Stefano Domenicali afastou qualquer receio de que o GP da Espanha em Madri, programado para este fim de semana, tenha o mesmo destino da etapa em Valência, que se despediu do calendário no início da década passada. Além de destacar a diferença entre os modelos econômicos adotados em ambos os casos, o CEO da Fórmula 1 também falou sobre como o país se abriu muito mais para o esporte desde então.
Casa do GP da Europa entre 2008 e 2012, Valência tinha contrato para receber os carros mais famosos do mundo até 2014, mas foi incapaz de cumprir o acordo devido a uma combinação de problemas financeiros e falta de sustentabilidade do projeto. Inicialmente nas mãos de uma promotora totalmente privada, a Valmor Sports, a segunda edição do evento passou a ter a taxa paga pelo Governo Regional Valenciano através de outras entidades, tornando o investimento efetivamente público.
E seguiu assim até que o Governo Regional adquiriu a Valmor em 2012, assumindo também os milhões em dívidas e obrigações, enquanto as receitas geradas por receber a F1 eram insuficientes para cobrir os custos. Não tinha para onde fugir: em acordo mútuo com a categoria, os organizadores então romperam o contrato sem ter de pagar qualquer multa, ausentando-se das temporadas 2013 e 2014.
Devido a esse histórico recente complicado, existia uma certa preocupação a respeito do financiamento do GP da Espanha em Madri. No entanto, foi anunciado desde o início que a responsabilidade ficaria nas mãos de um promotor privado, sem qualquer custo aos cofres públicos para a organização. A intenção era justamente diferenciar o modelo adotado com o que foi feito em Valência.
No entanto, é incorreto afirmar que o projeto seja totalmente privado, uma vez que a IFEMA (principal centro de feiras, congressos e grandes eventos de Madri e um dos mais importantes da Europa) é uma entidade pública com participação mista. A diferença, porém, como os próprios organizadores e Domenicali explicaram, é que isso não significa que o governo terá de fazer uma contribuição financeira significativa para financiar a corrida.
“Para ser sincero, antes de tudo, é um investimento privado e não há um grande investimento público. Tudo está relacionado à forma como a IFEMA decidir financiar o projeto. Estamos esperando um impacto econômico de entre € 400 e € 450 milhões (entre R$ 2,38 e 2,67 bilhões, na cotação mais recente), com cerca de 6.000 empregos criados para este negócio”, começou o CEO da F1 em conversa com o site espanhol SoyMotor.

“Acho que a situação do promotor de Valência era diferente, e o objetivo de evitar o que aconteceu em Valência está presente. O teste será ver como isso vai impactar a sociedade e a economia a cada ano. Acreditamos que era nossa responsabilidade garantir, antes de tomar uma decisão, o que isso significaria para a comunidade e para a sociedade de Madri, para que pudessem se manter forte durante todo o processo”, acrescentou.
O acordo entre o Mundial e o GP da Espanha foi de dez anos, com a expectativa de que pilotos e equipes visitem Madri até, pelo menos, 2035. “Esse período de tempo foi um fator importante para que recuperassem os grandes investimentos, para recuperar o que tiveram de investir”, explicou. “Sou otimista, acho que Madri será diferente de Valência, mesmo que eu ame aquela cidade, acredito que as bases são diferentes”, completou.
Por fim, Domenicali saiu da área econômica e focou principalmente na relação do público com o esporte. Se em 2008, quando os títulos de Fernando Alonso ainda estavam frescos na memória e, por isso, serviam de atrativos para os espanhóis, o dirigente destacou que agora existe uma base verdadeiramente sólida da F1 dentro do país, o que facilita muitas coisas.
“Os torcedores espanhóis são muito apaixonados, amam as corridas. Nós os sentimos muito próximos. Eles têm o nosso esporte como uma tradição. É importante ter heróis que possam fazer com que novos torcedores se aproximem de nós, não há dúvida. Mas acho que a base da F1 é muito sólida na Espanha. O fato de Barcelona alternar no calendário e querer voltar a ser uma sede permanente é um grande sinal. Isso ajudará a manter a paixão tradicional pelo nosso esporte de maneira muito forte”, encerrou.

A F1 retorna neste fim de semana, entre os dias 11 e 13 de setembro, com o GP da Espanha na nova pista urbana de Madri. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades da 14ª etapa da temporada 2026, AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.
GP da Espanha de F1: veja os horários no Brasil, Portugal, Angola, Moçambique e Cabo Verde
Horários no Brasil*
- Treino livre 1: 08:30
- Treino livre 2: 12:00
- Treino livre 3: 07:30
- Classificação: 11:00
- Corrida: 10:00
Horários em Portugal e Angola
- Treino livre 1: 12:30
- Treino livre 2: 16:00
- Treino livre 3: 11:30
- Classificação: 15:00
- Corrida: 14:00
Horários em Cabo Verde
- Treino livre 1: 10:30
- Treino livre 2: 14:00
- Treino livre 3: 09:30
- Classificação: 13:00
- Corrida: 12:00
Horários em Moçambique
- Treino livre 1: 13:30
- Treino livre 2: 17:00
- Treino livre 3: 12:30
- Classificação: 16:00
- Corrida: 15:00
*Horários de Brasília.