SÃO PAULO (zzz) – Max Verstappen venceu a Sprint da Bélgica na manhã deste sábado cumprindo à risca o script que a Red Bull rabiscou para ele: largar bem, colar no pole-position Oscar Piastri na pirambeira da Eau Rouge, pegar o vácuo, passar na freada para a Les Combes. Depois, se segurar na frente como […]
Publicado em 26/07/2025 às 08:05
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Verstappen comemora: vitória em Sprint pela 12ª vez
SÃO PAULO(zzz) – Max Verstappen venceu a Sprint da Bélgica na manhã deste sábado cumprindo à risca o script que a Red Bull rabiscou para ele: largar bem, colar no pole-position Oscar Piastri na pirambeira da Eau Rouge, pegar o vácuo, passar na freada para a Les Combes. Depois, se segurar na frente como pudesse. Aconteceu exatamente assim. Ao final das 15 voltas, foi o holandês o primeiro a receber a bandeirada. Colado nele, Piastri. Colado em Piastri, Lando Norris, o outro piloto da McLaren.
Foi a 12ª vitória de Verstappen em provas curtas da F-1, disputadas desde 2021. Isso dá 57,1% do total de 21 realizadas. Nesta temporada, ainda tem três pela frente: Austin, Interlagos e Catar.
No campeonato, não mudou muita coisa. Piastri abriu mais um pontinho em relação a Norris na tabela, com a diferença subindo para nove: 241 x 232. Para o time austríaco, embora o peso de uma vitória em Sprint seja quase simbólico, a satisfação maior estava na mureta dos boxes. Foi a estreia de Laurent Mekies como chefe de equipe no lugar de Christian Horner, demitido depois de 20 anos de serviços prestados. Uma boa estreia, pois.
A largada e a perseguição de Piastri a Verstappen
O sábado em Spa-Francorchamps começou sem chuva e com temperaturas amenas, na casa dos 21°C. Como imaginado depois da classificação de ontem, e pelas posições de grid, Max foi para cima de Piastri logo na primeira volta e previsivelmente passou o australiano na freada para a Les Combes, a chicane que fica no topo do circuito após a sequência Eau Rouge-Radillon-Kemmel. Leclerc também deixou um carro da McLaren para trás, o de Norris. O resto ficou tudo mais ou menos como estava.
Lando devolveu a gentileza de Chaleclé na volta 4 e retomou o terceiro posto. Oscar tentava de aproximar de Verstappen, mas tinha alguma dificuldade, mesmo com a asa móvel aberta. Tudo porque a Red Bull optou por deixar seu piloto com pouca asa, como se diz, para ganhar velocidade em reta. Nas curvas, o holandês que se virasse para domar o cavalo chucro. E conseguia. Se a decisão estratégica foi de Verstappen ou do novo chefe Mekies, não se sabe. Seja como for, acertadíssima.
Red Bull, Aceita Pix?, Haas e Williams: todas pontuaram
A diferença entre eles não chegava a 1s em momento nenhum. Mas o tetracampeão parecia não se importar com a visão do australiano no retrovisor. Na volta 9, quem começava a se preocupar era Piastri: Norris, pela primeira vez, reduziu a distância e passou a ter a chance de abrir a asa sobre o companheiro, também.
Os três se descolaram do resto. Enquanto brigavam em Spa, os demais se encontravam em Francorchamps. Em fila indiana, todos muito próximos, é verdade, mas sem tentativas mais agudas de ultrapassagem. Quando a penúltima volta foi aberta, a transmissão da TV mostrou o goleiro Courtois preparado para dar a bandeirada. Boa escolha. É o belga mais famoso desde Tintim.
Os oito primeiros e Max: poucas emoções
Max, imperturbável, seguia em frente. Piastri não atacou. Atrás deles, Norris observava, igualmente sem demonstrar muita disposição de partir para a luta. E, assim, o piloto da Red Bull cruzou a linha de chegada 0s753 à frente do #81 papaia, que por sua vez colocou meros 0s661 sobre o #4 de Norris. Leclerc, Ocon, Sainz, Bearman e Hadjar fecharam os oito primeiros, os que pontuam em Sprints. Bortoleto foi o nono. Gasly, oitavo no grid, não aparece aí porque, coitado, teve um vazamento de água em seu carro e ficou nos boxes. Chegou a ir para a pista quando a prova já tinha começado, mas apenas para ver se estava tudo bem. Uma lástima.
Não foi uma boa Sprint. Acabou sendo um desfile de carros de F-1 em alta velocidade, mas sem empenho de ninguém. Quase um teste de luxo para a definição do grid de logo mais, às 11h. Ainda sem chuva. Que todos aproveitem os últimos momentos assim. A previsão para amanhã é de água à vontade.
Flavio Gomes
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.