Michael Masi está de volta a um cargo diretamente ligado à condução esportiva de uma categoria de automobilismo. Ex-diretor de prova da Fórmula 1, o australiano foi anunciado nesta quarta-feira (16) como novo chefe esportivo da SRO Motorsports Australia, organização responsável pelo GT World Challenge Australia e pelo GT4 Australia. A função coloca Masi novamente no centro de decisões sobre regulamentos, procedimentos e atuação dos oficiais de prova.
Conhecido também como GTWC Australia, a categoria tem a temporada transmitida nas plataformas digitais do GRANDE PRÊMIO e na GPTV.
Masi começa imediatamente o processo de transição e estará nas duas últimas etapas da Shannons SpeedSeries em 2026, a começar pelo evento deste fim de semana em Sydney Motorsport Park, entre sexta-feira e domingo. A ocupação integral do cargo começa na temporada 2027.

Masi volta a comandar área esportiva após passagem pela F1
Segundo a SRO, Masi ficará responsável pelas regras e regulamentos das categorias administradas pela organização na Austrália. Entre as atribuições estão garantir o cumprimento dos processos e procedimentos segundo os padrões globais da SRO, gerenciar comissários, diretor de prova e demais oficiais e implementar práticas utilizadas internacionalmente pelo grupo.
“É uma oportunidade extremamente empolgante de fazer parte do próximo capítulo da SRO Motorsports Australia, e estou ansioso para continuar o grande trabalho que já foi realizado pela equipe e, em particular, por Abi”, disse Masi no anúncio oficial.
O australiano substituirá Abi Hay, que retorna à Europa para concentrar as atividades como chefe da SRO GT Academy, gerente de relações com fabricantes e responsável pelo Intercontinental GT Challenge. Masi também seguirá como vice-presidente da Karting Australia e integrante do conselho do South Australian Motor Sport Board.
Abu Dhabi 2021 marcou fim da passagem de Masi pela F1
Masi foi diretor de prova da Fórmula 1 entre 2019 e 2021, depois de assumir a função na sequência da morte repentina de Charlie Whiting. O período terminou após o controverso desfecho do GP de Abu Dhabi de 2021, corrida que decidiu o Mundial entre Lewis Hamilton e Max Verstappen.
O então piloto da Mercedes liderava a corrida e tinha aproximadamente 11s de vantagem quando Nicholas Latifi bateu na volta 53 de 58 e provocou a entrada do safety-car. O neerlandês, então segundo colocado, parou e colocou pneus macios novos, enquanto o britânico permaneceu na pista com pneus duros usados.
Inicialmente, a direção de prova informou que os retardatários não poderiam recuperar a volta. Depois, Masi autorizou somente os cinco carros que estavam posicionados entre Hamilton e Verstappen a ultrapassar o safety-car. Na sequência, determinou a entrada do carro de segurança nos boxes, permitindo que a prova fosse retomada para uma última volta.
Com pneus macios novos contra os duros usados de Hamilton, Verstappen ultrapassou o britânico na curva 5 da volta final, venceu a corrida e conquistou o primeiro título mundial da carreira.
A Mercedes apresentou dois protestos após a prova. Ambos foram rejeitados pelos comissários, e a equipe chegou a indicar intenção de recorrer, mas posteriormente não levou o caso ao Tribunal Internacional de Apelações da FIA. O resultado de Abu Dhabi e o título de Verstappen permaneceram definitivos.

FIA reconheceu erro no procedimento do safety-car
A controvérsia levou a FIA a abrir uma investigação sobre os acontecimentos das últimas voltas. O relatório foi apresentado ao Conselho Mundial de Automobilismo em março de 2022 e é importante para descrever o episódio com precisão: a própria FIA concluiu que o procedimento previsto no regulamento não foi integralmente seguido.
O relatório apontou que o diretor de prova chamou o safety-car para os boxes sem que fosse completada a volta adicional prevista pelo artigo 48.12 do Regulamento Esportivo vigente. A investigação também concluiu que houve erro humano no processo de identificação dos retardatários, razão pela qual nem todos receberam autorização para recuperar a volta.
Ao mesmo tempo, a FIA afirmou que Masi agiu de boa-fé e dentro do que entendia ser correto em circunstâncias de enorme pressão e pouco tempo para tomar decisões. O relatório também registrou que existia uma preferência previamente discutida entre FIA, F1, equipes e pilotos por terminar corridas sob bandeira verde sempre que fosse seguro fazê-lo.
A federação ainda considerou que os artigos 48.12 e 48.13 permitiam interpretações diferentes, fator que teria contribuído para o procedimento adotado. Para 2022, a regra foi posteriormente esclarecida para estabelecer que todos os carros retardatários — e não apenas alguns — deveriam receber autorização para recuperar a volta quando esse procedimento fosse acionado.
Masi deixou a função de diretor de prova antes do início da temporada 2022, quando a FIA reestruturou o controle das corridas da F1.
Masi retomou carreira no automobilismo australiano
A saída da direção de prova da F1 não significou afastamento definitivo do automobilismo. Masi assumiu posteriormente a presidência independente da Comissão da Supercars, função que exerceu entre 2022 e 2025. Antes da passagem pela F1, já havia trabalhado na Motorsport Australia, sido CEO do Rally Australia e atuado como diretor de prova adjunto da Supercars.
Agora, o australiano retorna a uma função executiva diretamente relacionada à operação esportiva. A estreia acontece no GT Festival de Sydney, entre 18 e 20 de setembro. A etapa é a penúltima do GT World Challenge Australia 2026 e terá 15 carros no grid.