A IMAGEM DA CORRIDA SÃO PAULO (pequena pausa) – A imagem é mais impressionante que o desfecho, felizmente. Sainz quebrou, o motor pegou fogo, ele não sabia se descia do cockpit ou se enfiava o pé no breque, porque estava num aclive e sem freio de mão o carro desceria de volta à pista. Felizmente […]
Publicado em 11/07/2022 às 19:24
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A IMAGEM DA CORRIDA
Em chamas: Sainz passou aperto na Áustria, mas ninguém se feriu
SÃO PAULO (pequena pausa) – A imagem é mais impressionante que o desfecho, felizmente. Sainz quebrou, o motor pegou fogo, ele não sabia se descia do cockpit ou se enfiava o pé no breque, porque estava num aclive e sem freio de mão o carro desceria de volta à pista. Felizmente conseguiram apagar o incêndio e impedir que a Ferrari despencasse. Ninguém se machucou, o piloto não saiu chamuscado.
Prejuízo apenas para o time italiano, que muito provavelmente faria uma dobradinha se não fosse a quebra.
Magnussen: rezando para chegar ao fim
Motor Ferrari que assustou também Magnussen. O dinamarquês contou que nas últimas voltas da corrida ficou rezando para que não explodisse nada, já que o carro dava sinais de que alguma coisa muito séria estava para acontecer.
As orações deram certo. Terminou em oitavo. E a Haas passou a AlphaTauri na classificação, assumindo a sétima posição entre as equipes. Com o sexto lugar — brilhante — de Mick Schumacher, o time americano foi a 34 pontos, contra 27 da esquadra de Faenza — que zerou pela terceira vez seguida e parou no tempo.
Caixinhas? Caixinhas…
MULTAS – Leclerc, Verstappen e Hamilton foram multados em 10 mil euros cada porque seus/suas auxiliares/secretários/fisioterapeutas invadiram a área de Parque Fechado após a corrida sem autorização. E Vettel levou 25 mil euros de multa porque abandonou uma reunião dos pilotos, de saco cheio de conversa furada. Todas as punições foram aplicadas e suspensas. Se repetirem as infrações, terão de pagar. Nunca pagam. Ainda bem, porque nada mais antipático e ridículo do que essas multas para substituir um negócio chamado “diálogo”.
Os três do pódio: multados por infrações no Parque Fechado
LAST THREE – Não são exatamente números chocantes, mas como fiz as contas, lá vão eles… Nas últimas três corridas, as equipes que mais marcaram pontos: Ferrari (104), Red Bull (80) e Mercedes (76). É interessante notar a proximidade entre Red Bull e Mercedes. A equipe prateada tem sido a mais regular da temporada. É a única que pontuou em todas as corridas. A diferença dos rubro-taurinos para a Ferrari pode ser colocada na conta de Pérez, que zerou ontem. Entre os pilotos, o ranking dos últimos três GPs: Verstappen (58), Leclerc (54), Sainz (50), Hamilton (47), Russell (29) e Pérez (22).
AQUI SIM – Quando se olha para o meio da tabela, porém, essa soma de pontos das últimas três provas ganha peso na disputa pelo quarto lugar entre os construtores. A Alpine fez 34 pontos em Montreal, Silverstone e Spielberg. A McLaren, 16. Com isso, as duas agora estão empatadas em 81 pontos. Uma bela arrancada do time francês — que tem tido, neste ano, um Alonso performático em classificações e um Ocon muito eficiente em corridas. O espanhol marca menos do que deveria — alguns azares, muitas quebras, uns poucos erros. Mesmo assim, fez pontos nas últimas seis provas. Já o francês pontuou em oito das 11 etapas até agora. Ontem Esteban foi o quinto e Fernandinho, o décimo.
Alonso na briga com Haas e Alfa Romeo: bom momento da Alpine
O NÚMERO DA ÁUSTRIA
43
…advertências foram feitas pela direção de provas aos pilotos que excederam, várias vezes, os limites da pista. Dessas, quatro resultaram em punições de 5 segundos pela reincidência: para Vettel, Gasly, Zhou e Norris.
Outro número interessante extraí da coluna do meu amigo Fábio Seixas no UOL. Foram 67 ultrapassagens anotadas na corrida, contra 62 das duas provas disputadas na Áustria no ano passado — teve o GP da Estíria, também, vocês devem se lembrar. É resultado direto do novo regulamento, que permite andar colado no carro da frente sem perder pressão aerodinâmica.
Graças a ele, vimos muitas disputas no meio do pelotão. Foram belos ataques, digníssimas defesas, diversas trocas de posição. No fim, alguns pilotos foram premiados. Um deles é o autor da…
FRASE DE SPIELBERG
“O principal foi aprender que todos são humanos e cometem erros. E foi importante descobrir que não preciso ter medo de lutar com ninguém na pista”
Mick Schumacher
O alemão conseguiu seu melhor resultado na F-1 e foi muito bonita sua disputa com Hamilton no começo da prova. Um erro do inglês — humano, claro! — permitiu ao filho de Michael fazer uma linda ultrapassagem e concluir um fim de semana com um resultado mais do que sólido. Quem sabe agora as desconfianças sobre o rapaz comecem a se dissipar.
ÁUSTRIA BY MASILI
Um dos que não se cansam de falar mal de Mick é o ex-companheiro Mazepin, afastado da equipe antes de começar a temporada. Que fique calado, é o melhor que faz. A charge, como sempre, é de nosso cartunista oficial Marcelo Masili.
GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS
GOSTAMOS do resultado final da Mercedes, que na sexta-feira, como disse Toto Wolff, “tinha dois carros em pedaços”. No final, terceiro lugar para Hamilton — terceiro pódio seguido — e quarto para Russell — que caiu para penúltimo no início da prova porque teve de pagar um pênalti e ainda precisou trocar o bico de seu carro. Ambos andaram com assoalhos remendados por causa dos acidentes na classificação. A equipe está claramente no caminho certo e o “porpoising” parece ser coisa do passado.
NÃO GOSTAMOS do comportamento selvagem de muitos torcedores no autódromo, assediando, agredindo, ofendendo, abusando das mulheres. Uma horda de racistas, misóginos, homofóbicos e cretinos em geral. Algumas meninas foram levadas para conhecer o paddock, num gesto bacana de equipes indignadas com o que aconteceu nas arquibancadas. Abaixo, algumas delas.
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.