O divertido GP da Áustria deste domingo (28) contou histórias interessantes e deixou algumas perguntas para as próximas etapas da temporada 2026 da Fórmula 1. Na briga pelo título, por exemplo, George Russell finalmente deu a resposta que tanto precisava, mas deve ficar atento, uma vez que Andrea Kimi Antonelli segue firme e forte nessa disputa, apesar de erros aqui e ali.
Junto da dupla da Mercedes no pódio, Max Verstappen se colocou como a grande surpresa do fim de semana. A Red Bull desembarcou em Spielberg com muitas atualizações e sofreu bastante para entendê-las durante os treinos de sexta-feira. No entanto, os taurinos realmente encontraram um ritmo para lá de interessante nos dias seguintes e por pouco não saíram com a vitória.
Por outro lado, a Ferrari, que tinha tudo para chegar embalada após o triunfo na Catalunha, terminou como a decepção da oitava etapa do campeonato. Ao mesmo tempo, a Audi de Gabriel Bortoleto pode ficar satisfeita com o resultado, ainda que os pontos não tenham sido alcançados mais uma vez.
Diante disso, o GRANDE PRÊMIO lista cinco pontos do domingo da Fórmula 1 na Áustria.
Demorou, mas a resposta veio…
Depois de 112 dias — ou sete corridas, como preferir —, George Russell finalmente voltou a vencer na temporada 2026 da Fórmula 1. E como diz o ditado, antes tarde do que nunca. Desde que subiu no degrau mais alto do pódio lá no GP da Austrália, etapa que abriu o certame, o britânico atravessou um período bastante conturbado, com dificuldades de adaptação ao carro e outros contratempos com a Mercedes. Enquanto isso, no outro lado da garagem, Andrea Kimi Antonelli colecionava vitórias e recordes históricos. Por isso, se realmente deseja brigar pelo título, já estava mais do que na hora de frear o ímpeto do italiano.
E se a sorte sorriu para o jovem de 19 anos em determinados momentos, parece que ela decidiu ajudar o #63 um pouco. Em um fim de semana que começou totalmente favorável ao companheiro de equipe, o mais experiente da dupla acabou conquistando a pole-position em meio à confusão com a bandeira amarela causada pelo acidente de Max Verstappen — embora tenha sido mais esperto também. Mas não só isso. Na prova deste domingo, o safety-car virtual causado por Carlos Sainz, que ficou parado no meio da reta principal na 25ª volta, veio segundos depois de Kimi efetuar a troca de pneus. Detalhes que fazem toda a diferença, uma vez que a diferença entre eles na bandeira quadriculada foi de 1s986.
Apesar do alívio de ter reduzido a desvantagem em 10 pontos na classificação do Mundial de Pilotos, Russell precisa ficar atento. Assim como já havia acontecido na Catalunha, voltou a apresentar uma queda de ritmo em comparação a Antonelli, principalmente nos dois últimos stints. O primeiro trecho estabanado do #12, que passou dos limites de pista três vezes nas duas voltas iniciais e despencou para o quinto lugar, ajudou bastante nisso.
O próximo capítulo desse duelo acontece já no próximo fim de semana, no GP da Inglaterra. Em um momento favorável na temporada, o britânico agora tem a oportunidade de fazer bonito diante da própria torcida para, quem sabe, aproximar-se ainda mais de Kimi e esquentar a briga pelo campeonato.

Red Bull realmente ganhou asas
O que houve com a Red Bull? Na sexta-feira de treinos livres, Max Verstappen e Isack Hadjar reclamaram tanto do carro que era até difícil listar todos os problemas — o RB22 saía de frente, de traseira, tracionava mal, freava pior ainda, perdia potência na Curva 3, o banco estava desconfortável, entre outras coisas. Em meio à insatisfação dos pilotos, Pierre Waché, diretor-técnico da equipe e responsável pelo chassi desde a saída de Adrian Newey, manteve a calma e disse que as dificuldades eram frutos das muitas atualizações introduzidas. De acordo com ele, logo tudo se ajeitaria.
Era difícil acreditar que isso de fato seria possível, até que a classificação mostrou um cenário diferente. Mesmo com o susto de quase ter sido eliminado no Q2, o tetracampeão mundial chegou ao Q3 a todo vapor e se colocou imediatamente como um forte candidato à pole-position. Bem, todos lembram o que aconteceu na última tentativa de volta rápida: uma escapada estranha na Curva 9 e o encontro com o muro. Tudo o que restou foi o quinto lugar no grid, atrás das duplas de Mercedes e Ferrari.
Apesar do histórico recente de não ir tão bem em largada, Verstappen ganhou duas posições e se infiltrou no pelotão de cima, com direito a duelos vibrantes contra Lewis Hamilton. Ao se manter relativamente próximo de George Russell, não mais do que 5s5 até a primeira parada nos boxes, o neerlandês se viu bem posicionado na briga pela vitória, principalmente após o ótimo segundo stint, quando a diferença chegou a 1s2. E foi aí que a Red Bull ficou devendo.
Talvez sem acreditar que era possível vencer, manteve o #3 tempo demais na pista antes do pit-stop derradeiro, o que o impediu de ensaiar um ataque decisivo nas voltas finais. Ao receberem a bandeirada, somente 1s6 separava os dois. Mas tudo bem, os taurinos fizeram muito mais do que era esperado deles, principalmente em um fim de semana em que se falou muito sobre as negociações sobre o futuro de Max na equipe. Olhando por esse lado, a escuderia deve ficar satisfeita, pois provou que pode evoluir. Se será o suficiente para manter o principal ativo, só o tempo vai dizer.

