SÃO PAULO (24°C lá fora, 49° no asfalto) – Findo o primeiro treino livre, Sergio Pérez, o Checo, fez o melhor tempo dos últimos tempos em Interlagos. Minhas referências são distintas daquelas que vocês mortais, que só veem F-1 na frente e ignoram todo o resto que se passa no mundo, possuem. Correrão aos seus […]
Publicado em 11/11/2022 às 14:16
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Pérez, mais rápido no treino livre: Red Bull forte, como sempre
SÃO PAULO (24°C lá fora, 49° no asfalto) – Findo o primeiro treino livre, Sergio Pérez, o Checo, fez o melhor tempo dos últimos tempos em Interlagos. Minhas referências são distintas daquelas que vocês mortais, que só veem F-1 na frente e ignoram todo o resto que se passa no mundo, possuem. Correrão aos seus cartapácios amarelados para contestar o escriba, bradando: “Hamilton fez 1min09s050 no primeiro treino livre no ano passado! E fez o melhor tempo do Q3 com 1min07s934! Com qual autoridade vindes vós, do alto de vossa prepotência e arrogância, afirmar que este 1min11s853 do chauffeur mexicano se coloca entre, como chamais, de ‘melhor tempo dos últimos tempos’?”.
Porque os últimos tempos incluem todas as corridas que aconteceram em Interlagos desde o GP da afamada Fórmula 1 de 2021, e entre elas incluo aquelas das quais participei, e na minha categoria quem vira 2min05s já faz muito, e eu conseguiu um 2min12s no começo do ano que considerei muito bom, não me colocaria em posição confortável entre esses veículos que cá estão neste fim de semana, mas foi muito bom mesmo assim.
Portanto, este um onze oito cinco três do, como vocês dizem, chauffeur mexicano me pareceu excelente, o melhor tempo dos últimos tempos. Dele se aproximaram dois outros pilotos quase tão velozes quanto, Chaleclé, que dirige automóvel vermelho fosco, e Max Emilian Verstappen, que por sua vez conduz viatura preta fosca. Um ficou a 0s004 de Pérez. O outro, a 0s008. Em quarto, o madrilenho Carlos Sainz, que aconteça o que acontecer mais tarde perderá cinco posições no grid porque sua equipe, a mesma de Chaleclé, andou trocando o motor de seu carro.
Russell, sexto: Mercedes discreta
Hamilton, Russell, Vettel, Schumacher, Bottas e Gasly completaram a sempre mencionada relação dos dez primeiros, porque quem veio depois disso já nem importa tanto. Talvez valha uma menção a Ricciardo, o último colocado a 1s506 do líder da tabela. E talvez valha dizer que do primeiro ao 14º, o riquinho Stroll, a diferença foi inferior a um segundo — 0s906, em nome da precisão.
Oh, que equilíbrio maravilhoso, que coisa espetacular, deve ter gritado alguém! Não se iludam. Interlagos é uma pista curtinha, de 4.309 metros, e os tempos sempre são muito próximos, mesmo. Não teve equilíbrio algum, é Red Bull x Ferrari, e não haverá surpresas.
Os tempos do primeiro treino: tudo aí
Novamente recorrerei ao formato “no sentido horário” para legendar as fotos acima: Leclerc, Magnussen, Drugovich, Alonso e Schumacher estão acima. Vocês verão muitas fotos como essa de Alonso, com as bandeiras ao fundo desfocadas, como se estivéssemos diante da sede das Nações Unidas em Nova York. Esse ângulo é, de fato, muito fotogênico.
Mas, de novo, não se iludam. Fotógrafos são espertos. Isso aí é a subida da entrada dos boxes, os caras vêm devagar, é mais fácil fazer o foco e fica bonito. Todo mundo faz igual.
O tempo fechou em Interlagos. São 14h15 agora, esfriou, há nuvens escuras e acho que vai chover. A definição do grid acontece às 16h. Forma-se a grelha para a minicorrida de amanhã, a Sprint, programada para as 16h30. Do resultado desta extrai-se o grid do GP, domingo.
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.