
SÃO PAULO (bonito de ver!) – Depois de três anos e três meses, a F-1 fez o L de novo. Lewis Hamilton voltou a conquistar uma pole-position na F-1. O inglês da Ferrari larga na frente amanhã no GP do México, corrida que deve consagrar Kimi Antonelli como campeão de 2026, o mais jovem de todos os tempos com 20 anos. O italiano da Mercedes está em quarto no grid e precisa apenas de um nono lugar para conquistar o título. Também será campeão mesmo se não pontuar, desde que o vencedor da prova não seja nem Hamilton nem George Russell, seu companheiro na equipe alemã. Russell divide a primeira fila com Lewis.
Foi a primeira pole de Hamilton com a Ferrari. A última, em julho de 2023, tinha sido anotada com a Mercedes na Hungria. Lewis tem 105 poles na carreira e lidera esse ranking com enorme folga. O segundo colocado, Michael Schumacher, fez 68. A equipe italiana, por sua vez, não fazia uma pole desde o GP da Hungria do ano passado com Charles Leclerc.
O curioso na classificação de hoje no México foi ver a Ferrari conseguir a pole não com o piloto que vinha sendo o mais rápido no fim de semana, Leclerc. Era no monegasco que o time apostava suas fichas depois do domínio que ele mostrou ontem nas duas sessões de treinos livres. Mas Lewis esteve sempre por perto. E, quando estava valendo, mostrou a velha forma de maior “poleman” da história. Reis não perdem a majestade, é o que reza o ditado.
O Q1 foi interrompido logo no início quando Fernando Alonso, depois da primeira volta rápida, teve algum piripaque no carro e a Aston Martin mandou que parasse onde estava. Ele questionou a equipe, porque estava perto da entrada dos boxes. O engenheiro foi irredutível: para e desliga essa merda! O espanhol estacionou numa área de escape e ficou pistola da cara.
Gabriel Bortoleto foi um dos primeiros a sair dos boxes, porque mal tinha treinado até então. Ontem, foram só 15 minutos de pista e dez voltas. Hoje, no terceiro treino livre, não fechou uma volta cronometrada sequer. Novo problema no motor levou a equipe a trocar tudo para a classificação. O brasileiro fez uma volta razoável logo de cara e ficou torcendo para a turma da rabeira não surpreender – Cadillac, Aston Martin e Williams, além do estreante Ryo Hirakawa, de quem não se podia exigir muito (leia mais abaixo sobre a presença do japonês na Haas). Se isso acontecesse, pelo menos passaria ao Q2. Mas na segunda volta rápida, Bortoleto foi lá para cima e terminou o primeiro segmento da classificação em sexto, com “sanguenozóio”, como se diz.
A Ferrari começou bem com Hamilton e Leclerc ponteando a tabela com os melhores tempos do fim de semana até então. O inglês acabou fechando o Q1 em primeiro com 1min17s341. Isack Hadjar superou o monegasco no fim e ficou em segundo. Os eliminados foram Alexander Albon, Alonso, Hirakawa, Lance Stroll, Sergio Pérez e Valtteri Bottas.
Charlinho abriu o Q2 com estilo. Foi o primeiro a baixar de 1min17s, com 1min16s944. Mas logo Verstappen fez o mesmo, saiu dos 17 e bateu o cronômetro em 1min16s876, 0s068 mais rápido que o piloto da Ferrari. E no final Lando Norris, com 1min16s728, ficou com a primeira colocação, uma surpresa – embora tenha sido o mais rápido no terceiro treino livre, o atual campeão do mundo não estava entre os favoritos à pole. Os cortados foram Nico Hülkenberg, Franco Colapinto, Oscar Piastri – uma enorme decepção, deixando a McLaren fora de um Q3 pela primeira vez depois de 43 GPs –, Bortoleto, Oliver Bearman e Carlos Sainz.

Leclerc não se deixou abater por ter sido superado no Q2. Abriu o Q3 com uma ótima volta em 1min16s647 e só Verstappen chegou perto dele, com um tempo apenas 0s045 pior. Norris, Hamilton, Russell, Pierre Gasly, Antonelli, Liam Lawson, Arvid Lindblad e Hadjar fecharam, nessa ordem, o “primeiro tempo” de voltas rápidas. Seria difícil derrotar o monegasco.
Mas não impossível.
Russell foi à luta e desbancou Leclerc. Hamilton fez o mesmo e pulou para primeiro com 1min16s514. Chaleclé até melhorou seu tempo na segunda “flying lap”, mas estacionou em terceiro. Verstappen errou e ficou em quarto, com Antonelli, Norris, Hadjar, Lawson, Lindblad e Gasly nas dez primeiras posições. No grid, Max caiu para quinto e Lawson, para nono – foram punidos com a perda de uma posição cada por conta da refrega de ontem no segundo treino livre.
Hamilton ficou 0s009 à frente de Russell, ao lado de quem larga amanhã na primeira fila. “Estou sem palavras”, disse Lewis, que aos 41 anos é o piloto mais velho a fazer uma pole-position desde Mario Andretti em 1982. Há 44 anos. De Ferrari.
44, Ferrari.
Os deuses do automobilismo são engraçadinhos, às vezes.

Ryo Hirakawa, 32, foi escalado às pressas para o lugar de Esteban Ocon na Haas e larga amanhã no México. É o estreante mais velho desde Andre Lotterer, que correu pela Caterham no GP da Bélgica de 2014 perto de fazer 33 – tinha 32 anos e 9 meses. O francês teve um arranca-rabo feio com a equipe ontem e não veste mais o macacão do time americano. As informações que pipocaram no paddock davam conta de que houve até entrevero físico, vias de fato, tiro, porrada e bomba entre o piloto e Ayao Komatsu, o chefe da Haas. Essa versão foi publicada no site do jornal francês “L’Équipe” e não confirmada por ninguém em “on”. Ocon, inclusive, já teria pegado o avião para casa. Algumas horas depois, publicou nota em suas redes sociais desmentindo o jornal. Sem citar nomes, escreveu: “Ontem à noite houve uma discussão entre as partes envolvidas por uma diferença de pontos de vista, mas rejeito qualquer insinuação de que tenha havido alguma violência física. Sou contra qualquer tipo de violência e peço que se evitem essas especulações enquanto este assunto estiver sendo resolvido”.
A questão agora é: quem corre no seu lugar até o fim do ano? Hirakawa, em tese, não pode na semana que vem em Interlagos, porque tem prova do WEC em Monza – ele é um dos pilotos da Toyota. Mas o título já está decidido (a Toyota foi campeã) e ele poderia ser substituído sem maiores problemas. Jack Doohan é contratado como reserva e também pode ser escalado. Ou, quem sabe, Rafael Câmara, já anunciado como titular para o ano que vem – eu promoveria o brasileiro e daria a ele alguns GPs para chegar a 2027 com alguma casca. Komatsu não explicou os motivos da dispensa de Ocon, que já passara por algo parecido no final de 2024, quando deixou a Alpine e ficou fora da última etapa do campeonato, em Abu Dhabi – substituído exatamente por Doohan. Falou apenas que o piloto “não está doente”. “É tudo que posso dizer agora”, acrescentou. Certamente o caso vai parar nos tribunais. Ocon tem contrato até o fim do ano e a Haas terá de provar que sua demissão precoce se deu por motivo forte o bastante para justificá-la.