SÃO PAULO (ufa!) – Foi uma longa sexta-feira na Cidade do México. A Pirelli escolheu o autódromo Hermanos Rodríguez para fazer os testes com os pneus do ano que vem, esticando a segunda sessão de treinos livres em meia hora. Já vão longe os tempos em que os treinos livres tinham 90 minutos de duração. […]
Publicado em 25/10/2024 às 20:39
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SÃO PAULO(ufa!) – Foi uma longa sexta-feira na Cidade do México. A Pirelli escolheu o autódromo Hermanos Rodríguez para fazer os testes com os pneus do ano que vem, esticando a segunda sessão de treinos livres em meia hora. Já vão longe os tempos em que os treinos livres tinham 90 minutos de duração. Hoje, é muito caro andar tanto. E a limitação de motores por temporada, principalmente, não permite isso. Se andar demais, motor gasta e quebra, basicamente.
O segundo treino livre foi o escolhido para ser estendido, fazendo com que as atividades na capital mexicana terminassem às 17h30 pelo horário local, 20h30 de Brasília. O sol já se punha quando a bandeira quadriculada foi mostrada e ninguém aguentava mais andar.
No final do dia, o mais rápido foi Carlos Sainz, da Ferrari, com 1min17s699. Piastri ficou em segundo, 0s178 atrás. Depois vieram, nas dez primeiras posições, Tsunoda, Leclerc, Norris, Magnussen, Hamilton, Bottas, Pérez e Lawson.
Tempos do TL2 e Max saindo do carro: dia ruim para o líder
E foi uma sessão interrompida por 23 minutos depois de uma batida besta de George Russell no início das atividades. Outro que teve problemas foi o líder do Mundial, Max Verstappen. Depois da primeira sessão, a Red Bull percebeu que seu assoalho estava todo arrebentado. Passou em cima de alguma coisa — uma estatueta asteca, um prato de tacos, uma garrafa de tequila. Já tinha tido problemas no turbo antes. Resultado: seu carro ficou o tempo inteiro nos boxes. Não marcou tempo.
Quem também não fez tempo foi Albon, por conta de uma batida no primeiro treino que estragou bem o carro da Williams (veja nas caixinhas abaixo).
Red Bull de Verstappen: problemas sérios
Sem Verstappen, com testes de pneus para 2025, bandeiras vermelhas e muitos novatos no primeiro treino livre, não dá para tirar muitas conclusões desta sexta-feira, não. Além de tudo, o asfalto recapeado em alguns trechos estava muito sujo e empoeirado. Foi um daqueles dias chatos, muito mais agitado do lado de fora do que dentro da pista. Por isso, vamos às caixinhas mágicas.
PRIMEIRO TREINO – Deu Russell, mas a sessão foi interrompida duas vezes. No comecinho, por poucos minutos. Kimi Antonelli, andando com o carro de Hamilton na Mercedes, passou em cima de algum objeto na pista e quebrou a asa dianteira. Mais tarde, a bandeira vermelha foi mais longa: quase 20 minutos. O sinistro ocorreu depois que Alexander Albon, numa volta rápida, encontrou Oliver Bearman lento pelo caminho. Bearman estava treinando pela Ferrari, com o carro de Charles Leclerc. Foi uma pancada e tanto. O carro de Albon ficou bem danificado. Ninguém se machucou.
DRUGOVICH, 18 – Outro novato que andou no primeiro treino livre foi o brasileiro Felipe Drugovich, pela Aston Martin. Foi a primeira experiência dele com o modelo deste ano da equipe. Terminou a sessão em 18º. Drugovich andou com o carro de Fernando Alonso.
ALONSO, 400 – Falando nele, o espanhol completa neste final de semana seu 400º GP. Ele estreou em 2001, pela Minardi. Alonso disse que ainda vai disputar mais umas 50 corridas – deve permanecer no time mais dois anos. Ainda sobre ele, Christian Horner, da Red Bull, contou em entrevista que quase o contratou em 2009 e chegou a conversar com o bicampeão mundial, vejam só, no começo desta temporada. Esta aqui mesmo, a de 2024. “Fernando tem menos títulos do que merece”, falou o dirigente.
Alonso, Drugovich, Albon x Bearman, Leclerc: sexta mexicana
MARKO, O INDISCRETO – O guru da Red Bull disse ontem que o empresário de Oscar Piastri, Mark Webber, vive procurando o time austríaco para conversar. Webber foi piloto da Red Bull. Piastri, no entanto, negou que esteja sendo oferecido à equipe rival. “Estou muito feliz na McLaren”, garantiu.
MAX FILÓSOFO – À ESPN americana, frase de Max Verstappen comentando a longevidade de Alonso: “Eu poderia correr até os 40 anos, mas não vou. Não quero chegar aos 80, olhar para trás e perceber que passei 40 anos da minha vida correndo. Quero aproveitar bem o tempo que tiver nas pistas, e quando chegar aos 80 olhar para trás e saber que vivi uma boa vida”.
Verstappen: até os 40, não
CADILLAC FRANCESA – A Cadillac, que teve sua proposta para ser fornecedora de motores da F-1 aceita – mas só a partir de 2028 –, está conversando com a Renault. Como a marca francesa desistiu de desenvolver motores para o novo regulamento, que entra em vigor em 2026, os americanos querem comprar a propriedade intelectual do que já foi feito até agora. Assim, não partiriam do zero absoluto para tocar o projeto de suas próprias unidades de potência. Pegariam o espólio da Renault e trabalhariam em cima. A Renault, dona da Alpine, vai usar motores Mercedes a partir de 2026.
RECURSO – A McLaren pretende recorrer da punição de Norris em Austin. A equipe diz ter “fatos novos” para reverter os 5s que o piloto levou por ultrapassar Verstappen por fora da pista. Se conseguir provar alguma coisa, Lando fica com o terceiro lugar e Max cai para quarto. É pouco provável, porém.
Comunicados do começo e do fim da semana: Band diz que não deve nada
BAND X GLOBO – A Bandeirantes divulgou comunicado ontem dizendo que não atrasou pagamentos à Liberty e que pretende continuar transmitindo a F-1 no ano que vem, cumprindo o contrato em vigor. A Liberty não se manifestou, nem a Globo. Mas o fato de ambas negociarem indica que a Bandeirantes está mentindo. O mercado todo (e a Liberty também) sabe que a emissora do Morumbi está inadimplente. Ou estão todos malucos. Em todo caso, apurou o Grande Prêmio, a Globo continua tocando seus planos para retomar os direitos da categoria. Só não está falando nada publicamente. Gato escaldado tem medo de água fria, como se diz.
Flavio Gomes
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.