A grande decepção na Áustria
Antes da corrida, muito se falava sobre como a Ferrari poderia tirar proveito do fato de Charles Leclerc e Lewis Hamilton estarem próximos no grid para dar um nó estratégico na Mercedes, assim como foi na Catalunha. Nada disso aconteceu. Quer dizer, uma parte da história até que foi igual: o time de Maranello foi o único — além da Alpine, com Pierre Gasly apenas — a chamar os pilotos três vezes aos boxes. E sinceramente, dá para passar um pano para essa decisão. Uma vez que perceberam que não tinham o mesmo ritmo de Mercedes e Red Bull para brigar pelo menos pelo pódio, os vermelhos tentaram algo diferente.
“Quando você não tem ritmo, acaba forçando além da conta, assume mais riscos na estratégia e, quando isso não dá certo, precisa lidar com o prejuízo e paga a conta no fim. Foi exatamente isso que aconteceu conosco hoje”, explicou Frédéric Vasseur, chefe da escuderia. Totalmente compreensível. O que não dá para entender é a queda de rendimento entre a corrida em Barcelona e a da Áustria. Claro que ninguém esperava ver os italianos como principal força, mas em condições similares de temperatura e desgaste dos pneus, a equipe realmente ficou bem atrás do que foi visto em Montmeló.
Da mesma forma, era uma ilusão acreditar que a primeira atualização no motor permitida pelo ADUO colocasse os carros em um patamar próximo ao da Mercedes ou da Red Bull Ford. Hamilton foi o mais rápido da dupla ao alcançar a velocidade máxima de 332 km/h. Andrea Kimi Antonelli e Max Verstappen, por exemplo, bateram 337 km/h e 340 km/h, respectivamente. Lando Norris, que viu o MCL40 de Oscar Piastri chegar a 347 km/h com o propulsor alemão, disse que “ficou com pena” da falta de velocidade de reta dos rivais de Maranello. Que fase!
Em questão de resultado, Lewis maximizou o que era possível com o quinto lugar, ao mesmo tempo que Charles teve uma performance pífia. Sem dúvidas, a Ferrari foi a grande decepção do fim de semana. Agora, enquanto conta os dias para a próxima atualização no motor da qual tem direito, resta ao time focar em dar uma resposta no GP da Inglaterra do próximo fim de semana.

Altos e baixos na McLaren
Que o desempenho da McLaren ficou muito aquém do esperado não é segredo para ninguém, mas a verdade é que mesmo assim há alguém que pode ficar satisfeito com este domingo: Oscar Piastri. O australiano se perdeu nas sombras de Lando Norris desde a segunda metade da temporada passada, quando uma sequência terrível de resultados fez o sonho de ser campeão se tornar em pesadelo.
É verdade que a disputa entre a dupla vem acirrada desde o início de 2026, mas essa é a primeira vez que o australiano ultrapassa o britânico na classificação do Mundial de Pilotos. Mas a questão nem é essa. O ponto é que, mesmo após ser superado pelo companheiro por 35s no GP de Barcelona-Catalunha, o #81 soube dar a resposta necessária na etapa seguinte. Em um fim de semana em que os papaias começaram no posto de ameaça à Mercedes e terminaram quase tão ruim quanto a Ferrari, Piastri foi quem de fato apresentou uma performance sólida do início ao fim.
“Foi o máximo que eu poderia ter feito. Não tínhamos ritmo para fazer mais do que isso e acompanhar a Mercedes ou Max [Verstappen]. Conseguir terminar à frente das duas Ferrari foi um resultado muito bom. Então, estou muito feliz com isso”, disse Oscar.
Mas de nada adianta o brilho de um piloto se a equipe permanece inconsistente. Andrea Stella garantiu que a McLaren sabe muito bem o que precisa fazer para tirar 0s3 ou 0s4 em relação aos rivais. E nem dá para duvidar do time, que se mostrou certeiro nas atualizações ao longo dos últimos anos. Acontece que, até aqui, não encontrou a estabilidade que precisa. Mas o mesmo pode ser dito de Ferrari e Red Bull, não é mesmo?

Boas notícias para Bortoleto
Gabriel Bortoleto tem razão ao dizer que a Audi apresentou uma “grande evolução” no fim de semana do GP da Áustria. Quem olha apenas para o resultado final pode até estranhar essa afirmação, visto que nem o brasileiro e nem Nico Hülkenberg terminaram dentro da zona de pontuação. Acontece que, em uma pista que tinha tudo para ser desfavorável ao R26, pois os rápidos setores 1 e 3 não jogam a favor da unidade de potência, a dupla apresentou uma performance surpreendente.
Também é possível concordar com Allan McNish, diretor de corridas, que avaliou o fim de semana em Spielberg como “o melhor entre todos até agora, em termos de treino livre, classificação e corrida”. E tudo isso levando em consideração o GP da Austrália, que abriu a temporada e onde Bortoleto conquistou os únicos 2 pontos da equipe até aqui. Para uma marca que oficialmente está somente na oitava corrida na Fórmula 1, a avaliação geral precisa ser positiva, mesmo que boas oportunidades tenham sido desperdiçadas em Mônaco e Barcelona — por culpa dos pilotos ou azar mesmo.
É que realmente seria difícil superar a Racing Bulls no Red Bull Ring. Liam Lawson e Arvid Lindblad se colocaram como principais forças do pelotão intermediário desde os primeiros momentos e seguiram assim até o fim, mesmo que o ritmo de corrida não tenha se provado tão superior ao da Audi. De qualquer maneira, o 11º e 12º lugares de Gabriel e Nico são selos de aprovação para este final de semana e impulsionam a estreante equipe rumo aos próximos passos da perna europeia.

A Fórmula 1 volta de 3 a 5 de julho com o GP da Inglaterra, em Silverstone, nona etapa da temporada 2026.
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