
Binotto e Wolff: selfie para postar no Insta
RIO (realmente, um fiasco) – Não é uma belezinha a foto acima? Escolhi como a melhor do GP da China, domingo retrasado em Xangai. Mattia Binotto entrou no noticiário de novo por mais uma ordem de equipe estapafúrdia, a terceira em sua terceira corrida como chefe da Ferrari. Poupou Vettel de uma provável derrota para seu jovem companheiro de equipe e ainda estragou a corrida de Leclerc chamando o menino para o primeiro pit stop na hora errada. Foi bom para Tião, terceiro colocado, mas péssimo para Charlinho, quinto. Já a Mercedes, bem… Terceira dobradinha no ano.
Toto tinha motivos para sorrir, claro. Binotto, menos. Bem menos.
A FRASE DE XANGAI

Ross: filme conhecido
“Charles mostrou grande maturidade ao aceitar ordens de equipe que não são fáceis de digerir.”
Ross Brawn, atual diretor-técnico da FIA, em entrevista depois do GP da China. Ele conhece bem esse negócio de má-digestão. Como engenheiro-chefe da Ferrari, conviveu por anos com decisões parecidas na equipe italiana. E não se tem notícia de que tenha contestado alguma.
Só há um antídoto para Leclerc se livrar dessa chatice: colocar um carro entre o seu e o de Vettel quando largar na frente do alemão. Mas isso, claro, não depende só dele. Acho que teremos de nos habituar com essas babaquices by Maranello durante algum tempo. Porque a aposta da Ferrari no seu primeiro piloto é mais do que explícita, o que depõe contra o time, contra o alemão e dá munição àqueles que acham que, no passado, gente como Schumacher e Alonso só conseguiu chegar onde chegou porque tinha privilégios.
A Leclerc, resta a sugestão do nosso cartunista oficial Marcelo Masili…
O NÚMERO DA CHINA
…GPs completou a Toro Rosso em Xangai, e teve um bom motivo para comemorar: a bela atuação de Alexander Albon, que teve de largar do pit lane depois da panca que deu no terceiro treino livre e conseguiu levar o carro azul ao décimo lugar, um suado e merecido pontinho. Na história, a equipe italiana — sucessora da Minardi — tem uma vitória e uma pole (ambas em Monza/2008, com Vettel) e uma volta mais rápida de GP (Kvyat na Espanha/2016). Nessas 250 corridas, a Toro Rosso somou 419 pontos na categoria.
Apenas 160 mil pessoas, nos três dias do milésimo GP da história, estiveram no monumental autódromo de Xangai. Digo “apenas” porque suas arquibancadas comportam 200 mil almas, e já faz muito tempo que uma boa parte delas é interditada — por absoluta falta de público — e virou outdoor de mensagens incompreensíveis. Eu tinha anotado o que estava escrito naquela tribuna enorme coberta com uma lona vermelha, mas não encontrei o papel onde escrevi. Ano que vem vou prestar atenção de novo. Se alguém quiser procurar em vídeos, à vontade. Estou sem muito tempo.
Antes de fechar este tardio rescaldo com nosso famosíssimo “Gostamos & Não gostamos”, algumas fotos que separei e julguei interessantes. Sabe aquelas que a gente guarda e nunca sabe onde usar? Então…

Hamilton: dormindo com o inimigo
Até agora não entendi o que Hamilton estava fazendo no meio desse monte de mecânicos da Ferrari depois da corrida. Aparentemente a turma de vermelho estava esperando Vettel chegar para celebrar o terceiro lugar — sem muito entusiasmo, diga-se. Lewis chegou a 75 vitórias na carreira. Com mais 17, torna-se o maior vencedor da história da categoria. Não está tão difícil superar Schumacher.

Os personagens do GP #1000: palco cinzento e sem graça
A segunda imagem merece publicação apenas como registro histórico. Afinal, mil GPs é uma marca que só se comemora uma vez. Aí estão os 20 pilotos que participaram da corrida de Xangai, que só entrará mesmo nos anais da F-1 por conta do número redondo. Chefes de equipe e dirigentes da FIA e do Liberty Media também aparecem na foto. Totalmente sem sal.

Hamilton e o troféu do milésimo GP: 75 vitórias
Encerrando a pequena série de fotos quase aleatórias da corrida de Xangai, mais um registro histórico: o troféu do milésimo GP, patrocinado pela cerveja Heineken com sua bela estrela vermelha no topo — que é onde devem ficar mesmo as estrelas vermelhas. Esse aí, claro, terá um lugar especial na coleção de Hamilton, que liderou todas as voltas da corrida e só não brilhou mais no fim de semana porque quem fez a pole foi seu companheiro Bottas.
E para fechar…
GOSTAMOS…

Gasly: ponto extra deu moral
…de <<< Pierre Gasly, que calçou pneus macios a duas voltas do final para fazer o ponto extra da volta mais rápida e fez. Para um piloto que anda com a autoestima baixa, tamanha a surra que vem levando de Verstappen na Red Bull (em três GPs, 39 x 13 nos pontos), foi um alento. Se não conseguisse, teria sido um vexame. E o sexto lugar não foi tão ruim assim.
NÃO GOSTAMOS…
…de mais uma patacoada da Ferrari, que parece que não aprenderá nunca a respeitar o esporte que fez dela o que é.

Leclerc deixa Vettel passar: ordem desnecessária e idiota
Flavio Gomes
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.