SÃO PAULO (fácil, fácil) – Kimi Antonelli manteve a invencibilidade da Mercedes em grids neste ano e fez a pole-position para o GP da Bélgica, décima etapa do Mundial. Foi muito fácil para o italiano, que terá a seu lado na primeira fila Max Verstappen, da Red Bull. Kimi conseguiu sua sexta pole na carreira, todas elas nesta temporada. É favorito à vitória amanhã.
E precisa ganhar, mesmo. Nas últimas três etapas do campeonato, Antonelli viu sua vantagem sobre o companheiro George Russell cair de 68 para 25 pontos. Não porque o inglês resolveu acelerar e entrou num momento de brilho intenso ajudado por alguma conjunção astral. O problema foi com ele mesmo, Kimi: quebras e azares contribuíram para a escorregada na tabela. É hora de retomar o ritmo.
Lando Norris fez o terceiro tempo na classificação, mas larga em 13º por punição resultante de troca de componentes infinitos de sua unidade de potência. A segunda fila, assim, ficou com Russell e Charles Leclerc, da Ferrari. Gabriel Bortoleto é o oitavo no grid, sua melhor posição de largada no ano com a Audi.

A classificação começou com algumas nuvens sobre as Ardenas, o sol aparecendo aqui e ali e os termômetros marcando 22°C. Temos dito aqui que Q1, hoje em dia, só serve para eliminar os dois coitados que vão se juntar às duplas de Cadillac e Aston Martin na primeira degola. Hoje foram Alexander Albon, em 17° com a Williams, e Esteban Ocon, em 18º com a Haas. Aí vieram os cadilaquianos Valtteri Bottas e Sergio Pérez e, na última fila, os aston-márticos Fernando Alonso e Lance Stroll. Os dois primeiros a cerca de 2s do melhor tempo – no caso, de Norris, 1min45s865. Os dois últimos, a mais de 4s. É uma vergonha atrás da outra. Sinceramente, Alonso tem sido muito gente boa de se submeter a tantos vexames. Stroll está lá porque se não aparecer para as corridas o pai tira o videogame.
Atrás de Norris no Q1, nas dez primeiras posições, vieram Verstappen, Isack Hadjar, Lewis Hamilton, Russell, Arvid Lindblad, Leclerc, Antonelli, Oscar Piastri e Liam Lawson. A maioria desses poderia ter feito suas voltas de patinete que daria na mesma.
O Q2 já é outra história, uma briga de foice no pelotão intermediário para beliscar duas vagas entre os dez primeiros, atrás das duplas cativas de Mercedes, McLaren, Red Bull e Ferrari.

Antonelli, ensaiando o que viria a fazer mais adiante, logo de cara bateu o melhor tempo do fim de semana com 1min45s142. Tinha carro sobrando. Como Spa é muito longa, mais de 7 km de extensão, não dá para ficar fazendo muitas tentativas de voltas rápidas. Leva-se um ano para retornar aos boxes e mais seis meses para aquecer pneus e preparar a volta voadora na saída seguinte. Assim que a primeira bateria de voltas rápidas trouxe a Bortoleto uma boa notícia, com uma inesperada décima colocação – antes de ir para a pista, o brasileiro tinha alertado que o motor da Audi iria sofrer nas longas retas belgas.
A ameaça à sua passagem para o Q3 era Lawson, da Baixe o Aplicativo e Peça Seu Cartão, em 11º. A diferença entre os dois era de apenas 0s079. Mas como o companheiro do neozelandês, Lindblad, tinha sido meio segundo mais rápido que ele com o mesmo carro, o rapaz sabia havia alguma perspectiva de superar Gabriel. Mas não superou. Ficou 0s038 atrás dele e amargou a eliminação junto com Pierre Gasly, Franco Colapinto, Nico Hülkenberg, Carlos Sainz e Oliver Bearman.

Para Bortoleto, um resultado muito bom. Primeiro, claro, por avançar ao Q3 com a turma do top10. Segundo, porque pelo menos dois carros que normalmente ficariam à frente dele, os de Norris e Hadjar, perderiam posições no grid por troca de múltiplos componentes de seus motores. Na pior das hipóteses, largaria em oitavo.
E foi para o Q3 que os postulantes às melhores posições no grid reservaram seus esforços na tarde agradável de Spa, Francorchamps & cercanias. Tinha esfriado um pouco, 20°C. Verstappen foi o primeiro a fechar volta em 1min44s984, aproveitando um vácuo programado de seu companheiro Hadjar, que já estava punido e nem fechou a volta – só “puxou” o holandês. Antonelli fez 1min44s840 e passou o holandês. Leclerc fez o mesmo. Aí, meio do nada, Norris virou 1min44s801, 0s039 melhor que o italiano. Uma pole provisória tão surpreendente quanto inútil, ante o pênalti de dez posições no grid já sabido e conhecido por todos os participantes do sarau.

Quando todos voltaram aos boxes depois da primeira tentativa, a direção de prova fechou a porteira e travou o cronômetro a 6min06s do encerramento da classificação. Um exército de varredores foi acionado para, com suas vassouras medievais, tirar brita espalhada pelo asfalto em algumas escapadas de carros mais afoitos. Norris, Antonelli, Leclerc, Verstappen, Hamilton, Russell, Piastri, Lindblad, Bortoleto e Hadjar era a ordem até então.
Asfalto varrido, saída de box liberada, povo na pista. A Red Bull com a mesma estratégia: mandou Hadjar à frente de Max para oferecer ao companheiro um generoso vácuo no último trecho do traçado, onde era necessária alguma ajuda. Não resultaria em milagre, mas pelo menos alguns décimos de segundo sairiam do jogo de equipe. Max pulou para primeiro com 1min44s678. A alegria durou pouco, exatamente o tempo de Antonelli fechar sua volta depois dele: 1min44s361, 0s317 melhor.

Quem veio atrás não chegou nem perto. Max ficou com o segundo lugar no grid, seguido por Norris, Russell, Leclerc, Hamilton, Piastri, Lindblad, Bortoleto e Hadjar. Com o deslocamento de Lando para 13º, George e Charlinho ocuparão a segunda fila. Gabriel partirá em oitavo. Diferença a ser registrada, de Kimi para Russell: 0s508. Muita coisa.
O único problema de Antonelli para amanhã é a largada. Há pequena distância até a primeira freada e, depois, quem está na frente vira presa fácil no complexo Eau Rouge-Raidillon-Kemmel por causa do vácuo. Mas mesmo se perder a ponta, depois recupera.
Acho que vai ser um passeio.