O segredo do McLaren W1 começa onde pouca gente olha: debaixo da carroceria. O hipercarro usa o fluxo de ar entre o assoalho e o pavimento para gerar grande parte da força que o mantém pressionado contra a pista. A fabricante relaciona essa estratégia ao MCL38, seu carro da Fórmula 1 de 2024.
A solução ajuda a explicar por que o W1 vai além de um motor potente acompanhado de um aerofólio grande. O projeto organiza o caminho do ar desde a dianteira até a traseira, fazendo carroceria, suspensão e elementos móveis trabalharem como um conjunto.
Como o efeito solo ajuda o McLaren W1?
O efeito solo aproveita a proximidade com o pavimento para modificar o escoamento do ar sob o carro. Com a geometria adequada, forma-se uma região de pressão mais baixa por baixo da carroceria. A diferença de pressão produz uma força para baixo, aumentando a carga sobre os pneus.
Isso permite ganhar capacidade de contornar curvas sem acrescentar uma massa equivalente ao veículo. Carga aerodinâmica e peso são coisas diferentes: a primeira depende do movimento do ar e varia com velocidade, altura e configuração do carro.
Na explicação oficial da McLaren, o assoalho é protagonista. A asa traseira permanece importante, mas integra um sistema cujo funcionamento também depende do difusor — a seção que administra a expansão do fluxo na saída inferior da carroceria.
O conceito ficou especialmente associado à geração de F1 de 2022 a 2025, cujo comportamento provocou críticas de pilotos como Lewis Hamilton. Aplicar esse princípio a um hipercarro exige soluções próprias para seu uso e sua construção.

A transformação para andar em circuito
Ao selecionar o modo Race, a altura do W1 diminui 37 mm na dianteira e 17 mm na traseira. A asa chamada Active Long Tail avança até 30 cm para trás, ajudando o conjunto a produzir até 1.000 kg de carga aerodinâmica, segundo a fabricante. O número representa força equivalente, não peso acrescentado ao carro.
Em entrevista à Road & Track, o especialista em aerodinâmica Robin Algoo resumiu o papel da peça móvel: “Aerodinamicamente, ela se comporta como uma aba do difusor”.
A comparação ajuda a entender a proposta: o movimento da asa modifica o funcionamento da saída de ar sob o carro. Por isso, seu efeito precisa ser analisado junto do assoalho, em vez de isoladamente.
A preocupação começa na estrutura. O monocoque de fibra de carbono Aerocell foi desenvolvido para acomodar a estratégia aerodinâmica, e até o conjunto propulsor recebeu uma inclinação para abrir espaço ao difusor traseiro.
Potência e preço do McLaren W1
O W1 combina um V8 4.0 biturbo com assistência elétrica, totalizando 1.275 cv e 1.340 Nm. A tração é traseira. A McLaren anuncia aceleração de 0 a 100 km/h em 2,7 segundos e velocidade máxima limitada a 350 km/h.
O preço de lançamento no Reino Unido corresponde a aproximadamente R$ 13,9 milhões, pela cotação comercial de R$ 6,92576 por libra consultada nesta sexta-feira (2). Trata-se da conversão do valor anunciado naquele mercado, que incluía impostos britânicos; não é preço de venda no Brasil. Personalizações também alteram o custo.
Apresentado em 6 de outubro de 2024, o W1 sucede os McLaren F1 e P1. A produção anunciada é de 399 carros, todos já destinados a clientes no lançamento.
O McLaren W1 usa efeito solo?
Sim. A fabricante afirma que grande parte da carga aerodinâmica vem do fluxo de ar sob a carroceria.
Qual é a potência do McLaren W1?
O conjunto híbrido entrega 1.275 cv, com V8 4.0 biturbo e assistência elétrica.
Quanto custa o McLaren W1 em reais?
O preço britânico anunciado no lançamento equivale a aproximadamente R$ 13,9 milhões na cotação de 2 de outubro de 2026. A conversão não representa preço brasileiro.