SÃO PAULO (uau!) – Esperava-se uma pole-position de Max Verstappen. Deu Charles Leclerc. O monegasco da Ferrari larga na frente amanhã para o GP do México. Foi sua quarta pole no ano, 22ª na carreira. Uma surpresa danada. Verstappen já havia sido o mais rápido em todos os treinos livres, daí que seu favoritismo se […]
Publicado em 28/10/2023 às 19:15
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Leclerc: pole surpreendente no México
SÃO PAULO(uau!) – Esperava-se uma pole-position de Max Verstappen. Deu Charles Leclerc. O monegasco da Ferrari larga na frente amanhã para o GP do México. Foi sua quarta pole no ano, 22ª na carreira. Uma surpresa danada. Verstappen já havia sido o mais rápido em todos os treinos livres, daí que seu favoritismo se apoiava em fatos. A maior esperança de uma surpresa — e não para a pole — era Albon, segundo colocado em duas das três sessões. Daniel Ricciardo também vinha bem, podia ficar lá pertinho. Mas… Ferrari? Sério?
E deu Ferrari. Pole e segundo lugar, com Carlos Sainz. Surpresa em dose dupla.
Vamos tentar entender essa classificação.
Albon: bem nos treinos livres, razoável na classificação
Os empolgados torcedores mexicanos vibraram com a primeira volta de Pérez no Q1, que foi derrubada em questão de segundos por Verstappen, jurado de morte pelo cartel de Tijuana. A diferença: 0s454. Ricciardo, Leclerc e Bottas também deixaram o mexicano para trás. O cartel passou a considerar a eliminação de Checo, em vez de Max.
A certeza de passagem ao Q2 levou Ferrari, Mercedes e McLaren a usarem pneus médios em suas primeiras voltas no primeiro segmento da classificação. Piastri viu que não ia dar e colocou macios. Rapidamente pulou para segundo.
Mas seu companheiro Norris ficou em último, após uma volta abortada com os médios e outra desastrosa com os macios. Ocon, Magnussen, Stroll e Sargeant foram os outros eliminados. Lando só não seria o último no grid porque Tsunoda trocou tudo em seu carro e largaria dos boxes. Logo depois a volta de Sargeant foi cancelada porque o americano não tirou o pé sob bandeira amarela. E Norris subiu para 19º na tabela de tempos. Oh. Uma droga do mesmo jeito.
Dois pilotos, Russell e Verstappen, foram avisados que seriam investigados depois da classificação. Ambos, na saída do pitlane, ficaram segurando todo mundo para entrar na pista. Alonso e Zhou, idem. Não respeitaram o tempo máximo de volta quando estavam lentos na pista. Russell também seria inquirido uma segunda vez pelo mesmo motivo. “Vamos acabar com a vida deles!”, disse um dos comissários. Todos teriam suas vidas devassadas. Familiares seriam examinados sob lupa. Celulares, grampeados. Redes sociais, radiografadas. Até as 21h30 (de Brasília) não tinha dado em nada, no entanto.
No Q2, como fizera no Q1, Tsunoda emprestou o vácuo para Ricciardo fazer uma ótima volta no início. “Vamos eliminar o japonês e o australiano”, sugeriu um sicário patriota do cartel. “Poupemos Checo!” Verstappen, em sua primeira saída, virou 1min17s625. Ninguém chegava perto. Estacionou o carro e foi tomar um cafezinho.
Piastri passou ao Q3; Norris empacou no Q1
Faltando dois minutos para o fim do Q2, todos foram para a pista. Menos Max. “Tá muito trânsito. Detesto trânsito”, falou, pelo rádio. “E hoje é seu rodízio”, troçou o engenheiro.
Sem se preocupar com as ameaças do cartel, Ricciardo melhorou ainda mais seu tempo, sempre contando com a ajuda de Tsunoda. A surpresa da segunda parte da classificação, porém, foi Hamilton. Do nada, fez 1min17s571 e pulou para primeiro – 0s054 mais rápido que o holandês da Red Bull. Zhou, Gasly, Hülkenberg, Alonso e Tsunoda ficaram fora do Q3. Albon, com o carro todo estropiado – sem saber exatamente por quê – passou em nono. Mas sua volta foi cancelada por exceder limites de pista. Assim, o chinês da Alfa Romeo avançou, levando milagrosamente os dois carros da equipe para a fase final da classificação.
Pérez foi o primeiro a abrir volta no Q3, sabendo que o cartel tinha desistido de mandá-lo desta para a melhor. Fez 1min17s788 e a torcida, iludida e burra — ninguém mais tinha tempo anotado –, comemorou. Verstappen vinha atrás enfiou nele uma tuba de meio segundo. Ricciardo, sem vácuo de Tsunoda, também passou o mexicano. E aí veio, mais do nada que Hamilton pouco antes, Sainz. E mais do nada que Hamilton e Sainz, Leclerc: 1min17s166, 0s067 melhor que seu companheiro. E, assim, ficaram os dois carros da Ferrari em primeiro e segundo. Do nada. “Pues, vamos eliminar los rojos”, decretou o sicário. “Pero Checo está em sétimo”, observou outro. “Entonces eliminamos todos! Los seis primeros!”, decidiu o chefe.
Hulk: 200 GPsMax & Charles: surpresaHamilton: carro lentoSainz, segundo: nem acreditouRicciardo, quarto: também não esperava
Havia mais uma bateria de voltas rápidas, porém. E Max preparado para jantar os dois. Mas o tricampeão estava sem fome. Não superou a dupla vermelha, que formará a primeira fila com Leclerc e Sainz. Verstappen ficou em terceiro, 0s097 atrás do pole. Ricciardo terminou num excepcional quarto lugar, seguido por Pérez, Hamilton, Piastri, Russell, Bottas e Zhou. “Matem todos”, finalizou o comandante do cartel. “E Checo?”, perguntou o subchefe. “Todos.”
Mas ficou apenas na ameaça, como sabemos. Estarão os 20 no grid amanhã.
Flavio Gomes
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.