Russell neutraliza Verstappen e vence escaldante GP da Áustria. Bortoleto é 11º
George Russell controlou bem o desgaste de pneus, impediu o ataque de Max Verstappen nas voltas finais e ainda viu Andrea Kimi Antonelli terminar em terceiro
George Russell fez valer a pole-position conquistada no último suspiro da classificação e venceu o GP da Áustria. Em um domingo (28) de termômetros acima dos 34°C, o britânico gerenciou bem os pneus, neutralizou a investida de Max Verstappen nas voltas finais e ainda viu o companheiro de Mercedes e líder do Mundial, Andrea Kimi Antonelli, ficar em terceiro.
Entender o comportamento dos pneus determinou os caminhos estratégicos escolhidos pelas equipes, e, nesse ponto, a Ferrari tentou surpreender da mesma forma como fez em Barcelona, mas, dessa vez, as três paradas comprometeram as chances de Lewis Hamilton contra os carros da Mercedes e Verstappen.
O desgaste, na verdade, foi acentuado como já esperado diante do asfalto acima dos 50°C, mas Russell chegou até a cogitar a possibilidade de apenas um pit-stop. Se era real ou blefe para confundir os adversários, a questão é que ninguém ousou tanto assim.
Com os ponteiros com duas paradas, portanto, valeu quem soube administrar melhor o ritmo, e Verstappen merece menção por ter colocado a Red Bull no jogo depois da batida incomum na classificação. Depois da última parada, ainda descontou tempo da vantagem de Russell e, de quebra, neutralizou o ímpeto de Antonelli.
Mas George era quem tinha o controle da prova nas mãos, controlando a vantagem de 4s nas voltas finais para Verstappen, uma vitória necessária na disputa do título, uma vez que Antonelli teve de se contentar com o terceiro lugar.
A McLaren conseguiu o quarto lugar com Oscar Piastri, enquanto Hamilton completou na quinta colocação, longe da briga pelo top-3. Lando Norris, Charles Leclerc, Liam Lawson e Arvid Lindblad completaram a zona de pontos.
Gabriel Bortoleto conseguiu uma boa largada e brigou pelos pontos em todo o tempo, mas viu as chances neutralizadas pelos dois carros da Racing Bulls entre os dez primeiros e trabalhando em conjunto para manter as posições. No final, o brasileiro cruzou a linha de chegada em 11º.
A Fórmula 1 volta de 3 a 5 de julho com o GP da Inglaterra, em Silverstone, nona etapa da temporada 2026.
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Confira como foi o GP da Áustria de F1:
Com o maçarico ligado no máximo — 34°C de temperatura ambiente, asfalto em 47°C e umidade relativa do ar baixa, em 28% —, apenas dois pilotos resolveram arriscar os macios para o primeiro stint: Bortoleto, em 12º, e Carlos Sainz, em 17º, enquanto todos os demais optaram pela tática convencional da Pirelli, partindo de médios novos na largada. E a escolha já colocava em xeque a possibilidade de a Ferrari repetir a ousadia que deu a vitória a Hamilton em Barcelona, ao optar por três paradas.
Russell puxou a fila na volta de apresentação, com Leclerc ao lado. Hamilton e Antonelli vinham logo atrás, com Verstappen, com o carro reconstruído após a forte batida ao final da classificação, em quinto. Mas as simulações de corrida mostraram que, de todos os rivais, era a McLaren, em sexto e sétimo com Norris e Piastri, respectivamente, quem tinha o ritmo de corrida mais próximo dos carros prateados. A largada, portanto, seria importante para colocar os papaias na briga ao menos do pódio.
Quando as luzes se apagaram, Russell colocou por dentro e fechou a porta de Leclerc, enquanto Hamilton conseguiu se manter em terceiro e partiu para o ataque sobre o companheiro de equipe já no segundo setor da primeira volta. Antonelli, em contrapartida, escapou na curva 1, porém manteve o quarto lugar, com Verstappen, Piastri e Norris em sequência.
Na volta 2, Antonelli começou a pressionar Leclerc, mas novamente passou por fora na curva 1, não apenas tendo de ceder posição novamente ao monegasco como ainda permitindo o bote de Verstappen, que não desperdiçou a oportunidade de subir para a terceira posição.

