O grande assunto no paddock do Mundial de Endurance (WEC) após as 24 Horas de Le Mans tem sido o anúncio das primeiras diretrizes do novo regulamento da classe Hipercarro para a temporadas 2030. Enquanto uma resistência inicial foi apresentada pela Toyota, outras montadoras receberam bem as novidades e apoiaram, em especial, a convergência das plataformas LMH e LMDh.
No fim de semana das 24 Horas de Le Mans, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA), o Automobile Club de l’Ouest (ACO) e o IMSA anunciaram um acordo pelas primeiras diretrizes do novo regulamento de Hipercarros, que entra em vigor em 2030. A principal novidade é a adoção de uma única plataforma na classe principal, encerrando a dualidade de LMH e LMDh que existe atualmente.
Essa plataforma, inclusive, comportará carros com tração traseira apenas, eliminando a tração integral vista na maioria dos protótipos LMH.
Andreas Roos, chefe da BMW, aprovou as diretrizes do novo regulamento e disse que essa convergência de plataformas é “exatamente do que precisamos”.
“Para mim, isso segue na direção certa. Precisávamos de um regulamento técnico único para o futuro, que proporcionasse uma verdadeira convergência, permitindo que os carros fossem desenvolvidos sob as mesmas regras e nos ajudando a aproximar ainda mais os diferentes conceitos. Acho que a estrutura geral é exatamente do que precisamos. Agora, cabe aos grupos de trabalho técnicos e às pessoas responsáveis definir os detalhes individuais desse regulamento técnico”, comentou o dirigente ao portal SportsCar365.
“Também é importante manter os custos sob controle e garantir que tenhamos um regulamento sustentável para o futuro, para que o endurance possa continuar forte por muitos anos”, completou
Chefe de endurance da Aston Martin, Adam Carter também vê com bons olhos a chegada de um novo regulamento, mesmo que isso signifique produzir um protótipo do zero.

“Somos totalmente favoráveis ao novo regulamento que a FIA, o ACO e o IMSA estabeleceram, mas ele representará uma nova plataforma para nós, então precisamos analisar os requisitos técnicos. Mas adoraríamos fazer parte disso além de 2030. Foi um grande anúncio, porém também precisamos conhecer mais detalhes para podermos definir uma estratégia e garantir que consigamos preservar o espírito da Aston Martin dentro do regulamento”, explicou Carter.
Olivier Jansonnie, chefe do departamento de automobilismo da Stellantis, apontou para a flexibilidade do novo conjunto de regras como algo positivo. “Obviamente, todos os fabricantes têm opiniões diferentes. O modelo é positivo, pois nos permite alcançar essa flexibilidade de construir o próprio carro”, citou o representante da Peugeot.
A Ferrari, que também opera um protótipo LMH, assim como Peugeot e Aston Martin, foi a única montadora que se recusou a comentar o novo regulamento do WEC. A Toyota, por sua vez, admitiu que foi pega de surpresa com o anúncio feito durante o fim de semana das 24 Horas de Le Mans e disse que o novo regulamento é “difícil de aceitar”.
A Porsche, por sua vez, aprovou as diretrizes iniciais do novo regulamento e até admitiu uma chance maior de retornar à classe Hipercarro do WEC a partir de 2030.
O WEC agora retorna entre os dias 10 e 12 de julho com a etapa brasileira do calendário, as 6 Horas de São Paulo. O GRANDE PRÊMIO transmite todas as etapas da temporada 2026 do Mundial de Endurance AO VIVO e com IMAGENS no YouTube e na GPTV.
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