mercedes tem sua maior chance no ano de vencer uma corrida nesta temporada. A Ferrari está mais para trás, a Red Bull se diz confusa com o acerto e o desempenho de seus carros e Russell e Hamilton estão sedentos por vitórias. Um, porque nunca venceu. Outro, porque desde a estreia na F-1, em 2007, não deixou jamais de ganhar ao menos um GP por ano.
A chance de chuva para amanhã, segundo os serviços meteorológicos, diminuiu um pouco. No meu celular, a informação é de que há 40% de possibilidades. Sei lá. Hoje não caiu uma gota. Mas é São Paulo, é Interlagos, e tudo pode acontecer. Até agora, em dois dias, já tivemos uma pole de Magnussen e uma vitória de Russell. Se no final da tarde, amanhã, eu estiver escrevendo sobre um pódio com Zhou, Latifi e Tsunoda, ninguém deve se espantar demais.
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.