SÃO PAULO (acabou a paciência!) – A torcida da Ferrari está de saco cheio. A equipe gasta os tubos, contrata um piloto como Lewis Hamilton, promete mundos e fundos e… E não acontece nada. O primeiro GP europeu da temporada acontece em Ímola, na Itália. Pertinho da fábrica de Maranello. O povo se veste de […]
Publicado em 16/05/2025 às 15:42
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Piastri na frente: só dá McLaren
SÃO PAULO (acabou a paciência!) – A torcida da Ferrari está de saco cheio. A equipe gasta os tubos, contrata um piloto como Lewis Hamilton, promete mundos e fundos e… E não acontece nada. O primeiro GP europeu da temporada acontece em Ímola, na Itália. Pertinho da fábrica de Maranello. O povo se veste de vermelho, compra bonés e bandeiras, enche o autódromo e… E não acontece nada. Já estou vendo o dia em que as organizadas ferraristas picharão os muros de Maranello: “Acabou a paz!”
Enquanto isso não acontece, a McLaren nada de braçada. Hoje, ficou em primeiro e segundo nos dois treinos livres para o GP da Emilia-Romagna, ex-San Marino. Oscar Piastri foi o mais rápido em ambos. O perturbado das ideias Lando Norris ficou em segundo. Já está entrando em parafuso.
Abaixo, os tempos das duas sessões. Volto em seguida.
Notaram alguma coisa no quadro da esquerda?
Notem que na primeira sessão (com sol, céu azul, 18°C) a diferença entre os dois foi de apenas 0s032. Na segunda, 0s025. Na primeira, Carlos Sainz, George Russell e Lewis Hamilton também ficaram perto do australiano, menos de um décimo de segundo. Franz Hermann já ficou um pouco mais distante, a 0s360.
Quem?
A F-1 faz seus gracejos. Na semana passada, Max Verstappen foi experimentar a pista antiga de Nürburgring numa Ferrari de GT3. Ele já disse que quando parar com a F-1 quer fazer umas corridas de longa duração. Quem sabe as 24 Horas no Nordschleife. Aí inventou um nome de piloto para colocar o nome no carro: Franz Hermann. Um nome tipicamente alemão. Fazendo graça, todo mundo sabia que era ele. Vejam o carro:
Franz Hermann em Nürburgring: recorde da pista
Não tem nem como disfarçar, claro. Dizem que ele bateu o recorde da pista. Baixou dois segundos a marca anterior com carros do mesmo tipo. Que ninguém duvide. Aí, hoje, na tabela de tempos do primeiro treino livre postada nos perfis da F-1, em vez de Verstappen apareceu o nome de… Hermann!
Bom, todos já rimos da piadinha, agora falemos sério: a Red Bull e Verstappen estão em maus lençóis, mesmo. O campeonato está apenas na sétima etapa e as chances de o time austríaco voltar a fazer frente aos carros papaia residem numa reviravolta técnica improvável. Max tira leite de pedra, mas não todo dia. E a temporada é longa.
No segundo treino livre (sol, 20°C), Piastri e Norris ficaram separados por meros 0s025. Desta vez, o terceiro colocado, o surpreendente Pierre Gasly, da Briatore Racing, ficou a 0s276 de Oscar. E ainda atropelou uma lebre. Ferrari? Sexto com Charles Leclerc e 11º com Hamilton. Ambos reclamando dos freios. Registrado.
Red Bull, McLaren e Mercedes: domínio papaia
Notícias do dia, agora, na base de caixinhas:
BATIDAS & RODADAS – Dois incidentes interromperam os treinos com bandeiras vermelhas hoje. Na primeira sessão, faltando menos de três minutos para o final, Gabriel Bortoleto bateu na Rivazza. Nada muito sério, só quebrou a asa dianteira. Estava numa boa nona posição, no momento. Foi seu melhor treino livre até agora na F-1. Andou normalmente na segunda sessão, que foi interrompida a seis minutos do fim quando Isack Hadjar atolou na área de escape da Tamburello.
Bortoleto bate, Hadjar roda: incidentes do dia
400 & 600 – Duas equipes comemoram marcas importantes e redondas em Ímola. A Red Bull chega a 400 GPs desde a estreia, em 2005. Teve bolo na garagem. Já a Sauber, cujo nome desaparece da face da Terra no ano que vem, chega a 600 largadas. Sua primeira temporada na categoria foi a de 1993. Esses números incluem suas participações como BMW e Alfa Romeo — o time emprestou sua estrutura para as duas marcas ao longo dos anos, tipo barriga de aluguel.
Sauber e Red Bull: juntas, mil corridas
Para terminar, um passeio pelo paddock da primeira prova europeia da temporada. É quando as equipes mostram seus motorhomes, que ainda levam este nome, mas há muito deixaram de ser casas sobre rodas. Antigamente eram caminhões ou ônibus com um puxadinho para colocar mesas, cadeiras e umas comidinhas. Hoje são verdadeiros edifícios para receber convidados, patrocinadores, jornalistas, bicões e outros anexos.
É bom para comer de graça. Abaixo, uma pequena galeria de algumas dessas estruturas que são usadas apenas nas corridas da Europa, porque são transportadas — aí sim — sobre rodas.
McLarenRed BullAston MartinFerrariHaas
Flavio Gomes
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.