Antonelli teve trabalho para manter os McLaren atrás, mas conseguiu permanecer em quinto. As manobras, porém, ficaram na mira dos comissários. Paralelo a isso, Valtteri Bottas já se retirava da prova novamente com o carro pegando fogo. Depois foi a vez de Sergio Pérez também relatar o mesmo problema, só que a Cadillac não foi a única: Lawson, da Racing Bulls, também reclamou do carro “pegando fogo”, mas seguiu na pista.
Enquanto Bortoleto ganhava a posição de Esteban Ocon na volta 7, subindo para 11º, Antonelli pressionava bastante Leclerc, efetuando a ultrapassagem em seguida. Na frente, Hamilton via Russell escapar, ao passo que Verstappen descontava 0s6 em somente uma volta, já crescendo no retrovisor do carro #44.
Verstappen chegou de vez na volta 10, a 0s3 de Lewis e estudando o melhor momento para tentar a ultrapassagem. Russell mantinha-se na liderança a 3s3, e a Mercedes já demonstrava sinais de preocupação com o ritmo do #3 da Red Bull.
Só que Max voltava a reclamar dos freios, ainda que, na volta 11, tenha mergulhado na curva 3, ganhando a posição. Hamilton foi esperto e deu o troco na 4. Dali em diante, os dois colocaram lado a lado nas curvas seguintes, com Lewis prevalecendo e mantendo a segunda posição.

Abertura do 12º giro, Verstappen foi para o ataque novamente — e dizendo que a defesa anterior de Hamilton era “claramente caso de punição”. A Ferrari, então, chamou o heptacampeão para a primeira troca de pneus, devolvendo-o à pista em 11º com os compostos duros.
Leclerc foi na sequência e também colocou os duros. Até então, os dois carros da Ferrari aparentemente na mesma estratégia, só que a troca com somente 13 voltas no primeiro stint indicava ou a tentativa de três paradas ou um desgaste muito excessivo da borracha, uma vez que a Pirelli estimara os médios durando por, no máximo, 24 giros.
Leclerc voltou atrás de Bortoleto, enquanto Verstappen, de pista limpa, assumiu a segunda posição, trazendo Antonelli a 1s8. E na frente, Russell já cogitava a possibilidade de até uma parada, apesar do forte calor. Até então, a temperatura da pista já chegava aos 52°C, com os termômetros em 35°C.
“O ritmo está legal?”, perguntou Hamilton a Carlo Santi, recebendo feedback positivo. “Está melhor que o de Leclerc”, mas a grande questão era entender qual seria a jogada da Ferrari. E considerando a fala de Russell, a chance de fazer o stint de duros durar bastante também não poderia ser descartada.
Verstappen entrou na volta 19 — um giro depois da troca de Bortoleto—, e Russell veio na seguinte. A McLaren também chamou Piastri no mesmo instante, o que fez Antonelli assumir momentaneamente a liderança, com Norris em segundo. “Vamos ficar na pista e esticar o stint”, disse a McLaren a Lando, mas o #1 demonstrou preocupação por não ter ritmo. Russell vinha em terceiro, a 2s de distância e já de pneus novos.

Hamilton era o quarto, com Verstappen novamente na cola. E para a frustração de Max, os comissários consideraram a disputa anterior entre ele e Lewis com lance de corrida.
Volta 22, Norris foi para a troca de pneus, um pit-stop em 3s. Na pista, Verstappen tentava novamente surpreender na curva 3, e Hamilton de novo recuperava a posição na 4. Só que o #3 não deu mole e concluiu o movimento na curva 5, assumindo o virtual segundo lugar, considerando Antonelli na ponta ainda sem parada.
Volta 25, Antonelli parou no exato instante em que o Williams de Sainz apareceu parado na reta dos boxes. Mas dessa vez não houve vantagens, uma vez que o safety-car virtual foi acionado quando o italiano já deixava o pit-lane.
Mas a Ferrari resolveu tentar o bote e chamou Hamilton para uma parada extra para colocar macios. Até então, Russell, Verstappen, Leclerc, Antonelli, Piastri e Hadjar vinham à frente do britânico, todos já com paradas efetuadas e até considerando irem até o fim.
“Bono, o que há de errado com os freios, não sinto confiança”, chiou Antonelli. O calor era o problema, com um deles sofrendo mais que o outro. Na pista, a vantagem de Kimi para Piastri era de 3s, e ele se via a 0s6 de Leclerc na briga pelo pódio. Mais atrás, Hamilton tentava escalar o pelotão para fazer valer a tática de três paradas.

