Hamilton cumprimenta Leclerc, Russell observa: fotógrafo foi feliz
SÃO PAULO(apertando…) – A foto é do escritório de imprensa da Ferrari e eles não informam o nome do fotógrafo. Pena, porque o autor (ou autora) foi muito sensível e produziu uma imagem que, além de representativa do momento da equipe, tem uma simetria muito interessante com George Russell ao fundo e fora de foco. À esquerda, Lewis Hamilton, terceiro colocado. À direita, Charles Leclerc, o vencedor. Os três aliviados. Porque essa corrida era para ter sido vencida por Kimi Antonelli, e todo mundo chegaria uma posição para trás. Se não fosse quebrar o diabo da calota interna da roda, ele passaria por cima do monegasco nas voltas finais da prova.
Mas é até óbvio dizer que “se” não existe, e o fato é que o carro de Kimi teve problemas e Leclerc ganhou na Inglaterra. Foi uma surpresa. E surpresas fazem bem a qualquer esporte. Charlinho não vencia um GP havia 624 dias. O último foi em Austin/2024.
Classificação de pilotos……e de equipes: Russell vai chegando
Peço desculpas pelas artes ruins aí em cima. Eu só uso material cuja publicação é permitida, e o perfil da F-1 esqueceu de publicar aqueles quadrinhos bem coloridos com a pontuação atualizada do campeonato. Tive de pescar nas redes da FIA. Mas dá para ver, né? O interessante entre os pilotos: os oito primeiros estão dispostos em duplas. E na exata ordem de performance deste ano: Mercedes, Ferrari, McLaren e Red Bull. Aí aparece o alpínico Pierre Gasly em nono, já seguido de perto pela dupla da Meu Cartão Dá Direito à Sala VIP. Em breve a filial de Faenza passa a Alpine e Gasly terá dificuldade para se manter à frente da dupla de novinhos Liam Lawson e Arvid Lindblad.
O francês, para os registros, chegou a 500 pontos na carreira com a décima posição em Silverstone. Não é dado dos mais importantes, já que a F-1 teve sistemas de pontuação muito diferentes ao longo dos tempos. Mas é número redondinho, então parabéns. E teve outro…
O NÚMERO DA INGLATERRA
…vitórias a Ferrari alcançou com o primeiro lugar de Leclerc. E foi na mesma pista da primeira, com José Froilán Gonzalez em 1951. O time italiano lidera as estatísticas. Depois da scuderia vêm McLaren (203), Mercedes (138), Red Bull (130) e Williams (114) nas cinco primeiras posições. Curioso é que as cinco seguintes já não existem mais: Lotus (81), Brabham (35), Renault (35), Benetton (27) e Tyrrell (23).
Foi o primeiro pódio duplo da Ferrari desde Abu Dhabi/2024, com Carlos Sainz em segundo e Leclerc em terceiro. E a posição de Hamilton correu risco. Ele foi investigado após a prova por infração sob bandeira amarela. “Acho que vou ser punido”, disse o piloto nas entrevistas. Mas acabou se livrando. Tomou apenas uma reprimenda. Para alegria da torcida que, segundo os organizadores, comprou 564 mil ingressos para os três dias do evento. De acordo com a Liberty, foi o maior público da história para um GP. Mas é dado que não pode ser verificado. Os donos da F-1 falam qualquer coisa e a gente não pode fazer muito mais do que repetir o que eles disseram, nesse caso.
A FRASE DE SILVERSTONE
“Se eu tivesse terminado em terceiro, esse pódio seria totalmente injusto.”Max Verstappen
O holandês ficou irritadíssimo com o acidente que sofreu na 48ª volta da corrida. Não chegou a bater, mas escapou em alta velocidade na curva Stowe, atravessou a caixa de brita e parou perto da barreira de pneus. A asa traseira não fechou direito após o trecho de reta onde a aerodinâmica ativa podia ser usada. Já tinha acontecido o mesmo na Áustria. “Uma vez, OK. A gente entende. Mas duas, aí já é perigoso”, reclamou o piloto, que voltou a ser conectado à McLaren para o futuro no início da semana.
GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS
GOSTAMOS… da (vá lá) Racing Bulls, que voltou a colocar dois carros entre os dez primeiros. São quatro provas seguidas em que Liam Lawson e Arvid Lindblad pontuam juntos, desde Mônaco. A equipe marcou 15 pontos em Silverstone, seu melhor desempenho no ano (contando a Sprint). O time segue em sexto no Mundial, mas agora colada na Alpine — 60 a 59. Desde Mônaco, quando começou a sequência de “double points”, são 38 pontos contra 25 dos franceses. Briga boa.
Antonelli: nova quebra, fora dos pontos
NÃO GOSTAMOS… da Mercedes, que deixou um de seus pilotos na mão mais uma vez na temporada. Perdeu, assim, o terceiro pódio por motivos mecânicos. Primeiro, com Russell no Canadá. Depois, com Antonelli em Barcelona e Silverstone. Vai ser campeã, mas não precisa se sabotar tanto.
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.