Volta 30, Antonelli passou Leclerc por fora e não deu chances ao monegasco de tentar o troco. A distância para Verstappen era de 9s. No giro seguinte, Hamilton conseguiu deixar Hadjar para trás na curva 3.
De macios, Hamilton rapidamente chegou em Piastri e Leclerc para já brigar pelo quarto lugar. A Ferrari, todavia, demonstrava atenção com a temperatura, instruindo-o a acionar o “modo TS” para cuidar da unidade de potência.
Deu certo, porque Hamilton aproveitou a ultrapassagem de Piastri sobre Leclerc para deixar o companheiro de equipe também para trás. Charles ainda sofreu danos na disputa com Oscar e teve de voltar aos boxes. Enquanto isso, na frente, Russell levava somente 1s5 de vantagem para Verstappen, que tinha 6s3 para Antonelli.
Enquanto Alonso tomava 5s de punição por excesso de velocidade no pit-lane, Verstappen seguia a perseguição a Russell, segurando o carro na curva 1 depois de leve traseirada. A distância já era de 1s1 na volta 42. Antonelli, por sua vez, não conseguia romper a barreira dos 6s.
Volta 43, a McLaren chamou Piastri para a segunda troca, e a Ferrari fez o mesmo com Hamilton para marcar o carro #81. Russell, então, fez a segunda parada na 44, neutralizando também uma eventual tentativa de undercut da Red Bull com Verstappen. Russell retornou em terceiro, enquanto Max e Kimi assumiram as duas primeiras colocações.

Bortoleto fez a segunda troca na volta 46, voltando à pista em 12º, ainda na briga pelos pontos. Quando Hülkenberg entrou nos boxes, Gabriel assumiu a 11ª colocação, a 5s da zona de pontos. A questão era os carros da Racing Bulls com vantagem suficiente para manter ao menos um piloto no top-10.
Volta 48, Piastri passava Leclerc e assumia a quarta posição, enquanto Hamilton, com a corrida totalmente comprometida, estava a 2s da disputa. No giro seguinte, já com os pneus em frangalhos, Verstappen partiu para o segundo pit-stop e abriu caminho para a liderança de Antonelli.
“Ok, Kimi, mantenha o foco”, pediu Bono antes da chamada para a troca final, no giro 52. Antonelli voltou 4s4 atrás de Verstappen, em terceiro, com pouco menos de 20 voltas para lutar pela dobradinha da Mercedes na prova.
Na volta 53, o safety-car virtual entrou novamente em ação quando Albon atropelou um poste de sinalização, jogando o detrito para o meio da pista. Quando a bandeira verde voltou, Russell, que levava 18s para Verstappen, apareceu somente 8s à frente. Max, claro, aceitou o presente e começou a tirar tempo consistentemente volta a volta.
Na volta 60, enquanto Leclerc parava novamente sem qualquer diferença para o resultado final, a distância entre Verstappen e Russell era de 5s. Antonelli, por sua vez, também descontava muito em relação a Max, porém mesmo com os três ficando muito próximos, as posições seguiram inalteradas até a bandeirada.
F1 2026: resultado do GP da Áustria
| 1 | G RUSSELL | Mercedes | 71 voltas |
| 2 | M VERSTAPPEN | Red Bull Ford | + 1.611 |
| 3 | A K ANTONELLI | Mercedes | + 1.986 |
| 4 | O PIASTRI | McLaren Mercedes | + 21.809 |
| 5 | L HAMILTON | Ferrari | + 26.393 |
| 6 | I HADJAR | Red Bull Ford | + 26.399 |
| 7 | L NORRIS | McLaren Mercedes | + 31.505 |
| 8 | C LECLERC | Ferrari | + 45.659 |
| 9 | L LAWSON | Racing Bulls Ford | + 1 volta |
| 10 | A LINDBLAD | Racing Bulls Ford | + 1 volta |
| 11 | G BORTOLETO | Audi | + 1 volta |
| 12 | N HÜLKENBERG | Audi | + 1 volta |
| 13 | P GASLY | Alpine Mercedes | + 1 volta |
| 14 | O BEARMAN | Haas Ferrari | + 1 volta |
| 15 | F COLAPINTO | Alpine Mercedes | + 1 volta |
| 16 | E OCON | Haas Ferrari | + 2 voltas |
| 17 | A ALBON | Williams Mercedes | + 2 voltas |
| 18 | F ALONSO | Aston Martin Honda | + 3 voltas |
| 19 | L STROLL | Aston Martin Honda | Abandonou |
| 20 | C SAINZ | Williams Mercedes | Abandonou |
| 21 | S PÉREZ | Cadillac Ferrari | Abandonou |
| 22 | V BOTTAS | Cadillac Ferrari | Abandonou |
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